O Fantasma de Ecomoda
8 Capítulo 8 Indecisões
Não soube o que dizer naquele momento. Nunca pensou que um homem como aquele um dia a pediria para namorar, ainda com a promessa de quem sabe, algo mais. Estava encantada. Vida inteira havia sido feia e seu pai nunca a deixou namorar. Só estudava e agora aquele homem elegante a pedia em namoro com a promessa de algo mais.
—Ai, Michel! –pensava, em seu quarto, deitada em sua cama.
Foi quando sentiu a janela se abrindo e um ar frio entrar afastando a cortina que batia.
Sentiu escalafrio. Foi correndo fechar a janela. Queria escrever no seu diário o que estava vivendo. Há muito não escrevia. Não tinha tempo. Mas estava passando por tantas emoções que precisava. O lançamento, o pedido de namoro de Michel.
—Gosto de Michel? Ele é bonito, gentil e educado. Me pediu em namoro.
(Pensando em Michel e o encontro no restaurante)
—Aceite, Betriz Christine!
—Preciso pensar Michel!
—Mas como pensar?
—Não tenho muito tempo para pensar em namoros. Minha vida desde a adolescência tem sido Ecomoda!
—Mas sua vida não pode se resumir a trabalho, você é uma mulher!
Não era a primeira pessoa a pensar nisso. Catalina, sua mãe e tantas pessoas lhe disseram e agora, Michel. Suspirou.
—Te darei um tempo para pensar! Mas não muito. Amanhã a convidarei para jantar, você e seus pais, no meu restaurante. Te pego na empresa!
—Na empresa? Não! Nos encontramos lá no restaurante! É melhor!
—Está bem.
Não podia ser na empresa. Seu tutor havia me confessado seus sentimentos. Não podia acreditar.
—Ele um homem tão elegante, genial e misterioso diz que me ama! Não sei o que pensar!
Lembranças com seu tutor, o famoso FE.
—Beatriz, doce Beatriz.
—Doutor!
—Estou em sua mente, estou em seus sonhos, Beatriz!
—O que quer de mim, doutor?
—Estou magoado com você.
—Por quê, doutor?
—Sabe muito bem! Outro homem habita seu pensamento e por isso não tem prestado atenção às minhas instruções e ensinamentos.
—Doutor!
—Acaso não tenho mais importância para você?
—Claro que sim, doutor! O senhor sempre será importante para mim.
—Então, prove-me, Beatriz!
—Como?
—Venha para mim!
Prontamente, Betty se viu na empresa, onde ele a carregava gentilmente. Viu uma mesa posta com comida deliciosa.
—Sente-se!
Mas por algum motivo, ela não conseguia comer.
Depois ele colocou música suave e a tomou nos braços para dançar. Queria resistir-lhe, mas ele acariciava seus braços, causando-lhe arrepios e deixando-a imóvel.
—Sabe que a amo!
—Doutor, eu...
—Shiu... –disse colocando os dedos sobre sua boca
—Você me encanta, Beatriz! A amo! –a beijava suavemente no ombro. –A amo! Só você pode me curar desta solidão que passo há tanto tempo.
—Dou... tor... o senhor só pode estar confundindo as coisas!–dizia fechando os olhos já sentindo prazer
—Não... lutei contra isto! –beijo – Mas desde que cresceu, não deixo de amá-la. –enlaçou suas mãos em sua cintura, beijando seu pescoço.
—Ah!
—Renda-se, Beatriz! Deseja tanto quanto eu, meu anjo da moda. Nenhum outro pode fazê-la sentir o que posso...-dizia manso a seu ouvido.
—Ah!
—O senhor é ele, o Fantasma de Ecomoda?
—Para você não! Para você sou seu doutor! Quero te ensinar a amar como te ensinei tudo! –dizia beijando seu pescoço e apertando sua cintura.
—Doutor!
Ele a virou, para olhá-la nos olhos e segurar seu queixo. Sente-se dominada por aquela figura misteriosa e atraente.
—Doutor.
—Shiu... –disse aproximando-se e beijando-a nos lábios com doçura.
—Me ama, Beatriz?
—Como posso amá-lo se não conheço o que tem debaixo de sua máscara?
Logo, puxou a máscara e uma luz tomou conta do ambiente e desmaiou.
—____
A janela batendo a acordou daquele sonho, que mais parecia um transe. Estava em sua cama, o seu coração batia forte. A janela que havia trancado estava aberta e a cortina balançava. O quarto estava na penumbra.
—Doutor!
Foi quando viu uma rosa vermelha sobre a mesa.
“Nenhum outro pode fazê-la sentir o que posso...” –ressoou em seu ouvido.
—Foi tudo um sonho!?
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O dia seguinte
Sente-se culpada, tirando o sonho e a aparente presença dele não o encontra. Isto a tortura, pois se acostumou a ouvir seus conselhos e dançar com ele.
—Doutor! Doutor! -dizia, mas sem sucesso
Havia esquecido do compromisso com Michel, se dedicando febrilmente ao trabalho em um projeto, até que o telefone soou.
—Alô?
—Alô. Beatriz!
—Ah, oi Michel. –disse, envergonhada, olhando para os lados
—Estou lhe esperando no restaurante, está vindo?
—Ai, Michel, me esqueci. Me perdoe. Muito trabalho aqui!
—Beatriz, você trabalha demais! Ainda mais pela empresa dos outros.
—Não é bem assim, Michel. (Não quis lhe dizer suas condições na empresa)
—Ah, estou esperando!
—Nem busquei meus pais.
—Eu os busco e passo para buscar você.
—Não!
—Como?
—Não me busque na empresa!
—Olha, Beatriz, estou achando esta situação muito esquisita. Melhor que eu a busque!
—Não! Eu vou até aí! –disse Betty olhando o relógio. -Estou com fome.
—Eu busco seus pais, me dê o endereço!
—-Não! Não é preciso, estou saindo!
—Não se preocupe, Beatriz. Eu os pego.
Nervosa, a mulher pega as coisas e sai desesperada, não queria que o tutor visse Michel a visitando na empresa. Mas alguém a observa e a ver sair apressada.
Beatriz passa na casa de seus pais, que estavam arrumados e questionavam sua demora, já que pela manhã ela os havia avisado.
Era a segunda vez que Hermes via aquele senhor dona Júlia já o conhecia. Não gostava de forma alguma, mas procurou ser amável perguntou como se dizia “O diabo é porco” em francês, contou da visita do Tio Lázaro à França.
—Ah, o Tio Lázaro... –suspirou Beatriz, sentada à mesa.
Betty tinha saudades daquele senhor que amava mais que um avô e um tio, era como um pai para ela. Cuidou dela quando seu pai precisava viajar fora a trabalho. Chorou quando ele se foi. Quando seu tutor ainda não havia se apresentado em pessoa e falava apenas através de cartas, ligações e sonhos, para ela era ele que conversava com ela naquelas paredes da empresa de modas. Foi seu tio quem sugeriu e conseguiu que fizesse a pesquisa da escola em Ecomoda quando adolescente. O tio Lázaro havia sido um dos mais antigos empregados da empresa, como lhe dizia.
Estava imersa naquelas lembranças sobre o tio, quando sentiu Michel tocar-lhe a mão.
—Por conta disso, por mostrar-se ser de bem, concedo autorização para namorar minha filha! –disse Hermes
—Quê?
—Sim.
—Disse que pediria permissão a seus pais. –disse Michel, sorrindo, apertando a mão do senhor
—Mas eu...eu... não disse que sim.
—Mas eu dei minha autorização, Beatriz Christine! O senhor Michel me parece ser um homem de bem e certamente cuidará bem de você. Me disse que estão saindo, que já se beijaram e sabe que não gosto dessas intimidades, mas se estão apaixonados, melhor que namorem decentemente.
—Mas como assim?
—Ainda mais eu concordo com algumas ideias. Também acho que fica muito tempo naquela empresa e...
—Mas papai!
—Não grite! Não vê que está fazendo escândalo?
Michel a sorria tão apaixonado, seu pai a repreendia, de modo que Beatriz ficou constrangida.
Preferia falar sobre isso quando estivesse sozinha com ele. Gostava do francês, mas não sabia se sentia algo além da amizade. Nunca havia namorado, embora, tinha se apaixonado duas vezes na vida.
Lembranças da adolescência
Me encanta o jeito que me cuida, que me trata. Só desejaria que me deixasse ver o que tem atrás daquela máscara. Vejo a outra parte de seu rosto e me parece bonito e até familiar. Parece que o conheço, mas não me lembro de onde. Diz que sou seu anjo da moda, mas o anjo é ele, que me protege e me cuida.
Sim, quando adolescente tal como uma aluna se apaixona por seu professor, Beatriz sentia algo por ele também. O admirava, o idealizava como um grande ídolo. Queria fazer tudo que ele lhe ensinava. Era um amor puro, não se achava digna de um homem tão elegante e educado e ela a menina feia e desengonçada. Só suspirava.
Por ser ela ainda tão nova, o tutor não sentia algo além de carinho de professor por sua tão jovem aprendiz. Foi só quando ela começou a crescer que começou a sentir coisas quando estava perto dela e descobriu-se apaixonado. Já Beatriz a esta altura já estava na faculdade e trabalhando na empresa ao mesmo tempo, de modo que via seu tutor apenas quando precisava fazer os projetos e tomar conselhos. Já havia tirado da cabeça a ideia de que ele pudesse sentir algo por ela. Nem pensava nestas coisas de romance. Ah não ser... (Depois revelaremos o outro amor platônico de Beatriz)
Mas agora estava oficialmente comprometida com Michel, com o aval de seu pai. Sua mãe havia apenas sorrido, mas agora em seu quarto lhe perguntava se gostava do moço. Não sabia o que dizer. Foi tudo tão rápido.
—É um moço tão bonito!
—Sim, mãe, eu sei, mas...
—Não gosta dele?
—Gosto, Michel é gentil, doce e divertido, mas não sei... se quero namorar com ele!
—Seu pai gostou dele, mas quem deve gostar é você! Acaso gosta de outro? Havia me dito há uns anos de seu professor.
—AH, mas...
—Deve ser muito mais velho que você!
—Na verdade não sei. Não me parece tão velho!
A mãe vendo-a indecisa, beijou-lhe a testa e a aconselhou.
—Quem deve escolher é você, não deixe que seu pai decida algo tão íntimo como um namorado ou um noivo!
Depois que sua mãe saiu, Beatriz sentiu sono, deitou-se e sonhou.
Acordou à noite com o barulho da janela que batia. Fazia frio. Precisou levantar para fechar de novo, assim encontrou uma rosa sobre a mesa.
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