Norman era o imperador mais popular de Carmesia e, talvez, de todos os reinos conhecidos. Seu carisma ultrapassa fronteiras e faz dele uma figura admirada, desejada e temida. Onde quer que estivesse, sua presença dominava o ambiente. Porém, por trás de seu charme havia uma arrogância quase tão grandiosa quanto seu próprio império. Norman raramente demonstrava humildade, e qualquer resquício dessa virtude parecia ter sido soterrado pelo poder que herdara.


Filho de Octavius I, conhecido como "O Justo", e da falecida rainha Alissandra, Norman nasceu cercado por expectativas e destinado ao trono. Tinha também um irmão mais velho, Octavius, que carregava o mesmo nome do pai, mas possuía uma personalidade completamente diferente da do antigo imperador.


Norman era dono de uma beleza quase lendária. Seus longos cabelos loiros caíam sobre os ombros como fios de ouro, enquanto seus olhos azuis, intensos como o céu em um dia sem nuvens, transmitiam uma confiança quase insolente. Seu corpo musculoso e seu porte imponente reforçaram a imagem de um homem que parecia ter nascido para ser admirado.


Vestia-se constantemente com trajes imperiais, adornados com tecidos nobres, metais preciosos e símbolos da coroa de Carmesia. Cada detalhe de sua aparência parecia cuidadosamente calculado para lembrar aos outros quem ele era.


Não demorou para que Norman recebesse o título de o imperador mais belo de todos os reinos. Sua beleza, entretanto, era apenas uma parte de seu poder. Norman sabia exatamente o efeito que causava nas pessoas — e fazia questão de usar isso a seu favor.


Ele não precisava levantar a voz para ser obedecido.


Bastava entrar em uma sala.


Quando chegou o momento de colocar Norman no trono, Octavius I precisou mover algumas peças no grande tabuleiro da vida.


E, para garantir que seu filho favorito ocupasse o lugar que desejava para ele, o imperador precisou eliminar o próprio herdeiro da sucessão.


Octavius, o primogênito, era por direito o sucessor natural de Carmesia. Durante toda a sua vida, fora preparado para governar, educado para compreender as leis do reino e treinado para carregar o peso da coroa. Mas tudo isso deixou de importar quando seu próprio pai decidiu que o futuro de Carmesia deveria pertencer a Norman.


Octavius foi retirado oficialmente da linha de sucessão e condenado ao exílio no deserto de Oshtragon, conhecido como o Deserto Sem Fim — uma região tão vasta e hostil que poucos ousavam atravessá-la e quase ninguém retornava. Para Octavius, aquilo não era apenas um exílio.

Era uma sentença e era a confirmação de que seu pai havia escolhido Norman.


Ele assistiu enquanto o irmão era despojado de seus títulos, de seus privilégios e de seu direito ao trono. Poderia ter questionado o pai. Poderia ter defendido Octavius. Poderia, ao menos, ter demonstrado alguma indignação.

Mas não fez nada.


Quando os soldados levaram Octavius para longe do palácio, ele olhou uma última vez para o irmão. Seus olhos já não carregavam o afeto da infância, mas algo muito mais sombrio.

Naquele instante, Octavius jurou que jamais esqueceria o homem que havia tomado seu lugar.

O jovem príncipe que pouco fez enquanto sua própria vida era destruída. Para Norman, aquele dia marcou o início de seu reinado.


Para Octavius, marcou o nascimento de sua vingança. E enquanto as portas do palácio se fechavam atrás dele, o futuro imperador de Carmesia começava sua jornada rumo ao trono. Já o verdadeiro herdeiro começava sua jornada pelo deserto.


...

Octavius estava deitado sobre um pedaço de tecido estendido na areia, contemplando o céu azul-escuro da noite.


As estrelas brilhavam acima dele, indiferentes à sua existência.


Havia anos que aquele céu era sua única companhia.


Anos desde que seu pai havia arrancado dele o direito ao trono.


Anos desde que Norman havia sido colocado no lugar que deveria ser seu.


Octavius fechou os olhos.


Pensava em Carmesia.


Pensava no palácio.


Pensava em Norman.


E, acima de tudo, pensava em vingança.


Queria voltar.


Queria recuperar seus títulos.


Queria recuperar o trono.


Mas, no fundo, havia algo que desejava ainda mais.


Queria destruir Norman.


- Olá!


A voz surgiu repentinamente atrás dele.


Grave.


Sombria.


Octavius levantou-se de um salto e sacou a espada.


- Quem é você?


Com uma das mãos, ergueu o lampião.


A luz revelou um homem que estava parado a poucos metros.


Era um elfo de cabelos brancos presos em uma longa trança. Seus olhos castanhos observavam Octavius com uma tranquilidade quase ofensiva. Vestia um sobretudo escuro, sobre o qual havia uma espécie de peitoral de armadura. Calças de couro e botas completavam sua aparência.


O estranho sorriu.


- Você não me conhece?


Octavius manteve a espada apontada para ele.


- Deveria?


O elfo soltou uma pequena risada.


- Que patético.


Octavius estreitou os olhos.


- Escolha melhor suas palavras.


- Damien.


Ele fez uma pequena reverência.


- Damien, Lorde de Garaska.


Octavius não abaixou a espada.


- O que um lorde de Garaska está fazendo no Deserto Sem Fim?


Damien caminhou lentamente em sua direção.


- Observando até onde um homem pode cair.


Octavius franziu a testa.


- Veio zombar de mim?


- Talvez.


Damien sorriu.


- Afinal, é curioso.


Ele olhou Octavius de cima a baixo.


- Um príncipe. Um herdeiro. Um homem que nasceu destinado a governar um dos maiores impérios do mundo...


Fez uma pausa.


- ...agora dormindo sobre um pedaço de tecido no meio do deserto.


Octavius avançou.


- Cale a boca!


Sua espada cortou o ar.


Mas Damien simplesmente desviou.


Antes que Octavius pudesse reagir, o elfo segurou seu braço e o torceu.


A espada caiu na areia.


Damien empurrou Octavius contra o chão.


O príncipe tentou se levantar.


Não conseguiu.


Damien colocou o pé sobre seu peito.


- Além de deposto...


Abaixou-se ligeiramente.


- ...é fraco demais.


Octavius respirava com dificuldade.


- Tire... o pé de mim.


Damien sorriu.


- Ainda dando ordens?


Retirou o pé e estendeu a mão.


Octavius permaneceu no chão por alguns segundos antes de aceitar a ajuda.


Damien o colocou de pé.


- Eu não vim aqui para humilhá-lo, alteza.


- Então o que quer?


O sorriso de Damien desapareceu.


- Fazer uma proposta.


Octavius ficou em silêncio.


- Você perdeu seu título.


Damien começou a caminhar ao redor dele.


- Perdeu seu reino.


Mais um passo.


- Perdeu sua família.


Mais um.


- E perdeu o direito que nasceu para possuir.


Damien parou diante dele.


- Eu posso devolver tudo isso.


Octavius ergueu os olhos.


- Como?


- Poder.


A palavra saiu baixa.


Mas pareceu ecoar por todo o deserto.


- Eu posso lhe dar força suficiente para voltar a Carmesia.


Octavius ficou imóvel.


- Força suficiente para enfrentar Norman.


O nome do irmão fez o olhar de Octavius mudar.


Damien percebeu.


- Sim.


Aproximou-se dele.


- Norman.


Octavius apertou os punhos.


- O que você quer em troca?


Damien sorriu.


- Finalmente uma pergunta inteligente.


Ele estendeu a mão.


- Quero um acordo.


Octavius observou a mão.


- E qual é o preço?


- Ainda não precisa saber de tudo.


- Então não existe acordo.


Damien riu.


- Você continua sendo um príncipe.


Inclinou a cabeça.


- Desconfia de tudo.


- E deveria?


- Sempre.


Damien estendeu novamente a mão.


- Mas existe uma coisa que precisa entender, Octavius.


Seu olhar ficou frio.


- Poder nunca é gratuito.


Octavius permaneceu em silêncio.


- Eu vou fazer com que você se reerga.


Damien aproximou o rosto.


- Vou transformar o homem que está morrendo neste deserto no homem que todos em Carmesia terão de temer.


Uma pausa.


- Mas se você me trair...


Damien segurou o queixo de Octavius.


- Você morre.


Octavius afastou sua mão.


Durante alguns segundos, permaneceu imóvel.Sabia que aquilo era perigoso.

Sabia que Damien não era um homem que oferecia favores. Sabia que estava prestes a aceitar algo cujo verdadeiro preço talvez nem conseguisse compreender.


Mas então pensou em Norman.


Pensou no palácio.


Pensou no pai.


Pensou em tudo o que havia perdido.


E tomou sua decisão.


Octavius estendeu a mão.


- Aceito o acordo.


Damien apertou sua mão.


Por um instante, nada aconteceu.


Então uma energia escura percorreu o braço de Octavius.


Ele caiu de joelhos.


Seu corpo começou a tremer.


As veias de seu braço adquiriram um brilho estranho.Octavius gritou e Damien apenas observava. Sem piedade.

Sem medo.


Como um homem que acabara de colocar a primeira peça de uma partida muito maior. Quando a energia finalmente cessou, Octavius permaneceu ajoelhado na areia, ofegante.


Damien se aproximou.


- Levante-se.


Octavius ergueu lentamente a cabeça.


Damien sorriu.


- Você passou anos esperando que Carmesia se lembrasse de você.


Estendeu a mão mais uma vez.


- Agora faça Carmesia se lembrar de você.


Octavius segurou sua mão e se levantou.

Naquela noite, o príncipe exilado morreu. E algo muito mais perigoso nasceu em seu lugar.


...


10 anos depois


Eu nem sei o que posso falar para você nesse momento caótico em que estou vivendo nesse momento, mas se eu puder te informar uma coisa: o meu mundo foi destruído.


Ah, mas você pode me falar o seguinte: Peter, você é muito dramático, o mundo já foi destruído milhões de vezes, mas dessa vez é diferente, se eu puder descrever em palavras, o imperador Octavius de Carmesia destruiu o meu reino, não teoricamente o meu reino, afinal eu não governo nada, mas o lugar onde aprendi a viver.


Antes de mais nada, eu me chamo Peter Alexander Green, mas pode me chamar apenas de Peter e eu sou um jovem guerreiro, não um dos melhores, mas ainda sim um guerreiro.


Contextualizando, quando Norman morreu, Octavius se aliou ao lorde regente Damien para criar uma Carmesia diferente, sem guerras ou mortes, porém Octavius matou Damien, empurrando o lorde elfo do alto da torre de Valindor, a prisão mais temida e fria de Carmesia e criou um reino tão corrupto quanto era com Norman.


Mas não parou por aí, Octavius sequestrou Henthelm, um dos magos mais poderosos de toda Órion e o forçou a trabalhar para ele, criando profecias malucas, até que um dia, Henthelm criou a Grande Profecia de Libertação, quando o Eclipse Vermelho surgir ao céus, Daggenbell finalmente estaria livre a não ser que um guerreiro digno o sele por mais tempo.


Octavius ficou enfurecido com tal profecia e mandou matar todos os guerreiros dos reinos de Carmesia, Eldoria, Valnoth, Garaska e Sured, com isso, alguns pais esconderam os filhos porém nada foi o suficiente.


Inclusive eu perdi os meus pais há duas semanas e eu venho sobrevivendo nas sombras sempre com medo de ser encontrado por qualquer um dos asseclas de Octavius ou dos olhos de Henthelm.


Em um dia, eu estava escondido em uma das cavernas de Eudoria, quando dois jovens apareceram oferecendo resgate, comida e muita resistência contra Octavius.


Um deles, Joseph Mcforget, mais conhecido como Joe, é um guerreiro de Valnoth, fugiu quando Octavius invadiu Valnoth pessoalmente e matou os guerreiros e Marion Bitter, ou Mary, ela é uma maga aprendiz de Carmesia, que optou por fugir para não conviver com a tirania de Octavius.


- Por que eu deveria ir com vocês? — perguntei com um misto de curiosidade e medo.


Marion riu.


- Eu vejo que você não está nem se aguentando em pé direito. — riu. — quanto mais lutar contra Octavius.


Joseph riu também.


- Além disso, está machucado. Não vai chegar ao imperador — falou, ainda rindo com gosto.


Olhei para os dois.


Eu não sabia se queria rir ou socar aquele idiota.


Talvez os dois.


- Vocês são sempre assim? — perguntei.


- Assim como? — Joseph respondeu.


- Insuportáveis.


Marion soltou uma gargalhada.


Joseph colocou a mão sobre o peito, fingindo estar ofendido.


- Eu prefiro o termo encantador.


- Eu prefiro o termo idiota — respondi.


Marion voltou a rir.


Foi estranho.


Eu não lembrava da última vez que havia rido.


Talvez tivesse sido antes de meus pais morrerem.


Talvez antes de Octavius transformar Carmesia em um lugar onde qualquer pessoa pudesse desaparecer durante a noite.


Ou talvez eu simplesmente tivesse esquecido como era rir.


Olhei para minhas mãos.


Ainda estavam sujas de sangue.


O meu sangue.


- Vocês realmente estão lutando contra ele? — perguntei.


Joseph perdeu o sorriso.


- Estamos tentando.


- Isso não foi o que eu perguntei.


Ele ficou em silêncio por alguns segundos.


- Sim.


Marion se aproximou.


- E não somos os únicos.


- Quem mais?


Ela olhou para Joseph.


Ele assentiu.


- Existem grupos de resistência espalhados pelos cinco reinos.


Meu coração acelerou.


- Cinco reinos?


- Carmesia, Valnoth, Eldoria, Garaska e Sured.


- Garaska também?


Joseph deu de ombros.


- Damien morreu. Mas nem todos os habitantes de Garaska decidiram morrer junto com ele.


Aquela frase ficou na minha cabeça.


Damien.


Eu conhecia histórias sobre ele.


O antigo lorde de Garaska.


O homem que havia ajudado Octavius a retornar ao poder.


O homem que, segundo os relatos oficiais, havia sido executado por traição.


Mas eu nunca tinha acreditado completamente naquela história.


- E vocês acham que podem derrotar Octavius?


Joseph respirou fundo.


- Não.


A resposta me surpreendeu.


- Então por que estão fazendo isso?


Ele apontou para mim.


- Porque alguém precisa tentar.


Marion cruzou os braços.


- E porque existe uma profecia.


Meu estômago se apertou.


- A Grande Profecia?


Os dois me encararam.


- Você conhece? — Marion perguntou.


- Todo mundo conhece.


Era impossível não conhecer.


Durante anos, a história havia sido contada em sussurros.


O Eclipse Vermelho.


Daggenbell.


O guerreiro.


A libertação.


Mas as pessoas tinham medo até de pronunciar aqueles nomes.


- Henthelm criou a profecia — falei.


Marion assentiu.


- E Octavius passou dez anos tentando descobrir como impedir que ela acontecesse.


- Matando guerreiros.


- Exatamente.


Olhei para Joseph.


- Então por que eu ainda estou vivo?


Ninguém respondeu.


A pergunta pareceu preencher a caverna.


Marion finalmente falou:


- Essa é exatamente a pergunta que queremos responder.


Meu coração começou a bater mais rápido.


- O que isso significa?


Joseph se aproximou.


- Significa que talvez você não tenha sobrevivido por acaso.


Eu ri.


Uma risada nervosa.


- Não começa.


- Peter...


- Não. Não quero ouvir isso.


- Ouvir o quê?


- Que eu sou especial.


Os dois ficaram em silêncio.


- Eu não sou especial — continuei. — Eu não sou um grande guerreiro. Não sou filho de rei. Não sou um mago. Não tenho uma espada lendária escondida em algum lugar.


Olhei para minha roupa rasgada.


- Eu mal consigo ficar de pé.


Marion se aproximou e tocou meu braço machucado.


- Mas ainda está vivo.


- Por enquanto.


Ela me encarou.


- Às vezes, é tudo o que uma profecia precisa.


Antes que eu pudesse responder, ouvimos um barulho.


Passos.


Todos nós congelamos.


Joseph imediatamente levou a mão até a espada.


Marion apagou a pequena chama que iluminava a caverna.


Ficamos no escuro.


Meu coração parecia bater tão alto que eu tinha certeza de que quem estava lá fora conseguiria ouvi-lo.


Passos.


Mais próximos.


Depois, uma voz.


- Procurem dentro da caverna.


Senti meu corpo inteiro gelar.


Soldados.


Joseph colocou um dedo sobre os lábios.


Marion começou a sussurrar alguma coisa.


Uma luz surgiu na entrada.


Lanternas.


- Eles estão aqui — disse alguém.


Joseph olhou para mim.


Dessa vez, não havia nenhum sorriso em seu rosto.


- Você consegue correr?


Olhei para minha perna.


- Não.


- Ótimo.


- Ótimo?!


Ele sorriu.


- Então vamos correr devagar.


Eu quase o mandei para o inferno.


Mas então Marion ergueu as mãos.


Uma pequena luz azul apareceu entre seus dedos.


- Quando eu disser, corram.


- Para onde? — perguntei.


Ela apontou para uma passagem estreita atrás de nós.


- Ali.


- Isso é uma saída?


- Espero que sim.


- Você espera?!


Marion sorriu.


- Eu sou uma maga aprendiz, Peter. Não faça perguntas difíceis.


Os soldados entraram na caverna.


- Agora!


Corremos.


Ou, no meu caso, tentamos correr.


Atrás de nós, ouvi gritos.


Espadas foram sacadas.


Uma flecha atingiu a parede ao meu lado.


Joseph segurou meu braço e me puxou.


- Mais rápido!


- Estou tentando!


- Tente melhor!


- Eu odeio você!


- O sentimento é recíproco!


Marion correu à nossa frente.


A passagem ficou cada vez mais estreita.


Até que finalmente enxergamos uma luz.


Saímos da caverna.


Caí de joelhos.


O vento frio atingiu meu rosto.


Por alguns segundos, apenas respirei.


Joseph saiu logo atrás.


Marion apareceu em seguida.


Ela olhou para o céu.


Eu fiz o mesmo.


A lua estava parcialmente coberta por nuvens.


- Precisamos ir — disse Joseph.


- Para onde?


Ele apontou para o horizonte.


Havia um

a pequena montanha distante.


- Para Eudoria.


- Nós já estamos em Eudoria.


- Para a parte de Eudoria onde ninguém sabe que estamos.


Começamos a caminhar.


Eu ainda estava tentando entender tudo.


A resistência.


A profecia.


Daggenbell.


Octavius.


E, principalmente, aquela frase:


"Talvez você não tenha sobrevivido por acaso."


Eu não acreditava no destino.


Mas naquela noite, enquanto caminhava ao lado de dois completos estranhos em direção a uma guerra que provavelmente terminaria com nossas mortes, comecei a pensar que talvez o destino acreditasse em mim.


E eu ainda não sabia se isso era uma bênção ou uma sentença.


Muito tempo depois, descobriria que era as duas coisas.