O Filho Do Chefe
4 Passado
Notas iniciais
Por favor, não fiquem bravos ok? Eu tive que deixar o lemon pro próximo capítulo...mas o próximo capítulo vai sair rapidinho, provavelmente amanhã.
Estava na sala de espera do hospital, hoje era a primeira sessão de quimioterapia de minha mãe, embora ela tenha me enchido de perguntas sobre onde havia conseguido o dinheiro aceitou fazer o tratamento, ou melhor, foi obrigada por mim.
Eu já estava mofando naquele banco, fazia uns 40 minutos que estava sentado. Comecei a assistir a um programa que estava passando na televisão e acabei nem reparando quando minha mãe se aproximou.
- Matt, vamos? – Ela perguntou fazendo-me notar sua presença. Olhei para ela, seu rosto estava um pouco abatido, será por causa da sessão?
- Já terminou?
- Sim, vamos logo que não gosto desse ambiente. – Falou. Eu também não gostava de hospitais.
Saímos do hospital e fomos ao ponto de ônibus (somos pobres, ok?), enquanto esperávamos íamos conversando sobre vários assuntos, sobre o tratamento, sobre meus estudos, até que ela tocou no assunto sobre o qual eu não queria comentar.
- Matt... — Ela começou a falar – Por favor não minta, como você consegui esse dinheiro?
Dei um suspiro, eu já tinha respondido a essa pergunta tantas vezes, não queria ter que ficar mentindo de novo e de novo.
- Mãe eu já te disse, eu andei fazendo uns bicos essa semana, e eu também tinha um dinheiro guardado, não era muita coisa, mas ainda foi o suficiente.
Ela deu um sorriso, parece que finalmente eu a tinha convencido.
- Muito obrigado Matt, eu amo você.
- Eu também te amo.
Quando entrei no ônibus eu me sentei na janela e fiquei pensando sobre o que havia ocorrido, sentia nojo de mim, nojo do que eu tinha feito, eu teria me tornado, como ele disse, uma pessoa que faz tudo por dinheiro? Não. Eu não era assim, iria procurar novamente por um emprego decente e nunca mais teria que me submeter a ninguém.
Chegamos à mansão, porém eu ainda sentia uma imensa necessidade de ficar sozinho com os meus pensamentos refletindo.
- Mãe, vai pro quarto, você precisa descansar. Eu quero ficar aqui um pouco. – Falei, ela concordou com a cabeça, eu sorri e logo comecei a andar sem rumo pela propriedade.
Não queria encará-lo, porém tinha que fazer isso, precisava dizer que eu não iria fazer mais nada por ele. Tirei do meu bolso o celular que ele me deu, não sabia exatamente o motivo pelo qual carregava aquilo sempre comigo, provavelmente o medo que ele ligasse e eu não atendesse. Coloquei o celular em uma mureta, nunca mais iria atendê-lo. Comecei a lembrar de como era minha vida antes da chegada de Mello e antes de minha mãe descobrir que tinha câncer, tudo era sempre tão tranquilo, sem nenhuma preocupação, como tudo pode mudar em tão pouco tempo?
Perdido em pensamentos, nem me dei conta que estava indo em direção a piscina. Era uma piscina magnífica, mas estava praticamente abandonada, nunca vi ninguém entrar nela. Fiquei olhando para ela, podia ver a minha imagem refletida. Enquanto percorria o olhar pela água, pude ver que no centro dela havia um bichinho, ele estava se afogando, mas ainda assim lutava desesperadamente pela sua vida, eu também não sabia nadar, então me senti mal por isso.
Peguei aquelas redes que são usadas para limpar a piscina, estava tentando retirá-lo de lá, entretanto a piscina era muito grande e a rede não alcançava o centro dela, cheguei mais perto da borda, me esticava ao máximo, estava quase conseguindo quando me coloquei um pouco mais para frente, porém levei um escorregão caindo na piscina.
Afundei imediatamente, tentei voltar à superfície, mas o fato de estar me debatendo só atrapalhava, eu mexia os braços desesperadamente tentando subir, eu já estava no fundo a superfície cada vez mais distante, podia sentir o oxigênio deixando meus pulmões, enquanto minha visão foi escurecendo...
....
...Pude sentir o oxigênio em meus pulmões novamente, mãos apertavam o meu peito fazendo movimentos, e lábios... lábios doces e gentis que sopravam oxigênio para dentro do meu corpo. Abri meus olhos, minha visão estava embaçada, não conseguia distinguir muita coisa, virei meu corpo pro lado colocando pra fora toda água que havia engolido. Sentia muito frio, percebi que estava sozinho, mas como podia estar sozinho? Até segundos atrás tinha alguém ali comigo, a pessoa que me salvou... olhei para trás e vi uma pessoa com as roupas encharcadas indo embora. Isso não era possível... a pessoa que me salvou...foi mesmo o Mello? Eu já sabia a resposta, só me faltava processar tal informação.
Não sei como consegui chegar ao meu quarto, estava zonzo e perdido, porém assim que cheguei fui diretamente pro banheiro. Despi minha camiseta, listrada de preto com vermelho e minha habitual calça jeans, ouvi algo cair no chão, era o celular que por algum motivo eu pegara de volta. Liguei o chuveiro o mais quente possível, ainda estava tremendo de frio, deixei que a água escorresse por minhas costas enquanto isso tentava me lembrar de tudo o que aconteceu... Eu caí na piscina, eu me afoguei, isso fazia sentido, eu fui salvo pelo Mello, isso não fazia sentido. Porque ele me salvaria? A pessoa que me salvou era tão delicada, isso não combinava nem um pouco com a personalidade dele. Não! Mail Jeevas (Posso não ter dito, mas esse era o meu nome, Matt é apenas meu apelido), aceite a razão, você viu o Mello com as roupas encharcadas, ele era a única pessoa que estava por lá, portanto foi ele quem te salvou.
Assim que me troquei desci para a cozinha, não sei por que estava indo lá, talvez por ser o lugar que seja mais improvável encontrar Mello. Quando estava quase na porta ouvi a voz de minha mãe.
-... esse menino Mihael, ele parece ser tão revoltado – Ela ia falando.
- Mas ele tem suas razões – Completou a Sr. Miller.
Bem... eu não sou de escutar conversas atrás da porta, mas dessa vez eu não resisti, também queria saber o motivo de tanta revolta.
- Sabe... desde pequeno ele não teve atenção dos pais, o Sr. Keehl sempre focado em seu trabalho, a mãe não parava em casa, acho que nunca a vi brincar com ele. – A Sr. Miller ia contando – Teve uma época em que as brigas do Sr. Keehl e sua esposa estavam constantes, o Mihael tinha nove anos, quando os seus pais pediram o divórcio o Sr. Keehl o mandou ir morar com a mãe, pois se ficasse aqui acabaria atrapalhando os seus negócios.
- O Sr. Keehl? – Perguntou minha mãe, pela voz dela parecia estar incrédula – Mas ele sempre foi tão gentil, sempre falava do filho.
- Porque ele ficou com remorso porque o filho tentou se matar, sinceramente deve ser porque nunca recebeu atenção e carinho na vida, depois disso o Sr. Keehl começou a ligar para ele, mas já era tarde demais, ele já tinha ficado indiferente a tudo e a todos, essas atitudes que ele tem devem ser porque quer de alguma forma chamar atenção.
- Coitado – Disse minha mãe – Eu posso não ter dado tudo o que o meu filho merece, mas posso garantir que atenção e carinho nunca faltaram, ele é tudo pra mim.
Chega, não queria mais ouvir, acho que já ouvi demais. Não sabia dessa história, confesso que isso não iria fazer com que eu parasse de odiá-lo ou mudar o que ele tinha feito, mas pela primeira vez fiquei com pena dele. Ter uma infância sem o carinho dos pais desse ser difícil para qualquer um, ele podia estar fazendo essas coisas apenas para chamar a atenção das pessoas, mas será que ele não percebia que isso só fazia as pessoas não o querer por perto?
Estava indo para o meu quarto, quando me lembrei de algo. Quando cai na piscina o meu PSP estava no meu bolso, não podia acreditar, eu mal o havia ganhado e já tinha estragado, sem contar que era um presente que minha mãe se esforçou muito para me dar. Fiquei triste com isso, porém senti meu celular tocar, era ele, não queria vê-lo principalmente porque teria que agradecê-lo por ter me salvado, mas ainda assim atendi ao telefone.
- No meu quarto agora – Foi a única coisa que ele falou. Respirei fundo, dessa vez teria que agradecer e falar que estava desistindo daquela proposta idiota. Fui caminhando ao até o quarto dele, a porta estava entreaberta, eu a empurrei.
- Entre e feche a porta — Ele falou.
Assim que fechei a porta ele começou a falar.
- Você não tem nada para me dizer? – Perguntou autoritário.
Minha intenção era agradecê-lo, porém esqueci-me disso no momento em que entrei naquele quarto, comecei a lembrar de tudo que ele havia feito da última vez que estive lá.
- Não – Disse secamente
Pude ver um brilho de ódio encher seus olhos, ele andou até mim e segurou meus cabelos ruivos com força.
- Odeio pessoas mal agradecidas – Sussurrou em minha orelha.
Eu estava com raiva, não pude me segurar. Desvencilhei-me dele, ele me olhou surpreso, eu estava de frente pra ele o encarando.
- Nossa, além de mal agradecido é abusado – Falou sarcasticamente.
- Você se acha o dono da razão, né? – Comecei a falar, estava quase gritando – Você fica com essas atitudes ridículas, só porque você foi rejeitado por seus pais? Você se faz de forte, de indiferente, mas no final de tudo só quer que as pessoas percebam que você existe. Parabéns, você conseguiu fazer com que eu notasse você, está feliz por ser odiado por mim agora? – Disse isso e sai do quarto, o que mais me espantou foi que ele não fez nada além de escutar o que eu estava dizendo, eu esperava ser espancado depois disso, mas sai intacto.
Enquanto caminhava apressado pro meu quarto, me arrependi do que disse, não deveria ter deixado a raiva tomar conta de mim, apesar de tudo ele havia me salvado, deveria ter dito obrigado, que não queria mais vê-lo e me retirado. Entrei no meu quarto e fechei a porta com força encostando-me nela, mas algo me chamou atenção, na minha cama tinha um embrulho. Estava me perguntando por que minha mãe me daria outro presente. O abri cuidadosamente, arregalei os olhos, havia outro PSP, como minha mãe sabia que o meu tinha estragado? Mas logo vi algo inacreditável, dentro do embrulho tinha um biscoitinho de cachorro, e nele continha um bilhete com uma letra que eu nunca tinha visto antes.
“Não ache que estou sendo bonzinho. É apenas outra forma de pagamento, mas ainda assim espero um obrigado.”
Fiquei segurando o bilhete em minha mão, então o obrigado que ele estava esperando era por isso?...
Notas finais
Espero reviews!
Até o próximo capítulo.
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