Ágatha olhou para o delegado e viu que realmente o homem parecia mais um dinossauro do que uma pessoa.

-Desculpe incomodá-lo, mas eu gostaria de saber sobre a morte de uma pessoa no século passado.

-Eu não sou tão velho assim, mocinha.

-Não é isso, só quero ver os arquivos.

-E qual seu interesse nessa morte?

-Só...curiosidade. Gostaria de saber mais sobre a minha família agora que vou morar em Carter Rich.

-Bem, em toda a história da família Wenrye só houve um escândalo: o assassinato da Duquesa Bárbara.

-É exatamente isso o que eu queria ver.

-Pois não. Sente-se ali e eu trarei a papelada para a senhorita olhar.

Eles precisaram esperar por vários minutos, já que o delegado tinha passos lentos devido a idade avançada. Quando ele voltou trazia em mãos um inquérito bem grande, mas que parecia ter sido arquivado.

-A investigação não foi pra frente, o assassino era muito rico e influente -disse ele ao notar o interesse de Ágatha- pode ver tudo o que quiser.

Ela começou a folhear aquilo tudo e não descobriu muita coisa, apenas que a mulher tinha sido morta a punhal e seu corpo fora jogado no rio, assim como o deu seu suposto amante João Pedro Belchior. O principal suspeito era Sebastian Lourver, marido da Duquesa.

-Ágatha, é melhor voltarmos antes que sua avó desconfie de algo.

-Tudo bem, vamos então.

Voltaram para a fazenda e a avó de Ágatha acabou por fazer Abel dormir lá mesmo. Quase 3 horas da manhã e a ruiva acordou com um barulho em seu quarto. Quando abriu os olhos pôde ver um vulto, então acendeu as luzes imediatamente e quase gritou com a visão que teve: Abel estava lá, quase nu, molhado, cheio de folhas e cortes pelo corpo.

-Ágatha...

Ela gritou e jogou uma almofada nele, esperando que desaparecesse, mas não foi isso que aconteceu. O garoto deitou-se a seu lado na cama e a abraçou, deixando seu corpo gelado.

-Me ajuda, Ágatha -sussurrou quase sem forças.

Quando ela abriu os olhos para olhá-lo viu que seus olhos estavam parados e seu corpo havia endurecido. Com certa dificuldade ela se soltou dos braços do rapaz e correu para o banheiro, onde chorou a noite toda. Ao amanhecer Louise veio chamá-la, mas não a encontrou no quarto.

-Senhorita? O café já está servido.

Ágatha levantou-se e tentou tirar a expressão de pânico que tinha em sua face, foi até seu quarto e...nada. Abel havia desaparecido e não havia nenhum sinal de sangue, folhas ou água em sua cama.

-Está tudo bem, senhorita?

-Onde está Abel?

-Saiu cedo e foi embora. Algum problema?

-Não, tudo bem. Será que eu posso ir até a cidade hoje? Gostaria de passear por lá...

-Bem, sua avó está tomando café da manhã.

-Obrigada Louise.

Ela desceu as escadas correndo e encontrou sua avó quando esta já saía.

-Vó, posso ir até a cidade?

-O que quer por lá?

-Preciso sair de vez em quando.

-Tá, vai. Peça para o motorista te levar.

-Obrigada.

A garota saiu correndo por entre a plantação de girassóis e pôde ver Veridiana no meio das flores amarelas.

-Veridiana! Quer vir comigo até a cidade?

-Sua avó nunca deixaria.

-Eu tenho um plano, vem comigo.

As duas foram até onde o motorista esperava, então Ágatha distraiu-o enquanto Veridiana entrou no porta-malas. Chegando na cidade ela pediu ao homem que fosse comprar um sorvete para ela, o que seria tempo suficiente para que sua amiga saísse de onde se escondia. Abriu o porta-malas e caiu no chão, chorando, assim que viu Veridiana com a pele roxa. Ela já não respirava. Quando o motorista voltou ela foi obrigada a se recompor.

-Senhorita que mal lhe pergunte mas...por que o porta-malas está aberto?

Ágatha voltou-se para o carro a fim de explicar o cadáver que ali se encontrava, mas o porta-malas estava vazio.