O Duque (Sendo Reescrita)
2 Me chame de Severus
Notas iniciais
Não sei dizer era pior — descobrir que Roni havia me traído ou meu ‘noivo’ me ver chorando por outro.
Gina olhou de mim para ele e depois disse.
— Vou ajudar papai a receber os convidados. — era claro que ela estava nos querendo deixar a sós. Mas quem disse que eu queria ficar sozinha com ele?!
Ela me deu um beijo na bochecha e saiu.
Olhei para o duque, que continuava parado me olhando. Sua expressão não demonstrava emoção alguma, talvez quem sabe um pouco de tédio. Ele caminhou pela biblioteca como se eu não estivesse lá. Folheou alguns livros, depois veio até mim e me estendeu um lenço de linho com ‘SS’ bordado manualmente.
— Recomponha-se e vá para junto de sua mãe. — disse ele, um pouco ríspido. Então saiu.
Sequei as lágrimas, mas elas teimavam em cair. Respirei fundo e, depois de algumas tentativas de me acalmar, consegui ficar com uma aparência no mínimo aceitável. Meus olhos ainda estavam um pouco vermelhos, assim como minhas bochechas. Meu nariz tinha um leve tom rosado, então era óbvio a qualquer um que eu havia chorado.
Ainda com o lenço do duque nas mãos, deixei a biblioteca e fui procurar minha mãe. Algumas pessoas — em sua maioria rapazes — me pararam durante o caminho me perguntando se eu estava bem. Apenas lhes sorria e dizia sim.
Encontrei minha mãe em uma roda de mulheres. Vi que a Sra. Weasley e a Sra. Potter estavam com ela e mais outras três mulheres. A alguns metros delas, estavam meu pai e alguns homens discutindo em meio a uma fumaça de charutos, todos com um copo de conhaque na mão — e ainda não era nem seis horas — Vi que o duque também estava com eles.
Comecei a andar em direção a minha mãe quando senti uma mão em meu ombro. Virei-me e vi Roni, sorrindo inocentemente.
— Está linda. — disse ele.
— Está noivo. — devolvi.
Ele olhou para baixo e passou as mãos pelos cabelos ruivos.
— Você também. — falou.
Meus olhos encheram-se de lágrimas.
— Não por vontade própria. Você sabe disso. — respondi. — Já você...
— Podemos fugir — sua voz era quase um sussurro. — Só você e eu.
Uma lágrima escorreu por meu rosto. Não percebi que algumas pessoas já olhavam para nós.
— Você vai ter um filho. — ele ficou surpreso, provavelmente por eu saber. — Não dá pra fugir disso.
— Hermi... — ele ergueu a mão para tocar meu rosto, mas alguém puxou meu braço.
Meu pai.
Ele me puxou até um canto afastado.
— O que pensa que está fazendo? — perguntou ele. Sua face levemente ruborizada.
— Pai...
— És uma moça comprometida, não podes ficar conversando a sós com outros rapazes — disse ele. — Especialmente os que estão noivos!
Então eu entendi tudo.
— Você sabia. — acusei-o. — Você sabia que Ron estava noivo e mesmo assim me fez vir a esse baile.
— Sim. — disse ele. — Você precisava ver que todos continuaram suas vidas enquanto você mantinha-se trancada naquele quarto. Especialmente o Sr. Weasley que, como você já deve saber, será pai em breve. Agora vamos. Você ficará com sua mãe e não sairá do lado dela.
Eu não conseguia pensar com clareza. Apenas assenti e deixei-o me guiar até minha mãe. Não me importei com os olhares das pessoas. Sequer notei que voltara a chorar.
Foi entediante ficar na companhia daquelas mulheres. Elas apenas falavam sobre futilidades. Acho que o único momento em que prestei a mínima atenção foi quando a Sra. Potter perguntou o por que de não ter tido uma festa em comemoração ao meu noivado. Milhares de respostas passaram pela minha cabeça, uma mais arrogante que a outra, mas a de minha mãe sinalizou o fim daquele assunto. Ela simplesmente disse.
— O duque é um homem reservado.
No segundo seguinte mudaram o assunto para a ‘gravidez escandalosa’ de Lilá.
Desliguei minha mente naquele momento e fiquei observando Harry e Gina na pista de dança valsando. Eles eram perfeitos juntos. Eu sabia que Harry só esperava mais alguns meses para pedir Gina em casamento. Ele queria esperar todos os atuais assuntos cessarem.
Eu queria ter a sorte de Gina.
Essa foi a primeira vez na vida que senti inveja de alguém.
Vi que Roni estava do outro lado do salão olhando ora para mim, ora para o grupo de homens a uma curta distância de nós.
Um homem de cabelos e barbas brancas se aproximou do grupo de homens que conversavam animadamente sobre algo e falou alguma coisa para o duque. Ele respondeu, aparentemente, com um pouco de grosseria, então olhou para mim. O vi suspirar um pouco irritado e vir em minha direção.
Ele parou em minha frente e estendeu a mão para mim.
— Gostaria de dançar? — perguntou ele. Olhei em seus olhos e vi que, de certa forma, ele não olhava para mim e sim para um ponto atrás de mim.
Olhei para trás e vi que as mulheres ali presentes haviam parado de falar — e vi também para onde meu noivo olhava. A Sra. Potter. Aquilo me confundiu, mas tentei não pensar muito nisso. Olhei para minha mãe e ela assentiu levemente. Peguei a mão do duque e deixei-o me conduzir até o meio do salão.
Ele colocou uma mão em minha cintura e me puxou para mais perto. Toquei seu ombro um pouco hesitante, então a música começou. Era uma melodia calma e lenta. Tudo que eu precisava para me acalmar no momento. E o duque, para minha grande surpresa, dançava de forma divina. Acredito que não foi apenas eu que me surpreendi, já que outras pessoas olhavam para nós digamos... espantadas. No final da dança, ele me levou novamente para junto de minha mãe, deu um beijo em minha mão e foi juntar-se novamente aos homens e seus charutos. Pude perceber o momento em que ele olhara novamente para Sra. Potter. O resto do baile foi um tanto monótono. Alguns outros homens me chamaram para dançar, mas o olhar de minha mãe sobre mim me impedia de aceitar. Em certo momento, houve o pronunciamento do noivado e da gravidez de Lilá. Eu não podia sequer sair dali para sofrer sozinha.
Enfim, minha salvação daquele inferno tinha olhos negros. O duque certamente parecia irritado com algo e, diferente do que eu imaginava, veio chamar-me para ir embora. Olhei em dúvida para mim mãe e ela disse-me que fosse. Ele estendeu o braço para mim, o qual agarrei ante a impaciência dele.
O retorno fora tão silencioso quanto à ida. Ele não falava nada, e desta vez, não ousei dirigir-lhe a palavra.
Ao chegar à minha casa, vi que Julie me esperava do lado de fora.
O duque desceu da carruagem, me ajudando em seguida e levou-me até a porta. Não vi o exato momento em que Julie havia entrado, e assustou-me ficar sozinha com meu noivo.
— Boa noite, senhor. — disse-lhe, tentado acabar com a despedida o mais rápido possível e correr para meu quarto.
Ele revirou os olhos.
— Será minha mulher em duas semanas Srta. Granger. Pode me chamar apenas de Severus. — disse ele.
— Então por que me chama de Srta. Granger? — no segundo seguinte notei que havia feito a pergunta em voz alta.
Olhei para o chão no mesmo instante.
Senti-o pegar minha mão e depositar um casto beijo em minha pele.
— Boa noite Hermione. — disse ele.
Ele soltou minha mão. Com toda coragem que ainda tinha, ergui os olhos e encarei-o.
— Boa noite Severus. — minha voz saiu baixa e tímida, mas sei que ele foi capaz de ouvir.
Então virei as costas e entrei em minha casa.
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