O Filho do Inventor
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Após algumas horas a mais, eles se encontraram e seguiam para o submundo. No caminho, decidiram pegar um atalho. Isis sabia exatamente para onde ir pela floresta. Porém, já era noite e Jeff sentia outra clareira. Pequena, mas era o suficiente. Novamente, Adam passou pelas piores dores e agonias que jamais vivera. Desta vez, apenas Audrey ficaria de guarda, acordada. Percebera que não tinha a necessidade de dormir. A noite a dava forças e a descasava, dormindo ou não.
Às 4 horas da manhã, Luma levantou e se dirigiu a ela.
– Acordou cedo, hã!? — comentou Audrey, descendo da árvore em que estava sentada
– Sempre. O dia faz comigo o que a noite faz contigo, mas não substitui meu sono.
– Nix é mãe de Hipnos, o deus do sono. — disse, entediada — Isso deve ajudar.
Após alguns segundos de silêncio, Audrey refletiu:
– Sabe, estive pensando... Talvez uma só deusa não baste. Será que deveríamos chamar Ártemis? Quer dizer, ela foi tão prestativa anteontem.
– Você tem razão. — Respondeu Luma, desanimada
– Ei, o que foi?
– Nada, esquece. É o sono.
– Você acabou de dizer que o dia faz com você o que a noite faz comigo; eu sei muito bem que você não sente sono quando a luz de Apolo te atinge. Fala.
Luma suspirou.
– Não quero me reencontrar com as Caçadoras novamente.
– Adam?
Luma corou e deu um riso fraco.
– Bom, parece que só não está na cara para mim, certo!?
– Como assim?
– Sei lá... Sinto falta do Jeremy.
Audrey encarou a misteriosa escuridão da mata.
– Sinto muito, mas temo que não seja tão simples vê-lo novamente.
– Hã? — Luma a encarou — O que quer dizer? O que você sabe?
Luma tinha uma grande capacidade de percepção. Sabia quando estavam triste e porquê. Percebia muito fácil o que os outros sentiam ou pensavam.
– Foi ao ir para o Acampamento, certo? Annie te disse algo!
– Não! Nada a ver! Não deixe ela te enganar, ele continua não querendo nada com ela.
– Então o que está escondendo?
– Bom... Quando eu cheguei ao Acampamento, Isabel me disse que ele é romano.
Luma a encarou, sem compreender.
– Significa que ele fica em outro acampamento.
– Jeremy... Um meio-sangue...?
– Mercúrio.
– O que?
– Hermes romano. — esclareceu Audrey
– Ah... — ela suspirou — É... Talvez eu nunca mais o veja. — seus olhos lacrimejaram
Audrey não gostava de vê-la sofrer. Sabia que Luma gostava muito de Jeremy e perder quem você gosta para o lado inimigo sem poder sequer escolher se é ou não inimigo de fato, devia ser difícil. Ela não tinha escolha. Era uma briga de família.
– Pode deixar, Luma. Vamos separar as equipes e fazer com que Adam não veja as Caçadoras novamente. — Audrey a envolveu
Luma se forçava para não chorar e sorriu ao ouvir a amiga lhe dando força.
Horas depois, todos se levantaram. Jeff havia adentrado a mata, em busca de comida. Só de olhar sabia o que era ou não envenenado. Achava que Luma também tinha esse poder, sendo filha do Deus-curandeiro e, após um teste, foi concluído que tinha sim o poder de distinguir venenoso de seguro.
Sentaram-se em uma roda no chão, e discutiram o que fazer a seguir.
– Como líder da missão, — começou Jeff — acho que Luma devia nos dizer o que fazer agora.
– Você tem razão, Jeff. — respondeu — Mais cedo, conversei com Audrey e chegamos à conclusão de que uma deusa não basta pelos riscos que corremos. — Audrey assentiu, séria — Então nos dividiremos em equipes novamente e nos encontramos lá amanhã.
– De novo? Não quero me separar de vocês de novo. — resmungou Jeff
– Relaxa, a equipe vai ser maior desta vez. Audrey e Adam seriam bons no submundo, por serem herdeiros de lá.
Audrey e Adam se entreolharam.
– E não acho que Audrey queira responder Ártemis agora, antes de ela poder nos ajudar, certo?
– Espera, espera, espera. Ártemis? — surpreendeu-se Adam
Audrey olhou rapidamente para Luma e a seguir, o respondeu:
– Sim. Ela nos foi muito útil, acho que nos ajudaria novamente.
– Bom, voltando... — disse Luma, recompondo-se — Eu também não quero dar esta resposta, enquanto Isis já deixou bem claro que não irá para a Caça.
– Então você acha melhor que a filha de Hermes que já disse não vá acompanhada de dois homens para convencer Ártemis de algo? — Adam tinha um argumento.
– Sendo assim, deixamos claro que vocês três têm de ter muito cuidado ao falar com ela, ok? — disse Luma, como se o respondesse
– Acho que a equipe do submundo está boa, mas a de Ártemis não vai dar certo. Sinceramente. — Adam voltou a implicar
Sendo filha de Apolo, Luma detestava desaforos e questionamentos sobre sua liderança.
– Ok, Adam. Não acha que é melhor correr o risco do que ter certeza? Pois se você for, vai se envolver com uma Caçadora qualquer e irritá-la com certeza.
Adam balançou a cabeça negativamente e continuou a comer sua fruta — que aliás, não fazia ideia de qual era, mas estava com tanta fome que mal percebia o gosto dela. Não concordava com Luma, mas não argumentou mais, pois odiava discutir com ela. Ela sempre ganharia, não importa o quanto estivesse errada. Não podia acreditar que ela não confiava nele a ponto de deixá-lo perto de uma paixão antiga. E ainda por cima a chamara de qualquer.
Audrey olhou para Luma em solidariedade, mas seu olhar também dizia "menos, ok?".
Então as equipes foram divididas e ninguém mais questionou a liderança de Luma. Ângelo, Isis e Jeff iam atrás de Ártemis enquanto Adam, Luma e Audrey falariam com Perséfone.
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