O Diário

22 Capitulo 22


Notas iniciais
Hey, pessoal! Consegui voltar o/ E como já deixei vocês esperando muito, vou encurtar as notas iniciais, ok?! Esse cap é bem simples, mas trás algumas informações importantes. Vou me focar mais nos mistérios neste e talvez nos próximos caps Então espero que divirtam-se com suas "teorias e conspirações" Aproveitem ;)

22.

Era um sono tranquilo, leve e livre, nada para consumir a paz de uma vida tão perfeita. O sonho que estava tendo antes era... Não, havia se apagado aos pouco conforme fui recobrando a consciência, mas era algo como um passeio com as pessoas mais importantes para mim, meu pai, minha mãe, meus amigos... Acho que era um reflexo do que estava vivendo agora, já que pouca coisa se deferia disso: Festas, cursos, passeios como recompensa, dias incríveis com eles... Era tão perfeito que eu tinha medo... Medo de, em um pistar de olhos, perder esse gosto de felicidade que tinha a minha vida.

– Hinata-neesama?!

Alguém estava me chamando, mas a preguiça unida a esse tão precioso momento que disfrutara, me faziam querer ignorar. Eu queria voltar ao meu sonho e não acordar.

O sorriso no rosto de cada um deles pelo momento compartilhado onde nada mais importava além da presença um dos outros.

– Neesama?!

Algo tão raro em outra família, mas que aqui tinha em tal abundancia...

Frutificando um sentimento incrível que nem todo dinheiro do mundo poderia conseguir comprar. O mais puro e incompreensível de todos, aquele que se dividia em tantos níveis e que ao mesmo tempo se multiplicava aos demais, englobando pessoas de fora como se o próprio sangue no unisse. E esse era... O Amor... que transbordava na minha vida e de meus pais.

– Acorda!! – Ouvi-la gritando agora e senti suas mãos pequenas apertando minhas bochechas.

Abri meus olhos de forma assustada, me sentando na cama e olhando para todos os lados, finalmente abandonando completamente o mundo dos sonhos a qual eu tentava me prender e acordando em definitivo. Encontrando Hanabi rindo da minha reação exagerada.

– Bom dia, Hinata-neesama! – Ela disse ainda rindo.

– Hanabi... – Esfreguei meus olhos para tentar clarear minha visão ainda nublada de sono.

– Sua cara tá tão engraçada! Parece o papai quando bebe demais e fica de ressaca!

– Livros também dão ressaca... Eu tive uma prova difícil no curso e vou ter outras essa semana. Tenho estudado feito doida. – Balancei a cabeça pondo meus pensamentos em ordem enquanto tentava ajeitar meus cabelos bagunçados. – Mas, o que houve dessa vez?! Por que veio me acordar?

– É quase dez horas e eu fiquei te esperando ate agora!

– Me esperando?!

– Olha o que chegou pra mim hoje de manhã!! Diretamente do Japão para o seu computador!

Ela aproximou do meu rosto uma caixa do que parecia ser um disco DVD, a capa tinha um nome extravagante escrito em raios brilhantes, juntamente com o numero 5 destacado em tom metálico e a ilustração representativa era de um aglomerado de mortos-vivos cercando um homem armado que tentava se proteger em cima de um carro popular.

– Sabe o que é isso, não é?! – Ela perguntou.

– É claro que eu sei, faz semanas que você não sabe falar de outra coisa que não seja esse jogo... E ainda não entendo como conseguiu convencer o papai a compra, a classificação dele é de 16 anos.

– Convencer?! Não é só saber a senha do cartão de credito?!

– O cartão... – Analisei a expressão pseudo-inocente dela e então ri. – Você sabe que ele vai descobri uma hora, não é?!

– Ah, neesama, nós somos ricos! – Disse em tom confiante. – Ele nem vai notar uma conta a mais na fatura! Alem disso, ate ele descobri a gente já vai ter platinado o jogo!

– A gente?!

Ela me olhava de forma ansiosa e sorridente, esperando minha resposta, mas eu, após olha-la por apenas mais um segundo, voltei a me deitar e cobrir minha cabeça com o edredom.

Ela soltou um resmungo de reprovação e passou a me sacudir algumas vezes, então, tentou puxar minha coberta para me descobrir. Já esperando por isso, segurei o tecido firme com as mãos para que se mantivesse sobre meu rosto.

– Você é má, oneesama...

– Hoje é domingo e eu quero dormir ate mais tarde!

– Já é mais tarde! Vamos jogar!

– Você pode jogar com o Neji-niisan.

– Com ele não tem graça, é legal jogar com você que não sabe de nada e se desespera atoa!

– Hanabi!

É claro que eu não conseguiria dormir de novo, desde que comecei esse curso idiota que meu pai me obrigava a fazer e entrei em épocas de prova na escola, eu já não tinha tanto tempo para ficar com Hanabi como antes, os fins de semana era todo o que tínhamos, mas já fazia uns dois sábados seguidos que eu acabava tendo que ir para a empresa com a mamãe e passava os domingos dormindo ate mais tarde.

Ela sentia falta da minha atenção e do nosso tempo de irmã que perdemos, então ultimamente vem aparecendo para me acordar por qualquer que seja o motivo. Não gostava muito de suas aparições, às vezes, nada sutis, mas era ate divertido, principalmente essa pequena competição improvisada de “cabo-de-guerra” com a coberta que quase sempre acabávamos travando.

– Vamos!! Num piscar de olhos o mundo pode acabar e você não vai saber como sobreviver porque decidiu ficar dormindo!

– “Nós somos ricos”, lembra?! Se o mundo acabar tenho certeza que nada vai passar pelos muros de casa!

– Não use minhas palavras contra mim, é maldade!

Então ela simplesmente parou de puxar o edredom e começou a pular na cama. Eu realmente não ia dormir mais, nem descansar mais, ou qualquer outra coisa... Não ate fazer o que Hanabi queria, ela era tão mimada e sabia ser bem irritante quando queria.

Subitamente, me levantei, jogando o edredom por cima dela, que, pelo susto do meu movimento repentino, acabou caindo sentada na cama. Eu fiquei de pé rindo enquanto ela estava enrolada com o tecido pesado, com dificuldade para retirar de cima de si. Quando se livrou, olhou para mim com uma cara bem irritada e com os lábios formando um bico de pirraça que me fez rir ainda mais.

– Não tem graça! – Ela disse ainda emburrada.

– Eu vou lavar o rosto... – Eu disse simples já indo para o banheiro. – Vai ligando esse seu jogo de fim do mundo...

– Serio?!

Eu não respondi, porem consegui ouvi-la rindo enquanto corria para o meu computador, apenas fechei a porta do banheiro atrás de mim.

Escovei meus dentes e penteei o meu cabelo, eu queria tomar um banho, mas sei que Hanabi reclamaria se eu demorasse muito para sair, e eu sempre me esquecia do tempo quando ficava embaixo do chuveiro, melhor deixar para depois, eu não pretendia sair hoje mesmo. Além disso, quanto tempo poderia durar um joguinho bobo de zumbis?!

Ri me lembrando da ultima vez que fizemos algo assim, o DVD que ela arrumou para assistirmos era mesmo perturbador, nunca mais vou subestimar um filme de terror ibero-americano de 30 anos atrás. Os efeitos mais simples realmente assustam e Hanabi sabia encontrar coisas estranhas na internet... Não sei o que ela tem na cabeça, mas com certeza não é o mesmo que garotinhas normais de nove anos, que pensam em pôneis e arco-íris. Não, essa era eu, não ela...

Ainda pensando sobre os mistérios oculto na mente da minha irmã, ouvi de repente sons de briga um pouco abafados. Suspirei, abandonando minha escova de cabelo em cima da pia e saido banheiro.

Era mais um dia perfeito no paraíso que era a minha vida...

Do quarto, o barulho dos gritos deles davam para ser ouvidos de forma um pouco mais claro. Encontrei Hanabi espiando pela porta, estava com a cabeça de fora para o corredor, provavelmente visualizando a porta do quarto dos nossos pais, de onde a discussão vinha.

Fui andando ate ela, que estava tao distraída que nem viu me aproximando e fechei a porta com um movimento simples, fazendo os sons de briga ficarem ainda mais distantes. Ela se assustou um pouco ao me perceber e, quando me encarou, eu percebi que seus olhos estavam cheios d’agua.

– Vamos jogar?! – Perguntei e ela apenas assentiu desanimada.

Fomos para meu computador e, enquanto o jogo era instalado, eu fui conectando os Joysticks e os fones de ouvido, tudo sem nenhuma palavra a respeito do que estava acontecendo. Quando tudo estava arrumado, eu puxei uma cadeira para mim e ela pegou uma para ela, cliquei no aplicativo do jogo e esperamos vendo a tela de carregamento, respeitando um silencio estranho causado pelos sentimentos de duvida que dividíamos a respeito dos nossos pais.

Decidi ficar quieta como sempre, agora vendo a tela de menu do jogo aparecer, então peguei um dos controles para regular as opções.

– Hinata-neesama... – Hanabi me chamou em um tom baixo, com os olhos fixos no monitor. – Mamãe e papai se odeiam?!

– É claro que não.

– Então por que eles estão brigando tanto?!

Que resposta dar a isso?! Primeiro eles evitavam brigar quando sabiam que estávamos por perto e poderíamos ouvir, mas agora a raiva contida era tanta que nem pensavam mais nisso. De uma hora para outra a briga acontecia.

Hanabi era quem parecia sofrer mais com essa situação, ela ainda era só uma criança, não tinha estrutura para entender, na verdade, eu mesma me julgava nova de mais para isso também. Talvez eu só conseguisse esconder minha tristeza um pouco melhor do que minha irmã.

– Deve ser normal. Pessoas casadas devem brigar de vez em quando...

– Mas por que eles brigam o tempo todo agora?!

– Hanabi, eu não...

– Você sabe, não é?! Você sempre sabe de tudo! Me conta!

Foi quando ouvi sons de algo quebrando ao longe e Hanabi e eu viramos nossos rosto para a direção automaticamente. Provavelmente, mamãe quebrou alguma coisa, um vaso, abajur, prato, o que viesse a mão na hora, isso já tinha se tornado um pouco comum quando brigavam mais serio, papai sabia tira-la do serio com sua frieza Hyuuga.

Eu vi a expressão que minha irmã mantinha enquanto continuava ouvindo a briga no quarto vizinho. Respirei fundo, pensando no que fazer para tranquiliza-la, então peguei o fone e coloquei ao redor de seus ouvidos, sabendo que a musica lenta de suspense da tela do jogo abafaria qualquer outro som distante.

– Eu sou o apoio, certo?! Protejo você. – Disse erguendo o controle em minhas mãos de maneira sugestiva, mostrando que se falava sobre o jogo, mas, claro, era mais do que isso. Talvez ela não entendesse, mas eu queria dizer mais com esse gesto.

Ela me olhou por um segundo confusa e então sorriu mais animada, pegando o outro controle e fixando sua atenção na tela.

– Vou abrir caminho! Fique perto!

– Sempre...

O jogo se iniciou e, depois de uma introdução básica, nossa luta de sobrevivência virtual começou, mas eu não conseguia parar de pensar sobre como nossa vida mudou de uns tempos para cá: Nossos dias felizes passaram, a família perfeita não existe mais, ou nunca existiu pra começar, e tudo que sobrou foi uma foi uma irmã mais velha, tentando distrair a mais nova para que não percebesse o quão séria era a situação em que se encontrava nossa família.

Tudo que eu queria era protege-la disso tudo.

Pode vir o que for, o mundo pode ate acabar de verdade, não importa, Hanabi e eu sobreviveríamos a isso, juntas.

***

Hinata deixou uma lagrima cair sobre o porta-retrato de Hanabi que tinha nas mãos. Lembrar-se dela foi ótimo, mas triste ao perceber como tudo acabou.

Este dia... Um domingo normal... Como esquecer-se da diversão que aquele jogo estupido de computador proporcionou... Ou de sua mãe vindo falar com elas sobre um assunto realmente importante que ela e o pai decidiram depois da briga daquela manhã... Do almoço em pleno silencio que se estabeleceu depois, com todos de cabisbaixo... Ou de ver pela janela de seu quarto, a mãe saindo de casa com sua irmã no carro, mas sem ter a menor ideia de que aquela seria a ultima vez que a veria... viva...

Aquele domingo normal deixaria de ser normal, quando descobriu que seria aquele, o dia da morte de sua mãe...

É, Hanabi tinha razão... Em um piscar de olhos seu mundo poderia acabar e ela não estaria preparada para isso.

***

Kakashi estava de mau-humor, era raro para ele já que conseguia se controlar muito bem, mas aquela conversa estranha com Hinata o deixou inquieto. Como pode falar de Obito ou da Rin para ela?! Uma pessoa com o conhecimento dela deveria ligar os pontos rapidamente, claro, Hinata estava com “meio cérebro” por enquanto e por isso não sabia ainda... Ainda...

Ah... Essa garota era uma bomba relógio... E poderia explodir com a lembrança errada, no lugar errado...

Andou despreocupadamente observando sem muito interesse a decoração do corredor, quadros de época ou abstratos de arte, não entendia porque esse tipo de pintura chamava tanta atenção de pessoas ricas, principalmente quando eram sombrias e exageradamente caras.

Parou em frente a um quadro especifico, era a paisagem de um campo, com montanhas e florestas, porem era tudo pintado como uma foto em negativo e as nuvens foram feitas em forma se chamas negras.

Ele sorriu reconhecendo o estilo do desenho, o sentido e a assinatura do “artista” que o fez... Mas não quer dizer que a imagem retratada fosse melhor que as outras, nem menos sombria.

– O que faz aqui?! – A governanta perguntou, surpreendendo-o ligeiramente.

– Eu me perdi. – Ele disse simples. – É Natsu, não é?! Estava te procurando para devolver o Kit de primeiros socorros, mas essa casa é enorme.

– Não era necessário devolver. Eu, ou outra empregada, iria buscar depois.

– Eu quis ser prestativo. – Ele sorriu.

– E já foi, cuidando da Hinata-sama. – Disse sorrindo e pegando a maleta branca das mãos dele. – Por aqui, vou leva-lo de volta ao hall.

Enquanto andavam Kakashi puxava assunto para forçar uma conversa, agradecendo mentalmente pela governanta ser uma pessoa que realmente gostava de falar, conseguiria boas informações com ela.

– Mas a Hinata-sama esta bem agora, certo?! – Ela perguntou.

– Sim, os remédios que Tsunade receitou antes, vão ajudar. Logo ela não deve sentir tanta dor.

– Ainda bem.

– Claro que eu só posso cuidar da parte física, o psicológico eu deixo com vocês.

– Conosco?!

– Sim, digo, as pessoas que se importam com ela: a senhora e as outras empregadas que ajudaram a cria-la e educa-la; Neji, Naruto e os outros amigos; E Hiashi que é o pai, principalmente... Não há ninguém que possa cuidar melhor dela do que vocês.

– Entendo, pode deixar conosco...

– Agora sobre o Hiashi-sama... – Kakashi falou receoso, escolhendo suas palavras. – Parece que eles dois brigam bastante, não é?! Achei que Hiashi não concordaria quando pedi para dar um tempo e se afastar, mas concordou e isso mostra como se importa e deseja evitar discussões. Ainda estou com dificuldade para entender porque discutem tanto.

– Sabe, Hiashi-sama não é bem a pessoa mais amável e a Hinata-sama sempre foi uma menina carente, mas ele tenta ser um bom pai e ela sempre quis ser uma boa filha. É triste que tenham tanto problema para se entender.

– Basicamente, o ponto fraco dele é a filha...

– Como assim? – Natsu o encarou agora, com o olhar confuso.

– Nada, só estava pensando alto. – Kakashi disfarçou. – É bom saber que homens tão poderosos quanto o Hiashi não são perfeitos, agindo como você e eu, cometendo erros e se arrependendo. Nos faz acreditar que realmente “somos todos iguais, independente de nossas posses”.

– É verdade... – Natsu riu um pouco. – Himiko-sama falava isso também.

Kakashi parou de andar, precisou fingir prestar atenção em outra pintura na parede, para não dar na vista como foi afetado pelas palavras da governanta, era algo mais para incrementar seu mau-humor e ele tinha que continuar “neutro”.

Respirou fundo antes de prosseguir:

– Quem?

– Era a mãe da Hinata-sama. Ela era uma pessoa letrada e sabia falar muito bonito, como o senhor.

– Ora, então eu agradeço ao elogio, embora ache exagerado. Nunca, alguém como eu, poderia me equiparar ao nível de uma pessoa tão “letrada”.

A conversa parou por ai, pois já haviam chegado ate o salão, Kakashi se despediu de Natsu e se encaminhou para a porta, passando pela sala apenas para observar Hinata sentada sozinha no sofá olhando para os porta-retratos.

O ar sombrio e o clima mórbido que rodeavam aquela casa, o fazia se sentir um pouco mal e estava ansioso por sair, tudo que queria era ir para sua casa e dormir pelo resto do dia, era sorte só ter plantão a noite.

– Kakashi-sensei!

Era Naruto quem o chamava, estava perto de seus amigos no jardim e Kakashi ignorou o motivo de estarem aqui fora e deixar Hinata sozinha lá dentro, para ele não fazia diferença. Tendo coisas verdadeiramente sérias pra pensar, não tinha cabeça e nem queria se envolver em dramas adolescentes.

– Você já está indo? – Naruto perguntou.

– Sim, tenho coisas para fazer.

– E pra que lado você vai? Será que não rola uma carona?

– Não, não vai dá, estou com pressa...

– Ah, qual é? Vai ser um desvio rápido e...

– Mas você não vai se despedir da Hinata-sama? – Neji perguntou a Naruto.

– Não, eu vou voltar logo. Só quero ir em casa pro Ero-sannin parar de me encher. Depois eu fujo de novo, ela nem vai sentir minha falta. E então, Kakashi-sensei?!

– Não posso, Naruto!

– Tá tudo bem. – Sakura disse, sendo sensível o bastante para perceber a má vontade do socorrista. – Ino disse que vem para cá, você pode ir com o Sai depois.

– Ótimo! Assim você tem tempo para se despedir da sua namorada e eu posso ir embora em paz. – Kakashi disse voltando a andar em direção ao carro. – Estou mesmo ocupado agora!

O socorrista saiu com o carro vendo pelo retrovisor, Naruto acenar minimamente junto com Neji e Sakura. Eles notaram a falta de paciencia, e dai?! Não fazia diferente para ele...

Manobrou fazendo a curva e saiu pelo portão, deu algumas voltas pelo quarteirão e depois estacionou a beira de uma calçada qualquer. Descansou a cabeça no encosto do banco e tirou o cordão que tinha no pescoço encarando o pingente que o nome de seus falecidos amigos marcados.

Que diabos está fazendo Kakashi?! Primeiro se envolve nos problemas da Hinata e agora deixa essa mulher voltar a sua mente...?

Ele era tão bom em ficar neutro e ignorar os sentimentos, não entendia por que tinha que fraquejar em momentos assim. Bem, sempre fraquejava quando se tratava dela, já que ele era fraco demais para lutar contra o desejo de lembrar-se... Mesmo desejando esquecer-se de tudo e seguir com seus planos, as vezes, tudo que lhe restavam eram as lembranças, as únicas coisas que realmente te motivam e atrapalham.

Exatamente como aquela maldita mulher...

Naquele dia, ele estava usando seu smoking exageradamente caro, o cabelo cortado baixo e penteado de um jeito ridículo que odiava e sem sua mascara a qual já estava tão acostumado, Kakashi não teve problemas para entrar na residência dos Uchiha.

Apesar dos seguranças enormes que vigiavam os portões da residência sempre implicarem com ele por qualquer motivo, pelo menos hoje, as coisas foram tranquilas. Claro, depois de tanto entrar e sair desta casa nas ultimas semanas, o bom socorrista já passara a ser reconhecido.

E hoje era um dia importante de mais para prestarem atenção nele.

Após passar pelo jardim despercebido pelos outros convidados, entrou no salão olhando atentamente como os empregados trabalhavam em ritmo acelerando para atender aqueles ricaços entediados. Imagine que a cerimonia nem havia começado e já pareciam que estavam na festa de tao animada que estavam as coisas. Ele não entendia esse mundo.

Andou um pouco perdido pelo lugar, já havia estado ali inúmeras vezes obviamente, mas sempre se deteve a ficar na sala de jogos, na piscina, ou na sala de estar, era a primeira vez que ele subia as escadas e passeava pela área mais reservada dos moradores da casa. Não sabia quais corredores levavam a qual lugar ou que quartos estava por trás daquelas portas, em dado momento pensou na ridícula hipótese de estar perdido em uma “casa”.

Foi então que os viu...

Obito estava sendo praticamente enxotado de um quarto com portas duplas por uma mulher de cabelos escuros cumpridos enrolados em um coque que combinava de uma maneira instigante com o vestido longo tomara-que-caia que usava. Como homem, Kakashi não pode deixar de reparar como seus seios ficavam “valorizados” neste modelo.

Ele já a tinha visto varias vezes nos últimos meses, mas nunca se falaram, nem foram devidamente apresentados e, por mais que tentasse, não conseguia lembrar qual era o seu nome. Era uma das madrinhas, outra pessoa rica de nariz em pé com certeza, entretanto ela parecia ser uma amiga bem próxima de Rin, pelo menos foi quem mais a ajudou em todos os preparativos para este dia.

Kakashi parou quieto observando a discussão sem que eles percebessem.

– Não adianta, Obito! O noivo não pode ver a noiva antes da cerimonia. Essa é a regra máxima de casamentos.

– Deixa de ser chata! Eu só quero falar com ela um pouquinho. É importante!

– Sabe, insegurança não é típico de você.

– Insegurança não é típico dos Uchiha. – Ele deu um sorriso. – Obedecer aos outros também não.

Ele foi andando em direção a porta dupla, mas a mulher voltou a ficar no seu caminho, tentou desviar para a esquerda e ela novamente seguiu o movimento para impedir passagem.

– Ah... – Bufou desistindo.

– Escuta, ela também esta nervosa, mas quando chegar a hora e vocês se olharem no altar isso passa e tudo volta a fazer sentido. Confie em mim, já passei por isso.

– Ei, não compare meu futuro perfeito com seu casamento de merda. – Obito disse cruzando os braços enquanto se escorava na parede, enquanto a mulher arqueava as sobrancelhas, então ele riu baixo dando os ombros. – Sem ofensa.

Kakashi sempre soube o quanto Obito era impulsivo, falando demais e agindo com atos impensados que conquistava inimizades facilmente, na verdade, eram poucas as pessoas que conseguiam aturar sua arrogância prepotente e sua sinceridade inveterada.

Esta mulher por outro lado, apesar do que ele acabara de falar e da surpresa que ela demostrou a principio, agora sorria, sem guardar qualquer tipo de rancor as palavras dele.

– Você não é nada sutil, não sei o que a Rin viu em você. – Ela riu, falando irônica.

– Sou um pintor famoso, rico, charmoso, engraçado...

– Mal educado, teimoso, cabeça-oca, bajulador, egocêntrico... Por isso a garota esta pensando em desistir...

– Como é que é?!??! – O Uchiha falou desesperado, trocando olhares entre a porta dupla e a mulher a sua frente.

– “Sem ofensas ”. – Ela riu dando os ombros e falando no mesmo tom que ele falara antes, deixando claro que era um tipo de “troco” pelo que ele falara antes.

– Você é demoníaca... Como Hiashi aguenta você?!

– Do mesmo jeito que a Rin vai aturar você... O amor deixa as pessoas tolerantes.

– E doidas. – Ele acrescentou.

– Doidas, mas é isso que faz dar certo. Acredite em mim, será um lindo casamento... – Ela colocou uma mão no ombro dele.

– Eu estava errado, Hiashi tem sorte de ter você... A proposito, acho que ainda não o vi. Cadê ele?

– Onde mais?! Com Madara e Fugaku, falando de negócios.

– Como é?! Eles não deviam estar fazendo isso hoje, é o dia do meu casamento eu tenho que ser o centro das atenções, não a empresa.

– É a noiva tem que ser o centro das atenções, Obito. – Kakashi disse finalmente se aproximando e entrando na conversa.

– Kakashi, finalmente chegou. Esta atrasado, sabia.

– Rin ainda esta se arrumando, então estou no horário. – Kakashi revirou os olhos e depois sorriu para a mulher estendendo a mão para um cumprimento. – Sou Kakashi Hatake.

– Himiko Hyuuga... – Ela retribuiu

– Vocês ainda não se conheciam?! – Obito perguntou.

– Eu acho que já o vi andado por ai, mas não sabia quem era. – Himiko disse.

– Ah, é verdade. Kakashi não chegou na hora em nenhum dos ensaios de entrada...

– Imagine que problemão se eu chegasse em cima da hora hoje. – Ele disse retirando uma caixinha de veludo do bolso interno do paletó. – E com isso...

– Você conseguiu! – O Uchiha pegou a caixa abrindo e revelando as alianças, eram artesanalmente ornamentadas de ouro e prata.

– Obito, não me diga que deixou para arrumar as alianças hoje! – A Hyuuga o repreendeu.

– Claro que não. Eu sou precavido o bastante para ter um par reserva aqui no bolso. – E revirou os olhos, sem graça. – E outro par na gaveta do escritório, só para garantir... Mas essas daqui são especiais.

– Essas alianças pertenciam aos bisavos da Rin. – Kakashi explicou. – E eram passadas de geração em geração, mas em algum momento, a família dela teve que penhorar por problemas financeiros.

– Ah, ela já comentou comigo sobre isso.

– Foi uma verdadeira peregrinação para encontrar, mas vai ser uma bela surpresa pra ela, não acha?! – Obito ergueu um dos anéis a altura dos olhos.

– Então ela não sabe de nada? Agora estou impressionada.

– Impressiona-se com o Kakashi, eu só tive a ideia, foi ele que fez tudo. – Obito sorriu

– De alguma forma isso acabou indo parar em Kiri, por isso me atrasei.

– Um atraso justificável, é uma viagem bem demorada. – Ela sorriu para ele. – Então, você é um dos padrinhos também?!

– Não, eu...

– Que isso, Kakashi vai ser meu futuro sogro. – Obito disse rindo.

– Sogro?

– É brincadeira dele, só porque vou acompanhar a Rin ate o altar. Na falta dos pais dela, aqui estou eu.

– Olhem só, finalmente um amigo do Obito com um pouco de sensibilidade.

– Não. Eu apenas sou um pouco sozinho demais.

– Não se engane, Himiko. – O Uchiha disse. – Ele parece normal agora que esta arrumado, mas tem espirito de velho! Sério, você vai ver quando se conhecerem melhor!Ele é chato que nem o vovô.

– Não fale assim, Obito, eu adorava o vovô Uchiha.

– Nesse caso, espero que a gente se de bem também. – Kakashi disse.

– Sim, seremos bons amigos. – Ela sorriu.

Amigos...?!

Ele suspirou se forçando a despertar de suas lembranças, não era hora para isso! Nunca seria hora certa para lembrar-se dela e de todo o resto, tinha que se concentrar.

Será que ficar remoendo o passado assim eram sinais de estava perdendo o controle?! Não, só precisava mesmo de umas horas de sono ou talvez um pouco de café.

Olhou para o relógio do painel, descobrindo que faltava ainda umas dezenas de minutos para as sete da manhã. Pegou seu celular e discou o numero que conhecia de cabeça. Era cedo de mais para ligar para um amigo?!

– Alo?

– Kakashi? – Asuma perguntou sonolento, olhando para seu relógio. – Que merda, você viu que horas são?

– Vi sim... Imaginei que estaria acordado, pela sua voz, parece que acertei. – Ele foi irônico.

– Não brinque... O que você quer?

– Tenho novidades sobre a Akatsuki. Talvez você possa acabar com aqueles bandidos de uma vez por todas na próxima vez.

– Como assim? O que descobriu? – Asuma falou mais desperto.

– Ah, agora sim você acordou, não é?!

– É, acordei. Fala logo.

– Não, primeiro eu quero que me faça um favor.

– Favor?! Tá muito cedo para pedir favores... – Asuma disse e Kakashi manteve-se em silencio, então retificou. – Ótimo, o que é?!

– Eu quero dar uma boa olhada na ficha criminal do irmão do Hiashi... Hizashi Hyuuga.

– Hizashi?

– Você se lembra do caso dele?

– Tinha ouvido boatos, mas não era do meu departamento.

– Saiu em alguns jornais da época, mesmo com os Hyuugas tentando abafar a mídia... – Kakashi explicou. – Você pode conseguir acesso a esses arquivos?!

– Não tenho certeza, Kakashi. Vou ter que fazer umas ligações. O que você quer com isso afinal?!

– Nada de especial. Só fiquei intrigado com algo que reparei na mansão Hyuuga.

***

Naruto chegou em casa sem muita vontade, queria muito ter ficado mais com Hinata, mas com o padrinho ligado em seu celular a cada cinco minutos não o fazia se sentir a vontade, era melhor vir ve-lo e “arcar com as consequências” de desobedece-lo de uma vez, assim ficaria livre e de consciência limpa para voltar ate a garota depois.

O rapaz varreu a pequena sala de sua casa com os olhos e depois esticou o pescoço ate a cozinha constatando de que estava vazia e por um segundo desejou que Jiraya ter saído e pensou na possibilidade de não ir direto para seu quarto e ignorar o provável interrogatório que lhe faria. Poderia fingir que chegara em casa muito mais cedo e que era “inocente” de qualquer acusação.

Sonhar não custa nada...

– Ero-sannin... – O chamou de má vontade.

– Aqui no escritório! Venha cá, por favor.

Aquele tom de voz que ele usou o desanimou ainda mais, estava serio de mais para o bom velho tarado que era tão descontraído e compreensível. Será que ele viria com aquele papo de “ficar longe da Hyuuga” de novo?! Já estava ficando chato ouvi-lo falando de seus erros toda vez, principalmente depois da pequena discussão que tiveram antes dele sair atrás de Hinata.

Chegou ao escritório e encontrou Jiraya sentado a mesa, com os olhos fixos na tela do computador, revisando seu novo livro que já trabalhava a meses enquanto bebia algo. Porem quando Naruto passou pela porta, a passos lentos, o olhar severo dele o acertou deixando o rapaz um pouco mais nervoso do que o normal. Então ele apenas se sentou em frente ao padrinho e preparou seus ouvidos para mais uma bronca.

– Sabe que eu ouvi algo interessante no radio. Parece que houve uma “pequena confusão” na área da Akatsuki essa madrugada.

– Ah, é?!

– Não banque o espertinho, comece a falar.

– Foi o que o radio disse, “pequena confusão”.

Eles se encararam por um breve segundo, que para Naruto não foi tão breve assim. Então Jiraya apenas bufou e foi beber mais da bebida de seu copo.

– Ah, se sua mãe estivesse viva ela me mataria por permitir coisas assim...

– Foi você que me mandou para lá, lembra... E foi bom, eu encontrei a Hinata.

– Hum... Como esta a garota Hyuuga?

– Ela tá legal...

– Só “legal”?! Cadê aquele sorriso de bobo que você sempre faz quando fala da menina!? Aconteceu alguma coisa?

– Ah, não é nada. Nada mesmo, mas...

– Mas...?

– Ah, você sabe... É que o jeito que ela sumiu e como ela passou mal na escola... eu sei lá...

– Você esta preocupado... Acha que ela não tá tão bem quanto dizem?!

– É...

– Já sabemos que é bem a cara do Hiashi esconder as “falhas” de sua família, mas aquele primo dela é seu amigo, te contaria se tivesse algo errado, não é?

– É sim, acho que estou me preocupando atoa. – Naruto sorria enquanto falava, mas o olhar triste logo voltou quando se calou.

O velho escritor o observou com aquele olhar por um tempo, percebendo que o assunto dessa vez estava um pouco mais além da culpa que esteve corroendo o afilhado todo esse tempo. Naruto parecia preocupado com a Hinata de uma forma diferente da preocupação de “e se ela lembrar...”. A expressão que o rapaz tinha estampada era muito parecia com a que Minato sempre carregou desde que descobrira que Kushina não se salvaria de sua doença.

Claro que a situação em questão era diferente, mas ainda assim, Jiraya teve uma péssima sensação de déjà vu que lhe trouxe sentimentos ruins de seu passado.

– Ah, tudo bem... – Ele bufou. – Vou ajudar você.

– Me ajudar?! Mas é a Hinata que...

– Idiota, tudo o que se sabe sobre a Hinata esta no Hospital, diagnósticos, exames, essas coisas. E a Tsunade cuidou dela pessoalmente, então o que precisamos é ir falar com ela. – Explicou simples, mas logo Naruto reconheceu um sorriso pervertido surgindo nos lábios dele. – E como eu a conheço desde sempre, acho que sou o mais indicado para isso.

– Indicado?! Eu duvido que ela vá falar qualquer coisa com você.

– Eu tenho meus métodos de persuadir alguém. – Jiraya riu.

– Ah, você esta fazendo isso para me ajudar ou é só uma desculpa para ir ver a vovó Tsunade?!

– Eu não posso juntar o útil ao agradável?! Relaxa, vou lá a tarde e tento descobrir algo para você.

Naruto ainda o olhava desconfiado, era mais que obvio que seu padrinho nunca conseguiria informação nenhuma com Tsunade, porem ele ainda havia dito algo bem útil: o Hospital tem tudo que precisava saber sobre a situação da Hinata e ir ate lá seria a melhor chance de acabar com suas duvidas.

Notas finais
Juro que não estou enrolando vocês... Só quero deixar a todos um pouco mais "confusos" antes de revelar tudo. Estou conseguindo?! kkk Acho que demorei um pouco para colocar a Hanabi e a mãe da Hinata (que não sei o nome e tive que inventar aqui) efetivamente na historia, não é?! Porem achei esse momento adequado para isso. Quero saber o que vocês acharam delas =) E aqui podemos ver um pouco mais sobre Kakashi, não muito ainda, mas... Ele continua sendo um mistério total?! E para os shipper NaruHina (todos aqui, incluindo eu) estou preparando algo especial na historia para um futuro não muito distante (não digo se será bom ou ruim). Preparem seus corações... Enfim... espero que tenham gostado Ate o próximo capitulo