O Fantasma De Paradise Farm
2 Jantar e a noite no castelo
-Muito prazer — Ágatha tentou fazer uma reverência, mas não deu muito certo.
-O prazer é nosso. Eu sou Laís McJordan e esse é meu marido Jonathan. Você já deve ter ouvido falar de nós.
Depois de pensar por alguns segundos ela finalmente se deu conta de quem se tratavam:
-Das empresas McJordan?!
-Isso mesmo. Nós produzimos óleo dos girassóis aqui da fazenda.
-Bem, agora que já se conhecem eu acho prudente nós servirmos o jantar. Louise, pode colocar a mesa por favor?
-Já está tudo pronto, senhora — novamente a mulher surgiu atrás de Ágatha sem que a garota percebesse seus movimentos, mas novamente ela não teve tempo de estranhar porque todos se levantaram e foram até a sala de jantar.
Tudo estava milimetricamente arrumado e alguns garçons apenas esperavam que todos se sentassem. Quando chegou a seu lugar, Ágatha se deu conta de que as malditas aulas de etiqueta que ela matou fariam muita falta, pois haviam tantos talheres na mesa que ela não fazia ideia de como começar. Foi aí que notou um pedaço de papel junto ao guardanapo.
"Coloque o guardanapo no colo. Use os talheres de fora para dentro e os de cima para a sobremesa. Não se preocupe com os copos, a senhorita será servida."
Ela tentou disfarçar a surpresa e satisfação pelas dicas, mas não resistiu a sorrir para Louise que piscava discretamente. Durante o jantar Ágatha não disse nada, mas não pôde deixar de se pronunciar ao ouvir:
-Agnes sua neta já está quase na idade de casar.
-Concordo, mas ela mal chegou e ainda não tenho nenhum pretendente em vista.
-Que tal meu sobrinho Abel? É de boa família, isso eu garanto.
-Ótima sugestão!
-Peraí...casar? Eu não quero me casar!
-Oh querida, isso é o que todas dizem! Conheça primeiro o rapaz e verá que estou certa.
-Me desculpe Dona Laís, mas se eu for me casar quero pelo menos poder escolher meu marido!
Os três riram, como se Ágatha estivesse dizendo algum absurdo e ela resolveu calar-se até o final do jantar. Quando as visitas foram embora ela subiu para seu quarto sem falar com sua avó, colocou o pijama e foi se deitar.
Eram 3:26 da madrugada quando Ágatha acordou, incomodada com um insistente barulho de portas rangendo e passos no corredor. Abriu a porta do quarto e não viu ninguém, mas os barulhos continuavam. Andou pela casa toda e, como não identificara o que provocava os ruídos, abriu a porta da cozinha e saiu correndo pelos fundos até a cachoeirinha. Aproximou-se da queda d'água e pôde ver Veridiana conversando alegremente com um garoto (que ela lembrava ter visto de relance na fazenda), mas não passou disso. Ao perceber que ele foi embora, Ágatha resolveu dar um susto na amiga:
-Se encontrando às escondidas, hein dona Veridiana?
A garota arregalou os olhos azuis e tapou a própria boca, abafando um grito assustado.
-Ágatha! Quer me matar do coração? — ela falava muito baixo.
-Vocês namoram?
-Não, ele veio me entregar uma carta de uma pessoa.
-Namorado?
-Caramba, mas que fixação por namorado!
-É ou não?
-É.
As duas taparam a boca para abafar o som dos risos.
-Acredita que minha avó quer me casar com um cara que eu nem conheço?
-Isso é normal por aqui, minha mãe também quer que eu me case logo.
-Você quer?
-Não, casar com certeza não está nos meus planos. Sou uma das poucas garotas daqui que recebeu professores e estudou, então eu quero arrumar um emprego na cidade e sair da fazenda.
-Eu nem sei o que quero...só sei que não é casar.
-Por que você veio morar aqui?
-Meu pai não dá a mínima pra mim e minha mãe se mandou pra Etiópia.
-Eles deveriam estudar mais o lugar pra onde mandam sua filha...
-Por que diz isso?
-Esse lugar é assombrado Ágatha, um espírito que ninguém sabe quem é vaga pela casa grande.
Ela riu.
-Você tá brincando né?
-Vai dizer que não ouviu os passos?
-Não pode ser...
-Não havia ninguém quando olhou, não é?
-É sério...você só está tentando me assustar.
-O que eu digo é verdade Ágatha. Pode perguntar a quem quiser.
As duas ficaram por um tempo em silêncio até que Veridiana resolve propor algo à amiga.
-Ei Ágatha, que tal nós duas descobrirmos quem é o tal fantasma?
-Tudo bem mas...quem pode ser?
-Não tenho ideia, é você quem mora na casa grande.
-Tem razão, vou prestar atenção em cada um de agora em diante.
-Me encontre amanhã aqui nesse mesmo lugar e todos os dias. Nós vamos desvendar esse mistério juntas.
Mesmo com a situação estranha Ágatha não pôde deixar de sorrir ao ganhar um abraço de Veridiana, pois finalmente ela poderia contar com a companhia e o carinho de alguém. A morena foi embora e deixou a amiga sozinha, mas foi por pouco tempo.
-O que faz aqui, querida?
-Vó? E-eu...estava tomando um ar depois de um pesadelo.
-Como achou esse lugar?
-Vim aqui à tarde e conheci a filha de Louise.
-Filha?
-É, Veridiana.
A mulher tinha uma expressão confusa.
-De qualquer modo, vamos voltar para casa.
Agnes andou vagarosamente até a mansão e Ágatha a seguiu, precisava colocar a cabeça no lugar.
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