Notas iniciais
Eae pessoal. Bem, eu gostaria de ter postado o capítulo no fim de semana, mas houveram alguns contra tempos que não permitiram que eu entrasse no computador. De qualquer forma, não me demorei tanto assim pra aparecer por aqui cero? Espero mesmo que gostem do capítulo pois estou me esforçando bastante pra escreve-los. Sem mais delongas, tomara que aproveitem ;D

#Gassozzi

Pov Gab


Na escola estava tudo vazio. Fui até meu armário, peguei minhas coisas e fechei de qualquer jeito. Chegando na porta da sala, bati algumas vezes e já conseguia ouvir os risos. Que vontade de bater a cabeça no vidro. O professor abriu a porta, me olhou de cima a baixo, e resmungou:


– Está atrasado Compton. Por sorte, chegou exatamente na hora de apresentar seu trabalho. Então, se puder fazer as honras.


Porque eu não bati minha cabeça no vidro?


Entrei na sala, todos aqueles olharem pesando nas minhas costas... Eu começava a suar frio e tremer. Deixei minha mochila no chão e peguei um pedaço de papel. Fiquei de pé diante da sala, tremendo e tossi para aliviar a garganta... Aqueles risinhos... Como aquilo me irritava. Eu não fiz nada. Bando de miseráveis acéfalos.

– B-Bem... O personagem histórico que resolvi falar é N-Napoleão Bonaparte... E-Ele foi..

– Nerdão! Ficar nervoso faz parte! — Ouvi um garoto gritar no fundo da sala. Todos riram alto, o professor mandou que se calassem, mas as risadas e as brincadeira só continuavam. — Ainda por cima, viadão? Nerd e com cara de viado, que vida de merda hein cara? Se mata velho! — Mais risadas... Minha folha simplesmente caiu da minha mão, meus olhos inundados pelas lágrimas. Eu apenas peguei minha mochila e corri pra fora da sala.

Percorri toda a escola até chegar no banheiro mais longe possível... Me tranquei lá e comecei a soluçar... Passando as mãos pelos cabelos, meu coração mais uma vez me machucando com força, eu tremia e chorava. Olhei para o espelho e o único reflexo que vi foi de um perdedor. Como eu odiava minha vida. Eu estava cansado dessa palhaçada toda... Depois de alguns longos minutos me acalmei, coloquei minha mochila nas costas e abri a porta no mesmo momento em que o sinal tocava. Mais duas aulas e eu estaria livre. Menti pra mim mesmo, "cabeça erguida, vai tudo ficar bem".

Passando-se mais duas aulas terrivelmente chatas e cheias de brincadeiras de mal gosto, entre elas bolinhas de papel molhado, bilhetinhos e etc, peguei meus livros e voltei ao meu armário. Antes mesmo que pudesse abri-lo, minha cara foi de encontro contra o metal frio, o óculos apertando contra meu rosto e todo meu material no chão. Risadas ecoavam ao fundo e aquela mão pesada de um valentão apertando minha cabeça. O que eu fazia? Apenas me debati um pouco, choraminguei por piedade e aceitei meu destino. Um completo perdedor pra sempre.


– Isso é pra você se lembrar de como um Nerd deve se portar, babaca!

O animal irracional se chama Joey. Pensem em um cara grande e burro. Agora pensem que pode ficar pior. Ele tinha 1,95m, corpo atlético, cabelos castanhos claros e sem cérebro. Voilá.

Depois de toda aquela humilhação, ele me largou e chutou minhas pernas. Acredite, feriu mais meu orgulho do que minhas costela quando cai no chão. Assim que se afastaram e voltaram a suas vidinhas perfeitamente normais, comecei a pegar meu caderno todo danificado, meus livros... Meu óculos etava torto, e eu apenas suspirava desanimado.

De repente uma mão grande começou a me ajudar a pegar minhas coisas. Olhei pro lado e vi um garoto grande, corpulento de pele morena, seus cabelos escuros caiam um pouco sobre a testa e aos lados, tinha um rosto aparentemente simpático e tranquilo. Ele olhou pra mim me entregando o estojo e outros cadernos:


– Sinto muito, sei o quão ruim esses babacas podem ser. — Disse o garoto.


– P-pois é. — Gaguejei. Era a primeira vez que alguém me tratava com respeito desde que eu me mudei. — Mas eu aposto que um cara grande como você nunca deve ter tido problemas com eles.


– Nada realmente relevante. — Respondeu ele com um grande sorriso, dando de ombros. Com certeza isso não era algo que acontecia todos os dias. Ele me entregou as coisas, consegui esboçar um sorriso tímido. — Você está bem, certo?


– A-ah! Obrigado, estou sim... — Desviei o olhar enquanto colocava meu material de volta na mochila, e quando ergui a canbeça ele tinha desaparecido. O que diabos foi aquilo?

O sinal tocou e fui direto pra saída, mais um dia de batalha... Finalmente poderia ir pra casa e começar o segundo round com meus pais .

***

Chegando em casa meus pais já se encontravam comendo, quietos. Guardei minhas coisas e me sentei a mesa junto com eles. Como sempre, meu pai fez questão de largar a comida no prato, levantar e sair da mesa e só voltaria a comer quando eu saísse dali. O sangue me subiu a cabeça. Estava tão cansado de ser tratado sempre como um estorvo. Minha tremedeira aumentou e senti meu rosto ficar vermelho, minha mãe continuava a almoçar tranquilamente sem olhar no meu rosto.

– Você pode comer e fingir que eu não estou. Ou prefere comer uma comida fria por causa desse orgulho de merda? — As palavras escaparam, antes que conseguisse medi-las.

Meu pai, alto, cabelo castanho e branco dos lados, óculos fino e rugas de estresse, me lançou um olhar tão furioso que poderia ser comparado ao do rapaz de ontem. Eu lutei com todas as forças pra não me encolher na cadeira e desviar os olhos.


– O que você disse moleque? Acha que tenho medo de você? Fingir que você não existe seria apenas mais um sonho! Maldito seja o dia que perdi a chance de esganar você no berço! Assim evitaria de ouvir sobre aquela conversa ridícula...


– CALA A BOCA!


O grito explodiu do meu peito. Meu corpo inteiro tremia e eu bati na mesa com força, meus olhos ardiam e eu sabia que ia começar a lacrimejar... Minha mãe se afastou e se apoiou na pia tentando dizer em voz alta


– Vocês dois parem!


– Não se meta! Venha cá garoto, está na hora de eu te dar uma lição.- Meu pai esbravejou, e então fez algo inesperado. Havia um vaso de flores encima da mesa, meu pai o segurou e sem pensar duas vezes atacou em direção a mim. Por pouco não acerta meu rosto se eu não tivesse me abaixado. Meu rosto ardia num canto da bochecha, um dos cacos havia me cortado. Eu estava em lagrimas, assim como minha mãe. A janelada cozinha dava pra floresta... Não aguentei, levantei a janela e pulei, corri pra floresta soluçando e com rosto mergulhado em lágrimas. De novo.

Corri até demais dentro da floresta. Estava cansado de tudo isso. Cansado de ser humilhado por todos em qualquer lugar que eu esteja. Minha respiração começou a ficar mais pesada devido ao cansaço, então resolvi diminuir o ritmo. Abraçando minha blusa percebi que estava com meu celular no bolso esquerdo e com a carteira no direito. Tinham lares nela, ou seja, eu conseguiria viver aquela noite... Mas por mim, que acabasse tudo ali. Não me importaria de morrer naquele momento.

Parei de andar e olhei pra trás, tive a sensação de estar sendo seguido... Não. Observado. Novamente aquela sensação de algo te encarando friamente a uma boa distância dali. Ignorei o pensamento logo em seguida.

Quando me virei, me deparei com uma casa... Não, mansão. Era velha, escura e cercada de árvores... A natureza tinha tomado conta do lugar, sebes e mato cresciam nas paredes. Uma parte parecia ter desmoronado e a outra pegado fogo... Ou um causou o outro. Em passos calmos e silenciosos, eu me aproximava e a mansão só aumentava. Perto dos degraus onde ficava a entrada, algo me deteve. Eu travei e arregalei os olhos, comecei a suar frio e a tremer igual uma vara verde quado uma voz masculina bem forte disse em alto e bom som.


– Perdido na floresta garoto? — Foram suas palavras, seguidas de uns baixos risinhos.


Ele saiu de dentro das árvores, mãos nos bolsos, jaqueta de couro, cabelos espetados, olhos verdes e frios... Mal pude acreditar que o cara de hoje de manhã estava bem ali na minha frente. Afinal, o que eles estava fazendo na floresta?


–E-eu.... — Minha voz não saía. O nervosismo só aumentava enquanto ele diminuía a distância entre nós. De repente o nome que eu havia lido no cartão que ele havia me entregue pela manhã passou por minha cabeça. Derek Hale.


– E sozinho... Presumo que você não tenha muitos amigos. Seu corpo treme bastante também... Vejo que não é só medo. — Eu conseguia ver suas narinas dilatando o tempo todo. Engoli em seco. — Entendo seus medos, inseguranças e problemas garoto... — Disse o rapaz chegando cada vez mais perto. Eu estava boquiaberto, tremendo cada vez mais e meu coração parecia que ia explodir dento do meu peito, sentia ele começar a doer... Em poucos segundos ele deu um tranco e começou a bater fora de ritmo. Ele batia forte contra minha caixa torácica e começava a afetar meus pulmões, fazendo o ar escapar involuntariamente. De repente, respirar se tornou uma tarefa cada vez mais difícil... Cai no chão sentado e tossi um pouco de sangue na minha mão... Precisava me acalmar... Mesmo com a dor vi o rapaz respirando fundo e abaixando em minha frente.


– Depressão, arritmia cardíaca... — ele sussurrou e me encarou — Ok, ok! Se acalme! Não vou te machucar. Eu vou direto ao ponto, mas preciso que fique comigo e me ouça com calma... — Respirei fundo e comecei a me concentrar em me acalmar... Funcionou. Mas ainda sentia meu peito doer, estava tão cansado e desanimado que não queria mais saber... Se eu morresse ou ele me matasse ali, seria melhor assim. — Lembra daquele produto? Estou com ele aqui... A decisão é sua. Todos os seus problemas podem acabar esta noite. Então, quer começar uma nova vida?


Meus olhos brilharam, e fiquei encarando ele... Estava ficando louco, e ele era um louco também. Até parece...


– N-não brinque comigo... Acha que sabe algo da minha vida pra ficar falan...


– Dezesseis anos, sofre de problemas cardíacos, emocionais e psicológicos. Não tem muitos amigos, talvez nenhum. Os valentões te perturbam e sua casa parece mais um cativeiro. Quer que eu continue? Acho que não. — Ele se levantou e estendeu a mão.

Eu estava boquiaberto e sem reação... Como ele poderia saber de tudo isso? Nem eu me entenderia melhor. Minha cabeça girava e eu ia desmaiar. Respirei fundo e inalei o ar frio daquela tarde de inverno. Aceitei a mão, e ele me levantou facilmente passando braço ao redor dos meus ombros... Ou o corpo dele era quente ou eu deveria estar mais vermelho que um tomate.


– E-E-Espere... Quanto custa?

Ele sorriu e por fim disse, olhando pra mim e por um momento tive a sensação de que os olhos dele mudaram para vermelho rapidamente:


– Não quanto. E sim o que.


– Hã? Do que está falando? Quer dizer, se não é dinheiro o que você quer, então... O que é? — Engoli em seco a última frase, temendo ser as últimas palavras que eu falaria na vida.


– Eu vou te dar uma mordida. Só isso, e nada mais. — Disse ele da forma mais casual do mundo.

Senti meu rosto esquentar e formigar, sabia que estava todo corado. — C-como assim? — Eu estava com medo, curioso, confuso... Um turbilhão de emoções me atingiu. Por mim, se eu morresse ali, que ele não me matasse lentamente... Que fosse rápido. Mas eu tinha esperanças que ia dar tudo certo no fim. Será que havia realmente cura?

–Vai ser rápido, eu prometo. — Ele esboçou um sorriso malicioso. E dessa vez eu tive certeza. Seus olhos, verdes e profundos, se tornaram vermelhos e brilhantes. Agora eu não tinha mais a sensação de que poderia me perder dentro deles, e sim de que uma força poderosa estava perto de se abater totalmente sobre mim. Eu estava prestes a responder quando ouvi um barulho nos arbustos.

Notas finais
Eae, o que acharam pessoal? Será que o Gabriel vai aceitar a oferta de Derek? Vamos esperar não é. Mesmo pra um segundo capítulo eu já mereço certo? Reviews? Cometários? Dúvidas? Críticas? Fiquei feliz de saber que tive 4 leitores e um favorito. Gostaria que se manifestassem, lembrem-se que isso nos motiva a continuar escrevendo. Até breve galera ;D