O Fabricante De Bonecas
12 Machucados

CAPÍTULO 12: MACHUCADOS
Sasori estava encostado em uma de suas mesas de trabalho o mesmo tocava seus próprios lábios relembrando do gosto doce dos lábios de sua boneca. Não se sentia arrependido, ele sabia que aquilo aconteceria mais cedo ou mais tarde. Se Sakura não gostava do seu verdadeiro eu não lhe interessava, ela já era sua dês do momento que aceitou ser sua boneca.
Mas não gostaria de obrigá-la, se fosse o caso não poderia mais ver o belo sorriso da garota, apenas receberia ódio por parte dela.
— Que expressão é essa? O incrível Sasori impenetrável está se amargurando por algo?
Fez uma carranca ao reconhecer a voz do rapaz.
— O que está fazendo aqui? Saiba que não estou com paciência para suas idiotices.
— Calma estressadinho. — Falou o loiro erguendo as mãos em forma de rendição. — Por acaso isso tudo tem haver com a rosada?
Recebeu um olhar mortal do ruivo o fazendo abrir um sorriso.
— Acertei! Por acaso está gostando de uma humana? Un! — Falou em tom debochado. Sasori tentou ignorá-lo olhando para um ponto qualquer da sala cheia de bonecas e brinquedos.
O loiro arregalou os olhos não esperava por aquilo, apenas havia dito para irrita-lo, mas recebeu uma ação inesperada de Sasori.
— Espera aí Sasori! É sério isso? Humanos são feito apenas para nossa diversão, quando cansamos deles apenas acabamos com tudo! Você mesmo era o mestre nisso, nunca deixava ser pisado por ninguém! Un!
— Você tem razão... — Falou quase como um sussurro, mas dando para Deidara ouvir. — Então por que não consigo fazer o mesmo com ela?
— Qual é Sasori! Aquela garota apenas te usou para preencher a solidão dela, foi apenas ela conseguir amigos que o jogou de lado Un!
— Não... Ela me deu carinho e atenção, sempre foi muito amorosa comigo. Ninguém nunca havia feito tudo o que ela fez por mim. — O mesmo parecia distraído, ainda encarava um ponto fixo da sala. Parecia que havia esquecido que estava falando com Deidara. — Mas... foi tudo por causa desse outro cara! Por que ela preferiu um outro qualquer?! Eu sempre fiz tudo por ela, dei atenção, carinho e todo o meu amor! Mas mesmo assim ela se apaixonou por outro!
Deidara o encarava abismado. Nunca esperou isso vindo de Sasori, ele sempre foi um homem sério e frio, o único sorriso verdadeiro que virá em Sasori era o sorriso sádica que tinha ao torturar pessoas. Nunca achou que alguém como ele seria capaz de ter afeto por outra pessoa.
— Então conseguimos ter esse tipo de sentimento Un...
Finalmente Sasori olhou o loiro que começou a rir. Qual quer um ficaria assustado com aquilo, mas Sasori já estava acostumado com a loucura do companheiro.
— Pelo visto está coisa chamada "amor". — Falou fazendo aspas com os dedos. — É como uma arma para nós. Nós já somos loucos normalmente, agora acrescente um pouco disso e seremos invencíveis. Provavelmente você já deve ter metido a louca na frente da garota né.
Falou rindo ainda mais.
— Por isso estava com aquela cara? Porque ela agora apenas te enxerga como um louco! — O mesmo segurava sua barriga de tanto rir, Sasori apenas mantinha um olhar frio no loiro. — Qual é Sasori, você ainda tá se preocupando com isso, Un. Apenas vai lá e acabe com tudo! Você acha que ela conseguiria amar monstros como nós? Somos apenas coisas que se divertem com o sofrimento alheio, e você não é diferente. Você pode amá-la, mas ainda teria o prazer de machucá-la e ouvir seus gritos! E provavelmente o prazer seria ainda maior por amá-la! Está coisa chamada "amor" apenas nós torna mais doentes. Pois somos coisas obsessivas que querem atenção, podemos fazer qualquer coisa por aquilo que queremos, Un.
Sasori o olhava sério, estava começando a ter um conflito em sua cabeça, o loiro apenas havia dito verdades que não poderia negar.
— Então apenas faça o seguinte. — O loiro se aproximou e se apoiou no ombro esquerdo de Sasori. — Chegue lá acabe com todos que ficarem em seu caminho, logo mostre quem é que manda e pegue a garota e a leve para si. E não importa o que ela acha apenas pegue o que lhe pertencia a anos, Un!
Sasori permaneceu calado, Deidara percebeu que o ruivo estava profundo em seus pensamentos. Parece que o que o loiro havia dito tinha afetado bastante o ruivo.
— Então é isso, vou indo tenho brinquedos novos para me divertir, Un!
Apenas os passos do loiro ecoavam na sala e logo depois o som de uma porta sendo fechada.
Novamente Deidara havia o pegado com suas palavras, o loiro havia o deixado pensativo novamente.
Se fosse o caso, ele havia feito o que o loiro tinha dito dês do início, mas não conseguia. Não queria que a rosada o odiasse. Mas não adiantava agora, Sakura provavelmente sentia medo dele agora. Como Deidara havia dito, ela apenas o enxergaria como um louco.
Mas Deidara tinha razão, deveria ir lá e apenas pegar o que lhe pertencia a anos. Ela o odiaria de qualquer forma, mesmo se não fosse lá ela ainda teria medo dele e pior a perderia para outro. E se por acaso fosse lá e a pegasse ela o odiaria por arrancar tudo dela. Mas ainda a teria em seus braços.
Sua mente estava em total conflito não sabia o que fazer, o mesmo ainda ficou alguns minutos ali encarando o nada.
Em fim o mesmo finalmente fez algum movimento depois de meia hora encarando o nada.
O mesmo esfregou seus olhos com o polegar e o indicador logo soltando um longo suspiro. Descruzou os braços e se desencostou da mesa.
— Você não me deu escolhas Sakura...
***
A garota de cabelos rosas se encontrava sentada no sofá, freneticamente dava olhadas nas escadas, ela parecia preparada para que alguém descesse as mesmas. Seus ouvidos estavam atentos para qualquer barulho que viesse do andar de cima.
Já fazia algumas semanas dês da confissão de Sasori, depois disso não o viu mais. A mesma tinha medo de entrar em seu quarto e velo lá a esperando, tinha medo de ficar sozinha em casa e o mesmo aparecer. Todas as noites ela ia dormir no quarto de seus pais, mesmo tendo noites que os dois não dormiam lá a mesma ia lá dormir com a porta trancada. Sabia que trancar a porta não adiantaria já que o mesmo podia usar portas "mágicas" que o levava para onde quisesse. Mas se por acaso ele aparecesse em seu quarto ele provavelmente não entraria no quarto de seus pais era o que ela pensava.
A mesma quase não entrava mais em seu quarto e quando precisava de algo a mesma atentamente abria a porta com cuidado, conferindo se havia alguém dentro, tendo certeza que não apenas entrava e nas pressas pegava o que precisava logo fechando a porta novamente.
Se seus pais prestassem mais atenção na garota chamariam ela de paranoica, mas dá forma que estava eles nem mesmo perceberam a forma estranha que sua filha estava agindo.
A casa estava em total silêncio, ela estava atenta a cada pequeno barulho que vinha de dentro da casa. O som do relógio e da torneira pingando pareciam mais altos.
Até que um som novo a fez dar um pequeno pulo no sofá em que estava sentada, seu coração bateu acelerado com o som inesperado da porta sendo destrancada.
Seus olhos direcionaram a porta da frente que fazia um rangido ao ser aberta. Dela surgiu uma mulher loira que abriu um sorriso ao vela.
— Estamos de volta querida!
Sua expressão de medo sumiu aos poucos e logo um suspiro de alívio saiu de seus lábios.
— Sejam bem vindos de volta! — Abriu um sorriso e foi em direção a porta receber seus pais.
— Ainda está acordada. — Falou seu pai tirando seu casaco. — Estava nos esperando novamente.
— Ora filha, não precisa nos esperar você terá que acordar cedo amanhã é melhor ir dormir.
— Ah sim, vocês tem razão mas, é que eu estava sem sono sabe. A propósito vocês já comeram algo? Ainda sobrou do jantar que eu fiz e...
— Obrigada, mas eu e seu pai já jantamos. Obrigada por nos esperar mas, é melhor ir dormir agora. Tenha uma boa noite. — A loiro se aproximou da filha beijou sua testa.
— Hum...
Resmungou sua filha obviamente triste.
— Boa noite Sakura. — Falou seu pai passando a mão em sua cabeça.
— Boa noite... — Desanimada foi em direção às escadas logo passando o corredor iluminado, havia deixado todas as lâmpadas da casa acesas, confessava que estava começando a dormir de lâmpada acesa porém sempre acordava no outro dia com ela desligada pois seus pais iam lá e a desligava.
Sakura percebeu que seus pais não prestavam muita atenção nela, não percebiam a forma que ela estava agindo o medo que ela tinha em ficar sozinha em casa, e isso a machucava. Ela sentia falta de Sasori, mesmo que ele tenha mentido para ela, mesmo que ele seja um louco sádico, no fundo ela queria que ele voltasse.
Sentia falta de ficar as noites conversando com ele, sentia falta de sua companhia na cama, sentia falta de lanchar com ele nos intervalos, sentia falta de sua atenção. Ela provavelmente não se importaria com o que ele era dês que pudesse ter aqueles momentos de volta. Mas ela tinha certeza que se ele aparecesse em sua frente novamente ela apenas conseguiria sentir medo. Nada poderia voltar a ser como antes.
E antes de pegar no sono ela pensou em Sasori mais uma vez...
***
Ia em direção a sua sala sonolenta, tentava não pregar os olhos e acabar caindo no corredor dormindo ali mesmo. Algumas vozes ecoavam pelos corredores sinalizando que já havia algumas pessoas na sala.
A mesma havia chegado cedo, mas apenas porque acordou com sua mãe mexendo em seu guarda roupa. Não poderia reclamar afinal o quarto era dela.
Bocejando a garota esfregou seus olhos que lacrimejavam deixando sua visão um pouco embaçada, já estava no corredor de sua sala, um pouco a frente via um borrão preto quando sua visão melhorou logo percebeu quem era. Os dois pararam de andar apenas quando estavam em frente à porta de suas salas.
— Bom dia Sasuke-kun. — Abriu um sorriso forçado mais convincente.
O mesmo apenas deu um aceno com a cabeça e adentrou sua sala. Logo que ele sumiu de sua frente o sorriso sumiu aos poucos para uma expressão triste.
Depois do acidente na biblioteca o moreno continuou a agir de forma natural com Sakura como se nada tivesse acontecido, Sakura compreendia afinal foi apenas um acidente seus lábios apenas se encostaram, mas para Sakura aquele foi seu primeiro beijo e a deixava ainda mais feliz já que foi com o garoto que gosta, mas ele agiu como se não fosse absolutamente nada e isso a machucava. Ela apenas se iludiu com um pequeno acidente.
Por um momento flashes do beijo com Sasori invadiu sua mente a fazendo levar um pequeno susto. Novamente o ruivo havia invadido sua cabeça sem ela perceber. Logo voltando a si abriu a porta de sua sala e adentrou.
Apenas sentou em seu lugar e ficou encarando o nada, a lembrança de Sasori havia tirado o seu sono.
Um tempo depois Ino chegou na sala e logo foi conversar com sua amiga, mas assim que Sai chegou a loira foi falar com ele. Sakura já sabia que Ino estava apaixonada pelo garoto mesmo se ela mesma não tivesse contado, a rosada perceberia logo de cara, afinal estava escrito em sua testa. Sakura nunca achou que Ino tinha este gosto estranho para garotos, se perguntava o que ela havia visto em Sai, o mesmo a apelidava de "feia" ou "feiosa", Naruto sempre a impedia de soca-lo mesmo o loiro também tendo um apelido nada agradável por parte de Sai.
Algum tempo depois chegou Naruto conversando com uma Hinata totalmente vermelha, Sakura olhou preocupado para a morena que poderia desmaiar a qual quer momento.
Ela e Naruto também estavam mais próximos, Sakura já sabia muito bem que ela é apaixonada pelo loiro afinal estava na cara. Com uma ajudinha de Sakura, Hinata finalmente conseguiu dar um passo a mais com Naruto. E isso era, conseguir conversar com ele sem desmaiar. E com isso os dois acabaram ficando mais próximos.
Sakura deveria ficar feliz com isso mas, estava se sentindo solitária, antes que se desse conta a sala já estava começando a formar casais mesmo sendo alguns apenas de amigos, estava na cara que se gostavam.
Naruto e Ino estavam começando a deixá-la de lado, sabia que isso é normal afinal eles teriam que namorar um dia e dar atenção a isso. Mas isso a machucava. Estava mais uma vez sentindo falta de Sasori, a garota percebeu que talvez Sasori fosse o único que não a machucava e abandonava.
No intervalo foi o momento que mais se lembrava de Sasori, todos os intervalos com ele eram divertidos, mas agora parecia um pouco solitário.
As aulas finalmente acabaram, distraidamente a rosada andava pelo corredor que era banhado pelo sol poente. Ouviu passos perto de si lhe chamando atenção. Logo viu o moreno que tanto gostava.
— Sasuke-kun está indo para a biblioteca? — Depois daquilo Sakura retornou apenas mais uma vez, ao ver que Sasuke agia como se nada tivesse acontecido, ela pensou em desistir então parou de ir para a biblioteca.
O moreno deu uma olhada na rosada que ficou um pouco confusa com aquilo.
— Na verdade... queria falar com você.
Sakura sentiu suas pernas ficarem moles e seu coração acelerar.
Os dois andavam lentamente um ao lado do outro no corredor. Já fazia alguns segundos e os dois continuavam em silêncio, Sakura sentia suas mãos suarem, dava olhadas de canto para Sasuke o mesmo apenas olhava para frente. Veio várias possibilidades na cabeça de Sakura. Afinal o que Sasuke queria com ela?
— Sobre aquilo... — Sakura se assustou ao ouvir a voz repentina do moreno. — Não tenho certeza mas, talvez deveria dizer um desculpe?
Sakura o olhou confusa, ele estava falando do acidente na biblioteca, mas porque apenas agora ele foi se desculpar? Afinal... porque estava se desculpando?
— Você deixou de ir lá depois da aula então achei que fosse isso...
Sakura o olhou surpresa, sua expressão era neutra, mas sentia que ele estava um pouco desajeitado e nervoso.
— N-Não precisa pedir desculpa, aquilo não foi nada. — A mesma falou desajeitada e nervosa, o moreno a olhou de canto e Sakura jurou ver um brilho de decepção em seus olhos. — Q-Que dizer não é que não foi nada, a-afinal f-foi muito, já que foi m-meu primeiro e...
Imediatamente ela tampou sua própria boca assustando o moreno, a mesma havia falado de mais. Sentia suas bochechas queimarem, estava vermelha como um pimentão.
— A-Apenas esqueça o que eu disse. E me desculpe os problemas!
Se curvou pedindo desculpas e logo saiu correndo pelo corredor apressada deixando um moreno surpreso e confuso para trás.
***
Chegou em casa cansada por ter corrido, a mesma apenas queria se trancar no quarto e enfiar a cara no travesseiro.
Estava com tanto sono e cansada que parecia não se importar com mais nada, apenas jogou sua bolsa no chão e foi em direção a última porta do corredor. Adentrou e apenas empurrou a porta fazendo com que se fechasse, logo se jogou na cama.
Relembrou da cena vergonhosa mais cedo, sentia vontade de se bater por ser tão idiota.
"O Sasuke deve me achar uma maluca."
Com o seu pensamento ela enterrou seu rosto no travesseiro gemendo baixinho. Estava se corroendo de vergonha por dentro.
Acabou pegando no sono com seu uniforme escolar.
Toda a casa estava escura provavelmente já era umas 7 da noite.
A casa estava em total silêncio Sakura ainda continuava dormindo profundamente.
Um baixo som do rangido da porta ecoou pelo quarto. A pessoa que a abriu parou e na porta mesmo observou a rosada dormindo.
— Estou de volta Sakura...
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