Notas iniciais
I'm back u.u apesar de estar desconsolada com esse site por alguns motivos, eu não vou deixar meus lindos leitores na mão ^^

-Ágatha não volte lá, por favor.

A voz suave de Agnes retirou a garota do transe em que estava.

-Por que não?

-Coisas acontecem por lá. Não volte, é só o que eu te peço.

-Mas eu prometi voltar...

-Prometeu a quem?

-À Veridiana, minha amiga...

-Não quero você metida com...esse tipo de gente.

-Que tipo?

-Chega Ágatha! Eu entendo que esteja cansada e que foi uma mudança muito repentina pra você, mas não vou aceitar desobediências. Se você voltar naquele lugar pode esquecer se celular, mocinha.

A garota bufou e não deu resposta, apenas subiu para seu quarto e trancou a porta. Abriu o grande baú de livros que tinha trazido, procurou pela sessão esotérica ou de mistérios (ela era muito organizada) e no fim decidiu-se por pegar alguns livros sobre fantasmas e espíritos que assombram casas. Trancou-se no banheiro e começou a analisar as situações escritas, mas em todas elas o espírito se manifestava por completo, nenhuma o apresentava escondendo sua identidade. Tentou dormir novamente, mas os barulhos recomeçaram e só foram parar quando Louise chamou-a para tomar café da manhã.

-Cadê minha avó? — perguntou ao constatar que a senhora não estava na sala de jantar.

-Saiu logo cedo, disse que precisava cuidar da senhorita.

-O que será que ela quis dizer com isso?

-Desculpe senhorita, mas isso eu não sei.

-Tudo bem...acredita que ela não quer mais que eu converse com sua filha, Louise?

O sorriso sarcástico sumiu do rosto de Ágatha ao perceber o espanto no rosto da mulher.

-A-acho que minha senhora tem razão, isso não é bom mesmo...

-Louise? Está tudo bem?

-É melhor tomar o café senhorita, senão esfria.

Ágatha comeu um pedaço de bolo, mas tinha perdido a fome. Já estava de saída quando ouviu sua avó chegar.

-Querida eu tenho uma surpresa pra você.

A garota nem olhou para a avó, que bufou um pouco impaciente.

-Seu futuro noivo está em algum lugar lá fora, vá conhecê-lo.

Normalmente ela se incomodaria com o tom de ordem, mas essa era uma chance de conversar com Veridiana. Ela saiu correndo até a cachoeira, só não esperava encontrar mais alguém lá.

-Então é isso? Você quer ficar comigo mas se casar a força com Ágatha? Cretino!

Ela pôde ver de longe Veridiana dando um tapa fortíssimo na face do garoto loiro.

-Eu gosto de você Veridiana, mas minha mãe está certa: moça pra casar tem que ser de família boa, não a filha da empregada.

-Eu te odeio Abel!

Outro tapa.

-Olha, estou sendo muito paciente com você. Se fosse outra já tinha retribuído o tapa...que tal ser minha amante quando eu me casar?

-E aprovar a infelicidade da Ágatha? Não vou deixar você destruir a vida dela Abel!

-Pensei que estivesse triste por minha causa, não pela garota.

-Ela é minha amiga e eu não vou deixar que seja infeliz!

Mais um tapa. Agora foi Abel quem acertara em cheio o rosto de Veridiana, deixando-a caída no chão. Não, Ágatah não podia aguentar ver sua única amiga sofrendo para protegê-la.

-Então é assim que você se julga bom o bastante para se casar comigo, seu covarde?

-Ágatha?

Ela simplesmente ignorou a expressão assustada do rapaz e correu até Veridiana para ajudá-la a se levantar. Abel, apesar da raiva que sentia, decidiu correr dali.

-Não ouse contar para minha avó que eu estou aqui, ou então eu digo a todos que você não passa de um covarde que não tem capacidade para se casar com alguém da minha família.

Ele bufou de raiva, mas foi para o meio da plantação em vez de se dirigir à casa grande.

-Agora eu entendo por que minha mãe me largou, eu só dou trabalho pras pessoas...

-Não é verdade Ágatha! Eu fiz isso porque quis, porque você é minha amiga e eu gosto de você.

-Eu também gosto muito de você, Di.

Ágatha passou a mão pelo rosto de Veridiana, que agora adquirira uma coloração avermelhada por causa do tapa e seus olhos verdes encontraram os azuis dela. Estava tão surpresa que mal pôde perceber quando a morena colou seus lábios nos seus e depois saiu correndo, deixando-a ali sem uma explicação. Passado o choque o rosto da ruiva ficou quase tão vermelho quanto seus cabelos e ela precisou tapar a boca para não soltar um grito de espanto. Saiu correndo pela plantação de girassóis, a fim de ter um motivo para sua respiração descompassada quando chegasse à casa. No meio do caminho Abel começou a segui-la, mas isso não tinha a mínima importância.

-Então querida, o que achou do seu pretendente?

-Bonito.

-Não é que minha querida Laís estava certa? Foi só conhecer o moço que sua respiração acelerou e o rosto corou...isso é paixão na certa.

-Tá...eu vou subir, não estou me sentindo muito bem.

-Pois tome um remédio querida, você ainda vai almoçar com seu futuro noivo.

Novamente o tom de ordem. Dessa vez Ágatha nem chegou a olhar para Agnes, subiu para seu quarto direto.

Deitada em sua cama ela procurava alguma música em seu Ipod que representasse um pouco do que estava sentindo, apesar de pensar que era impossível. Mas achou.

"I kissed a girl and I liked it

The taste of her cherry chepstick"


Pensou em mudar de música, mas algo a impediu.

"It felt so wrong, it felt so right

Don't mean I'm in love tonight"

A afirmação da música fez com que ela se acalmasse, talvez não fosse algo tão terrível assim. Aconteceu e acabou, nada mais do que isso. Foi até a janela para olhar o céu, mas seus olhos acabaram encontrando um comprido cabelo negro que caía perfeitamente sobre o corpo magro e delicado. Novamente sua respiração acelerou e seu rosto ficou vermelho. Fechou a cortina.

-Senhorita, o almoço está servido e seu pretendente a espera.

Mesmo sem a mínima vontade de olhar para aquele nojento, ela desceu. Ao contrário daquela manhã, agora estava faminta.

Notas finais
Não, eu não sou lésbica. Não, eu não sou bi. Sim, eu gosto de yuri. Problem?
Música "I kissed a girl" da Katy Perry.