O Fantasma De Paradise Farm
1 Chegada
Notas iniciais
O que uma garota de 16 anos acharia pra fazer em uma fazenda no meio do nada?
Era o que Ágatha pensava nesse exato momento. Como se não bastasse seu pai só aparecer de vez em nunca para vê-la agora sua mãe tinha decidido mudar-se para a Etiópia e mandá-la morar com a avó, que ela sequer conhecia.
-Falta muito pra chegar? -Perguntou ao motorista que tinha sido enviado para buscá-la.
-Não senhora, a fazenda é logo ali.
Ela esticou seu pescoço um pouco para a frente, mas decidiu ignorar o que via porque lhe parecia totalmente impossível. Quando o carro entrou na propriedade Ágatha foi forçada a acreditar no que tinha visto: a fazenda era enorme e tinha uma enorme mansão no centro.
Desceu do carro e foi pegar suas malas, mas foi interrompida por uma senhora de olhos verdes e cabelos loiros muito claros, elegantíssima em seu vestido preto de grife.
-Olá querida! Sou sua avó, Agnes.
-Sério?!
-Sim, por que o espanto?
-Você...a senhora...não aparenta ser velh...minha avó.
-Bem, obrigada.
A mulher sorriu docemente para Ágatha e guiou-a até a casa, dizendo para não se preocupar com as malas.
-Bem, qualquer coisa que precisar é só chamar Louise que será atendida.
-Seja muito bem-vinda à Paradise Farm, senhorita.
Ela se virou e viu que a mulher de curtos cabelos castanhos simplesmente aparecera, mas decidiu ignorar e partir para o que interessava:
-Aqui pega internet?
-Não,senhorita.
-TV a cabo?
-Também não.
-Então o que fazem para se distrair?
-Se fosse em época de aulas a senhorita receberia um professor particular, mas como está nas férias...eu não sei o que sugerir.
-Bom...eu devo conseguir achar alguma coisa, posso dar um passeio pela fazenda?
-Claro, querida. Só certifique-se de estar de volta antes do jantar, vou receber alguns convidados e gostaria que os conhecesse.
-Ok.
A garota saiu correndo para os fundos da fazenda, seus cabelos ruivos brilhavam com o sol. Andou por tudo, mas não conseguiu achar nada que lhe despertasse o interesse.
-Senhorita? Deseja algo? -ela virou-se e pôde ver o homem, todo sujo de terra e que carregava uma enxada nos ombros.
-Bom...tem algum lugar interessante por aqui?
-Tem a cachoeirinha.
-Onde fica?
-Segue por essa plantação que a senhorita vai achar.
-Muito obrigada.
Mesmo espantada com a incrível educação de todos, ela deixou esse assunto para depois e seguiu correndo pela plantação de girassóis até encontrar uma entrada no meio da mata. Parou por alguns instantes para pegar fôlego e decidiu ir andando dessa vez. Não demorou para que pudesse ver a cachoeira, realmente linda, mas o que chamou sua atenção foi outra coisa: uma garota que trançava seus compridos e lisos cabelos negros com os pés submersos na água transparente.
-Oi.
-Oi...você é a neta da Dona Agnes, não é?
-Sou sim. Meu nome é Ágatha, muito prazer. E você?
-Veridiana, sou filha da Louise.
-Ah sim. Como sabe que sou neta dela?
-Todos estavam te aguardando e eu já teria notado uma garota ruiva de olhos verdes se morasse aqui.
As duas riram como se já se conhecessem há muito tempo.
-E aí Veridiana, o que tem de legal pra se fazer aqui?
-Me chama de Di, por favor. Ah, quase me esqueci: eu preciso te chamar de senhorita como todo mundo?
-Não, claro que não.
-Então, existem coisas muito legais para se fazer aqui, mas amanhã eu te mostro.
-Por que amanhã?
-Já está ficando tarde e minha mãe comentou sobre o jantar que sua avó daria. É melhor se apressar.
-Ah é, quase me esqueci! Te econtro aqui amanhã?
-Claro! Depois do almoço?
-Combinado. Até mais Di!
-Até!
Ágatha subiu as escadas da mansão correndo, se atrapalhou um pouco até achar seu quarto e quando entrou viu que havia um pacote sobre a cama. Abriu o embrulho e viu que se tratava de um vestido azul escuro de um ombro só, que ia até seu joelho. Tomou banho, vestiu-se e colocou uma sandália de salto prateada que também havia sido deixada no quarto. Quando desceu as escadas sua avó já estava sentada com as visitas na sala de estar.
-Laís, Jonathan, essa é minha querida neta Ágatha.
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