O Exterminador Do Futuro
38 O Extermínio - Família Black
Notas iniciais
NESSIE
SETEMBRO DE 2018
Esses meses passaram com fluidez, Jacob e eu ainda estamos trabalhando no vírus para os nanites, bom, ultimamente, mais eu do que ele. Ele anda ocupado com as outras Ravinas, nós estabelecemos conexão com elas uns anos atrás e elas estão sendo ampliadas, o que significa que uma grande quantidade de recursos está sendo enviada pra lá constantemente. No mês passado um dos comboios com recursos foi atacado e completamente perdido, desde então ele vem sendo paranoico com cada comboio que envia.
Falando das Ravinas, Nahuel tem se saído muito bem na Ravina 3, ele tem até um casal de gêmeos agora, eu não lembro as idades ou os nomes, os vi apenas uma vez quando eles nasceram. A mulher dele teve que ficar aqui nos últimos meses de gestação, porque Kim estava preocupada que ela não suportasse ao parto, mas tudo deu certo no final. Preciso ressaltar que Nahuel chorou feito um bebê quando viu os filhos pela primeira vez, ele chegou dois dias depois do nascimento deles, como é o responsável pela Ravina 3 não pôde ficar aqui com a mulher depois que Kim a trouxe... mas enfim os gêmeos são lindos.
Ah, também temos o presidente, ele estava doente um tempo atrás, quando visitei o quarto deles. Bem acontece que a coisa era séria... Kim e a equipe dela fizeram tudo o que podiam por ele, nas condições que tínhamos, mas ele só foi definhando cada vez mais até morrer. Kim fez uma autópsia só pra ter a consciência livre para qualquer tipo de infecção que pudesse se espalhar pela base, já que ele foi o primeiro caso de morte por uma doença desconhecida O que ela descobriu? Um belo de um lindo senhor câncer, que se espalhou pra tudo quanto é parte que você possa imaginar, Kim disse que pelo estado dele, muito provavelmente ele já tinha o câncer antes do mundo explodir. Mas não pensem que as coisas melhoraram depois que o presidente morreu, nós ainda temos o digníssimo general, vulgo pai do Alec, para pegar no nosso pé. Ou melhor, sempre foi o pai do Alec, o presidente só ficava lá calado como se estivesse com as bolas na boca, enquanto o general exigia tudo de mais absurdo que você puder imaginar insistentemente. Eu convenci o Alec a deixar ele conhecer os netos, tenho que dizer que foi a única vez que vi aquele homem não falar besteiras.
Eu estou enorme com a minha barriga de oito meses, o bebê não para quieto um segundo, estou tendo problemas pra dormir por causa disso. Kim quis me internar para me fazer descansar, mas eu não quis porque temos muito trabalho a fazer e, além disso, eu estou bem com apenas algumas horas de sono, eu sugeri passar o máximo de tempo trabalhando no meu quarto e depois de muito tempo ela aceitou de cara feia. Entrei na sala de comando e vi Jacob debruçado sobre a mesa anexada ao painel de controle da Moira. Os monitores mostravam imagens de satélites e ele fazia algumas anotações.
— Em que está trabalhando? – perguntei parando ao seu lada e colocando uma de minhas mãos no seu ombro.
— Estou revisando as marcações de uma missão que vamos ter amanhã. Mas e você? Não devia estar na cama? – sorri e passei as mãos na minha enorme barriga saliente.
— Eu estou grávida Jacob, não doente! — disse, além de todos os problemas que ele tinha pra resolver ele ainda encontrava tempo pra se preocupar comigo e pegar no meu pé.
— Eu sei! – ele parou o que fazia e virou ficando de frente para mim colocando as mãos em meus quadris, um pouco mais largo do que o normal – Mas combinamos que iria descansar!
— Eu estou bem e super descansada Jake, já não aguento mais ficar na cama! – ele suspirou sabendo que não me venceria nessa batalha.
— Tudo bem. – disse passando as mãos na minha barriga – Mas me avise se sentir qualquer coisa.
— Não se preocupe... sabe muito bem que essa não é a minha primeira gravidez, se sentir qualquer coisa eu aviso.
— Eu sei que não é sua primeira gravidez, mas é a primeira que tem quando o mundo já está um caos.
— Muitas crianças já nasceram aqui, jake. Tenho certeza, levando isso e o fato da Kim ter feito o parto do Thomas com o mundo explodindo, que eu e ela podemos lidar com mais esse parto. Além disso, Kim já lhe disse que está tudo bem comigo e com o bebê, não precisa se preocupar mais ainda! E falando em preocupações... você tem passado muito tempo aqui! Não vejo a hora que vai pra cama nem que sai dela a dias.
— É porque eu não tenho ido pra cama! – Renesmee suspirou
— Quanto tempo tem desde a última vez que dormiu?
— Eu devo ter cochilado por cima dessas coisas algumas vezes.
— Você sabe que estou falando de um sono de verdade – ela disse passando a mão no rosto dele.
— Eu sei! Eu prometo que vou descansar assim que essa missão passar, mas só depois! Não podemos nos dar ao luxo de perder mais um carregamento e só falta mais esse e finalmente acabou.
— Você ficou muito teimoso nos últimos anos!
— É o que acontece quando se tem essa loucura nas mãos...
— Desculpe interromper! – disse Kim entrando na sala.
— Tudo bem Kim – Renesmee falou – Algum problema?
— Por favor diga que não! – Jacob disse
— Nenhum problema – Kim disse rindo da reação desesperada de Jacob.
— Eu só acho que tem uma coisa que vocês gostariam de ver!
— O quê? — perguntei franzindo a testa.
— Vamos comigo, até a ala médica – ela disse e nós dois acompanhamos Kim até a ala médica, ela nos levou até a área onde ficavam as mães que acabavam de ter seus bebês. Chagando lá, paramos na porta de um dos quartos e Kim apontou para o casal que sorria lá dentro, reconheci imediatamente Edward e Bella que carregava um pequeno embrulho nos braços. Comemorar aniversários não era muito comum ultimamente, normalmente as famílias ou pessoas próximas apenas desejavam feliz aniversário... E eu nem lembrava que hoje era o meu.
— Feliz aniversário — Jacob sussurrou no meu ouvido, eu sorri em agradecimento e dei mais alguns passos para dentro do quarto atraindo a atenção do casal. Edward sorriu e ficou de pé ao lado da cama da mulher fazendo a costumeira reverencia que as pessoas haviam acostumado a fazer. Bella me olhou e o sorriso que carregava diminuiu até desaparecer, seu rosto ficou vermelho e os olhos encheram de lágrimas que foram impedidas de cair. Ela desviou o olhar de mim.
— Jake... Nessie... — Edward disse com o ligeiro sorriso, balançou a cabeça e se corrigiu – Sr. e Sra. Black
— Ela é linda! – eu disse, fazendo força para segurar minhas próprias lágrimas, parada aos pés da cama.
— Obrigada... senhora Black! – Bella respondeu com um sussurro ainda sem me olhar.
— Como sabe que é uma menina? – Edward perguntou, o tom brincalhão em sua voz era palpável. Deixei uma risada escapar junto com uma lágrima que sequei assim que saiu.
— Só um palpite...
— O nome dela é Renesmee! – Bella falou ainda sem me olhar. Ela mantinha os olhos no pequeno serzinho com ralas mechas ruivas.
— Eu sei! – a resposta saiu antes que pudesse pensar. Bella finalmente levantou o olhar e me olhou, parecia estar à beira de uma crise pesada de choro.
— Eu estou... — ela começou a falar, mas sua voz saiu estrangulada, provavelmente pelo choro que tentava segurar. Ela me olhava de uma forma estranha. Respirou fundo algumas vezes antes de voltar a falar, dessa vez sua voz saiu mais clara, embora ainda afetada pelo choro que era impedido de sair – Eu agradeço por terem vindo, mas... estou cansada e gostaria de descansar.
— Bella! — Edward falou franzindo a testa — Você está bem?
— Eu estou bem!
— Eu vou deixar você descansar... — disse desfazendo o meu sorriso, essa situação tinha sido muito estranha. Dei mas uma olhada no bebê e no casal próximo a eles e saí sendo acompanhada por Jacob.
EDWARD
Observei Nessie sair do quarto e olhei para Bella logo em seguida, ela me parecia estranha, mas ela não estava assim antes dos Black’s chegarem. Bella saiu da cama e colocou o bebê no bercinho ao lado da cama.
— Você está bem? Por que mandou os Black’s embora? — perguntei
— Eu não suporto olhá-la... — ela começou a dizer, mas foi muito baixo e as palavras morreram antes dela completar a frase.
— O quê?
— Eu sei... — disse
— Sabe? — perguntei confuso — Você não está com aquela ideia maluca sobre eu e a Nessie tendo um caso né?
— Não... — sua voz tremeu – Eu acredito que vocês nuca tiveram nada... E a razão pra isso é por que eu sei!
— Sebe de quê?! — ela virou pra mim que estava parado atrás dela, e me olhou nos olhos.
— Eu sei! — o olhar dela estava tão carregado... ela já não segurava mais as lágrimas e vê-la assim me angustiou – Eu ouvi uma conversa sua com o Quil alguns meses atrás... — ela deixou a frase morrer, mas não desviou o olhar. Senti meu corpo tremer quando o entendimento me alcançou e me apoiei na cama.
— Bella...
— Eu não quero falar sobre isso!
— Mas Bella...
— Não! Eu não quero falar sobre o fato de que vamos morrer e... Eu só quero aproveitar o tempo que tenho com ela ao máximo... Eu não quero saber quando vai acontecer, não quero saber mais nada sobre o futuro... — eu a abracei e ela desmoronou aos prantos em meus braços, pude sentir como o peso de saber sobre isso estava destruindo-a por dentro. Deixei que ela me batesse enquanto me perguntava por que aquilo tinha que acontecer, tentei tirar dela o máximo do peso que pudesse para que ela se sentisse melhor, mas eu sei que não importa o que eu faça ela vai continuar a se sentir assim, pois é exatamente como eu me sinto, mesmo depois de tanto tempo. Quando ela pegou no sono eu a aconcheguei na cama e chequei o bebê que dormia tranquilamente. Eu não deveria contar isso para a Nessie, ela está grávida e não acho que seja necessário passar por essa emoção agora, mas o Jacob, ele precisa saber, eu preciso falar sobre isso com alguém e definitivamente não vai ser com o Quil! Caminhei em direção a sala de comando torcendo para que Jacob e Nessie não estivessem mais juntos e eles não estavam.
— Jacob, posso falar com você? — ele me olhou e franziu a testa ao ver minha expressão.
— Claro! Liberem a sala por favor. — disse em seguida e as pessoas que estavam na sala de comando assentiram e saíram — Aconteceu alguma coisa? A Bella está bem? O Bebê?
— Elas estão bem... mais ou menos... — ele levantou a sobrancelha intrigado.
— Você que eu mande chamar a Nassie?
— Não! Não tem necessidade dela saber... – respirei fundo e apenas – falei — Bella sabe...
— Sabe?
— Sabe! — nos encaramos por um tempo – Como isso aconteceu?!
— Ela ouviu uma conversa minha com o Quil...
— Você contou pra ele!
— Não! Eu não disse nada pra ele! Ele ouviu uma conversa entre a Nessie e o Nahuel no dia em que chegamos a Ravina 3 para buscá-la...
— Isso foi a quase 5 anos, por que eu só estou ouvindo isso agora?!
— Eu tinha sobre controle, ou pelo menos eu achava que tinha! Não achei necessário lhe incomodar com isso, mas ele abriu o bico pra Jessica com uma meia história e ela começou a espalhar por aí que a Nessie veio do futuro... isso não deu em nada... e eu continuei achando melhor não trazer isso pra você, não valia a pena.
NESSIE
Ao sair do quarto da Bella, mandei Jacob ir pois sabia que ele tinha muito a fazer e me encontrei com a Kim na sala dela na ala hospitalar conversamos. Passei cerca de uma hora com ela, mas ela foi chamada pela Rosalie e eu decidi voltar para a ala roxa e descansar um pouco meus pés que trabalha dobrado ultimamente. Decidi passa na sala de comando e tentar convencer o Jake e tentar descansar um pouco também, alcancei o corredor sul da ala vermelha e segui para a porta da sala, a porta estava aberta como sempre ficava durante o dia, mas apenas Jake e Edward estavam lá.
— Isso foi a quase 5 anos, por que eu só estou ouvindo isso agora?! — Jake disse e isso me fez não entrar na sala.
— Eu tinha sobre controle, ou pelo menos eu achava que tinha! Não achei necessário lhe incomodar com isso, mas ele abriu o bico pra Jessica com uma meia história e ela começou a espalhar por aí que a Nessie veio do futuro... isso não deu em nada... e eu continuei achando melhor não trazer isso pra você, não valia a pena — Edward falou – Bella ficou estranha depois... eu perguntei o que estava acontecendo e ela me disse que sabia... — franzi a testa, o que a Bella sabe? Jacob suspirou antes de falar.
— Como ela está?
— Arrasada... acho que esgotada por guardar isso pra ela... chorou por um tempão, gritando o como era injusto ela não poder ver a filha crescer e mesmo tendo ela perto não poder ser a sua mãe... — eu me engasguei e coloque a mão na boca pra não tossir muito alto e ser descoberta. ELA SABER! POR ISSO ESVA ESTRANHA... ELA SABE! Comecei a fazer o caminho de volta para a ala amarela sentia como se meu coração estivesse prestes a atravessar minhas costelas, uma pressão estranha no pé da minha barriga fez o pânico aumentar. Vi Kim conversando com uma enfermeira no corredor, tentei chama-la, mas minha respiração ia e vinha tão rápido que eu não conseguia falar. Agarrei o braço de alguém que passava ao meu lado.
— Senhora Black? — ela falou e eu a olhei reconhecendo Rose, a pressão no meu ventre se tornou insuportável e de repente não estava mais lá, no lugar estava a sensação de líquido escorrendo pelas minhas pernas – Kim, tem alguma coisa errada – Rose me apoiou e logo eu estava em uma cama.
— Nessie – Kim falou ao meu lado – O que aconteceu? — eu apenas a olhei ainda buscando o ar com todas as minhas forças — Ela está tendo um ataque de pânico! Nessie, eu preciso que preste atenção em mim, respire comigo. Inspira, expira... comigo no meu ritmo – fiz o que ela mandou e minha respiração voltou ao normal após um tempo – O que aconteceu? — eu ia responder, mas a dor indescritível que se concentrou nas minhas costas me fez gritar ao invés de falar – Mandem chamar o Jacob o bebê vai nascer! — tudo ao meu redor virou uma loucura. Kim me levou para um quarto e me ajudou a tirar a roupa.
— A Bella sabe... – eu falei e ela me olhou — Não conte pra ninguém que eu sei...
— A Bella sabe o que?
— Nessie! — Jacob entrou feito um raio no quarto – O que aconteceu? Ela estava bem! — Kim me olhou e eu devolvi o olhar.
— A bolsa estourou, o bebê vai nascer!
— Mas já! Ela ainda não completou nove meses...
— A bolsa estourou... o seu filho que nascer, Além disso minhas contas podem não ter sido exatas e ela já pode estar de 9 meses... — meu grito interrompeu a Kim, Jacob esbugalhou os olhos em minha direção.
— Ela está bem?
— Foi só uma contração — Kim levantou o pano para olhar se o bebê já estava à vista — Você ainda tem mais alguns centímetros pra dilatar.
— Só uma contração!? — Jacob falou
— Eu estou bem, Jake – falei pegando a sua mão, ele beijou minha testa.
— Tudo bem... está tudo bem... vai ficar tudo bem... — ele parecia muito nervoso. Eu apertei sua mão e ele me olhou novamente e me forçou um sorriso. Demorou bastante até que eu tivesse dilatação suficiente, quando isso aconteceu, Kim me mandou empurrar mais e mais a cada contração até que um chora forte invadiu a sala. Minutos depois Kim estava ao meu lado com um pequeno embrulho.
— Parabéns casal... é uma menina saudável.
SETEMBRO DE 2027
THOMAS
Faltam dois meses pro meu aniversário de 16 anos, a Sarah completou 9 anos semana passada e senhor ela tem um gênio que pelo amor de Deus! Embora ela também se pareça muito com o nosso pai a personalidade dela tem RENESMEE escrito com letras gritantes que piscam como luzes de natal, as vezes quando eu não faço as coisas do jeito que ela quer ela me lança uns olhares e por um momento eu penso que é a minha mãe... isso é irritante na maior parte do tempo, mas a gente se entende. Sarah tem as mesmas características físicas que as minha, características essas que herdamos do nosso pai, e os mesmos olhos azuis da nossa mãe, é claro pra qualquer um que nos veja juntos que somos parentes. Já Daniel o mais novo, que nasceu alguns meses atrás é completamente diferente de nós. Ele tem a pele clarinha e os cabelos ruivos da mamãe, sendo os olhos a única coisa que temos em comum. Ele é um bebê tranquilo, mamãe diz que ele se parece comigo nesse quesito, não é de chora sem motivo ou fazer birra, mas minha mãe diz que prefere não criar expectativas pois ele ainda é muito pequeno e isso pode mudar. Não que tenha mudado com a Sarah, ela sempre foi uma peste!
Meu pai tem me levado desde o ano passado para algumas missões fora da base, não preciso dizer que minha mãe quase proibiu que eu saísse, mas ela cedeu depois de muita insistência do meu pai, que quase desistiu da ideia. Ele também tem me atribuído pequenas tarefas aqui não base, supervisionar alguma coisa aqui, resolver um conflito ali, e por aí vai. Eu gosto... a única parte ruim é que quanto mais tempo eu gasto trabalhando com o meu pai, menos tempo eu tenho com a Jane. Ah... a Jane... Nós continuamos melhores amigos, ela é linda com aqueles cabelos tão loiros e aqueles olhos claros... o que posso dizer...
Jane também tem estado ocupada treinando para ser médica, a Kim cobra muito dos alunos dela, principalmente da Jane. As vezes ela tem tanto o que estudar que tudo o que posso fazer é ficar deitado em sua cama vendo ela estudar. Eu não reclamo, é melhor do que não a ver em hora nenhuma. A melhor parte do meu dia sem dúvida é quando encontramos o Seth na sala 4 da cinza para treinar, ele sem dúvida nos deixa quebrados, mas como eu disse, é melhor do que nada.
Falando em treinar com o Seth, é exatamente onde estamos agora. Caí exausto no chão ao lado da Jane quando Seth deu por finalizado o nosso treino de hoje. Eu estava pingando de suor e meus pulmões imploravam por um pouco mais de ar a cada vez que eu respirava.
— Eu estou morto – disse olhando para o lado e encarando Jane que também respirava desesperadamente como eu – Estou suspeitando que o Seth vem tentando nos matar... — ela riu e virou de bruços deitando a cabeça sobre os braços dobrados e me olhando.
— Não seja mole! — disse com um sorriso brincalhão — Está parecendo um velho reclamando de um pouquinho de exercício — eu sorri e me virei de lado para poder ficar de frente pra ela, notando pela milésima vez hoje o quão interessantes os seus lábios pareciam. Levei a mão até uma mexa de seu cabelo colada em sua bochecha devido ao suor, descolei a mexa e coloquei atrás de sua bochecha.
— Por que você parece tão bonita mesmo toda suada e descabelada? — eu achei que tivesse feito essa pergunta apenas na minha cabeça, mas quando as bochechas dela ficaram vermelhas, eu percebi que havia falado em voz alta.
— Acho que eu bati demais em você hoje! — ela disse afastando minha mão e sentando sobre seus joelhos — Você está falando mais besteiras do que o normal, devo checar se está com febre? — ela se esticou e colocou uma de suas mãos em minha testa. Eu segurei o braço que ela apoiou no chão para se equilibrar e se esticar até mim, e o puxei fazendo ela perder o equilíbrio e cair em cima de mim — Você tá maluco? — ela disse assim que seu corpo terminou de se chocar contra o meu.
— Eu acho que sim – sussurrei, mas como ela estava muito perto, me ouviu. Ela se remexeu tentando se levantar, mas eu a segurei pela cintura e virei deixando meu corpo em cima do dela.
— Tom... para com isso... me deixar sair... Você vai me esmagar desse jeito! — essa não era a primeira vez que ficávamos numa posição como essa, eventualmente em um treino ou outro isso acontecia devido as finalizações que fazíamos, mas dessa vez o pé da minha barriga formigava de nervoso pela proximidade e quando ela mordeu o lábio inferior, como sempre fazia quando estava nervosa e quase esqueci como se respirava. Aproximei nossos rostos por instinto e quando me dei contar do que faria, nossos lábios já se tocavam. Foi algo ridículo, mas foi... simplesmente aconteceu antes que eu pudesse parar pra pensar no que estava fazendo. Foi apenas um encostar de lábios, um selinho que deve ter durado uns 5 segundos, tempo esse, que o meu cérebro levou para processar o que eu estava fazendo e quando finalmente eu entendi o que era me afastei dela em um pulo, sentando ao seu lado sem olhá-la nos olhos. Vi pela minha visão periférica que ela não se mexeu, não sei se me olhava ou olhava pra outro lugar, mas eu não conseguiria olhar. Não sei quanto tempo o silêncio durou, pra mim pareceram horas e por isso eu fui o primeiro a falar.
— Eu... eu... Ah... Eu tenho que ir... — me levantei rápido e saí da sala correndo pela ala cinza, no momento que coloquei os meus pés na ala roxa desesperado para chegar ao meu quarto, trombei com a minha mãe que carregava meu irmão de 4 meses nos braços, quase os derrubei, mas fui mais rápido e segurei minha mãe para que ela não caísse.
— Menino! Posso saber onde é o incêndio?
— Eu, eu.. Ahm... tenho que ir... ahm... tomar banho...
— O banheiro não é pra esse lado... e cadê a Jane?
— A Jane?! Por que eu saberia onde ela está... — assim que eu falei percebi a besteira que havia feito, pois Jane e eu sempre estávamos juntos ou sempre sabíamos onde o outro estava.
— Thomas aconteceu alguma coisa? — minha mãe me perguntou, séria, segurando um dos meus braços. Daniel jogou o brinquedo em mim que caiu no chão após bater no meu peito.
— Não aconteceu nada – respondi enquanto me abaixava pra pegar o brinquedo, querendo evitar o olhar da minha mãe.
— Você sabe que eu posso perguntar a Moira, certo? — apertei os olhos tentando não imaginar a minha mão assistindo ao acontecido, senti meu rosto esquentar, quando a vergonha veio.
— Thomas, filho...
— Eu beijei a Jane! — falei rápido.
— Okei... — minha mãe falou devagar – E o que aconteceu depois?
— Nada... eu... entrei em pânico. Eu não sei porque eu fiz isso, eu acho que não deveria ter feito... eu... eu não sei...
— Você é igual ao seu pai – ela disse rindo — Você quer a minha opinião como a sua mãe... ou como uma garota?
— Sinceramente? — perguntei franzindo o rosto e vendo minha mãe afirmar com a cabeça — Nenhum dos dois... — ela prendeu a risada.
— Como sua mãe então... Você deve falar com ela, você nunca vai saber se não perguntar, ela é a sua melhor amiga ficar sem se falar por causa disso não vai ser saudável pra nenhum dos dois e, além disso, se ela gostou... vocês dois só vão está perdendo tempo se evitando.
— Se ela gostou? Aquilo foi horrível! Eu nem sei direito o que aconteceu, eu nem sei se dá pra chamar aquilo de beijo...
— Fale com ela Tom... — ela me deu um beijo na bochecha pegou o brinquedo do Daniel na minha mão e sorriu – Mas tome um banho primeiro, ela vai gostar mais se você não estiver fedendo – ela suspirou se afastando de mim – Acho que o meu bebê terminou de crescer... ele já está por aí beijando garotas...
— Mãenhêê — eu disse e ela atravessou a porta para a ala vermelha rindo alto.
2 SEMANAS DEPOIS
Minhas mãos suavam numa proporção que nunca pensei que fosse possível, eu havia me acertado com a Jane, mas não consegui convencer meus pais a falarem com o Alec... meu pai me disse que era o certo eu ir até o Alec e falar eu mesmo sobre eu e a Jane. Me pareceu algo importante e eu acho que é por isso que eu estou nervoso. Jane estava ao meu lado e nós caminhávamos até o arsenal onde o Alec estaria. Tanto lugar e tinha que ser justamente em um cheio de armas!
Ele sorriu para a Jane quando entramos e ela agindo como se nada estivesse acontecendo foi até ele lhe dar um abraço. Olhei ao redor vendo que haviam outras pessoas na sala, isso é bom certo? Diminui as chances dele tentar me matar.
— Você está bem? — Seth me perguntou me dando uma cotovelada nas costelas – olhei pra ele pensando em pedir ajuda, mas a Jane falou antes de mim.
— Thomas quer falar com você, pai – Alec me olhou e depois olhou a filha.
— Sobre o que? — ele perguntou checando algumas armas nas prateleiras.
— Ah... Eu... — olhei para o Seth e ele franziu a testa ao ver o desespero em meu rosto – Eu quero que o senhor saiba por mim que eu e a Jane estamos namorando – disse em um só fôlego, mas preciso admitir que me borrei um pouquinho, só um pouquinho, quando escutei a arma ser engatilhada.
— Você o quê?
— Estou namorando a Jane... — nos encaramos por um tempo.
— Você tem muita coragem de vir até essa sala, logo essa sala, e me dizer que está namorando a minha garotinha.
— Papai!
— Você acha que só porque o seu pai manda nesse lugar e é meu amigo, eu vou permitir isso?
— Não senhor, eu não espero nenhum tipo de tratamento privilegiado devido ao seu relacionamento com meus pais ou a minha posição nesse lugar. Só achei que seria certo o senhor ouvir isso de mim – nos encaramos novamente e de repente Alec explodiu em uma gargalha escandalosa acompanhado pelo Seth e as demais pessoas na sala.
— Você tinha que ver a sua cara, Thomas! — Seth disse se apoiando nos joelhos enquanto morria de rir.
— Eu estou bem com isso, garoto! — Alec disse – Eu sempre desconfiei que mais cedo ou mais tarde você viria até mim falar isso – ele sorria — Além disso, a sua mãe me falou que você estava vindo...
— Como...
— Eu achei que seria apropriado ver como você reagiria se eu te apertasse um pouco, seus pais concordaram comigo!
— O quê? — eu não acredito nisso! Olhei para uma das câmeras na sala, a mais próxima a nós, certeza que meus pais estavam assistindo da sala de comando.
— Isso não teve graça! — Jane falou se colocando ao meu lado e segurando a minha mão — Eu realmente pensei que você estava falando sério, pai...
— Missão cumprido, então! — ele disse para a filha — Só uma coisa, e dessa vez estou falando sério. Mantenha suas mãos de adolescente curioso e cheio de hormônios longe da minha filha, sim!
— Aham, com certeza... pode deixar – falei com um tom que extrapolava o sarcasmo, segurando Jane pela cintura – Vou deixar bem longe... — Alec olhou minha mão não cintura da filha e torceu a cara me lançando um olhar intimidador, mas depois da peça que ele me pregou isso não cola mais.
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