O Filho De Ártemis
21 Pequenos ajustes no plano
Notas iniciais
Ele levantou rapidamente e pegou suas poucas coisas as enfiando na mochila prateada que sua mãe havia dado a ele.
- Para onde vamos? – Ele perguntou e olhou ao redor. – Onde estão seu amigo e Alícia?
A garota suspirou.
- Lá fora... Steve achou que você não gostaria de ver a garota do jeito que ela está.
Caleb franziu as sobrancelhas.
- Como assim?
- Vamos para fora e você vai ver. – Ela disse friamente e saiu da caverna sem olhar para trás, sem ter outra opção ele a seguiu.
O outro garoto tinha razão quanto à reação dele, Caleb não gostou nada de ver Alícia acorrentada. Já não bastava que ela estivesse sendo controlada por aquela pulseira mágica?
O garoto, Steve, notou a reação dele e fez um gesto de calma com uma das mãos, já que a outra estava presa a uma das mãos de Alícia, que se encolhia para longe dele.
- Não podemos deixá-la solta, ela poderá fugir, ou tentar nos matar. – Disse e olhou para ela com tristeza e Caleb ficou desconfortável com a evidente preocupação excessiva que o outro garoto estava tendo com sua melhor amiga. – É o único jeito, pelo menos até a colocarmos no mesmo ambiente que as outras pulseiras, é o que Iole diz.
Caleb estreitou os olhos e virou para a garota que estava conferindo algumas coisas na mochila.
Iole podia sentir o olhar dele, mas não queria encará-lo, com um suspiro resignado ela ergueu os olhos e seu coração deu um salto. Caleb era bonito, Iole adorava seus cabelos ruivos.
Concentre-se. A voz de sua mãe falou em seus pensamentos. Agora não é hora para isso.
Ela concordou internamente e explicou para ele.
- Como eu disse, as pulseiras são um quebra-cabeça, quando todas estiverem juntas elas se atrairão se tornando uma peça só, assim deixando quem as estiver usando. – Confirmou, mas escondeu uma pequena parte sobre como elas se atrairiam.
Ela vai sobreviver, mas a que preço? Iole se perguntou e olhou para a garota.
- Entendo, então vamos.
- Sim, mas para onde? – Steve perguntou e Caleb rangeu os dentes. Ele não fazia ideia.
- Ah, Caleb, você não poderia fazer aquele lance com a flecha e o mapa de novo? – Iole disse e o garoto suspirou com alívio, ela estava certa.
Ele separou o mapa e o arco e flecha.
Caleb respirou fundo uma vez e fechou os olhos.
O minotauro. Pensou e moveu a ponta da flecha de um lado para o outro. O último destino dele havia sido Tulsa, ele não voltaria para lá. A ponta da flecha pesou para um lado, uma batida do coração e Caleb lançou a flecha.
Ele abriu os olhos e o destino estava claramente marcado.
- San Diego, Califórnia. – Iole murmurou e olhou para ele. – É onde...?
A pergunta ficou em aberto, mas ele sabia o que ela quis dizer. Caleb assentiu levemente.
- É para onde devemos ir. – Disse e enrolou o mapa rapidamente.
- Sim, mas o problema é como. – Enfatizou Iole.
- Eu tenho a Corça, você tem Fly, mas...? – Ele se voltou para Steve e Alícia. – Como vocês vão?
Steve se voltou para a garota acorrentada a ele.
- Hermes é o deus mensageiro, precisa de um meio rápido de chegar a algum lugar. – Disse e avaliou a garota de cima a baixo então sorriu. – Maia!
O tênis que a garota usava criou pequenas asas brancas de cada lado, ela ganiu ao ver aquilo e tentou se afastar de Steve.
- Como? – Ela falou ainda tentando se afastar.
O garoto só balançou a cabeça e suspirou.
- Agora falta você. – Iole falou e depois sorriu. – Tive uma ideia. Me passe os tênis dela.
- O quê? – Os dois garotos disseram ao mesmo tempo completamente surpresos.
- Me passe os tênis dela. – Ela repetiu devagar e Steve retirou com alguma dificuldade os tênis dos pés de Alícia.
- Toma. – Disse e passou para Iole, que os calçou rapidamente, ele limpou um corte que a filha de Hermes havia feito enquanto lutavam pelos tênis. – Parecem meio grandes pra você não acha?
- São mágicos, se adaptam ao pé de quem os usa. – Iole disse como se isso fosse óbvio.
- Sim, mas e agora?
Iole retirou a pulseira prata do braço e a colocou na mão de Steve.
- Cuidado com meu pégaso. – Ela avisou e fechou os olhos, com uma das mãos pousada sobre a pulseira, um segundo depois um lindo pégaso castanho estava parado próximo a eles.
Caleb rangeu os dentes novamente ao olhar a mão da garota sobre a de Steve e se perguntou o que era aquele sentimento desconfortável que ele sentia sempre que o outro garoto chegava perto de uma das garotas.
- Que lindo! – Eles ouviram Alícia exclamar e tentar se aproximar do animal.
Steve olhou para Iole e ela fez sinal para que ele e Alícia montassem.
- Todos prontos? – Iole perguntou e olhou para Caleb, que havia acabado de chamar a corça e montar nela. – Certo, o destino é San Diego, Califórnia. Maia! – Ela falou e decolou pelo céu.
Steve olhou para Caleb.
- Até logo. – Disse e levantou voo com Fly.
Caleb revirou os olhos e murmurou o destino da cidade à corça.
A viagem durou apenas alguns minutos, a corça era rápida, mas Caleb quase não sentia os solavancos de quando atravessavam as fronteiras dos estados. Pararam algumas vezes no meio do caminho, Fly estava com sede e a corça também.
- Já sei, vou te chamar de Lua. – Caleb falou quando estavam parados ao lado de uma fonte numa cidade pequena em Utah e ele olhava para a corça, e pensando que estava cansado de chamá-la assim.
Ele ouviu uma risadinha baixa e olhou para Iole.
- É tão óbvio que é engraçado. – Ela se defendeu enquanto escondia um sorriso.
- Podemos continuar? – Caleb perguntou e desejou não estar ficando vermelho.
- Ah, Iole? – A voz de Steve soou um tanto alarmada e a garota correu para ver o que era. Caleb a seguiu de perto.
- O que houve? – Exigiu já puxando o arco.
Steve apenas apontou para Alícia, Iole logo compreendeu o que estava acontecendo.
- Ah! – Foi o que ela disse com o choque de ver a pulseira no braço da garota brilhando com uma estranha luz azulada.
- O que isso quer dizer? – Caleb perguntou ainda sem soltar o arco e a flecha que já estava preparada.
- Que estamos muito perto das outras três pulseiras. – Ela murmurou e olhou para os garotos, seus olhos dourados cheios de surpresa. – Pode ser a nossa chance de tirar isso dela.
- Mas quanto tempo isso vai levar? – Steve perguntou e olhou de um semideus para o outro.
- Não muito, eu acho. – Iole respondeu, incerteza colorindo seu tom de voz.
Caleb se afastou um pouco ao ouvir isso. Tentava lutar contra a esperança de que poderia salvar sua amiga antes de cumprir a missão. Ele sentiu a filha de Hera atrás dele, mas ela não disse nada.
- Você acha que se formos salvar Zeus as outras pulseiras vão estar aqui ainda quando voltarmos? – Ele perguntou e sentiu a mão da garota em seu ombro.
- Você sabe a resposta Caleb. – Ela murmurou. – Sabe que demos sorte em encontrá-las aqui.
- Mas a missão, nossas vidas dependem disso. Zeus precisa ser libertado ainda hoje! – Ele disse e odiou demonstrar seu desespero na frente dela e ser tão egoísta a ponto de pensar apenas na própria vida quando Alícia se encontrava daquele jeito.
Mas Iole também precisa viver. Ele pensou.
- Podemos confiar em Steve. – Ela falou e olhou para trás, para o garoto que tentava acalmar a filha de Hermes.
- Como assim?
- O deixamos com Alícia. Ele a leva em busca das outras pulseiras enquanto nós dois vamos libertar Zeus. Depois voltamos atrás deles para ajudar Alícia. O que acha? – Iole disse e Caleb viu que o plano fazia sentido, mas ainda relutava em deixar a garota com Steve.
- Ele...?
- Confie nele Caleb, você confiou em mim.
O garoto assentiu levemente. Ela tinha razão.
Eles se aproximaram dos dois semideuses sentados na grama.
- Mudança de planos. – Caleb falou e Steve começou a protestar.
- Deixe Caleb falar. – Iole pediu calmamente e o outro garoto se calou.
- Você vai ficar aqui com Alícia, busque as outras pulseiras. Eu e Iole vamos libertar Zeus e voltamos para encontrar vocês. – Caleb disse e Steve considerou as palavras.
- Certo. – Então olhou para a filha de Hera com um leve sorriso nos lábios. – Cuide-se Iole.
A garota deu uma risada como se compartilhassem uma piada interna.
- Não se preocupe. Você também. Cuidado, por você e por ela.
Ele assentiu levemente e a garota devolveu os tênis alados.
- Prefiro voar em Fly se não se importa. – Steve revirou os olhos, mas fez que não com a cabeça.
- Até logo, Caleb, Iole.
- Até logo. – Os semideuses responderam. – Boa sorte e que os deuses o acompanhem.
Com isso ambos saíram em disparada em direção a San Diego. Ela em Fly e ele em Lua.
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