O ECO DO SOL
3 O Pêndulo das Promessas
Notas iniciais
Capítulo 3: O Pêndulo das Promessas
O toque de Renée na testa de Bella cessou devagar, mas sua mão permaneceu suspensa no ar por um segundo, os dedos trêmulos contra o contraste da alvura do lençol hospitalar. O silêncio estéril do quarto era apenas quebrado pelo compasso do monitor cardíaco e pelo sopro gélido do ar-condicionado. Sentindo-se esmagada pelo peso crônico de sua própria culpa, Renée desviou os olhos castanhos da filha e os direcionou para o outro lado do leito. Ela me olhou. Para os olhos dela, eu era apenas um rapaz humano de dezessete anos, exausto, com a cabeça pendida de lado contra o encosto da poltrona, simulando o sono pesado de quem passara as últimas noites em claro. Minha mão direita, contudo, permanecia firme, envolvendo os dedos inertes e frios de Bella com um zelo que beirava o desespero.
Ao captar aquela imagem, a mente de Renée estancou o fluxo de sua amargura passada e foi preenchida por um sentimento de profundo encantamento. Através de sua projeção mental, vi-me sob a ótica de sua mente romântica e idealista. Ela pensou nas coisas absurdas, nas loucuras desmedidas que o amor era capaz de provocar no mundo. Afinal, até onde sua compreensão puramente humana alcançava, eu era apenas um adolescente de dezessete anos que cruzara estados, arrastando toda a minha família adotiva de Forks até o deserto de Phoenix, unicamente para fazer as pazes com Bella e implorar que ela voltasse. Renée analisou minha postura, a delicadeza com que eu segurava sua filha mesmo "dormindo", e uma onda de admiração calorosa inundou seus pensamentos. Ela começou a costurar semelhanças, comparando-me diretamente a Charlie Swan. Ela percebeu que, com aquele garoto da família Cullen, Bella finalmente teria tudo o que ela própria sempre sonhara em vão: amor absoluto e oportunidades infinitas.
Renée começou a repassar mentalmente cada fragmento que sabia sobre mim. Lembrou-se da forma apaixonada com que Bella falara de mim em seus e-mails telefonemas, o tom de voz da filha, antes controlado, que ganhava vida e cor sempre que meu nome era mencionado. Lembrou-se também dos detalhes que Alice deixara escapar durante os telefonemas agonizantes dos últimos dias, desenhando o retrato de um relacionamento onde a devoção era mútua e inabalável. Até mesmo as reclamações ranzinzas de Charlie em suas conversas distantes foram revisitadas por ela; o próprio ex-marido admitira, entre dentes, que o garoto Cullen parecia não respirar se a filha não estivesse por perto.
Os pensamentos de Renée tornaram-se uma tapeçaria de elogios estéticos e morais a meu respeito. Ela se fixou na minha aparência, achando-me absurdamente bonito, com traços esculpidos e uma elegância clássica que parecia pertencer a outra era. Mas o que realmente a desarmou foi a minha educação impecável, o respeito quase reverente com que eu tratava Bella e, acima de tudo, a forma como Carlisle e Esme acolheram sua filha. Na mente de Renée, Carlisle e Esme eram os "pais" que Bella sempre merecera ter tido. Um sentimento de gratidão melancólica a dominou; ela reconhecia que Bella fora uma filha excelente, madura demais, uma menina que sacrificara a própria infância para ser a âncora de uma mãe volúvel, e que agora o destino finalmente estava lhe dando a recompensa justa. Aquela família de médicos ricos, refinados e amorosos era o porto seguro perfeito para a sua Bella.
Uma sequência de projeções futuras, vibrantes e ensolaradas, começou a dançar na cabeça de Renée. Ela tinha a certeza absoluta de que eu seria o vento sob as asas de Bella, o incentivo que faltava para que ela ganhasse o mundo. Renée imaginou Bella anos à frente, com os cabelos mais longos, vestindo roupas elegantes de inverno, segurando um diploma de jornalismo ou de literatura de uma grande universidade da Costa Leste. Imaginou sua filha como uma escritora de sucesso ou uma repórter internacional, viajando pelo mundo, conhecendo Paris, Londres e Roma, livre das amarras cinzentas de Forks. E ao lado de Bella, nessas fantasias, eu sempre estava lá: um Edward médico, vestindo um sobretudo escuro, protegendo-a com o mesmo braço que a segurava agora no hospital. Renée sorriu mentalmente com a convicção de que eu e toda a minha família moveríamos montanhas, rasgaríamos os céus e mudaríamos o curso dos rios apenas para garantir a felicidade de Bella.
E foi essa exata constatação, a de um homem disposto a dar o mundo inteiro a uma mulher, que agiu como o gatilho definitivo. A mente de Renée deu uma guinada violenta para trás, colidindo com a lembrança de quando outro homem fizera a mesma promessa para ela.
A brancura do quarto de hospital desintegrou-se em uma transição rápida de texturas, e de repente eu me vi imerso na penumbra de uma pequena sala paroquial em Port Angeles, no outono de 1986. O cheiro de cera de assoalho e flores de plástico baratas preencheu os sentidos de Renée. Era o dia do seu casamento relâmpago. Ela usava um vestido simples, de algodão cru, que ela mesma costurara na noite anterior, e uma coroa de margaridas murchas nos cabelos loiros. Não havia ninguém de Downey ali. Sua mãe, Marie, ignorara a carta; suas amigas da Califórnia achavam que ela enlouquecera ao se mudar para o norte por causa de um policial. O casamento civil foi uma cerimônia rápida, fria, conduzida por um juiz de paz entediado.
Do lado de Charlie, contudo, a atmosfera era de uma ternura comovente. Na mente de Renée, o Edward observador analisou a psicologia por trás daquela pressa. Renée se casara puramente pela estética da aventura. Para ela, aquele casamento no fim do mundo era o ápice de um romance de cinema, uma fuga dramática de sua realidade opressiva. Ela não tinha a menor compreensão do peso esmagador da realidade prática que viria depois; ela estava apaixonada pela ideia de estar apaixonada.
Eu vi as figuras do passado de Forks através de seus olhos. A mãe de Charlie, uma idosa de cabelos brancos como a neve e mãos nodosas pela artrite, estava sentada na primeira fileira. Ela chorava baixinho, emocionada, e quando a cerimônia terminou, puxou Renée para um abraço que cheirava a lavanda e talco.
— Seja bem-vinda à família, minha querida... — sussurrou a mãe de Charlie, a voz trêmula e doce, acariciando as costas de Renée com um amor genuíno e acolhedor que a jovem noiva nunca recebera de Marie. — Meu Charlie é um bom menino. Ele vai cuidar de você com a própria vida, você vai ver.
Um pouco mais atrás, no pequeno corredor, dois homens jovens sorriam. Um deles era Billy Black, muito antes da cadeira de rodas, alto, com os cabelos pretos amarrados em um rabo de cavalo e uma energia vibrante no olhar. Ao lado dele, Harry Clearwater, forte e de ombros largos, exibia um sorriso largo enquanto dava tapinhas nas costas de um Charlie Swan visivelmente nervoso, mas transbordando de uma felicidade radiante.
O casamento deu início aos meses que Renée guardava em sua memória como um verdadeiro conto de fadas rústico. Eles se mudaram para a casinha de Forks, e para Renée, os primeiros tempos foram como brincar de casinha. Ela passava as tardes pintando as paredes da sala de tons pastéis, costurando cortinas floridas e espalhando vasos de plantas pelas janelas, tentando forçar a primavera a entrar em uma cidade que insistia em permanecer cinzenta. Charlie fazia de tudo para vê-la sorrir. Ele parecia carregar o mundo nas costas durante o dia, patrulhando as estradas lamacentas da cidade, mas no momento em que pisava na varanda de casa, sua única missão era fazê-la feliz. Quase todas as noites, ele voltava do trabalho com um pequeno embrulho nas mãos calejadas: às vezes um doce diferente da padaria local, um livro de poesias que encontrara em Port Angeles, ou uma bijuteria barata que vira na vitrine de uma loja de penhores.
— Para a minha garota do sol — dizia o jovem Charlie, os olhos brilhando de orgulho e timidez enquanto estendia o presente para ela, as bochechas coradas pelo frio da rua. — O dia foi difícil, mas ver você abrir o embrulho faz tudo valer a pena.
Através do âmago de Renée, experimentei a profundidade avassaladora das sensações físicas e emocionais que uniam aqueles dois seres humanos. Quando Charlie a tocava, toda a instabilidade crônica de Renée parecia silenciar. O toque dele era firme, mas dotado de uma delicadeza assustadora para um homem do seu tamanho. Quando ele a beijava, na penumbra do quarto do casal enquanto a chuva batia no telhado de zinco, Renée sentia como se estivesse flutuando acima da névoa de Forks. O cheiro de Charlie, uma mistura de pinho, chuva e o calor natural de sua pele, era o seu calmante.
As memórias de quando faziam amor eram preenchidas por uma luz dourada e suave na mente de Renée, uma entrega que me fez desviar os olhos mentais por respeito, mas cujos sentimentos associados eram impossíveis de ignorar. Havia uma adoração mútua ali. Charlie a possuía como se estivesse tocando algo sagrado, um milagre de cores que o destino jogara em sua vida pacata. Seus sussurros na escuridão eram promessas de proteção eterna; ele enterrava o rosto nos cabelos dela, os braços fortes prendendo-a contra o seu peito largo, como se tentasse fundir seus corpos para que ela nunca pudesse escapar. Renée retribuía aquele amor com a mesma intensidade febril, arranhando suas costas, buscando o calor daquele corpo humano que era o seu único refúgio contra o fantasma de sua infância. Ela o amava com cada fibra de seu ser imaturo; ele era o seu herói, o homem que lhe dera o reino daquela casinha perfeita.
Contudo, mesmo no ápice daquela felicidade idílica, o Edward analítico percebeu a sombra que pairava no fundo do subconsciente de Renée. O conto de fadas era real, o amor era legítimo e profundo, mas era uma estrutura construída sobre a areia movediça de sua inconstância. A brincadeira de casinha funcionava enquanto os móveis eram novos e as tintas ainda cheiravam frescas nas paredes. Mas as flores nos vasos começariam a murchar com a falta de sol, e os presentes de Charlie, embora carregados de amor, eventualmente se tornariam parte da mesma rotina que a assustava.
Eu recuei mentalmente, sentindo a transição daquela doçura inicial começar a dar lugar aos primeiros sinais de isolamento. No quarto de hospital, a Renée real suspirou profundamente, soltando um som sibilante entre os lábios, enquanto sua mente se preparava para reviver o momento em que a monotonia cinzenta de Forks começou a erguer suas paredes invisíveis ao redor de seu conto de fadas, anunciando a chegada da gravidez e o nascimento da nossa Bella.
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