Notas iniciais
Serão quatro capítulos por semana, espero que gostem do meu universo.

O império de Carmesia erguia-se através das montanhas mais altas de Órion, o império era rodeado por um muro alto, era uma fortaleza praticamente impenetrável, o castelo era imponente, outrora Dourado pela personalidade de Norman agora com aspecto abandonado. Ao sul do império erguia-se a maior torre de todos reinos, uma prisão destinada para os inimigos do império e consequentemente do imperador.


Todos os carmesins, moradores do império eram maus, até mesmo quando Norman governava com a sua personalidade duvidosa, o império dava indícios do que estava por vir, assim que Norman foi assassinado por Octavius, o lado mais cruel do ser humano se aflorou.


Dentro do castelo, além do imperador, vivem: Parkus, o general de Octavius, tão cruel quanto, era um homem muito alto e com um porte atlético definido, usava uma armadura completa quase todo o tempo em que era visto, era temido por todos os reinos devido ao seu poder estratégico.


Henthelm, o mago sequestrado por Octavius, era o terceiro dos quatro poderosos, um grupo de magos que protegiam Órion, era um mago relativamente jovem, cabelos escuros, utilizava um sobretudo branco em contraste com as roupas pretas que usava e por fim Leonardo, conhecido por todos como Maestro, líder de um grupo de carcereiros chamado Orquestra de Carmesia, responsável por cuidar da Prisão e por cumprir as execuções ordenadas por Octavius.


- Fiquei sabendo que o jovem Peter Green, de Garaska, sobreviveu. — falou Octavius sentado em seu trono, observando os seus asseclas, que estavam à sua frente, Parkus era o maior, seguido por Maestro e por fim Henthelm.


- Eu posso ir atrás dele. — Parkus levantou a mão.


- Não, eu acredito que posso ser o mais capacitado para encontrar o grupo rebelde. — Leonardo se adiantou também.


Octavius pareceu pensativo.


- Não vou simplesmente deixar o meu carcereiro e o meu general saírem do império para ir atrás de um moleque. — falou. — Além disso, quando eu mandei que todos os guerreiros fossem exterminados, deixei uma ordem muito clara: ninguém deveria sobreviver.


Octavius se levantou lentamente do trono.


O salão mergulhou em silêncio.


- Se Peter Green sobreviveu, significa que alguém falhou comigo.


Parkus abaixou discretamente a cabeça. Maestro permaneceu imóvel, enquanto Henthelm observava o imperador com uma expressão impossível de decifrar.


- E eu detesto quando alguém falha comigo.


Octavius desceu os degraus do trono e caminhou até uma enorme janela que dava para as muralhas de Carmesia. Lá fora, centenas de soldados patrulhavam a fortaleza. O céu estava coberto por nuvens negras, e uma fina chuva começava a cair sobre as torres.


- Peter não está sozinho. — continuou. — Se ele sobreviveu, encontrou outros. Talvez os mesmos que estão tentando reacender a chama da rebelião.


- Então devemos esmagá-los antes que cresçam. — disse Parkus.


Octavius sorriu.


- Finalmente disse algo inteligente.


Parkus ergueu os olhos.


- Envie apenas uma pequena companhia. Não quero que pareça que estamos com medo de um grupo de crianças.


- E quem comandará?


Octavius virou-se.


Seu olhar pousou sobre Maestro.


- Leonardo.


Maestro deu um passo à frente.


- Meu imperador.


- Você conhece todos os caminhos que saem de Carmesia. Conhece desertos, florestas, cavernas e, principalmente, conhece pessoas desesperadas. Quero que encontre Peter Green.


- Vivo?


Octavius caminhou até ele.


- Peter, sim.


Uma pausa.


- Os outros, não necessariamente.


Maestro assentiu.


- E se encontrarmos alguém que tente protegê-lo?


O sorriso de Octavius desapareceu.


- Então faça aquilo que você faz melhor.


Maestro permaneceu em silêncio.


- Transforme a rebelião em silêncio.


Henthelm finalmente se pronunciou:


- Talvez não seja prudente enviar apenas carcereiros.


Todos olharam para ele.


Octavius estreitou os olhos.


- Explique.


- Se Peter realmente sobreviveu ao massacre de Garaska, talvez não seja apenas um sobrevivente. Talvez exista alguma coisa que ainda não compreendemos.


Parkus soltou uma risada baixa.


- Está com medo de um garoto?


Henthelm não respondeu.


Ele conhecia forças que Parkus jamais compreenderia.


Forças antigas.


Forças que precediam Carmesia, Norman e até mesmo o próprio Octavius.


- Não estou com medo de Peter. — disse Henthelm. — Estou preocupado com aquilo que pode estar acompanhando Peter.


Octavius ficou imóvel.


Por alguns segundos, ninguém ousou respirar.


Então o imperador voltou para o trono.


- Henthelm...


O mago ergueu os olhos.


- Você é um dos Quatro Poderosos. Talvez por isso ainda esteja vivo.


Henthelm permaneceu calado.


- Mas não confunda sua importância com liberdade.


O imperador sentou-se.


- Maestro, você partirá ao amanhecer.


- Sim, meu imperador.


- Parkus permanecerá em Carmesia. Quero os exércitos preparados.


- Para quê?


Octavius olhou novamente para a janela.


Ao longe, um relâmpago iluminou as montanhas.


- Para uma guerra.


Parkus sorriu.


- Contra quem?


Octavius não respondeu imediatamente.


Seus olhos permaneceram fixos no horizonte.


- Contra todos.


Naquele instante, um estrondo ecoou por todo o castelo.


As tochas do salão se apagaram simultaneamente.


Henthelm levantou a cabeça.


Por um breve momento, seus olhos brilharam. E, pela primeira vez desde que fora sequestrado, Henthelm sentiu medo não de Octavius, mas daquilo que estava vindo para encontrá-lo.