\"\"

11/12/11

Querido Diário,

Qual será um preço de um “Eu te amo”, um dos verdadeiros é claro. O preço a que me refiro não é o dinheiro, mas o emocional.

Como as pessoas conseguem pagar preços que para mim parecem absurdos, em nome um simples amor, e são felizes por isso?

Por favor Diário, não pense que falo isso só por que nunca amei ninguém. Eu já amei.

Éramos idênticos em relação às personalidades, e vivíamos felizes desse jeito. Não era uma coisa formal – isso me sufocava só de pensar, mas ele aceitava- mas era único.

Ficar até altas horas no computador, conversando, estourar a conta do celular durante as intermináveis conversas durante a madrugada, fingir que ia até a casa de alguma amiga, só para poder nos encontramos.

Parece que foi há tanto tempo... Parece que eu sou uma mulher velha recordando da infância, e não uma adolescente de meros quase 16 anos lembrando coisas que aconteceram há quatro anos.

Lembro que meu pai sempre dizia que eu era precoce de mais para uma menina, e que tinha medo de que logo eu tivesse um namorado. Mal sabia ele que os temores dele já haviam se realizado.

Depois do termino, foi um choque. Eu não tinha a quem recorrer, com quem conversar no computador, ou de madrugada no telefone.

Acho que foi mais ou menos na época que eu descobri o álcool. Quando dizem que vodca é o drinque dos deuses, eles não brincam Diário. Afrodite provavelmente pediu a Dionísio que criasse tal bebida para os solteiros e para os abandonados, por que seu gosto adocicado é realmente sedutor.

Me questiono como não virei um alcoólatra, mas como disse Aslan a Lucy em “O Príncipe Caspian”; você não pode se questionar sobre coisas que não aconteceram.

Mas naquela época Diário, eu ainda era a antiga “eu”. Será que hoje ainda terei a chance de me apaixonar e ser retribuída? Será que alguém irá suportar toda a pressão que é estar ao meu lado?

Se depender do meu colega da aula de matemática, talvez sim... Mas será que não são essas trocas de olhares apenas frutos da minha imaginação? Provavelmente...

Enfim Diário... Obrigada por me escutar. Amanhã voltarei às aulas de matemática e vou continuar a me iludir. Afinal é isso que o ser humano faz; se ilude para não ficar sozinho.

Com amor,

\"\"