— Eu não vou matar vocês. — Maestro estava na frente do acampamento, com os guerreiros. — Deveriam rever os esquemas de segurança, fortalecer feitiços, verificar tudo, pois eu entrei aqui com uma facilidade. — Debochou.

— Maestro, o que veio fazer aqui? — Frost ficou na frente de Alkban, enquanto eu, Joe, Marion e os outros ficaram mais atrás, eu não era o melhor dos guerreiros.

Maestro sorriu.

— Ah minha cara capitã, o imperador Octavius sente muito a sua falta, quando ele derrubou o imperador Norman, ele lembrou muito bem como foi que você simplesmente desertou para o lado inimigo, quem diria que uma dos nossos fosse se tornar tão... insolente. — Maestro ainda ficou sorrindo.

Timothy ficou olhando horrorizado e com medo, afinal Maestro era o oponente mais aterrorizante e um dos arautos mais cruéis de Octavius, seguido pelo Parkus, o general de dois metros e sete de altura.

Diziam que ele havia executado reis e exércitos. E o pior de tudo era que ninguém sabia quais dessas histórias eram mentira.

Maestro percebeu o olhar do jovem mago.

— Timothy Hampson. — Seu sorriso aumentou. — O pupilo de Alkban.

Timothy congelou.

— Você me conhece?

— Conheço todos os inimigos do império.

O sorriso desapareceu por um instante.

— E os futuros cadáveres também.

Alkban deu um passo à frente.

A magia começou a percorrer suas mãos.

— Chega de provocações.

— Não. — respondeu Maestro calmamente. — Ainda não.

Joe aproximou-se de mim.

— Eu odeio quando os vilões falam desse jeito.

— Que jeito?

— Como se já soubessem alguma coisa que a gente não sabe.

Maestro ouviu.

Como sempre.

— Porque eu sei.

O silêncio caiu sobre o acampamento.

Frost estreitou os olhos.

— O que você quer?

— Vim trazer uma mensagem.

— De Octavius?

— Naturalmente.

Maestro colocou as mãos para trás.

Como um professor prestes a fazer uma apresentação.

— O imperador deseja informar que a resistência acabou.

Marion soltou uma risada.

— Engraçado.

— Não foi uma piada.

— Então você veio sozinho para anunciar nossa derrota?

— Sim.

— Isso é estupidez.

— É confiança.

Parkus surgiu atrás de Maestro naquele momento.

Como uma montanha saindo das sombras.

Timothy ficou pálido.

Joe engoliu seco.

Eu compreendi imediatamente porquê.

O general era gigantesco.

Mais de dois metros de altura.

Coberto por uma armadura negra marcada por dezenas de batalhas.

Nem parecia humano.

Parkus observou os rebeldes sem dizer uma palavra.

Seu olhar parou em Alkban.

Depois em Frost.

Depois em Timothy.

Como se calculasse quantos segundos levaria para matar cada um.

— Eu avisei que não precisava vir sozinho. — disse Parkus.

Sua voz parecia um trovão.

— E eu avisei que ninguém seria morto hoje. — respondeu Maestro.

— Ainda acho desperdício.

— Sua opinião foi registrada e ignorada.

Parkus suspirou.

— Como sempre.

Pela primeira vez, alguns rebeldes pareceram relaxar.

Os dois tinham uma dinâmica estranhamente cômica para homens tão perigosos.

Então Maestro tirou um pergaminho do casaco.

— Octavius oferece uma última oportunidade.

Frost cruzou os braços.

— Rendição?

— Exatamente.

Alkban sorriu.

— Diga ao seu imperador que pode enfiar essa proposta...

— Eu não terminaria essa frase.

Todos olharam para Maestro.

O executor continuava sorrindo.

Mas seus olhos haviam mudado.

Ficado mais frios.

Mais perigosos.

— Porque se eu voltar para Carmesia sem uma resposta... Octavius não enviará outro mensageiro.

— E quem virá? — perguntou Joe.

Maestro apontou para Parkus.

— Ele.

O general assentiu lentamente.

— E eu não costumo conversar.

O silêncio tornou-se pesado.

Muito pesado.

Parkus virou-se para ir embora.

Maestro fez o mesmo.

Mas antes de desaparecer na floresta, parou.

E olhou diretamente para Timothy.

— Um conselho.

— O quê?

— Fique longe das muralhas de Carmesia quando a guerra começar.

Timothy sentiu um arrepio.

— Por quê?

O sorriso de Maestro voltou.

Aquele sorriso que parecia pertencer a alguém completamente insano.

— Porque o imperador pretende transformar o mundo em um exemplo.

Então ele desapareceu entre as árvores.

Parkus o seguiu sem dizer uma única palavra.

Quando os dois sumiram de vista, o acampamento inteiro permaneceu em silêncio.

Foi Joe quem finalmente falou.

— Eu não sei vocês...

Ele limpou o suor da testa.

— Mas eu preferia enfrentar um dragão.

Ninguém discordou.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.