Notas iniciais
Oi.... finalmente chegou o casamento. Eu queria agradecer muito a Lady Bathory e a Joycce Andrade pelos vestidos.

Não vi mais o duque, ou melhor, Severus, desde aquele maldito baile.

Gina veio algumas vezes aqui em casa acompanhada de Harry para conversar comigo. Basicamente passamos uma tarde inteira conversando sobre Severus e Harry. Eu percebia que Gina tentava a todo custo não mencionar Roni em nenhum momento. Ela dizia a cada cinco minutos que estava ansiosa para que o dia do meu casamento chegasse, e me pedia para lhe mostrar o vestido de noiva que chegara há alguns dias. Neguei rapidamente. Mamãe havia dito algo como ‘trazia má sorte mostrar o vestido antes da cerimônia’ ou algo assim. Eu já tinha medo de meu casamento ser um fracasso, não estava disposta a arriscar dessa forma.

— Por favor, Mione — implorou Gina.

— Não Gina. — falei. — Mamãe me mataria se eu lhe mostrasse o vestido.

Gina fez bico exatamente como quando éramos criança e o Sr. Weasley não fazia o que ela queria.

— Não fique assim Gina. — pedi.

Ela colocou a xícara de chá em cima da mesa e cruzou os braços.

— Eu lhe mostraria o meu. — disse ela.

Sorri.

Eu iria lhe dar uma resposta quando vi Harry parado na porta junto a meu pai, olhando para nós duas sorrindo.

— Olá Harry. Terminaram a fabulosa conversa sobre finanças? — perguntei.

Harry apenas revirou os olhos.

— Sim. — disse ele. — Na verdade vim buscar Gina para levá-la para casa.

— Mais já? — perguntou a ruiva a minha frente.

— Sim querida. Está ficando tarde. — Harry se aproximou dela e lhe estendeu a mão, a qual ela pegou prontamente.

Era lindo o olhar apaixonado que Harry lançava a Gina... e pensar que eu nuca receberia esse olhar de Severus...

Senti meus olhos marejarem, mas consegui segurar as lágrimas, ultimamente eu venho fazendo bastante isso, especialmente perto de meus pais. Eu estou triste com essa situação toda, mas não é preciso que meus pais saibam disso. Prefiro sofrer sozinha... Talvez o duque não seja tão mal assim. Ao menos era disso que eu tentava me convencer.

Depois que Harry e Gina foram embora, fui direto para meu quarto e fiquei lá o resto do dia.

***

Os dias passaram como um flash.

Quando dei por mim já era o tão grandioso dia para meu casamento. Emocionante. Engraçado em como eu ainda não estava acostumada com a ideia de me casar com um homem com quem eu mal falara minha vida inteira. Mas o que mais me irritava, era o fato de eu estar em completo desespero e ninguém notar. Simplesmente me diziam que era normal, coisa de noiva ansiosa.

Acho que intimamente ainda esperava que um milagre ocorresse, que por algum motivo o duque resolvesse cancelar o casamento ou qualquer coisa do tipo — cheguei até a pensar que se ele morresse eu não precisaria mais me casar. Um pensamento cruel, mas não pude evita-lo.

Neste momento, eu estava em meu quarto, vestida de noiva, andando de um lado para o outro, pensando numa forma de escapar do matrimônio.

Nada.

Eu precisava de ar puro. Precisava espairecer um pouco. Então me veio uma ideia um tanto maluca.

O casamento aconteceria em meia hora no jardim de minha casa, eu poderia muito bem aproveitar meus últimos minutos de ‘liberdade’ no meu jardim particular.

Com este pensamento insano em mente, sai de meu quarto andando cuidadosamente. Milagrosamente, não encontrei ninguém no caminho. Mas quando passei por uma sala ouvi vozes. A porta estava entreaberta, então eu poderia ver quem estava ali dentro sem chamar atenção para mim mesma.

Eu não devia... Poderia muito bem ter escutado a vozinha irritante em minha mente me dizendo que era errado e que eu não devia bisbilhotar... Antes eu tivesse a ouvido.

Mas não foi o fiz.

Abri um pouco mais a porta, com cuidado para que não ouvissem e nem me vissem, e vi as duas pessoas que estavam lá — a Sra. Potter e o duque. Eles não notaram minha presença.

— Mas Lily... — ouvi Severus dizer.

— Não Sev. — disse a Sra. Potter. Ela parecia chorar. E desde quando eles tinham essa... intimidade? — Acabou tudo. Você vai casar Sev. Não poderia simplesmente abandonar a pobre garota no altar, esperar que eu largue James e ficamos juntos. A mais pessoas envolvidas nisso.

— Não a mais ninguém Lily. Seu filho já está um homem, não a mais ninguém que nos impeça. — disse ele, e parecia decidido.

— E Hermione? — perguntou ela.

— Com certeza não choraria a perda. — ele deu um sorrisinho. Minha cabeça estava a mil. Ele se aproximou dela. O vi tocando seu rosto. — Eu amo você Lily, somente você. Acha mesmo que eu poderia fazer essa menina feliz?

— Mas é errado...

— Ela é só uma criança. Um dia encontrará um noivo que poderá fazê-la feliz. — disse ele.

Ele se aproximou mais dela e a beijou. E ela o correspondeu. Lágrimas já caiam de meus olhos... Noiva forçada e traída... há algo mais que eu possa querer?

— Não Sev — ouvi-a dizer afastando-se dele.

— É isso que você quer? Que eu me case com uma criança? — perguntou ele já irritado.

— Eu te amo Sev, mas não posso fazer isso — disse ela. — Eu não consigo.

Nesse momento, se eles prestassem um pouquinho de atenção, poderiam muito bem me ver parada na porta, olhando a cena como se alguém estivesse me esfaqueando pelas costas.

— Lílian... — começou ele.

— Hermione Jean Granger o que você está fazendo ai parada? — ouvi a voz irritada da minha mãe no começo do corredor.

Nesse momento, ‘Sev e Lily’ olharam em direção a porta e me viram ali. Não sei descrever a expressão em seus rostos, mas com certeza não é algo que esquecerei tão facilmente.

— Então? — perguntou minha mãe.

— Estava... fazendo nada — respondi.

Comecei a me aproximar de minha mãe.

— Está chorando... — disse ela.

— De alegria — menti. — Hoje é o dia mais importante da minha vida.

Eu tinha plena certeza de que os dois eram capazes de me ouvir.

Minha mãe sorriu.

Forte. Era isso que eu precisava ser...

— Venha, temos que arrumar sua maquiagem, já que você borrou tudo chorando. — disse ela estendendo a mão para mim.

Deixei-a me manipular como um ser inanimado.

Exatamente como estava me sentindo agora.

Enfim, chegou a hora de ir para o altar. Meu pai sorria enquanto me guiava até onde meu noivo infelizmente estava. Eu tinha esperanças de que ele tivesse realmente fugido com a digníssima Sra. Potter. Doce ilusão...

Ouvi meu pai dizendo algo como ‘Cuide bem dela’, ou qualquer coisa do gênero.

Eu não prestava atenção em nada. Na verdade só disse ‘Aceito’ e repeti umas palavras idiotas ditas pelo padre. E ele fez o mesmo. Senti a aliança fria sendo colocada em meu dedo, parecia gelar meu sangue. Seus lábios eram frios em contato com meus.

Na primeira oportunidade, sai de perto de todos, me escondi em um canto qualquer, e chorei.

Eu era uma garota condenada a um casamento infeliz.

E de repente a janela do segundo andar me pareceu muito convidativa...

Notas finais
O que acharam???? Espero mesmo que tenham gostado, e que eu não tenha desapontado - muito - as leitoras que esperavam algo mais romântico. Então... alguma ideia de como vai ser a Lua-de-mel?