O Duque (Sendo Reescrita)
4 Minha nova casa
Notas iniciais
Aproximei-me aos poucos da enorme janela do corredor onde estava. As lágrimas escorriam por meu rosto livremente... Felicidade... Acho que jamais conhecerei essa palavra. Não estava casada nem há um dia ainda e já passava pela minha cabeça a hipótese do suicídio. Será que eu tenho algum problema?
Olhei para o céu. A lua estava linda aquela noite. As estrelas... estava tudo perfeito, exceto minha vida.
— Os convidados estão indo embora. — ouvi uma voz grave e rouca atrás de mim. — Devia voltar para o salão.
— Ahn... Está tão bom aqui — falei —, pensando no rumo incrível que tomou minha vida. — disse ironicamente, me virando e encarando Severus.
— Poderia pensar nisso enquanto voltamos para o salão. — disse ele, oferecendo o braço a mim. Ele usava um tom de voz claro que não me dava opções.
Dei-lhe um sorriso falso e voltei com ele para o salão.
Felizmente, não fiquei muito tempo ali. Logo os convidados restantes começaram a ir embora. Meu pai nos ofereceu um quarto na casa, mas meu querido marido recusou, dizendo que preferia voltar para sua casa.
Em um canto afastado, vi Harry sozinho. Ele olhava para um ponto físico, e não era preciso ser nenhuma vidente para saber que ele olhava para Gina, que se despedia de algumas amigas antes da família ir embora. Respirei fundo e decidi me despedir de Harry.
Andei lentamente até onde ele estava. Quando percebeu que me aproximava, veio em minha direção.
— Está linda Mione. — disse ele, beijando minha mão.
— Seus pais não lhe ensinaram que é feio mentir Sr. Potter? — perguntei sorrindo.
— Oras Hermione... — Harry riu. — Você é a mais bela da festa.
— Vou fingir que acredito. — falei. — Já está de saída? — perguntei.
— Sim. Na verdade só estou esperando meus pais. — disse ele.
Começou a tocar uma valsa, provavelmente à última da noite.
— Me daria a honra? — perguntou ele.
— Com prazer. — falei, pegando sua mão.
Fomos para o meio do salão e começamos a dançar.
— E quando seu casamento sairá Harry? — perguntei.
— O mais rápido possível. — disse ele, enquanto me girava.
— Queria ter a sorte de Gina. — falei baixinho, mas ele ouviu.
— Como assim? — perguntou ele.
Não respondi de imediato.
— Hermione?
— Queria me casar com alguém que amo. — falei. — E que me ame.
Harry deu um triste sorriso.
— Você aprenderá amá-lo. — disse ele.
Harry me girou mais uma vez e pude ver Severus conversando com meu pai em um canto da sala. Ele olhava para mim com um olhar frio.
— Duvido — murmurei.
Ao final da música Harry me levou até onde Severus e meu pai estava e deu mais um beijo em minha mão.
— A visitarei qualquer dia desses. — disse ele sorrindo e depois se afastou.
Passaram-se alguns minutos até que Severus resolvesse falar comigo.
— Vamos embora, já estou cansando. — disse perto do meu ouvido.
Olhei para ele e sorri falsamente.
— Não apenas você querido. — falei, e me levantei da cadeira em que estava sentada.
Mamãe me acompanhou até o quarto para que eu trocasse meu vestido por algo mais confortável. Acabei vestindo um simples vestido cor de rosa de veludo que eu adorava.
— Sentirei sua falta filha. — disse minha mãe antes de descermos.
— Eu também mamãe.
Várias pessoas vinham me desejando felicidade e sorte no casamento, aceitei todos com um sorriso no rosto, até que a Sra. Potter veio falar conosco.
— Felicidades, Sra. Snape. — disse ela me abraçando.
— Acho difícil — disse em seu ouvido, mas acredito que foi alto o bastante para que Severus ouvisse.
Assim que a Sra. Potter separou-se de mim, foi ao encontro do marido. Olhei para Severus e ele me lançou um olhar frio.
Acredito que sou capaz de matar o próximo que me desejasse felicidades...
Felizmente posso dizer que sobrevivi.
Mas depois passei mal ao lembrar o que acontecia após o casamento.
Durante todo caminho até a casa de Severus — que demorou muito, diga-se de passagem — não consegui pensar em nada claramente. Na verdade eu estava com medo. Nervosa.
E isso piorou quando chegamos até a mansão Snape, que mais parecia um castelo.
Os empregados estavam acordados, nos esperando. Severus entrou em casa comigo ao seu lado. Assim que pus os pés dentro daquela casa, senti o ambiente escuro me sufocar.
— Acompanhe-me — disse ele, subindo as escadas. Ele andou por um corredor enorme e incrivelmente frio e parou em frente a uma enorme porta dupla de carvalho. — Este é seu quarto. — disse, abrindo a porta.
O quarto era enorme e aconchegante, mas ainda sim tinha uma decoração sombria que me dava calafrios.
— Meu quarto? — perguntei, segundos depois de analisar o cômodo. — Não vamos dormir juntos?
Arrependi-me assim que fiz essa pergunta. Não éramos um casal normal, então é claro que não agiríamos como um.
Ele deu um sorrisinho debochado, que eu simplesmente odiei.
— Não, não vamos dormir juntos. — disse como se explicasse algo a uma criança. — Não há motivos.
Então virou as costas e saiu, deixando-me sozinha.
Dormi mal aquela noite.
Acordei mais cedo que o normal no dia seguinte. No começo, estranhei o lugar onde estava, mas depois me lembrei do que acontecera no dia anterior e joguei as cobertas sobre mim. Por fim, depois de aceitar a ideia de que não estava mais em minha casa, me levantei e fui até a janela.
O sol começava a nascer, e ia aos poucos clareando a propriedade. Da janela do meu quarto era possível ver o lindo jardim e uma cachoeira não muito longe dali.
Suspirei pensando que, caso a situação fosse diferente, eu amaria aquele lugar, mas nesse momento, tudo que eu mais queria era estar no meu quarto, na minha casa.
Fiquei ali vendo o sol se levantar, e nem percebi o tempo passar. Eu abraçava meu corpo em uma vã tentativa de me aquecer, por causa do vento frio da manhã que fazia questão de soprar em direção a mim. Minha camisola de cetim balançava levemente com a movimentação do vento.
Eu estava tão absorta em meus próprios pensamentos que sequer ouvi quando a porta foi aberta, revelando Severus, perfeitamente vestido e com o rosto expressando certa... curiosidade.
Assim que o vi aprecei-me em colocar meu robe.
— Deseja algo? — perguntei.
— Vim chamá-la para o café da manhã. — disse ele.
— Poderia ter pedido a um dos seus empregados para fazer isso. — falei. — Não era necessário vir até aqui.
— Não seria bom se eles a vissem assim. — respondeu ele, apontando para meu corpo.
Corei.
— Não se preocupe, já vou descer. — falei.
Ele apenas assentiu com a cabeça e saiu do quarto.
Logo em seguida, entrou uma garota que tinha aparentemente minha idade, loira de olhos incrivelmente azuis.
— Olá, senhora. — disse ela. — Meu nome é Luna, sou sua criada.
— Olá Luna. — falei. — Por favor, não me chame de senhora, me lembra da condição em que me encontro neste momento. Chame-me de Hermione.
Ela sorriu.
Luna era uma garota legal. Ela me disse que Severus costumava ser bem fechado, mas que até que era agradável depois que o conhecia melhor.
Ela me ajudou a vestir meu vestido e me levou até onde Severus estava. Estranhei não estar sozinho. Havia um homem lá, eu me lembrava dele no casamento, só não lembrava seu nome.
Os dois levantaram-se quando cheguei à sala. O homem que eu não conhecia veio até mim e deu um beijo em minha mão.
— É muito bom revê-la, senhorita. — disse ele. — Sou Alvo Dumbledore.
Apenas sorri para ele, sem saber o que dizer.
Assim que me sentei à mesa, Severus começou uma conversa com Sr. Dumbledore e o tema era nada mais nada menos que a adorada Sra. Potter. Sinceramente, se fosse para falar de suas amantes na minha frente, Severus poderia muito bem ter fugido com ela de uma vez.
— Ela disse não, Alvo. — disse Severus.
— Ora, meu caro. Acredito que esse não seja um assunto para se tratar na frente de sua esposa, não acha? — disse Dumbledore.
Resolvi me manifestar.
— Não se preocupe Sr. Dumbledore. — falei. — Já estou de saída.
— E aonde vai? — perguntou Severus.
Jogar-me do terceiro andar, pensei.
— Conhecer o jardim, querido. — falei, levantando-me. — Luna, você me acompanharia? — perguntei a ela, que estava parada a poucos metros de mim.
— Sim Hermi... Senhora. — disse ela. Estranhei ela me chamar de senhora, mesmo depois de eu pedi-la que não o fizesse, então notei que ela provavelmente fez isso por que Severus estava presente.
Sorri para ela.
— Se me dão licença. — disse com a maior educação possível.
— Espero conversar com a senhorita depois. — disse Dumbledore.
Aquiesci com a cabeça e sai com Luna em direção aos jardins.
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