O Espelho Alternativo
1 O Espelho
O Espelho Alternativo
David Waterfields era aluno da stima srie do ensino fundamental da escola de Longinland. Neste dia sua turma estava em excurso. David gostava de excurses, mas no as que envolviam um antigo castelo que ficava nas proximidades da escola, ainda mais quando este castelo envolvia a histria de uma famlia que h 100 anos havia desaparecido inteira sem deixar vestgios. E mais ainda se toda ela era envolvida em um culto misterioso...
Com ou sem culto, o castelo em si j era assustador! Apesar de limpo pela prefeitura toda semana, estava completamente empoeirado. Suas paredes continham algumas manchas de sangue que, apesar do pessoal da limpeza tentar, no era possvel remover. A maioria delas assemelhava-se a marcas de mos, mas algumas pareciam at pessoas...
- A histria desse castelo , no mnimo, misteriosa -dizia a professora, q parecia saborear cada palavra — Aqui morou a famlia Sinfullness, que criou seu prprio culto religioso, que era baseado na gua. Alm de para eles ser bebida sagrada, seria dela que todos os humanos nasceram e seria para ela q todos retornariam e, somente por meio dela eles alcanariam o verdadeiro paraso. Ou seja, a gua seria uma espcie de portal para o paraso. Mas, misteriosamente, um dia toda a famlia sumiu! Sem deixar nenhum vestgio, simplesmente desapareceram! A prefeitura ento tomou posse do castelo, j que no havia herdeiros, e transformou-o em patrimnio.
David j sabia dessa histria toda, mas fazer uma excurso naquele lugar era no mnimo estranho!
Estranho era at mesmo como ele fora para aquele lugar! H 2 dias David havia faltado na aula por causa de um resfriado e, no dia seguinte aps a aula sua professora o interceptou em um corredor deserto e disse-lhe que amanh eles teriam uma excurso ao castelo dos Sinfullness e por isso sairiam um pouco mais cedo do que o horrio comum de aula. Disse-lhe tambm que no seria necessrio avisar aos seus pais porque ela j havia ligado para eles no dia anterior. Assim ele acordou cedo e foi para escola, onde encontrou sua turma toda esperando na frente de um nibus.
-Esta deve ser a coisa mais estranha do castelo, meus alunos — dizia a professora apontando para uma porta enorme, despertando David de seu devaneio. Ele ficou hipnotizado quando olhou para a porta que a professora apontava. Era grande como um porto. Tinha uma maaneta em forma de S em prata e, no lugar onde as duas portas fechavam havia uma grande listra vermelha que parecia unir as duas. — Esta porta d uma sala dita como impenetrvel. No possvel abrir esta porta. O pessoal da prefeitura j tentou invadi-la de vrias formas, mas sempre sem sucesso. Mas, ao contrrio do resto do castelo, esta tem uma explicao: a lenda reza que esta porta est selada por sangue, o sangue dos Sinfullness. Reparem na faixa vermelha, isto sangue. Talvez dentro desta porta esteja o que fez sumir toda a famlia de uma vez, mas isto ningum jamais ter certeza... Talvez...
Os alunos e a professora foram embora, mas David ficou l, olhando a porta...
- David, a turma toda j foi embora. Vamos logo! — chamou-o Keyle, seu amigo.
- No sei o por qu, mas sinto-me ligado essa porta — respondeu ele.
- Credo David, assim voc me assusta! Como voc pode ser ligado uma famlia to... To macabra?
- No sei... Mas sinto que tenho que entrar nesta porta.
Keyle parecia confuso.
- Voc no ouviu a professora? Esta porta impenetrvel!
- Sinto que EU posso entrar!
Keyle assistiu, assustado a David perfurando seu prprio polegar e passando-o na listra d sangue da porta que, aps isso, simplesmente sumiu. David ento calmamente girou a maaneta e abriu a porta da sala.
A sala era gigantesca, parecia um salo. Apesar disso, no possua janelas e era to escura quanto o anoitecer. No centro da sala s havia um grande espelho oval.
- assustador — disse Keyle. David despertou, ento, de seu transe e observou o que acabara de fazer. Andou em direo ao espelho e, apesar da escurido, podia ver perfeitamente que o espelho tinha detalhes em prata de vrios smbolos q ele desconhecia. Mas, quando chegou na frente do espelho, ficou realmente assustado.
- O que est acontecendo? — perguntou Keyle, que estava na porta da sala. David olhava na superfcie do espelho, ao invs de seu prprio reflexo, havia uma mulher de cabelos muito sujos e roupa clssica, mas rasgada e imunda que o encarava com o olhar penetrante, como se o odiasse muito! Esta mulher foi erguendo o brao e estranhamente sua mo saiu do espelho e pegou a cabea de David. Ele foi puxado pra dentro do espelho e, enquanto mergulhava em uma escurido sem fim, sentiu algo que todos os seres humanos, independente da idade, conhecem muito bem...
E assim, David caiu no sono...
FIM DA PART 1
David Waterfields acordou encostado na borda do espelho de onde tinha acabado de ser sugado. Quando se lembrou do que acabara de acontecer, pulou para bem longe do espelho. Tinha medo de olhar o seu reflexo no espelho, mas por curiosidade instintiva, deu uma olhada e ofegou de alvio: seu reflexo estava l, imitando-o como sempre. Mas este alvio durou pouco at perceber que, apesar do espelho estar normal, nenhum outro canto da sala estava. Ela continuava a mesma, mas vrios castiais e velas estavam agora queimando, deixando o lugar muito bem iluminado. As paredes estavam completamente banhadas em sangue, como se estivessem pintadas com uma macabra decorao...
-Isto j estava a? perguntou-se David. Era difcil responder, j que antes o lugar estava to mal iluminado.
S ento David parou para raciocinar.
-Algo estranho aconteceu aqui... Primeiro eu fui engolido por um espelho de mais de 100 anos e agora a decorao do castelo muda de repente?? Alm do mais, onde foi parar a minha turma?... melhor ach-los...
David j ia sair da sala quando notou que, ao lado da porta que encontrava-se fechada, havia uma adaga prateada com o braso da famlia Sinfullness e com um bilhete endereado a ele. O bilhete dizia:
No deixe que a Lavnia saiba que fui eu quem te deu isto, heim?! Ela me mataria se soubesse, mas no posso deixar que voc ande por a sem ter ao menos uma chance. Voc no sobreviveria um segundo neste castelo sem esta minha ajudinha. No deixe a Lavnia vencer!! Ass: Brbara
David no compreendeu muito o significado daquele bilhete, mas pegou a adaga e resolveu ficar com ela. No sabia a que o bilhete se referia quando dizia que ele no sobreviveria um segundo neste castelo sem uma adaga, mas resolveu abrir a porta dupla cautelosamente. Desta vez ele sentia mais medo do que curiosidade.
Ao abrir a porta, espantou-se com o que viu: as paredes do corredor por onde havia passado com sua turma estavam igualmente pintadas como a sala de onde acabara de sair. Vrios castiais iluminavam o corredor, deixando-o perfeitamente visvel em ambos os lados, apesar das janelas estarem fechadas.
-Como algum pode ter feito tudo isso enquanto eu dormia? David comeava a se perguntar quanto tempo havia dormido...
Mas antes que chegasse a uma resposta, foi surpreendido por um barulho parecido a um ronco que vinha de uma das portas que estava a sua frente. Algum deve ter dormido tambm pensou. Empolgado abriu a porta, que revelou um dormitrio simples, com apenas uma cama depositada na esquerda e uma escrivaninha encostada na parede direita. No meio da sala encontrava-se uma criatura bizarra.
Ela tinha aparncia quase humana, a no ser pelos seus ps e mos, que pareciam patas de cavalo. Em seu rosto estava estocado um faco destes que fazendeiros usam para abrir caminho no mato, em que estava escrita alguma coisa que ele no podia ler. O sangue que jorrava em seu rosto era abundante.
David levou um susto to grande com aquilo que pulou para trs e caiu no cho, e a criatura comeou a persegu-lo. Sem saber muito bem o que estava fazendo, enfiou sua adaga na barriga do monstro, que no pareceu nem sentir. Este deu nele uma patada to forte que ele voou para a parede. Recuperando-se da dor, ele desviou de uma nova patada e atingiu vrias vezes as costas do animal, que novamente no pareceu sentir dor alguma. O bicho novamente golpeou-o de costas, desta vez com os ps, como um coice, e David sentiu uma enorme dor na barriga e caiu de costas no cho. Sua vista agora estava embaada por causa da dor. Mas no tanto a ponto dele no conseguir ler o que estava escrito no faco da cabea do animal: Lifes Source. A Fonte de Vida. S ento David percebeu o que tinha que fazer. Rolando no cho para desviar-se da patada fatal do animal, ele levantou-se depressa e arrancou o faco do rosto do animal. Este por sua vez comeou a urrar e a sangrar intensamente, at cair sem vida no cho.
Ainda com o faco na mo e ofegando de pnico e cansao, David comeou a refletir sobre o que o bilhete se referia minutos atrs...
FIM DA PART 2
David olhou a besta no cho e assustou-se como uma coisa daquelas poderia ter parado ali. Antes at de pensar:
-O QU ERA AQUILO?!?!?! David agora comeava a se preocupar onde exatamente ele estaria, e se aquele era realmente o castelo por onde estava passeando com sua turma minutos atrs... MINHA TURMA!!
Porm, antes de prosseguir para qualquer lado do corredor, resolveu entrar dentro do quarto para ver se no encontrava algo til. Com muita cautela destra vez, ele entrou no quarto e comeou a fuar na escrivaninha que estava na parede... Poucas coisas estavam ali: um broche da famlia Sinfullness, uma lanterna e uma pedra azul oval do tamanho de uma bola de tnis. Ela brilhava intensamente luz dos castiais, como se tivesse brilho prprio. Encantado com aquilo resolveu guard-la consigo, junto com a lanterna. Apesar do castelo estar muito claro com as velas, nunca se saberia quando ele iria precisar...
Ao sair do quarto, resolveu que s havia uma coisa que ele deveria fazer: SAIR DALI O MAIS RPIDO POSSVEL! Como j havia andado com sua turma ali pouco antes, lembrava-se vagamente do caminho da sada. Teria de pegar a esquerda do enorme corredor cheio de quartos, depois era s passar pela sala de jantar e chegar ao hall.
No ousando abrir nenhuma das portas, apesar de no ter ouvido nenhum outro barulho, ele rapidamente passou pelo corredor e abriu a porta dupla, que deu para a sala de jantar. Esta no estava to diferente dos outros cmodos da casa. Ainda decorada com sangue nas paredes, possua a prataria e os quadros que David tinha visto momentos antes, mas agora todos estavam limpos e pareciam novos! Os quadros estavam l, apesar da pintura ter mudado: muitos mostravam formas de demnios, um at tinha a pintura do que David acabara de lutar. O maior de todos mostrava a pintura da mulher que o havia sugado no espelho, mas David quase no estava a reconhecendo: no quadro ela no estava suja e maltrapilha. Vestia-se muito bem e seus cabelos longos e negros, que antes estavam parecendo um punhado de palha que tapava seu rosto, agora estavam vivos e brilhantes, amarrados em um coque e presos por uma tiara. Apesar de sua exuberante aparncia, seu rosto ainda sim tinha uma feio triste e ameaadora.
Andando cautelosamente, David andou por volta da mesa para atravessar a sala. S quando chegou mais perto que pde perceber o que estava depositado sobre a mesa: Um banquete de restos humanos estava disposto na prataria. Vrias pernas e braos estavam espalhados pelos pratos, alm de tripas jogadas em sopeiras e olhos em espetos, como petiscos! Costelas estavam em pratos como se fossem de porcos que tinham acabado de ser devorados por lees famintos. E isso sem falar do sangue, que era abundante como em todos os lugares daquele terrvel castelo.
Com um misto de nojo e terror, David recomeou a andar quando percebeu que alguma coisa segurava seu tornozelo. Quando virou-se para olhar, levou mais um susto: um brao humano grudado no cho estava o agarrando firmemente. Numa estpida tentativa de fugir ele tentou correr, mas se desequilibrou e caiu no cho. Assim o brao comeou a sair do cho, e logo uma outra besta estava segurando-o suspenso no ar: era uma mulher quase normal, a no ser por sua mo direita e por sua cabea. A mo direita estava mutilada e j nem pingava sangue, apesar de ser agora somente um misto de ossos quase triturados e carne. Na sua cabea, na regio ocular estava uma grande bola, como se fosse um machucado que tivesse inchado profundamente, e ainda por cima aquilo era vermelho e pulsava intensamente.
David foi rpido desta vez. Sacou sua adaga e cortou a carne da perna da mulher que gritou de dor, e quando ela largou-o ele rolou no cho e correu para o outro lado da sala. Quando saiu no hall, tentou pular pela janela, mas sem sucesso: todas estavam fechadas e com uma cortina preta passada. Era pior que um cadeado, as cortinas no se separavam em hiptese alguma. Tentou ento sair pelo porto principal, que estava fortemente trancado por vrias correntes e cadeados enormes, enquanto aquele monstro continuava a persegu-lo. Chutou a porta principal com fora, tamanha sua raiva.
Definitivamente ele estava preso naquele lugar...
FIM DA PART 3
No havia tempo para desespero. Como o monstro continuava a persegu-lo, David no teria nada alm de duas alternativas: correr para o outro lado do hall ou subir as escadas que davam para o segundo andar. Escolheu o menos exaustivo: correr para o outro lado do hall. Porm ele no chegou a completar esta ao, pois a besta havia pegado sua perna e o agarrado. Resolveu partir para o ataque ento, e cravou sua adaga no nico olho que a criatura tinha. A dor deve ter sido realmente grande, pois a criatura comeou a urrar de dor e jogou David longe, com muita fora. Nisso o celular que estava em seu bolso caiu no cho e ele, na parede mais prxima. A criatura agonizava com as duas mos no olho, e assim fugiu em direo porta que dava para a sala de jantar. David tentou se recuperar e, com grande esforo e dor, colocou-se de p. Percebeu que seu celular havia cado no cho e foi at l peg-lo. Tentou acender o visor. O aparelho ainda estava funcionando. Se bem que agora no teria nenhum uso, j que naquele lugar no tinha ningum...
-AH!!!! MEU CELULAR!!!! gritou ele, percebendo a grande oportunidade que ele tinha de sair dali, confortvel sobre sua mo.
Rapidamente ele olhou para as horas: ainda eram 6:00H. Ligou ento para um amigo seu. O nico que o acreditaria, pois viu o que aconteceu... quase chorou de alegria quando viu que o nmero discado estava chamando...
-Al?! Keyle?!
-Anh?... David?... disse Keyle, com voz de sono O que voc quer?
-Keyle!! Que bom que voc atendeu!! Onde voc est? E a turma, a professora...? Este castelo deve ter algum tipo de maldio, vrios monstros esto me atacando... Voc est bem??
-David, do que voc est falando?? Voc viu que horas so?? Ainda so seis da manh!! Que histria esta de castelo??
-Keyle David estava comeando a ficar irritado Ns estamos em excurso ao castelo dos Sinfullness, no se lembra?? No sei o que aconteceu, mas vrios monstros esto me atacando, quero saber onde voc est para que fiquemos juntos!!! Acho que temos mais chance de sobreviver se ficarmos unidos!!
-David, pare de mentir!! No tem graa acordar algum em pleno feriado para ficar inventando estrias sobre excurses e monstros! Voc sabe muito bem que hoje no tem aula!!
Agora sim David estava confuso.
-Keyle, do que voc est falando? A turma toda estava em excurso ao castelo dos Sinfullness com a professora! Voc ficou o tempo todo do meu lado!!! Viu quando eu entrei na sala impenetrvel do castelo e fui sugado pelo espelho! Foi a nica pessoa que viu...
-David... Eu j disse que isso no tem graa... Pare com essa brincadeira ou eu vou desligar o telefone!!!
-Espere, no desligue David estava comeando a se perguntar se enlouquecera ou se Keyle estava fazendo uma piada de muito mau gosto preciso de sua ajuda para sair daqui...
-David...
- srio Keyle!! Faa um favor pra mim, confie em mim! Venha at o castelo. Eu j tentei sair, mas no consigo... Traga os bombeiros para tentar arrombar a porta...
Keyle pareceu refletir um pouco.
-Tudo bem David, posso fazer isso, mas o que vou contar aos bombeiros?... Eles no sero idiotas o suficiente para acreditar nessa histria como eu estou sendo e resmungou baixo.
-Hum... Conte que eu vim brincar aqui dentro e acabei me trancando sozinho, sei l!...
-Ok... Em meia hora ns devemos estar a...
-Muito obrigado Keyle!!
E desligou. David comeou ento a refletir sobre tudo que Keyle falou. Aquele dia no podia ser feriado... Ele estava com Keyle ao lado ao tempo todo, alis, estava com a turma inteira...
David agora comeava a questionar sua prpria sanidade...
FIM DA PART 4
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