O Filho De Uma Traição
3 A Fuga
Notas iniciais
Na hora seguinte, Arthur conversou com seu filho sobre a sua origem.
–Quer dizer que eu sou um semideus? Tipo na mitologia, quando um deus tem filhos com humanos?
–Sim, Rick. Isso mesmo.
–Então... -Rick continuou, escolhendo cada palavra-Você não é meu pai de verdade?
Arthur virou o rosto e olhou para o lago. A água do lago estava tão calma que dava pra ver os peixes, nadando despreocupadamente. Isso o irritou como nunca antes. Ele respirou fundo antes de falar.
–Me desculpe filho.
Rick sentiu um calafrio percorrer o corpo. Não podia acreditar no que estava ouvindo. Mas alguma coisa dentro dele sabia que o pai estava mentindo.
–Você corre perigo aqui, filho – o pai continuou – não posso prendê-lo aqui comigo por mais tempo. Você tem que ir com aquele rapaz.
Rick se levantou rapidamente, assustando o cachorro que descansava a cabeça em sua perna.
–Eu não vou sair daqui, pai. Eu não vou a lugar nenhum sem o senhor!
–Filho, por favor...
–Não pai. Não adianta insistir. Eu não vou.
–Você não está seguro aqui, Rick. Agora que você sabe quem é, eles não demorarão a vir...
Rick deu um passo pra trás.
–Quem são “eles”?
–Você tem que ir com o Grover pro Acampamento Meio-Sangue. –Arthur respondeu sem querer tocar naquele assunto – Lá é seguro, e você vai viver com pessoas como você.
–Ok – O jovem concordou desanimado- Eu vou.
–Vem, vamos arrumar as suas coisas- Arthur rebateu, se levantando.
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Rick enfiou algumas roupas dentro de uma mochila. Seu pai havia dito que ele não voltaria tão cedo, então seria bom levar algo pra se lembrar de casa.
Pegou seu livro preferido, “As melhores Histórias da Mitologia Nórdica”. Pegou também sua miniatura de TARDIS e seus Hot Toys Avengers- a Viúva Negra, o Thor e o Capitão América, seus três únicos e suficientes exemplares.
Foi até o criado mudo e pegou um porta-retrato. Na foto, tirada a uns 6 anos, além dele,estavam seu pai e sua tia thaemi. Colocou tudo na mochila, e jogou ela num ombro só.
Antes de sair, pegou o primordial: o seu arco e suas flechas.
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Arthur acompanhou o filho e Grover até o portão. O trajeto foi feito em silêncio.
–Você sabe que pode vir me visitar quando quiser, não é?-Arthur falou ao chegar ao portão, abraçando o filho.
–Quando a tia Thaemi vir, diga que eu sinto muito... E manda um beijo pra ela.
–Pode deixar. Como vocês vão, Grover?
Grover pareceu surpreso com a pergunta, como se não tivesse pensado nisso antes.
–Bem, eu acho que... -Grover pigarreou
–Eu já imaginava- Arthur interrompeu, estendendo uma chave de carro-Pegue o que está na garagem, Rick. O que tem GPS. E coloque alguns galões de gasolina no porta-malas, pra você usar quando sair do Brasil.
Rick saiu correndo, animado, após pegar a chave na mão do pai.
–Você vai cuidar bem do meu garoto, certo?-Perguntou Arthur a Grover.
–Eu o protegerei com a minha vida se necessário.
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Não demorou pra Rick voltar, dirigindo uma Corvette Stingray Z06 vermelha. Grover se sentou no banco do passageiro e jogou a sua mochila nos bancos de trás, sem notar que o arco de Rick estava ali.
–Hey!-Rick gritou ao ouvir o estalo do arco. Arthur riu, do lado de fora do carro.
–Cuidado com essa belezinha, filho-ele disse, se apoiando na janela- e boa sorte.
–valeu pai. -Rick buzinou e arrancou o carro, olhando pelo retrovisor e vendo seu pai acenar.
–Ãnh-Grover pigarreou enquanto o carro se dirigia a estrada de terra-Quantos anos você tem mesmo?
–Eu fiz 16
–E você já sabe dirigir?
–Meu pai me ensinou no ano passado. Ele disse que um homem não é um homem se não souber dirigir. Mas eu prefiro mesmo as motos.
–Ah-Grover respondeu, surpreso-e como vamos chegar lá?
–Esse carro tem GPS-Rick rebateu seco-e nós podemos passar em lojas de conveniência e comprar mapas. Vai demorar algum tempo pra chegar lá em Nova York, mas é melhor do que ir andando.
–Acho que sim.
Ficaram em silencio até chegarem a uma loja de conveniências, onde Rick comprou um mapa. Ao voltar para o carro, grover o observou. Apesar dele estar com uma camisa de manga,Grover viu uma ponta de cicatriz.Preferiu não perguntar,pelo menos,não ainda.
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Dias depois...
Próximo a fronteira do México.
–Ferrou-Grover falou, ao avisar ao longe as cores de um carro da polícia.
–Que foi?-Rick perguntou
–Olha lá -Grover apontou para o carro e alguns policiais.
–É... Ferrou mesmo. Estamos quase na fronteira, é blitz na certa. Com certeza irão parar a gente e não dá pra mudar o caminho. Eu já estava estranhando a demora.
–E agora?
Rick não respondeu. Somente entrou com o carro no primeiro beco que encontrou e desceu.
–O que você vai fazer?-Grover gritou, colocando a cabeça do lado de fora da janela.
–Isso-Rick disse arrancando a placa. Voltou então pro carro e guardou no porta luvas- não quero encrencar meu pai. Quando passarmos da fronteira do México nós paramos em algum lugar e colocamos de volta.
–Tirar a placa não vai ajudar em nada se os policiais nos pararem, só vai piorar pra gente.
–É por isso que eles nem vão nos pegar – ele respondeu e Grover franziu a testa.
–Eles estão com uma Ranger, aquele carro não alcança o nosso nem se eles forçarem o motor ao Maximo. – Ele continuou colocando o cinto de segurança – Despistamos eles depois da curva. Lá tem mais duas ruas e um beco. – ele apontou no GPS – vamos entrar no beco, afinal ninguém que esta fugindo vai entrar em um beco. Eles vão entrar em uma das ruas e a gente escapa- Rick explicou. Logo após ligou o carro e saiu do beco de ré.
–É, parece um bom plano – Grover concordou.
–Acho melhor você colocar o cinto- Rick disse, e Grover obedeceu antes de apertar o banco com as duas mãos.
Assim que grover colocou o cinto, Rick pisou fundo no acelerador, passando em alta velocidade pelos policiais que logo entraram em um carro indo atrás deles. Rick se divertia, enquanto Grover afundava no banco. Percebendo o medo de Grover, Rick teve uma ideia. Quando passou pela curva, fora da vista da policia, ele puxou o freio de mão e virou a direção do carro, fazendo um Drift perfeito. Só depois entrou no beco e parou o carro.
–Ta querendo me matar é?-Grover perguntou ofegante por conta do susto. Seus dedos estavam sem sangue.
–Relaxa pelo menos a Polícia saiu da nossa Cola-Rick disse, no momento em que o carro da Polícia entrava na rua da esquerda.
–Pelo menos essa loucura deu certo.
–Claro que deu, fui eu quem fez o plano-Rick brincou, mas logo ficou sério.
–O que foi?-Grover perguntou
–Acabei de lembrar que não vai dar pra ficarmos sem placa até a Fronteira.
–E o que nós vamos fazer?
–Vamos passar em um material de construção e comprar uma chave de fenda. Acho que consigo colocar a placa com uma.
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