O Dragão
7 Capítulo 6
Quando Thalles acordou, se viu deitado numa cama em um local que aparentava ser a enfermaria da Ordem dos Alquimistas. Ele sentiu uma suave mão em sua testa, que colocava uma compressa em sua cabeça. Ele se virou e viu uma jovem de longos cabelos castanhos e brilhantes olhos azuis vestindo o manto vermelho característico dos alquimistas. O garoto fez um pouco de força para levantar o corpo, mas ele sentia inúmeras dores pelo corpo. Sendo assim ele se contentou em apenas voltar seu rosto para a jovem.
– Quem é você? – Perguntou ele, a voz um pouco fraca resultante de seu último treinamento.
– Meu nome é Binah. Sou uma das alquimistas da ordem, a conselheira-mor da Casa. Descanse mais um pouco, seu corpo ainda não está plenamente sadio. – Seus olhos transmitiam serenidade.
– Onde está Tiferet e Yonnin?
– Os dois estão no grande salão. Eles o trouxeram para cá assim que você desmaiou no pátio. Você ficou adormecido por várias horas... – Ela foi até uma pequena mesa próxima e tirou dela um frasco de vidro contendo um líquido dourado. – Beba.
– O que é?
– Apenas beba. – Era impossível discutir com uma menina tão bonita quanto Binah.
Thalles ingeriu todo o conteúdo dourado do frasco. Enquanto o líquido descia-lhe a garganta ele foi se sentindo melhor. A dor estava cessando, como se uma anestesia estivesse tomando conta de seu corpo. Ele conseguiu se levantar rapidamente, rumando em direção à porta.
– Obrigado.
– Não exagere. Você ainda não está completamente sadio. – Suas palavras continham certo peso. Como se ela tivesse séculos de experiência no que fazia.
Thalles abriu a única porta da enfermaria. Ele se sentiu sugado por mais um portal dos alquimistas. O jovem de repente caiu no chão do grande salão, onde Yonnin e Tiferet o esperavam. Eles estavam sentados em duas majestosas cadeiras segurando taças de prata com algum líquido vermelho.
– Você demorou... – Disse Yonnin a Thalles.
O jovem não respondeu. Apenas se dirigiu para os dois homens. Ele percebeu que a pele de Tiferet ficava num tom dourado mais brilhante cada vez que bebia do líquido na taça, mas Yonnin não aparentava nenhuma diferença ao beber o mesmo conteúdo. Tiferet gesticulou com a mão e uma terceira cadeira, idêntica as duas outras surgiu para que o jovem se sentasse. Thalles se acomodou e contou toda a ideia que teve durante o treinamento. Uma forma de acabar a guerra milenar entre as duas primeiras ordens. Assim que ele terminou Yonnin o olhou surpreso.
– Tem certeza de que é isso que você quer fazer? É muito arriscado.
– É a minha chance. Nada vai mudar se eu não fizer isso.
Tiferet observava tudo girando a taça agora vazia em suas mãos.
– Entendo... Mas saiba que sua ideia possui duas vertentes. Ou um grande período de paz ou uma grande destruição jamais vista pelas três ordens...
– É por isso que eu quero a ajuda de vocês.
Os dois homens se olharam, como se estivessem se comunicando utilizando apenas a mente. Eles se voltaram para o jovem, já com a resposta pronta.
– Tudo bem. Mas terá que descansar mais um pouco. Ninguém vai conseguir liderar uma revolução do jeito que você está.
– Mas eu estou ótimo!
– Você está apenas anestesiado. Seu corpo está se recuperando numa velocidade acima da normal, por causa do treinamento, mas ainda precisa descansar mais um pouco. – Tiferet gesticulou mais um pouco e um céu noturno surgiu no lugar do teto do grande salão. – Veja, já é noite.
Thalles ficou com a cara emburrada, mas aceitou o acordo de Tiferet. O teto do salão voltou ao normal. Os três se levantaram e as cadeiras desapareceram numa fumaça dourada logo em seguida. O alquimista os guiou até o quarto de hóspedes. Thalles e Yonnin tiveram um sono tranquilo. O jovem foi o primeiro a acordar, estava impaciente. Andava em círculos pelo aposento esperando que seu amigo acordasse. O efeito da anestesia já havia passado e seu corpo estava saudável como antes. Quando Yonnin acordou, ele já estava pronto. Após um pouco de pressão, Thalles o convenceu a ir mais cedo.
O grande pátio ainda estava deserto, todos estavam dormindo. Exceto por uma figura esguia encostado nos portões da Casa. Era Tiferet, segurando seu grandioso cajado. A pedra vermelha em sua ponta brilhava muito, a ponto dos homens terem que cobrir o rosto com a mão para conseguir enxergar o alquimista ao fundo.
– Pelo visto o jovem não aguentou e quis sair mais cedo. Vamos logo, é melhor chegar lá antes que eles iniciem as atividades. – Disse Tiferet.
– Tem certeza que quer mesmo invadir a Casa das Fênix? É perigoso demais!
– Claro que quero ir! É hoje que eu acabo com essa guerra de uma vez por todas!
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