Notas iniciais
Não tá lá essas coisas, mas é apenas o começo...

Eu estava chorando pela milésima vez aquele mês. Não era justo o que estavam querendo fazer comigo. Era cruel.

— Filha, por favor, entenda. — disse minha mãe, enquanto afagava meus cabelos.

— Eu não consigo mamãe. — falei entre soluços. — Papai não podia fazer isso comigo. Ele não pode me obrigar a casar com um homem que eu nunca vi na vida!

Não era justo meu pai fazer uma promessa e eu ter que pagar!

— Converse com seu pai, ele vai lhe explicar tudo. — disse ela, se levantando e saindo do meu quarto.

Eu não fui falar com ele.

***

Já fazia quase duas semanas que eu não saia do meu quarto para fazer nada.

Eu estava sentada em uma cadeira de balaço em frente à janela quando minha porta foi aberta com violência.

— Já chega dessa infantilidade Hermione! — disse meu pai com a voz severa.

Eu tinha me levantado no susto, e estava de frente a ele. Meu pai estava com o rosto vermelho, parecia que acabara de discutir com alguém.

— Você vai sair desse quarto imediatamente! — vociferou ele.

— Não! — quase gritei. Odiava quando falavam assim comigo. — Eu só saio daqui quando cancelarem aquele casamento. Eu não quero me casar com ele! Eu não o amo!

— Você aprenderá! — gritou ele.

— Mas eu já amo outro! — gritei também.

Meu pai ficou com uma cor arroxeada.

— Já falamos sobre isso, você vai casar com o duque e pronto. — disse com a voz contida.

— Eu sequer o conheço! — falei.

Ele já estava na porta.

— Arrume-se e desça, irá conhecê-lo hoje. — disse meu pai, fechado a porta atrás de si.

Fiquei paralisada no mesmo local em que estava.

Alguns minutos depois, Julie, minha, outrora, babá, entrou no quarto, me tirando do estado de torpor em que eu estava. Ela trazia uma caixa nas mãos.

— É um presente, menina. — disse ela antes que eu fizesse qualquer pergunta. — Um presente do duque.

Quando ela disse aquilo, tive vontade de jogar a caixa pela janela, sem nem ao menos olhar o que tinha dentro.

— Ele pediu que usasse hoje no baile. — continuou Julie, como se não tivesse visto minha expressão assassina.

— Baile? — perguntei. Então era isso que meu pai queria dizer, pensei.

— Sim querida, o baile que os Weasley’s estão dando hoje. — ela pegou minha mão e me levou para perto da cama. — Dizem que vão revelar algo esta noite. — segredou-me.

Isso me deixou curiosa. Há meses que eu não via ninguém da família Weasley, não depois de Ronald me pedir em casamento e eu descobrir que já estava prometida a outro.

— Venha ver o que o duque lhe mandou. — disse Julie.

Um pouco a contra gosto, abri a caixa.

***

— Nossa... — fiquei sem palavras. Por mais que eu quisesse, não podia negar — o vestido era lindo.

—Ficará lindo em você, querida. — disse Julie.

Apenas aquiesci com a cabeça, sem saber o que falar.

***

— Está linda. — disse Julie, com os olhos marejados.

— Obrigada mama. — falei.

Julie pegou minha mão e me guiou até a escadaria.

— O duque está ai. — disse ela, antes que eu pudesse por o pé no primeiro degrau.

— O que? — perguntei alarmada.

— Pensei que soubesse. — explicou-se Julie. — Seus pais já foram para casa dos Weasley’s, você vai com o duque, para que vocês possam se conhecer um pouco.

Por um momento esqueci-me de como se respirava. Como assim me deixariam sozinha com ele? Até parecia que meus pais não conheciam a reputação que ele tinha!

Ele será seu marido, disse uma vozinha em minha mente. Odiei-a naquele mesmo momento por lembrar-me daquilo.

— Não se preocupe. — disse Julie.

— Tudo bem. — falei. Mas Julie sabia que não estava tudo bem. Eu estava apavorada!

Respirei fundo e desci lentamente as escadas. Encontrei-o de costas para mim. Ele estava vestido impecavelmente. Era um belo homem de qualquer forma. Por que mesmo eu não queria casar com ele? a sim, por ele ter idade para ser meu pai, por eu amar Ronald Weasley e principalmente por eu estar sendo obrigada a casar.

— Duque? — chamei-o. Quando ele olhou par mim, pude ver em seus olhos negros que ele estava gostado tanto da situação quanto eu.

—Srta. Granger. — cumprimentou-me ele. Sua voz era rouca e profunda.

Nenhuma palavra mais foi dita.

Ele estendeu o braço para mim e eu o peguei. Ele me levou até uma carruagem que eu nunca tinha visto, a dele provavelmente. Ele ajudou-me a subir e sentou-se de frente para mim.

Depois de dez minutos de puro silêncio, resolvi falar alguma coisa.

— Obrigada pelo vestido, é lindo. — falei.

Ele olhou para mim confuso, então olhou para o vestido.

— Ficou muito bem na senhorita. — disse ele.

Impressão minha ou ele não fazia ideia do que eu estava falando?

— O senhor tem bom gosto. — continuei.

Ele olhou para mim, e seu olhar mandava uma mensagem clara de que ele não queria conversar.

Foi uma viagem longa.

Quando finalmente chegamos à casa dos Weasley’s, Gina — minha melhor amiga — estava recebendo os convidados ao lado do pai.

— Hermione — ela parecia surpresa em me ver ali.

— Há quanto tempo Gina. — falei, abraçando-a.

— O que está fazendo aqui? — sussurrou em meu ouvido, de forma que apenas eu escutasse.

Separei-me de Gina e olhei com curiosidade. Como assim o que eu estava fazendo ali?

— Papai, preciso falar com Hermione a sós, algum problema? — perguntou Gina ao Sr. Weasley.

Ele me olhou tristemente e assentiu. Olhei rapidamente para o duque e o vi assenti discretamente. Segui Gina para dentro da casa, cumprimentando várias pessoas durante o caminho até a biblioteca.

— O que houve Gina? — perguntei preocupada, depois de ela fechar a porta da biblioteca.

— Você não soube? — perguntou ela. Fiz que não com a cabeça sem entender. — Sinto muito que tenho que ser eu a lhe contar Mione, mas Roni vai se casar. Esse é um baile para comemorar o noivado.

Perdi meu chão naquele momento.

— C-Como assim? — perguntei. Eu podia sentir meus olhos enchendo-se de lágrimas.

Gina segurou minha mão.

— Roni vai se casar com Lilá Brown. — disse ela. — Lilá está grávida, Mi.

— Mas...

— Ela está grávida de quase três meses. — disse ela por fim. — Ele engravidou-a na época em que você estavam juntos.

— Oh Deus... — eu podia sentir as lágrimas escorrendo por meu rosto. — Como ele pôde?

Antes que Gina pudesse falar alguma coisa, a porta da biblioteca se abriu. Olhei, com os olhos transbordando de lágrimas, para nosso novo ‘companheiro’.

O duque estava parado, fitando-me com curiosidade.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem ok. Bjus, Patt.