O Dragão
8 Capítulo 7
Os grandiosos portões da Casa dos Alquimistas se abriram. Os turbilhões de água formados pelos portais de proteção se agitavam violentamente com a presença do líder da ordem. Thalles e Yonnin se transformaram em grandiosos dragões e abriram vôo pelo grande turbilhão. Às vezes as asas de um dos dois tocavam no grande funil, a água voava com grande força para todos os lados. Tiferet seguia os dois dragões um pouco afastado, flutuando como se alguma força misteriosa estivesse levantando-o.
Os três desembocaram no meio do oceano e pararam um pouco depois do portal que levava a ordem dos alquimistas. As escamas rubras de Yonnin refletiam na água a mesma cor da pedra do caduceu do alquimista. Este, por sua vez emanava sua grandiosa energia dourada, que contrastava com as escamas negras de Thalles. Eles se comunicavam sobre qual rota seria a mais segura de se pegar. Tiferet já visitara muitas vezes a Casa da Fênix, sua experiência seria de vital importância para o plano deles.
– Se entrarem na Ordem com essas aparências as fênix vão matá-los.
Os dois dragões foram rapidamente ocupando suas formas humanas. Para o espanto de Thalles, eles podiam ficar em pé emcima da água. Tiferet levantou o seu caduceu, fazendo com que um raio do Sol atravessasse a pedra vermelha e iluminasse a água. Do ponto iluminado emergiu uma pequena embarcação com o símbolo da casa alquímica. O barco reluzia a ouro tanto quanto o próprio Tiferet. Todos os três homens entraram na embarcação. Thalles se assustou quando foi olhar a água e percebeu que não havia nenhum reflexo do chamativo transporte em que eles estavam muito menos dele próprio.
– Este é o nosso trunfo. A minha embarcação não é percebida pelos humanos normais, e os membros das ordens só podem vê-la enquanto eu estiver fora dela. Vai ser desta forma que vocês entrarão sem serem percebidos. Já eu entrarei pela porta da frente.
O alquimista levantou novamente o caduceu. A embarcação se desprendeu da água e levantou vôo rapidamente, subindo através das nuvens. A Casa da Fênix se localizava em um dos pontos mais altos em que os dotados podiam habitar. Em pouco de tempo de navegação em meio ao céu, já era possível avistar a ordem. Uma gigantesca ilha flutuante no meio das nuvens. Era possível avistar alguns seres voando ao redor da ilha: fênix. Era inacreditável que algo daquela magnitude pudesse ficar encoberto aos olhos dos humanos.
– A Ordem das Fênix é a única que não tem portais de proteção. Por isso há centenas de anos eles transportaram a ilha para os céus e até hoje mantém vigilância constante para não serem atacados por algo inesperado.
Quando já estava se aproximando da ilha, Tiferet apontou o caduceu para o lado direito, fazendo com que a embarcação virasse para a parte de trás da ilha. O transporte parou junto à entrada de uma pequena gruta de uma dos enormes montes de pedra que sustentavam a Casa por baixo.
– Entrem por aqui. É uma passagem secreta criada por uma ordem extinta antes de a ilha ser levada aos céus. Boa sorte para os dois.
Yonnin e Thalles pularam para fora da embarcação e emergiram na escuridão da gruta. O alquimista guiou a embarcação para a entrada principal da Ordem.
A gruta era estreita, escura e úmida. Os dois homens passavam com dificuldades na escuridão, se segurando nas rochas para não tropeçar e cair em algum abismo. Depois de pouco tempo caminhando eles começaram a ouvir ruídos vindos de cima. Já estavam perto das fênix. Uma estranha luz atingiu os olhos dos dois homens.
Tiferet parou com segurança o barco no pequeno porto da ordem das fênix. Assim que desceu na ilha, um membro da ordem veio cumprimentar-lhe. Sua capa negra contrastava com o brilhante piso de mármore do porto de sua própria Casa. Tiferet guardou o caduceu em sua capa vermelha.
– Vim aqui ver “ele”... – Avisou o alquimista.
A fênix exibiu um semblante assustado e acompanhou o convidado até que ele o dispensou. Já sabia o caminho.
Vista do lado de fora, a Ordem era uma grandiosa cidade construída com muito mármore e marfim, dando o aspecto de que cada casa era uma espécie de pérola gigante com seu brilho reluzente. Um grande castelo ocupava todo o espaço do final do porto até o centro da ilha. Suas grandes portas de marfim exibiam o símbolo da fênix em um estranho pigmento negro. Elas se abriram com a simples presença do alquimista. Um grande corredor coberto com uma elegante tapeçaria preta percorria todo o sem comprimento. Ao final do cômodo havia uma grandiosa estátua de fênix feita em mármore e marfim. Tiferet atravessou o cômodo e a estátua, abrindo uma porta que se encontrava logo atrás dela.
– Seja bem vindo. O que veio fazer aqui, jovem Tiferet?
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