Notas iniciais
Oii! Obrigada a todos que leram o capítulo anterior, esse saiu rapidinhos pois já tinha escrito, só faltava revisar.
Espero que gostem. Beijinhos!!



Pela primeira vez na vida queria sumir dessa casa. Sempre vivera bem aqui, mas depois da situação humilhante pela qual passei não me sentia confortável neste lugar. Olhei-me no espelho e percebi que meus olhos estavam inchados e vermelhos, não consegui dormir a noite, pois as lágrimas não deixaram.

Já eram 15h00minhr quando decidi sair do quarto, não havia saído até agora por receio de encontrá-lo. Fui andando sorrateiramente pelos corredores, meu plano era não chamar a atenção de ninguém, porém não tive êxito. Quando estava passando pelo escritório do Sr. Keehl o mesmo me chamou.

- Matt, poderia falar com você um instante? — Fiz que sim com a cabeça — Então entre, por favor. — Se afastou da porta me dando passagem.

Entrei no cômodo timidamente, o Sr. Keehl fechou a porta atrás de mim e foi em direção a sua mesa acomodando-se. Ao ver que eu ainda continuava no mesmo lugar fez sinal para que eu me sentasse em uma das cadeiras.

- Então Matt, eu gostaria de pedir um favor...

Dei um sorriso. O Sr. Keehl era tão bom para mim, não tinha como recusar um pedido dele.

- Claro! É só pedir.

- Eu queria que você tentasse se aproximar do meu filho — Ao ouvi-lo dizer isso meu coração parou — Vocês tem a mesma idade, e eu acho que um amigo seria bom para ele, ele precisa aprender a tratar as pessoas com mais respeito, não apenas como seus servos...

Isso era o que eu mais temia, se eu não queria nem ver a cara do loiro imagine me aproximar dele e tentar virar seu amigo? Além de tudo ele nunca aceitaria minha amizade, não deve nem saber o significo de tal palavra. Mas tinha de fazer isso pelo Sr. Keehl, ele parecia muito preocupado com o seu filho. Vendo que não recebia uma resposta perguntou-me novamente.

- Então você pode fazer isso?

- C-Claro... — Respondi mesmo que contra minha vontade.

Ele me deu um grande sorriso no qual eu retribui. Sai do escritório, agora estava indo na direção oposta, eu mal saíra do meu quarto e já estava voltando, tinha que refletir sobre o novo acontecimento. Estava no fim do corredor quando ouço uma voz que fez arrepios percorrer pelo meu corpo.

- Sabe o que eu mais odeio? — Ia dizendo enquanto se aproximava de mim — Empregados que ficam de segredinhos com o patrão.

Senti novamente um ódio imenso surgir dentro de mim, realmente o que o Sr. Keehl me pedira era impossível. Virei-me para dar uma resposta para ele, mas assim que virei senti mãos violentas agarrarem meu pescoço me jogando contra a parede.

- Aii... para...o que está fazendo...? — Tentei falar, porém as mãos me apertaram com força me sufocando.

- Você se lembra do que eu disse ontem? Para não se meter em meu caminho — Disse enquanto apertava suas mãos cada vez mais em torno do meu pescoço. Eu fiquei calado, não iria responder a ele.

- Eu acho bom você obedecer... LEMBRA OU NÃO LEMBRA? — Gritou, ele realmente explodia quandos as pessoas não faziam o que queriam. Meu rosto já estava ficando vermelho pela falta de ar...

- L-Lembro...

Ele deu um sorriso e me soltou, eu deslizei pela parede até ficar agachado no chão, meu corpo não se sustentava em pé. Ele me olhou e então disse.

- Portanto não se meta comigo.

Ele saiu andando me deixando caído e ofegante no chão. Eu estava revoltado, mas assim era melhor, NÃO ENTRARIA NO CAMINHO DELE. Apenas ia esquecer que ele estava nessa casa e viver a vida normalmente, não poderia cumprir a promessa que fiz ao Sr. Keehl.

Cheguei ao meu quarto e quando entrei levei um susto, minha mãe estava caída no chão desmaiada. Corri até ela e comecei a sacudi-la freneticamente.

- Mãe! Mãe! ACORDA MÃE! MÃE! MÃE! — Chamava desesperado.

- M-Matt — Ela falou com a voz fraca

- Mãe, você está bem? Quer que eu chame alguém?? — Estava desesperado.

- N-Não eu estou bem, s-só preciso descansar... — Sem esperar mais peguei ela no colo e coloquei ela na cama.

- Eu já falei para você não se esforçar... Por favor mãe me prometa que vai ao médico, você está adiando isso a muito tempo — Eu disse preocupado. Ela não vinha se sentindo bem há semanas, entretanto nunca foi ao médico.

- P-prometo. — Ela fechou os olhos e aos poucos adormeceu. Fiquei ao lado dela acariciando sua face.

Já tinha se passado uma semana desde o ocorrido, no momento a minha maior preocupação era minha mãe, hoje ela foi fazer exames, eu estava rezando para que tudo isso não passasse de cansaço. Nas únicas vezes que encontrei Mihael eu o ignorei, não queria ter mais preocupações.

Já fazia três horas que minha mãe tinha ido ao hospital, eu já estava aflito, eu não era pessimista, mas também não era otimista. Depois de tanto andar de um lado para o outro sentei em um banco no jardim olhando ansiosamente para o portão. Estava morto de sono e acabei cochilando sobre o banco.

Dormia tranquilamente, mas acordei assustado, acabara de receber uma balde de água gelado no rosto. Olhei para o lado para ver o autor de tal crueldade e me deparei com o loiro sorrindo.

- O que aconteceu? Acordou assustado — Falou ironicamente, ele estava segurando um balde em uma das mãos.

Eu me limitei a olhá-lo, não iria fazer o que ele estava esperando. Levantei e andei em direção ao meu quarto, eu estava encharcado e com frio, quando cheguei fui direto para um banho. Quando sai do banheiro secando meus cabelos vi minha mãe sentada em minha cama, ela segurava um envelope branco e olhava para o chão.

- Mãe...

Ela me olhou seriamente.

- Matt, sente-se – Engoli em seco, para minha mãe falar desse jeito alguma coisa muito séria aconteceu.

- Eu fiz os exames... — Ela suspirou e foi direto ao ponto – e os resultados apontam que eu tenho câncer.

Eu fiquei paralisado. Não sabia o que dizer ou o que fazer. Isso não podia ser verdade. Não podia. Minha mãe era a única pessoa que eu tinha, não conseguia nem imaginar não tê-la ali com ele, isso era demais pra mim. Depois de me recuperar do choque inicial perguntei.

- O-o que o médico disse depois? – Tentava manter a voz calma.

- Que eu preciso fazer quimioterapia para que isso não seja fatal.

Fatal? Ou seja, a vida da minha mãe dependia desse tratamento?

- Mas Matt... -Ela começou – Esse tratamento é muito caro e não temos...

- Você irá fazer mãe – Eu a cortei, ela iria fazer a quimioterapia de todo jeito, nem que eu precisasse trabalhar o dia inteiro, eu iria achar um meio de cobrir os custos.

- Matt...

- Eu irei trabalhar mãe, darei um jeito de conseguir o dinheiro, mas, por favor, faça.

Ela deu um sorriso e estendeu os braços, me joguei em cima dela a abraçando fortemente. Eu faria de tudo para ter ela sempre comigo, eu não iria perdê-la.

Voltei de mais uma entrevista de emprego cabisbaixo, porque não consegui? Eu sei que tenho somente 16 anos e não tenho nenhuma experiência, só que como irei adquirir experiência se ninguém me dá uma oportunidade? E eu precisava muito desse emprego, era o único jeito de pagar o tratamento de minha mãe. Fui andando lentamente e me sentei no banco no jardim, era o mesmo banco em que estava quando esperava minha mãe e os resultados do exame, já havia se passado cinco dias desde então. Senti alguém se aproximar de mim, porém não olhei pra trás para ver quem era.

- Fiquei sabendo que sua mãe está doente. – Falou uma voz que eu detestava.

Não respondi, continuei imóvel, será que ele não respeita os sentimentos das pessoas nem em um momento como esse?

- Pelo jeito ainda não consegui emprego, também, quem iria querer contratar um inútil?- Falou zombando da minha situação. Não respondi, fiquei olhando para o nada até ouvi-lo dizer.

- Irei cobrir as despesas do tratamento de sua mãe.

Olhei para ele, ele estava brincando comigo, certo? E mesmo se não estivesse eu não aceitaria o dinheiro dele, eu ainda tinha o meu orgulho.

- Não preciso de sua ajuda. – Falei orgulhoso.

- Mas não estou oferecendo ajuda. Você terá que me dar algo em troca.

Olhei para ele novamente, estava esperando que continuasse com essa proposta maluca.

- Quero que você seja o meu bichinho de estimação, ou seja terá que fazer tudo o que o seu dono mandar – Deu um sorriso ao ver minha reação. Após esperar minha resposta que não foi dada perguntou. – E ai? Aceita?

Notas finais
E ai? O que acharam? Por favor deixem seus comentários sobre o que gostaram e não gostaram. Podem ser sinceros.
Até o próximo capítulo...