Notas iniciais
E ai gente?
Bem, lamento a demora, mas é que não tenho conseguido escrever nada. Absolutamente nada! Em nenhuma história. Para ter uma ideia, esse capítulo estava pela metade a pelo menos umas três semanas!
Enfim, ele está aqui.
Bom, apesar da demora, e do tamanho, eu gostei do capítulo. Entretanto ele não explica muita coisa Mas eu falo sobre isso nas Notas Finais.
PS.: Capítulo dedicado à Castebulos Snape pela recomendação. Obrigada mesmo. Fico feliz de ainda ter pessoas acompanhando a história.

DECISÕES – PARTE II

— Hermione...

Sua voz era baixa e grave. Em nenhum momento desviei meus olhos dos seus. Sentia-me minúscula diante de seu tamanho. Severus encarava-me. Admito que, por um momento, nem mesma eu acreditei em minhas palavras. Mas não voltaria atrás. Não podia.

Eu não queria deixar Severus, essa é a verdade. Eu queria fazê-lo compreender os motivos pelos quais decidi adotar Cosette — E o fato de saber que ele teria um filho com outra, em nenhum momento foi o motivador de minha decisão. Cosette era especial, e eu sabia disso. E, apesar do pouco tempo em que ficamos juntas, eu já a amava, assim como eu sabia que ela me amava.

Eu podia sentir o laço que nos unia.

Então ele sorriu. Era um sorriso cínico, um sorriso que a muito eu não via em seu rosto.

— Não seja tola, Hermione — murmurou ele. — Eu não permitiria que me deixasse.

— Eu... — falei, ao mesmo tempo em que Severus fechou os olhos e suspirou profundamente. — Não posso abandoná-la, deixa-la novamente à própria sorte... Nunca poderia fazer isso.

Ele tocou meu rosto apenas com a ponta dos dedos.

— Não devemos ser precipitados — disse. — É uma responsabilidade muito grande cuidar de uma criança... Ainda mais uma que não é sua.

— Ao menos pense no assunto, Severus — pedi-lhe.

Ele não me respondeu, apenas afastou-se de mim e voltou para sua mesa. Permaneci por mais alguns segundos no mesmo lugar, até mover-me e ir em direção a porta, não sem antes olhar para trás uma única vez e vê-lo olhando para mim com seus intensos olhos negros.

***

Nos primeiros dias, Cosette permanecia no quarto, saindo apenas quando eu a chamava para as refeições. Contudo, isso mudou quando ela conheceu uma garotinha que morava em uma pequena vila, dentro da propriedade da Mansão. Eu adorava ver sua animação ao acordar, e pedir para que eu a levasse para ver a nova amiga. Diversas vezes, Cosette pedia-me para passar o dia na Vila e, sempre que eu ia busca-la, a via correr com as outras crianças entre as árvores e, apesar de sempre recusar-se a ir embora — tão cedo, em sua opinião — sorria durante todo o caminho em quanto contava-me sobre seu dia.

Seu comportamento em relação a Severus também mudara. No começo, percebi os olhares de medo que Cosette lançava a Severus. Eu não podia culpá-la. Não sei o que Cosette passou durante os anos em que viveu nas ruas e, às vezes forço-me a sequer pensar nisso. Mas agora eu sentia que ela não o temia mais, entretanto era perceptível a qualquer um que Cosette não confiava em Severus.

Ainda assim, não conseguia não sentir-me feliz.

Era como se o ar estivesse mais leve à minha volta. Não havia preocupação... não havia mais Lílian... E, embora eu soubesse que não duraria para sempre, permitia-me aproveitar daquela paz sem medo.

Eu até mesmo sentia que estava aproximando-me mais de Severus. Seus gestos, por simples que fossem, não passavam despercebidos — A forma como ele me olhava, uma rosa azulada que ele me dava todas as manhãs, a maneira como ele tentava se aproximar de Cosette... Eu via a forma como ele esforçava-se para ser gentil.

Certa noite, quando colocava Cosette para dormir, o vi parado a soleira da porta. Ele mantinha os braços cruzados e a expressão indecifrável como sempre.

— Ela parece tão quieta quando está dormindo — disse ele.

Sorri, olhando para ela.

Convidei-o a se aproximar e, após uma pequena resistência, Severus veio até mim.

— Ela é adorável, não é? — perguntei baixinho, ajeitando a coberta sobre seu corpo.

Ele não respondeu, mas senti sua mão em meu ombro.

Virei-me para ele.

Severus pegou um de meus cachos e colocou-o atrás de minha orelha.

— Severus... — murmurei.

— Estou lhe esperando em seu quarto — disse ele, e então retirou-se.

Instantaneamente senti-me nervosa.

Permaneci por mais alguns minutos ao lado da cama de Cosette, após a saída de Severus. Por fim, levantei-me e, após olhar para Cosette uma vez mais, sai de seu quarto.

Estava frio. Pude ver a janela aberta no final do corredor. Talvez, se eu não soubesse que Severus esperava por mim em meu quarto, eu iria até lá e a fecharia. Entretanto, eu não conseguia pensar em outra coisa senão a curiosidade em saber o que Severus desejava falar-me.

Meus passos pareciam exageradamente altos no corredor vazio. Era como se eu pudesse ouvir cada mínimo grão de poeira partindo-se abaixo de meus pés.

Por fim, parei em frente a meu quarto. A enorme porta dupla de carvalho parecia mais ameaçadora do que a primeira vez em que passei por ela. Ainda sim... senti a brisa quente e aconchegante quando abri a porta do quarto. Severus estava de costas para mim, olhando pela janela. A luz pálida da lua dava a sua pele já excessivamente pálida um ar doentio.

— Estou aqui — murmurei, embora não houvesse necessidade de manifestar-me, uma vez que Severus ouvira o som da porta se abrindo.

Severus virou-se para mim.

— O que deseja...? — perguntei.

— Sobre a cama — murmurou. Não entendi de imediato o que Severus queria dizer, mas então desviou seus olhos de mim para minha cama e acabei por seguir sua linha de visão. Sobre a cama, perto de meus travesseiros, havia uma pasta negra, como as diversas outras pastas que haviam no escritório de Severus. — Abra-a.

Com certo receio, aproximei-me da cama, sentando-me e pegando a pasta entre as mãos. Sob o olhar penetrante de Severus, abri e tirei os diversos papéis que haviam ali dentro. A princípio, não sabia exatamente dizer sobre o que se tratava as palavras impressas.

Observei a data.

Abril, 24 de 1889.

Passei rapidamente meus olhos pelas páginas para, no final, ver a assinatura do juiz Salazar — Eu o vira apenas uma vez, quando Severus e eu fomos a um jantar em sua casa algumas semanas após nosso casamento.

— Não foi tão complicado como imaginei — começou Severus, aproximando-se. — Como não haviam familiares conhecidos, Salazar concordou prontamente em assinar os documentos de adoção.

— O que?! — Olhei-o surpresa.

Severus pegou os papéis de minha mão, e mostrou-me um em especial, onde estava escrito claramente que Cosette era, desde o dia da assinatura daquele documento, minha filha e de Severus.

Os acontecimentos seguintes estão um pouco nublados em minha mente e, o que me lembro, é de ter os lábios de Severus sobre os meus.

Notas finais
Não disse que não explicava muita coisa?
Pois bem, vou falar sobre o mais interessante Lilian. Sim, ela foi embora, entretanto isso não aparece no capítulo por que, o motivo que a levou a sumir de cena não tem nada a ver com a Hermione, então não faria sentido ser contado do ponto de vista dela. O que quer dizer que, os próximos dois capítulos serão bônus narrados pelo Severus, já que é ele que está envolvido nessa história.
Até o próximo.
Beijos :3