Após sairmos da caverna, eu notei que estávamos em um grande acampamento, parecia algo como uma fortaleza protegida de forma mágica: no local havia chalés e em cada chalé havia uma identificação da profissão do integrante do acampamento, havia espécimes diferentes, tanto humanas quanto elfos, além de híbridos.


– Sr. Green, bem vindo ao acampamento da Resistência Rebelde de Órion. – apesar de tudo, o nome era bem legal, e aparentemente quando Joseph me apresentou o nome, saindo da voz dele era ainda mais legal.


Eu vi um mago praticando feitiços simples, dois jovens pararam de treinar um duelo de espadas para nos observar.


– Quem são essas pessoas? – perguntei.


Marion sorriu.


– Bom, o mago que você viu se chama Timothy Hampson ou você pode chamar ele de Timmy ou Tim, enfim. – falou ela. – O jovem mais baixo se chama Lockie Terrard, ele é um elfo, mas você pode chamar ele de LT e a outra é a Helena Frost.


Ela suspirou.


– O líder do acampamento se chama Alkban, é um mago muito poderoso e é considerado um dos Quatro Poderosos, além disso ele é esposo do mago Henthelm, já ouviu falar?


Neguei com a cabeça.


Marion me encarou por alguns segundos.


— Nunca ouviu falar de Henthelm?


Balancei a cabeça.


— Não. Quem é ele?


Ela respirou fundo, como se estivesse tentando decidir por onde começar.


— Henthelm é um dos magos mais poderosos de Órion. Durante muitos anos, ele foi considerado um dos maiores aliados da Resistência.


— E onde ele está agora?


Marion desviou o olhar.


— Desaparecido.


Franzi a testa.


— Desaparecido?


— Sim. — Ela abaixou a voz. — Há algumas semanas, ele foi capturado.


Olhei novamente para o enorme acampamento.


— Pelo Império?


Marion assentiu.


— Carmesia.


O nome pareceu pesar no ar.


Joseph, que até então permanecera calado, cruzou os braços.


— E é por isso que estamos aqui.


— Para resgatá-lo?


Marion me olhou.


— Não apenas para isso, Peter.


Ela apontou para os diversos chalés espalhados pelo acampamento, para os guerreiros treinando e para os magos que preparavam seus feitiços.


— Estamos nos preparando para algo muito maior.


— Uma guerra?


Marion sorriu de maneira amarga.


— A guerra já começou.


Antes que eu pudesse responder, ouvi um barulho vindo do outro lado do acampamento.


Um dos jovens que treinava com a espada havia parado completamente.


Ele olhava para nós.


Mais precisamente, para mim.


— Quem é aquele? — perguntou.


Marion suspirou.


— Esse é LT, já te apresentei.


O jovem se aproximou alguns passos.


Era um elfo. Suas orelhas pontudas eram impossíveis de ignorar, mas havia algo em seu olhar que me deixou desconfortável.


— Então esse é o tal Peter Green?


Marion arqueou uma sobrancelha.


— Já ouviu falar dele?


LT deu um pequeno sorriso.


— Todo mundo já ouviu.


A nossa conversa foi interrompida por um homem, ele era alto, musculoso e olhos escuros, cabelos bem penteados, parecia ser uma boa pessoa, mas estava com um semblante destruído.


– Senhores, temos alguns problemas que devem ser resolvidos. – falou o homem, com uma voz um pouco mais grossa. – Primeiro, eu quero dar as boas vindas ao Sr. Peter Green, um jovem guerreiro de Garaska e sobrevivente do massacre.


Todos olharam para mim.


– Sr. Green, eu me chamo Alkban, eu sou um mago assim como Timothy e também como… enfim. – Alkban parou o assunto.


Ao ouvir seu nome, Timothy se adiantou.


— Senhor!


O rapaz veio até nós com uma expressão séria, embora houvesse algo em seu jeito que me fazia prestar atenção nele. Talvez fosse o sorriso discreto, talvez fossem os olhos vivos ou simplesmente o fato de ele ser, de longe, uma das pessoas mais bonitas que eu já tinha visto.


— Timothy Hampson — disse Alkban. — Um dos nossos melhores aprendizes.


Timothy fez uma pequena reverência.


— É um prazer conhecê-lo, Peter.


— Igualmente.


Por algum motivo, minha voz saiu mais baixa do que eu esperava.


Marion percebeu. Ela olhou para mim e depois para Timothy, segurando um sorriso.


— Não comece — murmurei.


— Eu não disse nada.


— Mas pensou.


Ela riu.


— Como eu estava dizendo, Peter, você chegou em um momento bastante complicado. A situação em Órion está piorando a cada dia. – falou Alkban.


— O que aconteceu? – perguntei.


O semblante de Alkban ficou ainda mais sério.


— Recebemos informações de que Carmesia está movimentando tropas.


Joseph imediatamente descruzou os braços.


— Quantas?


— Ainda não sabemos.


— Isso não é uma resposta — disse Joseph.


Alkban respirou fundo.


— Porque ainda não temos uma resposta.


Ele olhou para todos ao redor.


— Nossos batedores que estavam próximos às fronteiras não retornaram.


O silêncio tomou conta do acampamento.


Até os jovens que treinavam haviam parado para escutar.


— Então eles foram mortos? — perguntou Helena.


Alkban balançou a cabeça.


— Não necessariamente.


— Então foram capturados — disse LT.


Alkban não respondeu.


E aquele silêncio foi suficiente.


Olhei novamente para o acampamento.


Até poucos minutos atrás, aquilo parecia um lugar seguro. Pessoas treinavam, magos praticavam feitiços, crianças corriam entre os chalés. Havia vida.


Mas agora eu conseguia perceber algo diferente.


Medo.


Todos ali estavam esperando alguma coisa.


Uma invasão.


Uma batalha.


Talvez a própria morte.


— E Henthelm? — perguntei.


O rosto de Alkban mudou imediatamente.


Era como se eu tivesse tocado em uma ferida ainda aberta.


— Henthelm continua sendo nossa prioridade.


— Ele está vivo?


Alkban demorou alguns segundos para responder.


— Não sabemos.


Marion abaixou os olhos.


— Mas Alkban acredita que sim.


Ele olhou para ela.


— Eu não acredito.


A voz dele ficou mais firme.


— Eu sinto.


Todos ficaram em silêncio.


— Henthelm e eu estamos ligados por um vínculo mágico. Se ele estivesse morto...


Alkban parou.


Seus olhos ficaram marejados por um instante.


— Eu saberia.


Ninguém disse nada.


Foi então que percebi que aquele homem aparentemente poderoso não era apenas o líder daquela resistência.


Ele era um marido esperando pelo retorno do homem que amava.


E, de alguma maneira, aquilo fez Alkban parecer menos uma lenda e mais uma pessoa.


— Nós vamos encontrá-lo — disse Marion.


Alkban olhou para ela.


— Sim.


Depois voltou os olhos para mim.


— E talvez você tenha um papel nisso, Peter.


Franzi a testa.


— Eu?


— Você sobreviveu a Garaska.


— Não sei se isso me torna especial.


Alkban deu um pequeno sorriso.


— Às vezes, sobreviver é a coisa mais especial que alguém pode fazer.


Antes que eu pudesse responder, um estrondo ecoou pelo acampamento.


Todos se viraram.


Uma coluna de fumaça surgiu atrás dos chalés.


— O que foi isso? — perguntou Helena.


Joseph imediatamente levou a mão à espada.


Alkban ficou imóvel por um segundo.


Então seus olhos mudaram.


— Todos para suas posições!


O acampamento inteiro pareceu despertar ao mesmo tempo.


Guerreiros pegaram suas armas.


Magos começaram a conjurar feitiços.


Os chalés foram tomados por pessoas correndo de um lado para o outro.


Timothy olhou para Alkban.


— Eles encontraram a gente?


Alkban não respondeu.


Apenas encarou a fumaça.


E então disse:


— Não.


Sua expressão endureceu.


— Eles encontraram outra coisa.


— O quê? — perguntei.


Alkban olhou diretamente p

ara mim.


— Um dos nossos batedores acabou de voltar.


Estávamos esperando o retorno de um batedor, porém o que entrou foi um dos asseclas do Imperador, era um homem também igualmente bonito, cercado de soldados.


– Olá senhores, bom dia. – falou ele, sorrindo.


– Maestro? – perguntou Alkban.