22/12/11

Querido Diário,

Amigos há quanto tempo não lhe escrevo – se fosse boa em matemática te diria exatamente os dias, mas como não é o caso – e infelizmente não venho trazer novas noticias.

Amigo, o Natal se aproxima. Não que eu tenha problemas com o Natal, longe de mim. Mas esse ano tudo passou tão depressa, tão corrido, tão triste. Eu não percebi a chegada dessa Natal.

É como se o pequeno quartinho ao qual vivi aprisionada o ano inteiro – o quarto da minha dor e sofrimento – finalmente me abrisse uma brecha.

Mas honestamente Diário, estou com medo.

Minha única lembrança feliz – a que me manteve viva por todo esse tempo – está em risco.

A lembrança de um natal feliz, cercada por toda minha família amada; Avós, tios, tias, primas e primos – claro que uma especificamente não tão amada assim – os amigos de meus pais...

Não foi um jantar chique, cheio de frescuras e etc. Foi uma coisa simples, numa casa interiorana, com pessoas simples – a maioria não levara presente – mas estavam todos ali, unidos.

E agora Diário o que eu tenho? Nada, essa é a resposta; nada.

Minha família, meu natal simples, mas aos meus olhos perfeito, nunca mais irá acontecer por que eles se foram Diário. E eu fiquei, assim como a outra parte da família, a parte que fico feliz em tem ao meu lado nessas horas. Mas que não me dá a sensação de amor que eu sentia com a outra.

Diário não estou pronta para o natal, nem para o ano novo, ou qualquer outra festividade...

Minha vida parece ter se transformado em um ciclo vicioso de acontecimentos que insistem em transformar o mais simples broto de alegria em cinzas, e ao contrário da Fênix, elas não renascem.

Até quando Diário, até quando? É tudo que eu me pergunto.

Quando essas bolha de tristeza e sofrimento em que estou aprisionada irá me manter afastada de um “eu” que as pessoas acreditam que existem?

Sinto muito por ficar falando tantas besteira Diário, mas não sabia mais o que fazer.

Obrigada por me ouvir amigo.

Com amor,

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