O Fantasma De Paradise Farm
5 ILUSÕES
Ágatha olhou para o delegado e viu que realmente o homem parecia mais um dinossauro do que uma pessoa.
-Desculpe incomodá-lo, mas eu gostaria de saber sobre a morte de uma pessoa no século passado.
-Eu não sou tão velho assim, mocinha.
-Não é isso, só quero ver os arquivos.
-E qual seu interesse nessa morte?
-Só...curiosidade. Gostaria de saber mais sobre a minha família agora que vou morar em Carter Rich.
-Bem, em toda a história da família Wenrye só houve um escândalo: o assassinato da Duquesa Bárbara.
-É exatamente isso o que eu queria ver.
-Pois não. Sente-se ali e eu trarei a papelada para a senhorita olhar.
Eles precisaram esperar por vários minutos, já que o delegado tinha passos lentos devido a idade avançada. Quando ele voltou trazia em mãos um inquérito bem grande, mas que parecia ter sido arquivado.
-A investigação não foi pra frente, o assassino era muito rico e influente -disse ele ao notar o interesse de Ágatha- pode ver tudo o que quiser.
Ela começou a folhear aquilo tudo e não descobriu muita coisa, apenas que a mulher tinha sido morta a punhal e seu corpo fora jogado no rio, assim como o deu seu suposto amante João Pedro Belchior. O principal suspeito era Sebastian Lourver, marido da Duquesa.
-Ágatha, é melhor voltarmos antes que sua avó desconfie de algo.
-Tudo bem, vamos então.
Voltaram para a fazenda e a avó de Ágatha acabou por fazer Abel dormir lá mesmo. Quase 3 horas da manhã e a ruiva acordou com um barulho em seu quarto. Quando abriu os olhos pôde ver um vulto, então acendeu as luzes imediatamente e quase gritou com a visão que teve: Abel estava lá, quase nu, molhado, cheio de folhas e cortes pelo corpo.
-Ágatha...
Ela gritou e jogou uma almofada nele, esperando que desaparecesse, mas não foi isso que aconteceu. O garoto deitou-se a seu lado na cama e a abraçou, deixando seu corpo gelado.
-Me ajuda, Ágatha -sussurrou quase sem forças.
Quando ela abriu os olhos para olhá-lo viu que seus olhos estavam parados e seu corpo havia endurecido. Com certa dificuldade ela se soltou dos braços do rapaz e correu para o banheiro, onde chorou a noite toda. Ao amanhecer Louise veio chamá-la, mas não a encontrou no quarto.
-Senhorita? O café já está servido.
Ágatha levantou-se e tentou tirar a expressão de pânico que tinha em sua face, foi até seu quarto e...nada. Abel havia desaparecido e não havia nenhum sinal de sangue, folhas ou água em sua cama.
-Está tudo bem, senhorita?
-Onde está Abel?
-Saiu cedo e foi embora. Algum problema?
-Não, tudo bem. Será que eu posso ir até a cidade hoje? Gostaria de passear por lá...
-Bem, sua avó está tomando café da manhã.
-Obrigada Louise.
Ela desceu as escadas correndo e encontrou sua avó quando esta já saía.
-Vó, posso ir até a cidade?
-O que quer por lá?
-Preciso sair de vez em quando.
-Tá, vai. Peça para o motorista te levar.
-Obrigada.
A garota saiu correndo por entre a plantação de girassóis e pôde ver Veridiana no meio das flores amarelas.
-Veridiana! Quer vir comigo até a cidade?
-Sua avó nunca deixaria.
-Eu tenho um plano, vem comigo.
As duas foram até onde o motorista esperava, então Ágatha distraiu-o enquanto Veridiana entrou no porta-malas. Chegando na cidade ela pediu ao homem que fosse comprar um sorvete para ela, o que seria tempo suficiente para que sua amiga saísse de onde se escondia. Abriu o porta-malas e caiu no chão, chorando, assim que viu Veridiana com a pele roxa. Ela já não respirava. Quando o motorista voltou ela foi obrigada a se recompor.
-Senhorita que mal lhe pergunte mas...por que o porta-malas está aberto?
Ágatha voltou-se para o carro a fim de explicar o cadáver que ali se encontrava, mas o porta-malas estava vazio.
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