O Duque (Sendo Reescrita)
7 Insensível
Notas iniciais
Espero que gostem - se bem que não é bem o que todos esperavam - e desculpem pela demora :)
Patt
INSENSÍVEL
Acordei com os raios de sol entrando por minha janela.
Não sei dizer precisamente o momento exato em que adormeci, apenas acordei deitada em minha cama enrolada com a capa que tenho certeza que Severus usava quando o vi.
Não acredito que pude me descontrolar daquela forma, ainda mais em frente a ele...
Talvez, se eu agisse normalmente, ele se esqueceria desse assunto.
Sorri, ou pelo menos tentei sorrir com essa ideia. Chamei Luna e ela me ajudou a me arrumar. Coloquei uma roupa simples.
Respirei fundo antes de descer e me encontrar com Severus.
Ele já estava sentado à mesa quando cheguei. Severus ergueu os olhos e olhou diretamente para mim, mas não disse nada.
Ficamos em silêncio por uma grande parte da manhã. Eu estava decidida a me retirar da mesa quando o ouvi chamando meu nome, num tom que jamais usara comigo.
— Hermione — disse ele. Olhei-o no mesmo instante. Sua expressão era indecifrável. — Tenho uma proposta a lhe fazer. — falou.
— O que? — perguntei surpresa.
Ele olhou em meus olhos de uma forma diferente.
— Que lhe dar um filho. — disse ele, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
Fiquei sem fala.
Ele não poderia estar sendo sincero, poderia? Não, isso não faz sentido. Mas ele não faria uma brincadeira dessas comigo, não é? Nem mesmo ele era tão insensível assim...
— Hermione? — chamou ele.
— Por quê? — perguntei.
Observei-o respirar profundamente.
— Eu me sinto culpado. — disse ele. — Por tudo que você está passando. E ontem, quando a vi naquele estado, decidi que essa seria a melhor coisa a fazer. Além do que um dia precisarei de um herdeiro.
Então era isso. Tudo se resumia a culpa? Isso era... horrível! Como ele esperava que eu aceitasse isso? Deitar-me com ele por culpa?!
— Como você...
— Sr. Snape — disse um dos empregados, me interrompendo. — A Sra. Potter está no hall esperando pelo senhor.
Mas o que ela estaria fazendo há essa hora aqui?, perguntei-me mentalmente. Eu não via Lílian Potter desde meu casamento, e esperava não ter que vê-la por muito tempo. E como eu sabia que era a digníssima amante de meu marido? Simples — todos naquela casa sabiam que não deviam falar comigo sobre Lílian Potter, se bem que Brigite fazia questão de falar sobre isso sempre que eu estivesse por perto. Ela não me suportava.
Fiquei observando a expressão de Severus.
— Conversamos depois. — disse ele. Brigite deu um sorriso vitorioso.
Como se eu não soubesse que isso aconteceria. Era óbvio que Severus me abandonaria sempre que sua amante lhe chamasse. Não importasse a situação...
Assim que Severus saiu, levantei-me e fui em direção a meu quarto, infelizmente, teria que passar pelo hall de entrada. Felizmente eles não estavam lá, talvez estivessem no escritório falando sobre seus ‘assuntos’.
Cheguei a meu quarto e me joguei em minha cama. Entrei debaixo de minhas cobertas e fiquei deitada em posição fetal. Sinceramente, como Severus esperava que eu aceitasse ter um filho com ele em um ambiente assim? Onde eu estava lamento sobre minha existência deitada em uma cama, tentando me proteger do mundo exterior debaixo de cobertas enquanto meu marido me traia no andar debaixo.
Eu nunca aceitaria isso. Eu não iria querer ter um filho apenas para fazê-lo sofrer vivendo em uma casa assim... mantida apenas por aparências. Eu não poderia fazer isso com uma criança.
Eu ainda estava deitada em baixo das cobertas pensando sobre isso quando ouvi a porta sendo aberta lentamente.
— Hermione — ouvi Luna me chamar.
Descobri meu rosto e olhei para os olhos azuis e normalmente alegres de Luna. Mas dessa vez havia uma sombra de tristezas neles.
Ela veio até mim e sentou-se ao meu lado. Coloquei minha cabeça em seu colo e Luna começou a acariciar meus cabelos.
— Sinto muito. — disse ela. — Por você ter que passar por essa situação...
— Tudo bem Luna. — menti. É claro que não estava tudo bem.
— Então por que choras tanto? — perguntou ele. Eu sequer havia percebido que chorava.
— Por tudo. — respondi melancolicamente. — Severus me propôs termos um filho — disse a ela.
Luna parou de acariciar meus cabelos no mesmo momento e ergueu meu rosto para que eu olhasse para ela.
— Como ele pode ser tão cruel? — perguntou a mim.
Passei os braços por seu pescoço e chorei.
Ficamos por horas conversando, até que Luna me disse que precisava ajudar a preparar ao almoço, ao qual não compareci já que quando Luna viera me chamar, me dissera que teríamos ‘visitas’ para o almoço. Lílian e James Potter viriam almoçar conosco, ou melhor, com Severus.
Como eles podiam ser tão falsos?, eu me perguntava mentalmente, enquanto ainda estava deitada. Como eles podiam não se importar em magoar outras pessoas? Eu podia não amar Severus, mas machucava-me de qualquer forma saber sobre esse ‘caso extraconjugal’ dele. Ele podia não saber, mas eu chorava todas as vezes que ele saia e voltava quase ao amanhecer, provavelmente para que eu não soubesse. Como se os empregados não comentassem sobre isso... especialmente os que me detestavam. Claro que essas conversas não saiam desta casa, e isso que era o pior. Já que não podiam falar a outras pessoas, esses empregados faziam questão de comentar a toda hora sobre todas as saídas noturnas de seu patrão. Especialmente às vezes em que chegava bêbado e se trancava dentro do escritório, quebrando quase tudo lá dentro. Nunca presenciei nenhum desses momentos, já que sempre que Severus saia eu ia direto para meu quarto e me trancava lá até a manhã seguinte.
Severus às vezes me assustava quando estava de bom humor, imagine quando estivesse com raiva...
Fechei os olhos tentando obrigar o sono a me dominar, mas vi que isso era impossível. Era simplesmente impossível dormir com os sons entrando em meu quarto, com os raios de sol fazendo questão de atravessar as brechas que as pesadas cortinas vermelhas davam e entrar, clareando o quarto. Os empregados passando a todo o momento pelo corredor, fazendo tanto barulho que eu era capaz de jurar que faziam isso de propósito.
De qualquer forma, fechei os olhos e fui para baixo das cobertas. Obriguei minha mente a passar por cada lembrança minimamente feliz que tivesse para, quem sabe assim, conseguir dormir. A maioria das lembranças se passava durante minha infância, eram lembranças tão antigas que às vezes me perguntava se eram apenas lembranças ou imagens ciadas por minha mente tentando me reconfortar, me falando que tive uma época feliz em minha vida.
Eu já estava quase adormecendo quando a porta do quarto foi aberta.
— Hermione — ouvi a voz rouca de Severus me chamar. Recusei-me a sair debaixo das cobertas pensando que, se fingisse dormi, ele me deixaria em paz. — Por favor, Hermione. Precisamos mesmo conversar, não seja infantil escondendo-se embaixo de cobertores.
Infantil? Era isso que ele achava de mim?
— Estou tentando dormi. — falei, irritada, descobrindo parte do meu corpo. — Se não se importa. — disse, indicando a porta.
— Tudo bem — disse ele. Então respirei aliviada. — Irie sair assim que terminamos nossa conversa. — continuou. — Eu lhe fiz uma proposta, preciso de sua resposta.
Olhei em seus olhos. Eram frios e desprovidos de qualquer sentimento.
— Não. — respondi, minha voz saiu pouco acima de um sussurro. — Não vou ter um filho você.
Notas finais
Sei que não era bem o que esperavam, mas queriam o que? Que ela dissesse sim assim?
Não se preocupem, os dois começaram a se dar bem melhor nos próximos capitulos.
Comentem, quero saber a opinião de vocês e o que vocês acham que eu preciso melhorar na fic. E se quiserem recomendar a fic, eu adoraria '-'
Bjus
Patt
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