O Eclipse Vermelho
3 Capítulo 2
Notas iniciais
O império de Carmesia erguia-se através das montanhas mais altas de Órion, o império era rodeado por um muro alto, era uma fortaleza praticamente impenetrável, o castelo era imponente, outrora Dourado pela personalidade de Norman agora com aspecto abandonado. Ao sul do império erguia-se a maior torre de todos reinos, uma prisão destinada para os inimigos do império e consequentemente do imperador.
Todos os carmesins, moradores do império eram maus, até mesmo quando Norman governava com a sua personalidade duvidosa, o império dava indícios do que estava por vir, assim que Norman foi assassinado por Octavius, o lado mais cruel do ser humano se aflorou.
Dentro do castelo, além do imperador, vivem: Parkus, o general de Octavius, tão cruel quanto, era um homem muito alto e com um porte atlético definido, usava uma armadura completa quase todo o tempo em que era visto, era temido por todos os reinos devido ao seu poder estratégico.
Henthelm, o mago sequestrado por Octavius, era o terceiro dos quatro poderosos, um grupo de magos que protegiam Órion, era um mago relativamente jovem, cabelos escuros, utilizava um sobretudo branco em contraste com as roupas pretas que usava e por fim Leonardo, conhecido por todos como Maestro, líder de um grupo de carcereiros chamado Orquestra de Carmesia, responsável por cuidar da Prisão e por cumprir as execuções ordenadas por Octavius.
- Fiquei sabendo que o jovem Peter Green, de Garaska, sobreviveu. — falou Octavius sentado em seu trono, observando os seus asseclas, que estavam à sua frente, Parkus era o maior, seguido por Maestro e por fim Henthelm.
- Eu posso ir atrás dele. — Parkus levantou a mão.
- Não, eu acredito que posso ser o mais capacitado para encontrar o grupo rebelde. — Leonardo se adiantou também.
Octavius pareceu pensativo.
- Não vou simplesmente deixar o meu carcereiro e o meu general saírem do império para ir atrás de um moleque. — falou. — Além disso, quando eu mandei que todos os guerreiros fossem exterminados, deixei uma ordem muito clara: ninguém deveria sobreviver.
Octavius se levantou lentamente do trono.
O salão mergulhou em silêncio.
- Se Peter Green sobreviveu, significa que alguém falhou comigo.
Parkus abaixou discretamente a cabeça. Maestro permaneceu imóvel, enquanto Henthelm observava o imperador com uma expressão impossível de decifrar.
- E eu detesto quando alguém falha comigo.
Octavius desceu os degraus do trono e caminhou até uma enorme janela que dava para as muralhas de Carmesia. Lá fora, centenas de soldados patrulhavam a fortaleza. O céu estava coberto por nuvens negras, e uma fina chuva começava a cair sobre as torres.
- Peter não está sozinho. — continuou. — Se ele sobreviveu, encontrou outros. Talvez os mesmos que estão tentando reacender a chama da rebelião.
- Então devemos esmagá-los antes que cresçam. — disse Parkus.
Octavius sorriu.
- Finalmente disse algo inteligente.
Parkus ergueu os olhos.
- Envie apenas uma pequena companhia. Não quero que pareça que estamos com medo de um grupo de crianças.
- E quem comandará?
Octavius virou-se.
Seu olhar pousou sobre Maestro.
- Leonardo.
Maestro deu um passo à frente.
- Meu imperador.
- Você conhece todos os caminhos que saem de Carmesia. Conhece desertos, florestas, cavernas e, principalmente, conhece pessoas desesperadas. Quero que encontre Peter Green.
- Vivo?
Octavius caminhou até ele.
- Peter, sim.
Uma pausa.
- Os outros, não necessariamente.
Maestro assentiu.
- E se encontrarmos alguém que tente protegê-lo?
O sorriso de Octavius desapareceu.
- Então faça aquilo que você faz melhor.
Maestro permaneceu em silêncio.
- Transforme a rebelião em silêncio.
Henthelm finalmente se pronunciou:
- Talvez não seja prudente enviar apenas carcereiros.
Todos olharam para ele.
Octavius estreitou os olhos.
- Explique.
- Se Peter realmente sobreviveu ao massacre de Garaska, talvez não seja apenas um sobrevivente. Talvez exista alguma coisa que ainda não compreendemos.
Parkus soltou uma risada baixa.
- Está com medo de um garoto?
Henthelm não respondeu.
Ele conhecia forças que Parkus jamais compreenderia.
Forças antigas.
Forças que precediam Carmesia, Norman e até mesmo o próprio Octavius.
- Não estou com medo de Peter. — disse Henthelm. — Estou preocupado com aquilo que pode estar acompanhando Peter.
Octavius ficou imóvel.
Por alguns segundos, ninguém ousou respirar.
Então o imperador voltou para o trono.
- Henthelm...
O mago ergueu os olhos.
- Você é um dos Quatro Poderosos. Talvez por isso ainda esteja vivo.
Henthelm permaneceu calado.
- Mas não confunda sua importância com liberdade.
O imperador sentou-se.
- Maestro, você partirá ao amanhecer.
- Sim, meu imperador.
- Parkus permanecerá em Carmesia. Quero os exércitos preparados.
- Para quê?
Octavius olhou novamente para a janela.
Ao longe, um relâmpago iluminou as montanhas.
- Para uma guerra.
Parkus sorriu.
- Contra quem?
Octavius não respondeu imediatamente.
Seus olhos permaneceram fixos no horizonte.
- Contra todos.
Naquele instante, um estrondo ecoou por todo o castelo.
As tochas do salão se apagaram simultaneamente.
Henthelm levantou a cabeça.
Por um breve momento, seus olhos brilharam. E, pela primeira vez desde que fora sequestrado, Henthelm sentiu medo não de Octavius, mas daquilo que estava vindo para encontrá-lo.
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