O Duque (Sendo Reescrita)
5 Triste realidade
Notas iniciais
Espero que gostem.
O dia estava incrivelmente belo.
Como eu ainda não conhecia muito bem a propriedade, Luna me levou até os jardins. Era realmente lindo. Havia vários tipos de flores e, o que parecia mais bem cuidado, que alegrava o ambiente, eram lírios brancos, incrivelmente belos.
— O duque tem verdadeiro fascínio por esses lírios. — disse Luna. — Não permiti que ninguém os colha.
— Imagino o por quê — falei. Minha mente me levou diretamente a Lílian Potter.
Luna pareceu perceber do que eu falava, mas não disse nada. Continuamos a andar pelo jardim, até que algo em especial chamou minha atenção. Um pequeno córrego, que não passava que um mísero fio d'água, levava até uma cerca viva de cedrinhos. Olhei para trás e vi que Luna estava entretida olhando belos narcisos amarelos. Olhei novamente a pequena cerca e vi um pequeno portãozinho de ferro, todo enferrujado, provavelmente pelo tempo. Fui até ele. Estava meio emperrado, mas depois de tanto forçar, finalmente consegui abri-lo.
Quando entrei, descobri que, por acaso, havia descoberto um jardim secreto por trás daquelas cercas vivas. Tratava-se de um jardim antigo que deveria ter sido lindo porque, apesar de abandonado, ainda era bonito. No centro do jardim, havia uma pequena fonte com duas bacias de mármore branco, em níveis diferentes. Na de baixo, havia uma pomba de asas abertas, como se fosse alçar voo para alcançar a outra que, de cima, olhava, expectante. Eram tão perfeitas que pareciam reais. O jardim tinha roseiras velhas, sem trato e empoeiradas. Mas, no canteiro mais próximo a fonte, uma delas havia florido. Mostrava uma única rosa, vermelho escuro, de uma beleza incomparável... Era mais bela do que os lírios que eu havia visto.
Uma única e linda Príncipe Negro.
Estar ali me trouxe um sentimento de paz incomparável. Sentei na grama ainda úmida do orvalho e me pus a pensar. Porém, de repente, comecei a sentir uma estranha saudade de algo que não havia acontecido. E, de certa forma, comecei a me sentir uma intrusa naquele jardim secreto. Por isso, respeitosamente, quase na ponta dos pés, sai dali, fechando o pequeno portão cuidadosamente, para que ele não abrisse acidentalmente no meio da noite.
Olhei uma última vez para cerca viva e voltei para onde Luna estava, foi quando eu percebi — o céu já estava escuro. Deus, eu passei o dia naquele jardim e não notei. E nenhum momento meu corpo me avisou da mudança de horário e nem da falta de comida. E na verdade, isso não me preocupou, e sim o fato de ninguém ter ido atrás de mim. Não era possível eu ter estado o dia fora de casa e ninguém ter sentido minha falta!
Um pouco irritada, fiz o caminho de volta a casa. Entrei pela porta da cozinha, tentando fazer nenhum barulho que pudesse me denunciar. Andei lenta e silenciosamente pela casa até chegar ao hall de entrada e ver Severus andando completamente irritado de um lado para o outro, com uma expressão completamente assassina. Vi Luna em um canto afastado e, um pouco mais perto de Severus, estava Dumbledore, provavelmente o acalmando. Sem querer, derrubei um vaso de flores no chão, fazendo tanto barulho que os três que ali se encontravam, olharam diretamente para mim. Os olhares de Luna e Dumbledore eram de total alívio, mas o de Severus era de ódio, beirava ao homicida. E eu senti medo naquele momento.
— Graças a Deus a senhora está bem! — quase gritou Luna, se jogando em meus braços, num abraço tão apertado que eu podia jurar que não respirava.
— Eu estou bem, não precisa ficar assim. — falei, quando ela me soltou do abraço.
Vi que Dumbledore ia falar algo, quando Severus colocou-se em sua frente.
— Onde esteve? — perguntou. A raiva que emanava dele estava presente e cada letra proferida.
Eu ia dizer a verdade, falar do jardim que havia descoberto, mas algo dentro de mim me disse para manter aquele segredo. Que não era certo falar assim dele.
Pensei na melhor mentira que pudesse enganar os que estavam ali presente.
Lembrei-me da cachoeira, e do bosque que a cercava. E, como um raio, veio em minha mente a imagem de um coelho branco.
— No bosque. — falei. Ele me olhou desconfiado. Resolvi incrementar a mentira. — Estava com Luna no jardim, olhando os belos lírios que haviam lá, quando vi um coelho branco perto de nós. Percebi que Luna estava meio distraída então não lhe falei nada, mas vi o coelho novamente e fui atrás dele para tentar pegá-lo, sempre quis ter um coelho, mas então ele entrou no bosque e eu fui atrás. Não percebi o exato momento que tinha me afastado tanto, e quando decido voltar passei por uma cachoeira e decidi ficar ali um pouco. Acabei adormecendo e quando acordei vi o quanto estava tarde. — Olhei no rosto de cada um ali, pelas suas expressões era possível ver que acreditaram em mim. — Pensei que não perceberiam minha ausência. — completei, num murmúrio quase inaudível. Quase.
— Como achou que não perceberíamos?! — disse Severus, com assustadora veemência.
— Desculpem-me, não queria causar preocupação a ninguém. — falei um pouco assustada.
Vi Dumbledore colocando a mão em seu ombro e pedindo-lhe para ter paciência.
Severus respirou fundo e fechou os olhos, talvez tentando se controlar.
— Saia daqui agora! — disse ele, depois de um tempo, olhando diretamente em meus olhos.
Luna me puxou pela mão e me levou para meu quarto.
Não desci para o jantar.
Assim foi meu primeiro dia como Sra. Snape. A duquesa.
***
Os dias que se seguiram, não foram muito diferentes. Eu ia até o jardim secreto com certa regularidade, sem nunca deixar que descobrissem.
Minha convivência com meu ‘marido’ não era uma das melhores, mas não era totalmente ruim. Na verdade, ele quase não me dirigia a palavra. Eu passava muito tempo com Luna, ela era divertida, tinha um jeito próprio de ver o mundo e estava sempre bem humorada. E isso sempre me fazia notar meu próprio mal humor. Eu praticamente não saia de casa, a única vez que saímos — Severus e eu — fomos ao casamento de Harry e Gina. Foi lindo.
Depois que voltou da lua de mel, Gina me visitava com regularidade. Ela adorou Luna. As duas eram tão parecidas que percebi o por que de eu gostar tanto de Luna, ela era minha segunda melhor amiga.
Eu havia acabado de almoçar quando Luna apareceu em meu quarto radiante. Não precisei perguntar nada para ela logo falar o que estava acontecendo.
— Gina está ai. — disse ela, com um sorriso enorme.
Não pude deixar de sorrir.
Desci com Luna até a varanda. Felizmente, hoje, Severus não estava em casa. Gina estava sentada em uma cadeira de balanço, acariciando a enorme barriga de quase cinco meses. Lembro-me de quando ela me contou que estava grávida algo que provavelmente aconteceu durante a lua de mel.
— Oh Hermione — disse ela quando me viu, levantando-se e vindo me abraçar.
— Tenho que ir. — disse Luna, atrás de nós.
— Mas por que? — perguntou Gina com cara de choro.
— Tenho que terminar alguns serviços. — disse Luna.
Gina fez um biquinho e assentiu com a cabeça. Luna deu-lhe um beijo na bochecha e voltou para dentro de casa.
— Então, como anda a gravidez? — perguntei, quando nos sentamos.
— Está tudo bem e... — ela parou de repente e levou a mão à barriga. E sorriu.
— Gina? — chamei. Seus olhos brilhavam.
— Olha só. — ela pegou minha mão e levou a barriga. A princípio não senti nada, mas então senti algo se mexendo sob minha mão.
Vi lágrimas saindo dos olhos de Gina.
Nesse momento que eu percebi algo — eu sempre tive o sonho de ser mãe, mas com um casamento como o meu, isso se tornou claramente impossível. Quando Gina me disse que estava grávida, meu primeiro sentimento foi inveja, que logo foi substituída pela felicidade que minha amiga emanava. Por um tempo, pensei que essa ânsia que eu tinha ser mãe, poderia passar pouco a pouco, enquanto eu acompanhava a gravidez de Gina, compartilhando de suas alegrias e descobertas sobre todo esse mundo, mas agora... percebi que isso é impossível. Nunca seria a mesma coisa. Não era eu quem carrega uma vida em meu ventre. Nunca seria eu...
Gina não ficou muito tempo depois disso, ela estava ansiosa para contar a Harry. Por um lado, fiquei feliz com isso. Logo após a saída de Gina, senti as lágrimas correram por meu rosto. Vi alguns olhares preocupados de alguns empregados que vi pelo caminho enquanto corria até meu quarto.
Bati a porta assim que passei por ela, e me coloquei em frente ao enorme espelho que havia no quarto. Com muito esforço, tirei minha roupa, ficando nua em frente ao espelho vendo meu próprio reflexo. Meus olhos já estavam vermelhos. Respirei fundo, tentando, inutilmente controlar as lágrimas. Coloquei minhas mãos sobre meus seios, apertei-os sem muita força. Eles jamais ficaram cheios de leite como os de Gina. Desci minhas mão até meu ventre, plano, liso. Nele jamais cresceria uma vida como o de Gina. Fiquei de lado e me observei de perfil.
Será que eu era uma pessoa ruim por invejar tanto minha melhor amiga? Por querer tanto uma vida como a dela? Um marido como dela, ter um filho como ela...
Abaixei a cabeça, ainda com as mãos sobre o ventre e me permiti chorar. Quantas coisas mais seriam negadas a mim? Será que eu era uma pessoa tão ruim que não merecia nem um pouco de felicidade nessa vida?
Olhei mais uma vez para o espelho e, além de mim, vi outra pessoa refletida.
Virei-me e olhei diretamente nos olhos de Severus. Eu não me importava se ele estava me vendo nua, ele era meu marido, não era? Então isso pouco importava.
— Senti o bebê de Gina hoje. — falei, minha voz saiu num murmúrio baixo e triste. Eu não sabia por que estava falando isso com ele, eu precisava apenas falar com alguém.
Ele não disse nada, apenas olhava para mim com curiosidade e... compaixão(?) Talvez um pouco.
— Me diz Severus, por que eu não posso ser feliz? Não posso ter um casamento como o de Gina? Por que eu não posso ter uma família como ela? — Sem me importar se ele estava vendo, ou o que quer que ele pensaria, simplesmente me deixei cair no chão e chorar.
Segundos depois, senti seus braços em torno de mim me puxando para cima.
Notas finais
A partir daqui as coisas vãos começar a acontecer, mas não pensem que eles vão se apaixonar logo de cara por que isso não vai acontecer tão cedo U.U
Deixem a opinião de vocês... e os fantasminhas, apareçam, sou completamente inofensiva.
Patt
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