O Eclipse Vermelho
7 Capítulo 6: Retorno às Raízes.
Após a conquista de Carmesia, Octavius foi coroado como o imperador, um dia após a morte do antigo Norman, o império ficou em polvorosa com tamanha e repentina mudança, o medo havia passado, mas o que os carmesins não sabiam era que há qualquer momento as coisas poderiam mudar, afinal o poder de Octavius era mutável.
— Conseguimos. — Octavius falou para Damien, que estava atuando como o seu conselheiro mais fiel. — Agora eu preciso de pessoas, criaturas e algo que eu possa confiar.
— Temos um jovem voluntário a assumir os riscos e ele quer ser o seu mais novo general, afinal todos os que apoiavam Norman foram banidos das terras do império, por exemplo, a capitã Frost. —
Damien estava pensando junto com Octavius.
Octavius concordou por um momento, realmente Frost tinha um ressentimento muito grande por ele, mas ele nunca entendeu verdadeiramente o porquê.
— Eu falei com ele mais cedo, eu havia pensado que ele queria ser apenas um batedor ou um soldado raso. — Octavius sorriu. — Ele tem ambição o jovem Parkus.
Damien sorriu.
— Onde marcaram a seleção? — Damien questionou, curioso.
— Na torre mais alta do império, é uma prisão, o teste dele começará lá, eu quero que você esteja presente para acompanhar o progresso que pode ou não habitar nele. — Octavius sugeriu a prisão de Balleor, um local assustador e ermo.
…
Damien subiu todas as escadas, estava portando o seu cajado, os cabelos brancos cuidadosamente penteados para trás e arrumado em um formato de trança, os olhos castanhos do elfo fitavam as paredes escuras e cobertas por mofo, a prisão era imensa e considerada uma das mais temidas de Órion, assim que ele chegou no último andar da torre, Octavius já esperava por ele, o imperador estava usando um sobretudo feito de Urukai, um dos dragões mais raros de Órion, atualmente existem três vivos ainda.
— Imperador... Realmente o que mais tive medo era de cair por conta das escadas que sobem até a porta dos céus. — Damien comentou sorrindo afetuosamente, estava cansado.
Octavius riu, ele tinha um sorriso considerado por muitos como sedutor, era um homem alto e tinha cabelos loiros, olhos azuis e um olhar que derreteria o coração do homem ou mulher mais frios do universo, ele era uma ponta de razão em um vasto universo.
— Parkus vai se juntar a nós em breve, mas antes quero que prove o vinho Tandescu, que eu fiquei sabendo que é uma raridade vinda de suas terras, eu acredito que você, sendo o lorde regente de Garaska, deve apreciar as frutas Tande, nascida entre o ponto mais escuro dos espectros. — Octavius adiantou-se e entregou uma taça contendo um vinho vermelho e pegou a outra para si, deixou em cima da mesa e andou até o parapeito e observou Carmesia do alto da torre.
Damien aproveitou o momento em que o imperador estava de costas e trocou as taças, ficando com a de Octavius e a bebeu em um só gole.
Octavius virou-se para o lorde elfo e sorriu.
— Você notou que o gosto do vinho estava ligeiramente amargo? — o sorriso do imperador era cruel. — Sabe... quando eu mandei confeccionar esta roupa, o Urukai foi abatido com sucesso pelos meus poderes, porém eu retirei um pouquinho do veneno dele, sabe... veneno este que não mata, mas causa sonolência além de uma grave paralisia.
Damien olhou para Octavius, chocado, afinal o elfo informou que se o imperador o traísse, ele morreria.
— Tínhamos um trato, Octavius, você não poderia me trair. — Damien caminhou até o parapeito. — Como ousa?
Octavius sorriu.
— Eu ouso porque eu posso, afinal eu sou o imperador e você é só um elfo desgraçado de uma terra de ninguém, onde elfos infelizes como você vivem, se alimentam e se reproduzem com qualquer um que apareça na frente, você é um imprestável, só é poderoso, mas não tem carisma. — Octavius falou.
Damien agarrou os braços do imperador.
— Você vai pagar por isso.
— Não vou, afinal eu tenho Carmesia, vou sequestrar um dos magos mais poderosos, eu vou matar todos os guerreiros de Garaska e de quebra eu levo o amor da sua vida, devo me atrever a dizer o nome dele, ah sim, eu vou, o belo e jovem capitão McGallagher e seus cabelos de fogo, o navio tacanho e a tripulação dele, todos vocês estarão juntinhos no inferno. — Octavius segurou
Damien nos braços e o arremessou para fora da torre, Damien nem teve tempo de gritar, pois o efeito do veneno estava começando a agir, os seus membros inferiores ficaram rígidos, Octavius aproveitou o ensejo para jogar o cajado do elfo junto com o seu dono e assim que
Damien caiu no solo, o som de sua espinha se fragmentando deu lugar a um silêncio sepulcral.
O cajado dele caiu ao lado, fazia uma simetria perfeita com o seu dono, estava se manifestando como um guerreiro, Damien tocou no orbe localizado na ponta do cajado e murmurou: Ichbezum tah, lolaipah, simedum baraduz. Um encantamento élfico de Garaska e após isso o corpo inerte do jovem elfo jazia aos pés da torre, todos os carmesins passavam e cuspiam, humilhando-o mesmo depois de dançar nos braços da morte.
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