O Filho De Ártemis
22 O verdadeiro inimigo
Notas iniciais
A viagem foi rápida, mas Caleb podia sentir uma pressão desconfortável na boca do estômago a medida que se aproximavam que nada tinha a ver com a velocidade de Lua.
Ele tentou olhar para ver como Iole estava reagindo aquilo tudo, o que ela estava pensando? Provavelmente que estes seriam seus últimos momentos viva caso conseguissem libertar Zeus.
Caleb trincou os dentes ao pensamento. Iole não podia morrer. Era sua amiga, assim como Alícia.
Ele se encolheu ao pensar na filha de Hermes.
- Espero que tenhamos agido certo deixando ela com Steve. – Ele murmurou, mas tentou manter o foco no caminho à frente.
Então, de repente, Lua parou. Iole desceu com Fly, mas sua expressão era indagativa.
- Lua? – Caleb chamou baixinho e a corça virou as orelhas levemente, mas não saiu do lugar.
- O que houve com ela? – Iole perguntou descendo do pégaso e se aproximando de Caleb e Lua. – Porque ela parou de repente?
O garoto deu de ombros.
- Não sei. Mas precisamos continuar. – Ele respondeu e depois para Lua. – Lua, vamos!
A corça claramente não queria obedecer, mas começou a avançar novamente.
- O que houve menina? – Ele perguntou, mas não conseguiu encontrar uma resposta. – Certo, estou falando com ela. Eu devo ter enlouquecido mesmo. – Então ele riu, mas foi um som com uma pitada de histeria. – Estou perto de morrer e estou preocupado em ter ficado louco!
Poucos minutos depois, Lua parou de novo, mas dessa vez foi nos limites de uma cidade. O lugar era como um misto de deserto com cidade, como se o lugar tivesse sido deserto há muito tempo, mas então jogaram construções ali.
Pouco tempo depois, Lua e Fly já haviam partido e Iole estava parada próxima a ele, seus ombros se tocando e Caleb lembrou de quando eles estiveram abraçados na parte traseira do caminhão. Por algum motivo essa lembrança o fez corar, mas também fez com que desejasse abraçá-la.
Ele sentiu os dedos da garota procurando os seus, mas ele entendeu o motivo. Ela estava com medo, pois vários metros à frente, no que parecia uma mansão abandonada, um homem andava de um lado para o outro.
Mas não era um homem.
- Deuses! – Ela murmurou e sua voz falhou, Caleb se voltou para vê-la, seus olhos estavam arregalados e lágrimas cristalinas escorriam dos lados do seu rosto, mas seu queixo estava erguido em desafio, sua postura, tensa.
Foi nesse momento que Caleb percebeu. Com o medo e a raiva claramente estampados na face da menina, ele notou que aquele era o monstro que matou o pai dela, que a jogou nessa vida de semideusa, a deixando apenas com uma mãe deusa que não tinha nenhuma experiência no assunto.
- Vamos Iole. – Ele falou se levantando e estendeu a mão. – Temos alguns monstros para matar.
*****
- Qual o plano? – A garota perguntou.
Caleb olhou para o Minotauro.
- Você cuida dele, o distraia para que eu possa invadir a casa. Quando eu conseguir, se livre dele e me espere do lado de fora. – Caleb falou baixo, Iole pareceu irritada com algo. – O que foi?
- Assim que eu me livrar dele, vou com você. – Ela falou com firmeza e cruzou os braços.
Caleb mediu o perigo com a possibilidade de fazer com que ela não o seguisse. Depois deu de ombros, mas ainda não estava satisfeito com a ideia.
- Então vamos. – Disse e se dirigiu para a casa.
O plano deu errado quase que de imediato. Iole conseguiu atrair a atenção do monstro para si, mas quando Caleb estava prestes a dar um passo na direção da casa, um bando de monstros pulou dos arbustos e o cercou.
É o fim. Ele pensou amargamente.
Mas não foi bem assim, logo que pegaram Iole, taparam seus lábios, amarraram os dois juntos e os arrastaram para dentro da casa, o lugar fez Caleb estremecer, já estivera ali em sonhos, mas pessoalmente parecia mais horripilante. Dar vida aos sonhos. Ele riu amargamente da ironia dessa frase.
O lugar parecia bonito, mas estava em sua maior parte escuro, apenas por dois braseiros de bronze nos lados opostos da sala que parecia enorme, assim Caleb não conseguia ver muita coisa.
Um dos monstros se aproximou deles, parecia com uma mulher, mas da cintura para baixo era parecida com uma dracaena, então sua forma tremeluziu e ela virou uma besta sem forma, com apenas quatro patas como apoio.
Caleb sentiu quando Iole apertou seus dedos com força. Depois o monstro voltou a ser metade mulher novamente, se aproximou da garota e farejou seus cabelos com evidente interesse.
- Você tem um cheiro bem incomum semideusa. – A coisa falou e Caleb se encolheu, mas se manteve segurando a mão de Iole. – Quase familiar...
- Lâmia. – Disse uma voz de homem no final do corredor e os pelos na nuca de Caleb se arrepiaram.
- Meu senhor Morfeu? – A coisa falou se curvando e se aproximando de onde o homem deveria estar.
- Deixe nossos convidados, pelo menos por enquanto. Nosso mestre quer ter uma pequena conversa com ambos. – O homem, Morfeu, disse. – E retire as mordaças deles, não fará sentido se não puderem gritar.
- Claro senhor. – Lâmia se curvou novamente e se aproximou dos semideuses, retirou os panos que cobriam suas bocas e se afastou.
- Caleb? – Iole sussurrou.
- Sim?
- Vamos morrer, não vamos?
- Não. – Ele falou e sentiu o olhar da garota em seu rosto. – Minha mãe confiou em mim, não posso falhar com ela. E sua mãe também, ela confiou que eu manteria você viva e vou fazer isso!
- Como? – Ela perguntou e forçou as cordas que os prendiam, mas não conseguiu nada. – Mesmo que consigamos nos soltar, essa casa parece ser imensa, nunca encontraríamos Zeus!
- Acredite. – Ele falou simplesmente e sorriu. Então ele sentiu algo machucando seus dedos, tentou mover, então a ficha caiu. – O anel! – Ele temeu ter falado alto demais, mas ninguém apareceu.
Por uns cinco minutos ele lutou contra as cordas, mas conseguiu tirar o anel do dedo e segurá-lo em sua palma, mas quando ia convocar a espada, a sala pareceu ficar mais escura e fria. Caleb fechou a mão ao redor do anel e com a outra segurou a mão de Iole.
- Então esses são os dois heróis que o Olimpo enviou para salvar o Lord do Céu? – A voz parecia granizo e cada palavra era de deboche, o que era um tanto estranho, mas ainda assim, apavorante. – Um filho de Ártemis e uma filha de Hera. Esses deuses em? Eles já souberam respeitar os juramentos que faziam, tanto de castidade, quanto votos de casamento. Me digam, o que o Olimpo fez por vocês? Os deuses mandaram vocês para cá sabendo que iriam morrer.
A voz parecia estar em todos os lugares e Caleb estava apavorado demais para reagir.
- Quem é você? – Ele ouviu a voz de Iole, parecendo distante, mas ainda sentia os dedos da garota nos seus.
- Ah querida. – Disse a voz. – Você gostaria mesmo de saber quem eu sou?
Iole permaneceu em silencio.
- Muito bem, quem cala consente, não é isso que os mortais dizem? – Então a voz veio de apenas um ponto e Caleb ouviu passos a acompanhando.
Ele parou a poucos metros dos dois semideuses e então puderam vê-lo. Era um homem alto, com a pele do café torrado, talvez mais escuro, como se ele fosse a própria escuridão, dentes brancos, de forma que era o que se podia ver melhor nele.
- Me chamo Érebo, querida. – O homem falou calmamente e sorriu e Caleb estremeceu. – Maior que titãs ou deuses e certamente maior que semideuses também. Vocês devem ter ouvido falar de mim quando estudaram todas aquelas histórias bolorentas. Eu sou um dos 19 deuses primordiais, pode-se dizer que eu sou um tio distante de vocês, já que minha querida irmã, Gaia, gerou titãs e gigantes e blá blá blá blá. O que importa é que sou da família. Não é maravilhoso?
Caleb não achava aquilo maravilhoso.
Provavelmente Iole também não.
- Imagino que vocês pensaram que vou matar vocês? – Érebo falou calmamente, mas parecendo achar a ideia interessante. – Não, ainda não preciso, talvez nem precise disso.
- Porque não? – Caleb perguntou de repente.
- Ah, porque vou dar uma escolha a vocês. – O homem falou. – Unam-se a mim e ajudem a fazer o Olimpo cair e talvez eu os deixe vivos, ou tentem lutar e morram agora.
Caleb notou que ele os mataria mesmo que ajudassem, mas ele precisava ganhar tempo.
- Preciso pensar. – Caleb falou calmamente, tentando dar a entender que estava interessado na oferta de Érebo.
O homem pareceu contente, e olhou para a garota.
- E você?
Caleb evitou o olhar que ele a sentia lançando para ele. Seu rosto devia estar contorcido com o que só podia ser traição.
- Mate-me agora. – Ele a ouviu murmurar.
- Não seja tola garota...
- Senhor, pode me deixar a sós com ela? Creio que posso convencê-la a pensar na oferta. – Caleb falou e olhou para Iole que o fuzilava com o olhar, seu corpo se inclinava para longe dele.
O homem pareceu pensar um pouco.
- Muito bem, dou-lhes cinco minutos, depois disso, se você escolher ficar, apenas a garota morre.
Notas finais
reviews????
Fale com o autor