O Especialista

15 Problemas Asgardianos


Playground – Enfermaria

Leon se encontrava na enfermaria, onde Jemma faria a avaliação de suas costelas, e o agente esperava finalmente receber alta para voltar a sua rotina normal. Ele se sentou na maca e Jemma se levantou, pedindo que tirasse a camisa. A cientista então passou a pressionar vários pontos que antes estiveram machucados, perguntando se algum deles doía. A resposta de Leon foi negativa, e depois de analisar novamente os exames recém feitos de Leon, Jemma disse que ele finalmente estava liberado para voltar a campo. Depois que ele recolocou sua camisa, a cientista perguntou:

“Leon, por que você tem sido tão cauteloso na sua posição em relação a Raina? Eu achei que de todas as pessoas aqui na S.H.I.E.L.D, você entenderia o que eu quero dizer. Você passou grande parte da sua vida exterminando coisas como ela!”

O agente analisou Jemma por alguns segundos, coçando o queixo, antes de responder:

“É por ter passado a maior parte da minha vida fazendo isso, que eu tenho essa posição. Nós não sabemos o que Raina se tornou. Eu sei que sente pela morte dos outros cientistas. Todos sentimos, mas não sabemos o estado mental em que ela se encontra...”

Leon foi interrompido pela cientista, num tom levemente indignado:

“Ela é um monstro! Quase uma B.O.W, eu diria...se o obelisco não fosse extra-terrestre.”

“As coisas nem sempre são preto e branco assim. Deixa eu te contar uma história: Em 2002 eu recebi a missão de apreender o líder do cartel das Serpentes Sagradas, Javier Hidalgo. O homem era dono de uma enorme rede de drogas que abastecia vários países na América do Sul. Quando os vírus e B.O.W’s da Umbrella começaram a ser vendidos no mercado negro, Javier foi um dos compradores. De alguma forma ele soube da minha chegada na vila local e liberou tanto o T-vírus, infectando os moradores, quanto armas biológicas a fim de impedir meu progresso. Ao me infiltrar no complexo de Javier, eu descobri uma das razões dele estar negociando esse tipo de material. A filha dele, Manuela Hidalgo, havia sido diagnosticada com uma doença terminal. Javier então tentou usar o vírus T-Veronica pra tentar cura-la.”

Os olhos de Jemma se estreitaram, e ela pensou por alguns segundos antes de dizer:

“A curto prazo o T-Veronica iria cura-la de sua doença, mas seus órgãos iriam ser assimilados pelo vírus e ela morreria. Foi por isso que Alexia Ashford se congelou por 15 anos, não é? Foi o tempo do vírus ser totalmente assimilado pelo DNA dela, e não o contrário.”

Leon balançou a cabeça positivamente, antes de continuar:

“Sim. Mas Javier não sabia disso. A solução que seus médicos encontraram para impedir a deterioração dos órgãos de Manuela, foi a de repetidos transplantes, de tempos em tempos. E pra isso, Javier sequestrava meninas da sua própria vila, a fim de transplantar seus órgãos em Manuela.”

Jemma cobriu a boca com as duas mãos, murmurando:

“Mas...que horrível! Quantas...quantas meninas...?”

“Muitas. E quando Manuela descobriu isso, tentou fugir, e foi quando a encontrei e descobrimos a verdade. Quando conseguimos encurralar Javier, o homem desistiu e se infectou, se transformando em uma criatura que...provavelmente tinha a altura de um prédio de três andares. Em um dos momentos, eu e meu parceiro estávamos encurralados, e foi nesse hora que Manuela resolveu arriscar a própria vida, e usou as habilidades dadas a ela pelo T-Veronica para nos ajudar.” Jemma levantou um dos dedos e Leon observou enquanto ela dizia:

“Se bem me lembro, a principal habilidade desse vírus era o sangue inflamável, certo?”

Leon sorriu levemente, antes de continuar:

“Muito bem. O T-Veronica tem outras habilidades, mas naquele ponto, o sangue inflamável era a única que Manuela possuía. E graças a ajuda dela, conseguimos eliminar Javier. Depois, levamos Manuela para os EUA e ela foi colocada sob os cuidados do governo. Ela ainda recebia os transplantes, há poucos anos atrás, mas dessa vez, pelos meios legais. Depois disso, mesmo com suas habilidades, você poderia dizer que Manuela é uma B.O.W, Jemma?”

A cientista ficou em silêncio por alguns segundos, com o olhar fixo em uma das paredes, como se estivesse refletindo. Leon então continuou:

“Eu não estou dizendo que Raina não vá pagar pela morte desses cientistas. Ela vai. Mas precisamos entender a situação. Porque se formos categorizar todas as pessoas com habilidades da mesma forma, estaremos sendo injustos. Até a Sherry...a menina que eu salvei em Raccoon City...” Leon parou de falar um instante e Jemma encontrou seu olhar, continuando as palavras de Leon:

“Ela também tem habilidades não é? Eu li sobre o caso dela. Mesmo com a vacina que aplicaram nela, o G-Virus modificou seu DNA, basicamente dando a ela um nível de regeneração maior do que qualquer um de nós. Um fator de cura, quase...”

“Exato. Entende o que eu quero dizer, Jemma? Cada caso é único. E nós temos de entender esse. Nós temos de saber o que estamos enfrentando.” Completou Leon.

“Eu sei...é que depois de tudo o que houve com Mack, com meus colegas. Eu não tenho conseguido absorver isso...eu não sei o que pensar. E esse é o maior pesadelo de um cientista.” Jemma passou a mão pelos cabelos e depois repousou seu queixo nas mãos, com uma expressão triste.

“Tudo vai melhorar Jemma. Todos nós já passamos por momentos piores, e voltamos mais fortes. Não vai ser diferente dessa vez, eu tenho certeza.” Leon disse e enquanto se levantava da maca, notou o tímido sorriso de Simmons, que comentou:

“Acho que estou começando a entender o que tanto a Skye vê em você, agente Kennedy. A sua obstinação é realmente admirável!”

Leon sorriu, levantando uma de suas sobrancelhas enquanto respondia:

“E além disso, tenho uma personalidade maravilhosa e um sorriso encantandor.” Leon disse em tom de brincadeira e os dois ainda estavam rindo quando May entrou na enfermaria, avisando que comparecessem a sala de briefing. A S.H.I.E.L.D tinha uma missão em Portugal.

Faro, Portugal

Coulson, May e Leon haviam entrado no prédio do distrito policial da cidade de Faro, e assim que avistaram o chefe de polícia, Coulson foi logo dizendo:

“Obrigado por ficar de olho nela.”

“O primeiro ministro disse que nós deveríamos ficar de olho nessa louca até você chegar, e foi o que fizemos. E pegue a espada dela no departamento de provas, antes de irem, Agentes.” O homem disse, sorrindo.

Foi a primeira vez que Leon ficou cara a cara com alguém vindo de Asgard. E a pessoa em questão era Sif, uma guerreira e amiga de Thor, o que fazia dela uma aliada extra-oficial da S.H.I.E.L.D. Infelizmente os relatos passados pela policia portuguesa afirmavam que a mulher se encontrava amnésica.

Sif estava de braços cruzados, com uma expressão séria e preocupada, e definitivamente parecia não reconhecer Coulson e May, a quem ela já tinha visto em outras ocasiões.

“Realmente não se lembra de mim? Filho de Coul? Nós já trabalhamos juntos.” Coulson se aproximou, mostrando uma foto de ambos no Ônibus, tirada há dois anos atrás.

A expressão de Sif relaxou um pouco, enquanto ela respondia:

“Perdão. Eu realmente não me lembro de vocês. De fato, eu não me recordo de quase nada. Eu sei que sou de Asgard, mas não me lembro de minha morada lá. Eu não sei porque estou aqui em Midgard (a Terra) e porque estou com esses roupas de couro ao invés de minha armadura (se referindo a jaqueta e calça jeans que usava). Se tu não tivesses me dito que meu nome é Lady Sif, eu também não saberia.”

May se afastou para atender o telefone, enquanto Leon voltava do departamento de evidências, com a espada de Sif em mãos, enquanto falava:

“Nós vamos achar alguma pista, esse tipo de situação não deve ter passado despercebida. Eu me chamo Leon. É um prazer conhecê-la.”

Quando os dois apertaram as mãos, Sif comentou, enquanto analisava Leon de cima a baixo:

“Encantada. Tu tens a postura de um guerreiro. És um guerreiro, não?”

“Ele é. Dos bons. Venham cá, Skye nos mandou uma pista.” Disse May, no mesmo tom neutro de sempre, embora Leon tenha ficado genuinamente surpreso com o elogio.

Quando os três se aproximaram, May rodou um vídeo que havia se espalhado pela internet. Nele mostrava a luta entre Sif e um homem desconhecido, que também parecia possuir o mesmo tipo de força sobre-humana da asgardiana.

“Sou eu! Mas eu não me recordo disto. Eu sou uma boa lutadora, pelo visto.” Comentou Sif.

“E ele consegue sair na mão com você, o que é impressionante.” Completou May.

“Da última vez que esteve aqui, foi para capturar uma foragida de Asgard. Será esse o caso agora? Explicaria a super força.” Disse Coulson.

“Ele é bom. E perigoso. O estilo de luta dele é bem refinado e violento. É uma combinação rara.” Leon apontou, enquanto pausava o vídeo e apontava para a mão do homem: “Ele também tem essa arma misteriosa. É muito pequena pra ser uma maça. Não combina com o estilo dele. Deve ter outra utilidade.”

Depois das palavras de Leon, o vídeo mostrou o homem acertando Sif na barriga com a sua arma, provocando um barulho parecido com um tiro. Depois disso ele a jogou na água.

“Bom. Tá aí a utilidade. Essa arma conseguiu te deixar inconsciente.” Comentou Coulson, antes de continuar: “Sabemos que você está atrás dele...mas do que ele está atrás?”

O Ônibus

Coulson, Skye, Jemma, Fitz, Leon e Sif estavam reunidos em volta de uma mesa, para decidirem o próximo passo com relação a investigação do caso da asgardiana. Jemma abriu uma tela na mesa holográfica, que mostrava o vídeo da luta de Sif com o homem misterioso, mas dessa vez de um novo ângulo, enquanto falava:

“Achamos outros vídeos da luta, e o analisamos quadro a quadro, até que reparamos nisto:"

Dando zoom na cena onde Sif consegue cortar o homem com a sua espada, os agentes observaram uma espécie de faísca e um líquido, que poderia ser sangue.

“Pode ser sangue, mas não dá pra termos certeza com um vídeo.” Disse Fitz. Coulson então começou a distribuir as tarefas:

“Assim que pousarmos Fitz, Mack e Tripp farão a perícia no local da luta. Leon e Skye, vocês vão junto com Bobbi falar com as testemunhas. Procurem os hospitais próximos. Se ele foi ferido, talvez tenha ido buscar ajuda.”

Antes que saíssem, Jemma levantou uma das mãos, e tendo a atenção de todos, prosseguiu:

“Senhor, a Divisão Científica está desenvolvendo novos equipamentos para a equipe. Depois da situação com a Raina, eu sugiro que contenham esse homem primeiro e o interroguem depois. Estamos desenvolvendo novos ICER’s (A pistola especial da S.H.I.E.L.D que utiliza munição tranquilizante), que logo estarão à disposição de todos.”

“Ótimo. Me mantenham informado.” Respondeu Coulson antes de sair da sala.

“Novos ICER’s?” Perguntou Fitz, com uma expressão curiosa

“Oh, o seu design mecânico delas ainda é excelente, não vamos mudar isso. Mas estamos desenvolvendo uma nova fórmula de dendrotoxina, mais concentrada.” Respondeu Jemma, com um sorriso.

“E isso não é perigoso?” Foi a vez de Leon perguntar, de braços cruzados, ao lado de Skye, que parecia levemente apreensiva.

“E mais eficiente. Mas ainda não letal, eu prometo. Não esqueci de nossa conversa hoje cedo, Kennedy. Mas não podemos nos dar ao luxo de vacilar perante esse tipo de ameaça.” Jemma tocou os ombros de Leon e Fitz num cumprimento antes de se retirar, enquanto ambos, junto de Skye, trocaram olhares de preocupação.

Hospital Santa Maria de Faro, Portugal

Leon, Bobbi e Skye haviam adentrado as belas instalações do hospital, que possuía uma fachada antiga e imponente. Leon comentou enquanto andavam:

“Nada como bom e velho trabalho policial...”

Bobbi sorriu, cutucando Leon de leve no braço enquanto falava em tom de brincadeira:

“Você só foi policial por um dia, numa cidade cheia de zumbis. Não é uma carreira muito longa.”

“Engraçadinha...alguém aqui fala português? Eu falo algumas línguas, mas português não é uma delas.” Disse Leon. Skye balançou a cabeça negativamente, e Bobbi sorriu, piscando um dos olhos para Leon e se aproximou de um homem que trabalhava na limpeza do hospital, e disse num português com muito sotaque:

“Você pode achar alguém que fale inglês? Meu português “ser” péssimo. Muito obrigada!” Bobbi voltou com um sorriso triunfante e Leon deu de ombros, dizendo:

“Isso é trapaça. Seu português é tão bom quanto meu japonês.”

Skye comentou, cruzando os braços enquanto olhava para Bobbi:

“Eu não sabia que tinha noção de português.”

“Não sou expert. Mas é um belo idioma. É difícil avaliar se alguém mente.” Respondeu Bobbi enquanto o trio se aproximava da recepção do hospital.

“É uma expert nisso?” Perguntou Skye.

“Mentir, ou saber quando mentem?” Foi a resposta da agente.

“Presumo que seja nos dois.” Skye disse com um sorriso e seu olhar se encontrou com o de Leon, e o agente conseguia perceber que ela estava desconfortável naquela situação, e ainda muito nervosa com o segredo que estava tendo que guardar. Logo depois uma médica se aproximou do trio, perguntando em que podia ajuda-los. Bobbi se aproximou, mostrando a foto do homem misterioso no celular enquanto falava:

“Pode. Estamos procurando alguém que possa ter se ferido no acidente no cais essa manhã. Ou alguém que possa ter visto esse homem.”

“Desculpe, ele não me é familiar. Quanto aos ferimentos, eu posso perguntar pro nosso staff. Mas pode demorar um pouco, uma de nossas enfermeira teve um problema agora pouco.” A médica respondeu e enquanto Skye e Bobbi se sentaram na sala de espera, Leon notou ao fundo uma enfermeira conversando com outra, de maneira apreensiva, e então perguntou a mulher do balcão:

“Ela que adoeceu? O que houve com ela?”

“Aparentemente ela está tendo um pequeno caso de amnésia. Mas estamos investigando. Assim que tiver o que precisam eu te aviso.” A mulher disse antes de dar meia volta.

Leon retornou até as agentes, dizendo enquanto apontava pra trás:

“A enfermeira teve amnésia. Igual a Sif. Ele pode ter passado aqui.”

“Ou ele ainda está aqui.” Completou Skye e então os três se dirigiram ao corredor, para investigar o hospital, mas antes de começarem a procurar, o telefone de Leon tocou, e vendo que era Coulson, o agente atendeu prontamente:

“Phil, temos evidência que ele esteve, ou está aqui no hospital.”

“Nossa perícia descobriu que ele precisa de nitrogênio, por algum motivo. É bem comum ser encontrado em hospitais. É um bom começo pra vocês.”

Depois de se informarem onde ficavam armazenados os tanques de nitrogênio, o trio foi direcionado até uma grande sala, cheia de estantes e caixas de produtos médicos. Ao entrarem, avistaram o homem misterioso, mas agora sua pele tinha um tom azulado, que mudou para o tom de pele do vídeo, depois que ele terminou de encaixar algo em seu peito por dentro da blusa, que estava diretamente ligado ao tanque de nitrogênio. Vendo a postura dos três agentes, o homem disse em um tom sério:

“Não seria inteligente lutarem comigo...”

“Só queremos fazer algumas perguntas...” Foi a resposta de Bobbi, dando um passo a frente, enquanto sacava seus bastões.

O homem prontamente tentou soca-la, mas a agente se abaixou e tentou contra-atacar com um dos bastões, na direção da cabeça do homem, que defendeu seu golpe, além de bloquear com a outra mão o chute de Leon em direção a sua barriga, mas não foi rápido o bastante para evitar o chute lateral de Skye em seu tornozelo. Os três agentes atacando ao mesmo tempo conseguiram uma leve vantagem e enquanto o homem defendia uma segunda investida de Bobbi, na altura de seu pescoço e um soco de Skye na direção de seu abdome, não foi conseguiu tempo para bloquear o segundo chute de Leon, que acertou seu rosto seguido de uma pancada dupla de Bobbi com os bastões que o fez recuar até uma parede.Tentando manter o fluxo de ataque, Bobbi partiu para cima do homem novamente, mas dessa vez ele segurou um dos bastões e rapidamente acertou a agente no rosto com um soco, e depois a segurou pela jaqueta e a arremessou até a outra ponta da sala de maneira sobre humana.

“Bobbi!!” As palavras saíram dos lábios de Leon ao mesmo tempo em que ele esquivava de mais um soco do homem, dessa vez o agente segurou o braço de seu atacante e aplicou uma cotovelada em seu rosto, seguido de dois violentos socos e um chute giratório que fez o homem cair sentado. Nesse momento Leon e Skye sacaram suas ICER’s apontadas para o homem, ao mesmo tempo que a sala começava a tremer. Os tanques de nitrogênio e as caixas foram ao chão e até mesmo as armas de Leon e Skye começaram a se desmontar. A vibração na sala fazendo as peças das armas se soltarem e caírem ao chão, em pedaços. Antes que os agentes pudessem reagir, uma das estantes caiu sobre Skye e Leon, e o homem aproveitou para fugir da sala.

“Skye!! Skye controle-se, agora!!” A voz de Leon era séria e urgente, enquanto o agente fazia força para suspender a estante, ao mesmo tempo que sua parceira parecia aterrorizada. Pouco a pouco os tremores na sala foram diminuindo e assim que Leon estava livre da estante, ele correu até o outro lado da sala, onde Bobbi ainda estava desacordada.

“Leon...ela tá bem?” Skye se aproximou, de maneira nervosa.

“Eu acho que sim. Bobbi...consegue me ouvir, Bobbi?” Leon disse, colocando uma das mãos no rosto da agente, que alguns segundos depois foi recobrando a consciência e perguntando:

“Cadê...cadê o cara?”

“Ele fugiu. Como você está?” Perguntou Leon, e vendo que ela parecia bem o bastante para ficar de pé, o agente ajudou Bobbi a se apoiar, que prontamente aceitou a ajuda, enquanto falava:

“A minha cabeça dói um pouco e eu me cortei. Mas eu acho que vou ficar bem...”

“Temos de voltar ao Ônibus pra Simmons dar uma olhada em você.” Disse Skye, com uma expressão preocupada.

“Não só isso. Precisamos de um novo plano. Esse cara é mais perigoso do que a gente tinha antecipado.”

O Ônibus

De volta a mesa de planejamento, Sif, Leon, May e Skye assistiram a chegada de Coulson, vindo da enfermaria, que falou se dirigindo aos dois agentes:

“Simmons está cuidando de Bobbi. Ela vai ficar bem.”

Ambos acenaram positivamente e Skye se dirigiu a Coulson e May enquanto falava:

“O cara estava azul. Como se tivesse mascado um chiclete do Willy Wonka, ou coisa assim.”

“Acreditamos que ele precise de nitrogênio pra manter o tom da pele. Eu apostaria que ele é um Kree, pelo que eu li nos arquivos da S.H.I.E.L.D.” Completou Leon, enquanto Coulson emendava uma pergunta a Sif:

“Você tinha me dito que os Krees nunca tinham visitado nosso reino, da última vez que nos encontramos.”

“Bem...se um Kree veio a seu planeta sem aviso prévio, eu assumo que não seja por uma boa razão. Precisamos ter muita cautela, filho de Coul.” Respondeu a asgardiana.

“Ok, digamos que veio aqui com a intenção de para-lo. Mas nós ainda não sabemos o que ele é.” Leon disse, enquanto se apoiava na mesa com uma expressão pensativa.

“É verdade, mas saber que ele é um Kree, já ajuda. Kava, por exemplo, a palavra que tem ficado na minha mente. Achei que se referisse a um nome. Mas agora me recordo de que é uma palavra no idioma Kree. Kava significa chave.” Disse Sif, virando seu rosto para Leon, quando o mesmo repetiu, mais para si mesmo do que para os outros:

“Chave?”

“Sim, guerreiro. Um dispositivo usado para...” Mas Leon a interrompeu com um ligeiro sorriso:

“Não, eu sei o que é uma chave. A palavra me pareceu eslava, algo assim, Leste Europeu. Talvez seja um começo pra procurarmos.”

Coulson afirmou positivamente e se afastou, abrindo seu laptop, enquanto Sif se dirigiu a Skye e Leon, colocando as mãos em seus ombros:

“Leon, Skye...obrigado por partilharem de meu inimigo. Vocês são muito corajosos.”

Depois disso, a asgardiana se juntou a Coulson enquanto Leon e Skye foram até o depósito de armas do Ônibus, onde Fitz estava esperando. Foi Leon que quebrou o silêncio:

“Skye, o que aconteceu lá?”

“Eu não sei Leon...eu só sei que a sala inteira estava tremendo...você viu! As nossas armas explodiram!”

“Oh Deus...” Murmurou Fitz, colocando uma das mãos sobre a testa, enquanto Leon completou:

“Você não está apta pra estar em campo Skye...as coisas podiam ter sido bem piores, e eu não fico confortável em brincar com a sorte desse jeito.”

A expressão de Leon era séria, porém calma, em contraste com a preocupação que estava praticamente escancarada no rosto de Skye, enquanto ela dizia:

“Eu achei...eu achei que conseguiria controlar. Mas eu não consigo! Eu não sei se...”

Leon a interrompeu, passando seu braço em torno dos ombros da parceira enquanto falava:

“Você vai. Mas por enquanto é melhor você ficar aqui. E nós temos que contar ao Coulson.”

“Não! Esperem...pelo menos até eu poder analisar tudo...” Disse Fitz, encarando os dois.

“Eu não consigo controlar Fitz! Quando estou com raiva, ou nervosa! Isso pode machucar alguém! Pode machucar vocês!” Skye disse enquanto se recostava em Leon, tomando conforto no meio abraço que recebia. “E isso eu não vou aguentar...”

“Eu concordo com Skye. Continue os testes Fitz, mas assim que a gente resolver o problema com o azulão, vamos ter uma conversa sobre isso com Coulson.”

Fitz ainda tentou argumentar, mas Leon e Skye foram irredutíveis quanto a decisão. O trio estava pronto para voltar a investigação quando Leon parou e se dirigiu a Fitz:

“Ah, Fitz. Pode separar a BFG e deixa-la pronta pra uso? Tá na cara que ICER’s não vão conter esse cara, e eu tenho minhas dúvidas se munição comum vá ter muito efeito. Então vamos tirar da caixa os brinquedos grandes.”

“BF...G?” Perguntou o engenheiro, confuso: “Big..fucking...gun (arma grande pra cacete)?”

“Sim! A arma que Phil usou contra Loki em Nova Iorque.” Respondeu Leon.

“Oh! Oh sim...eu não sabia que jogava Doom, agente Kennedy. Bela referência.” Disse Fitz, enquanto dava meia volta e se dirigia novamente para o depósito.

“Já devia saber que eu sou cheio de surpresas, Fitz. Vamos Skye...e não se preocupe. Nós vamos resolver tudo isso. Um problema de cada vez.” Leon sorriu, apertando carinhosamente os ombros da parceira, que apesar do nervosismo, sorriu de leve enquanto a dupla se dirigia para o centro de pesquisas.

Enquanto isso, na enfermaria, Simmons havia acabado de cuidar dos ferimentos de Bobbi, dizendo com um sorriso:

“Você vai sobreviver, Srta.Morse. Eu vou te dar um antibiótico para ajudar na sua recuperação. Fique aqui, eu volto logo.”

“Obrigada, Jemma.” Respondeu Bobbi, enquanto Simmons saia da enfermaria para buscar o remédio e Mack entrava, deixando Jemma sair completamente da sala antes de falar:

“O que vai fazer com relação ao Leon, Bobbi? Nós estamos ficando sem tempo...”

“Eu acho...que devíamos trazê-lo a bordo.” Foi a resposta da agente.

“Tem certeza? Você acha mesmo que ele vai aceitar o que estamos fazendo?” Questionou Mack, com a expressão séria.

“Ele vai ver que estamos construindo algo de verdade aqui. Eu sei que vai...” Continuou Bobbi, embora sua voz tivesse um tom maior de esperança do que de certeza.

“Pode ser, daqui há um tempo talvez. Mas agora? Com o que temos de fazer? Eu duvido. Ele voltou pelo Coulson, não por você! Diabos, ele nem sabia se você estava viva. Eu sei que você o ama...e pelo jeito que ele te olha, ele também ama você. Mas no momento...não sei se o amor que ele tem por você é maior que a lealdade que ele tem por Coulson. E se você tentar insistir nisso, talvez não goste do resultado dessa disputa.” Disse Mack, decidido.

As palavras de Mack parecem ter irritado Bobbi, que respondeu num tom áspero:

“Acho que você devia se concentrar na sua tarefa, Mack. Eu vou resolver essa situação com o Leon da maneira que eu julgar necessária. Por enquanto, vamos manter nosso plano.”

“Você que sabe, Bobbi. Só espero não ter que dizer: “Eu te disse”, quando isso tudo acabar.”

E assim Mack saiu da enfermaria, deixando Bobbi pensativa e apreensiva. Ela não duvidava da ligação que tinha com Leon e nem que ele com certeza um dia veria que ela só estava tentando fazer a coisa certa. Mas a natureza de sua missão e a forma com que ela deveria ser completada, poderiam facilmente fazer com que Leon se voltasse contra ela, e no fundo Bobbi não sabia se estava preparada emocionalmente para enfrentar Leon, o homem que ela passou a amar, caso isso fosse realmente necessário.