O Farol Da Colina
1 Por que me Levantei?
Notas iniciais
#Gassozzi.
Pov Gab
Levantei abruptamente da cama com o som auto do despertado. Minha visão estava embaçada e meu coração batia de uma forma completamente irregular. Infelizmente para última parte eu sabia a explicação, minha arritmia. O aparelho ainda ecoava auto por todo o quarto, um som infernal de bip. Com o tempo minha visão começou a ficar menos embaçada, o suficiente para que eu enxergasse sem meus óculos o pequeno rádio relógio na mesinha ao lado de minha cama e o desligasse. Finalmente o barulho cessou e o quarto voltará a ser silencioso. Respirei fundo a fim de me acalmar, e aos poucos senti meu coração bater em seu compasso normal. Sim, isso era uma manhã normal. Meu nome é Gabriel Compton, e bem vindos a minha fascinante vida de merda.
O relógio já marcavam oito e quinze quando finalmente resolvi me levantar. Eu estava relativamente atrasado para alguém que iria ter sua primeira aula as nove da manhã, mas sinceramente eu não me importava. Não depois de ontem. Não depois de eu finalmente ter tido coragem e me exposto para meus pais daquela forma, contado a eles o meu mais profundo segredo, a fim de receber um pouco de compreensão e solidariedade da parte deles. Quem eu queria enganar, eu sabia que as coisas iriam acabar daquele jeito, mais fui ingênuo o suficiente para tentar. No que me dizia respeito, quanto mais tarde eu saísse do meu quarto, menos tempo eu teria que passar perto deles. Além do mais, na escola não seria melhor do que aqui em casa. Quer dizer, não é como se eu tivesse amigos ou coisa assim. Se eu chegasse lá perto do sinal do primeiro período, eu conseguiria evitar os idiotas sem cérebro do time de futebol americano, na parte da manhã é claro. Após ter dobrado erroneamente os lençóis e cobertores, fui até a cômoda de mogno que havia em meu quarto e busquei as roupas que usaria naquele dia.
Troquei meu pijama de malha fina e gasta por uma camiseta preta com estampa da banda “Bring me the Horizon”, uma das minhas favoritas por sinal. Por mais que eu não me sentisse bem, eu poderia vestir-me bem, certo? Na segunda gaveta, encontrei minha calça jeans velha. Haviam buracos nas proximidades dos joelhos e fios soltos pendendo do bolso traseiro, mas eu não me importava. Adorava aquela calça, tinha sido um presente de uma tia e me trazia ótimas recordações de épocas ainda felizes. Fui até o armário grande, que ficava embutido por toda a parede do meu quarto. Dentro dele, pendurado atrás da porta por um fino cabide branco, estava minha jaqueta jeans. Essa era uma peça de roupa relativamente nova. Eu a havia comprado no verão passado, com o dinheiro que ganhei trabalhando na lojinha de estrada no inicio da cidade, antes de nos mudarmos para Beacon Hills. Enquanto arrumava a jaqueta em meu corpo, caminhei até a mesa do computador e encontrei meu celular e meu “Head Phone”. Pluguei o fone no aparelho e procurei dentre as minhas “playlist”aquela que tivesse a maior quantidade de rock pesado. Quanto mais alheio ao mundo eu estivesse, melhor.
Sentei na cama e busquei meu “All Star” preto e o calcei. Voltei até a cômoda onde meu óculos estavam localizados. Coloquei-os em meu rosto e peguei minha mochila que estava na cadeira, passei as alças pelos braços e as acomodei nos ombros. Finalmente depois de uns dez minutos me arrumando resolvi sair da segurança do meu quarto. Respirei fundo e depois bufei — Bom... Que mais um dia comece. — Então sai em direção ao banheiro para fazer minha higiene matinal.
********
Após uma última olhada no espelho, percebi que estava vestido com boas lembranças. Na verdade, lembranças eram as únicas coisas que eu possuía nesses dias difíceis. Sai do banheiro um pouco mais animado e motivado a pelo menos sobreviver a mais um dia. Quando cheguei ao alto da escada, meu lapso momentâneo de coragem foi completamente extinto pela discussão dos meus pais. Não me entendam mal, não sou o tipo de pessoa que não aguenta ver os pais brigando, eu estava acostumado até demais, só que dessa vez eu era o motivo da discussão. Meu pai berrava tão alto que me surpreendi não ter ouvido os antes a gritaria.
– Esse garoto só pode estar brincando conosco. A culpa é toda sua Anne, sempre foi muito permissiva com ações dele. — Apesar de não poder vê-los, eu sabia que ele estava culpando minha mãe. Ele sempre culpava minha mãe por tudo. Aquilo me irritou, minha mãe era bastante submissa, mas não era culpada por toda aquela situação, ninguém era. Comecei a tremer, era um mal de família e começava toda vez que passava por momentos de estresse.
– Culpa minha Charles? Ele é apenas diferente, mas talvez isso seja algum distúrbio, ou problema psicológico. Ele não faz exames há algum tempo, com certeza vamos descobrir a causa e a solução disso tudo. — Minha mãe falava entre soluços e gemidos. — Mas independente disso, ele é nosso filho e temos que fazer com que ele se sinta bem vindo, Temos que estar ao lado dele nesse mo... — Ela não conseguiu terminar sua frase. Meu pai a interrompeu da forma mais estúpida possível.
– Calada! Eu não quero saber como isso começou. Se ele continuar com essa palhaçada ele não será mais meu filho. Eu vou... Deserdá-lo. — Senti meu olhos se encherem com lágrimas, mas não deixei que elas rolassem pelo meu rosto. Enxuguei-as e engoli o choro. Coloquei os fones no ouvido e desci a escada rapidamente. Com uma breve olhada pela percebi que eles não estavam na sala, então só poderiam estar na cozinha. Não importava, não os procurei, apenas saí de casa e fiz questão de bater a porta atrás de mim.
Caminhei até a calçada e comecei a ir em direção ao ponto de ônibus. Quando estava quase chegando, pude ver o grande e amarelo ônibus escolar no fim da rua. Ele começava a se afastar da calçada, logo depois que os passageiros embarcaram. Ele se afastar totalmente e virou a esquina em direção a escola. Ótimo. Consultei o relógio do meu celular, e nele marcavam oito e quarenta e cinco. Eu estava oficialmente atrasado. Pensei em simplesmente cabular a aula, quer dizer, o dia já estava muito ruim, e eu mal havia saído de casa. Se eu fosse pro colégio, com certeza tornaria as coisas muito piores. Infelizmente, eu tinha uma apresentação importante na aula de inglês que representava cerca de setenta por cento da minha nota. Não poderia faltar, pelo menos não o dia todo.
Comecei a caminhar em direção ao colégio, com a maior calma do mundo. Já que eu iria me atrasar de qualquer jeito não precisaria ter pressa não é? Me foquei totalmente na música alta que tocava em meus ouvidos, prestando atenção a letra, pensando em como a minha vida estava, em como eu tinha chegado até aquele ponto. Estava tão distraído em meus pensamentos que só me dei conta que havia uma pessoa em minha frente depois de já ter trombado com ela.
– Me desculpe. — Me apressei em dizer, tirando os fones do ouvido. Mas foi só quando resolvi reparar no individuo que percebi o quanto intimidador ele era.
Eu nunca havia visto esse cara por aqui antes, pelo menos eu achava que não. Eu com certeza iria me lembrar de uma presença tão marcante quanto a dele. O homem era caucasiano e um pouco mais alto do que eu. Tinha ombros largos e parecia ser bem forte. Estava usando uma jaqueta de couro preta, com uma camiseta da mesma cor. Suas calças possuíam um tom acinzentado jeans, e combinavam com suas botas pesadas. Seu cabelo estava perfeitamente arrepiado, e combinava bem com seu rosto quadrado e sua barba por fazer. Me perdi por um instante em seus olhos, tão verdes e tão profundos que com apenas um olhar parecia que você iria se perder em uma imensidão sem fim. O homem misterioso demorou um pouco para se manifestar, ele parecia estar... Me observando. Então finalmente puder ver a linha tensa em seus lábios, se tornar um leve sorriso, até que ele disse. — Tudo bem garoto. Culpa minha.
Estremeci ao ouvir o som de sua voz, era tão firme e assertiva que conseguiu me intimidar. Quando finalmente consegui falar pareceu mais um sussurro. — Bom é melhor eu ir andando. — Fiz um leve aceno com a cabeça e dei a volta no estranho para poder seguir meu caminho.
– Você está com algum problema garoto? — Disse o estranho, atrás de mim.
Novamente, sua voz surtiu um efeito avassalador em mim. Como ele poderia saber qualquer coisa ao meu respeito. Virei-me devagar e o encarei.
– Desculpe, o que?
– Você parece estar com algum problema. Parece um pouco distraído, eu diria até aéreo. Está nervoso com alguma coisa? — Disse ele no tom mais casual possível, como se já nos conhecêssemos a anos. Aquilo estava começando a me assustar. E se aquele cara fosse, algum tipo maníaco ou psicopata? Resolvi dar uma resposta simples e escapar dali o mais rápido possível.
– Estou com alguns problemas pessoais. — Só depois que eu respondi, percebi o quanto idiota aquilo tinha sido. Eu estava dando satisfação da minha vida pra um estranho.
– Claro, entendo. Se precisar de alguém pra conversar. — Ele caminhou lentamente em minha direção, remexendo alguma coisa em seu bolso até encontrar um cartão, que ele me entregou. — É só me ligar. Eu trabalho com um tipo de produto que pode resolver quase qualquer problema das pessoas. Ele é... Relativamente novo no mercado e estou procurando por pessoas que queriam... Experimentá-lo.
Segurei o cartão e assenti com um sorriso desconfortável. — Certo. Bom eu preciso mesmo ir, afinal estou atrasado pra escola. Até logo. — Virei as costas e andei apressadamente até sair completamente do campo de visão do tal cara misterioso.
Afinal o que foi esse encontro bizarro? E que tipo de método de venda de produto é esse? Abordar pessoal do nada, com todo esse papo sinistro. Se ele fosse realmente um vendedor, não conseguiria arranjar muitos clientes desse jeito. Encontrei uma lixeira ao longo do caminho e fui até ela para jogar o cartão fora. Quando ia rasgá-lo foi como se algo me detivesse. Ao invés disso resolvi lê-lo. Havia uma número de telefon escrito nele e em cima um nome, “Derek Hale”. Por alguma razão, decidi guardar o cartão no comigo. Então, simplesmente o coloquei no bolso e segui viajem.
Notas finais
Gassozzi.
Fale com o autor