O Diário
23 Capitulo 23
Notas iniciais
23.
O dia estava um pouco abafado demais, quente demais, não chovia a semanas e o sol alto e forte castigava a cidade de uma maneira estranha para essa época do ano.
Sabe, aquela conhecida calmaria antes do diluvio?! Sinto que estamos presos nela agora mesmo...
Não, não me reviro somente ao tempo úmido e das nuvens pesadas no horizonte mais distante, que brevemente anunciariam a grande tempestade que estava por vir. Mas também um outro tipo de tormenta que logo chegaria ate nós, mas forte, amedrontadora e destrutiva, pior do que qualquer desastre natural... Aquela que eu estava criando...
Uma folha seca da arvore a qual estava escorada caiu sobre o meu rosto e atrapalhou a visão do céu entre os galhos, que eu tanto observava, e isso me despertou dos pensamentos. Perdi a noção do tempo que fiquei escondida aqui, estava tendo cuidado para nenhum dos inspetores do colégio perceber que eu estava matando aula e esse era o lugar mais tranquilo no momento.
Eu tinha tanto a pensar e planejar... Não conseguiria por em palavras o quão cansada eu estava, cansada dessa vida e da dor que era viver desta forma.
Mas já estava acabando...
Depois de tanto sacrifício, finalmente tinha tudo que precisava e os últimos preparativos estavam ao meu alcance agora...
E com isso...Ergui a chave que estava presa a pulseira do meu pulso, era brilhante e tão pequena que quase parecia mesmo apenas um pingente, a deixei ali com medo de perdê-la caso tirasse do alcance dos meus olhos. Esteve ali presa a mim desde que consegui e não iria me descuidar, não ate ela servir ao seu proposito e abrir aquele cofre.
Sim, Hinata, estava acabando... Eu só precisava aguentar um pouco mais...
O sinal tocou e eu percebi que passei o dia inteiro embaixo dessa arvore, não assisti a nenhuma aula, não falei com ninguém e não fiz absolutamente nada nesse tempo...
Ninguém veio atrás de mim, isso foi o melhor. Não precisei fingir estar bem e manter aparências; ou inventar desculpas por estar distraída ou mal humorada; ou esconder meus ferimentos e as dores... Foi a primeira vez em muito tempo que eu fiquei completamente despreocupada... Eu quase me esqueci de como era essa sensação...
Não que alguém fosse sentir a minha falta, ninguém sentiu, aparentemente. E, ao contrario do que possa parecer, eu não me importo, pois também não senti a de ninguém hoje e provavelmente não sentirei quando for embora... Bem, talvez sim. Talvez haja alguém de quem eu vá sentir falta, mas ele fica melhor longe...
Me levantei preguiçosa vendo que eu precisava voltar a minha vida, coloquei meu casaco para esconder algumas de minhas manchas e pus minha mochila com cuidado nas costas. Não estava tão ruim quanto parecia, eu só estava sendo “cuidadosa demais”, como sempre.
A maioria dos alunos já parecia ter saído a essa altura, com um pouco de sorte eu passaria despercebida, se eu não atrair a atenção de ninguém seria como se eu nem tivesse vindo a escola.
– Então, você veio! – Sasuke apareceu na minha frente quando eu passei pelo portão, parecia que ele esperava escondido para me pagar de surpresa. – Te procurei por toda parte.
– Sasuke...
– O que você fez com o meu computador?!
– Ah... – Revirei os olhos. – Como assim?
– Para de bancar a sonsa! – Ele se aproximou mais um passo, agarrando meu braço. – Primeiro você vai na minha casa com aquela conversa de terminar nosso “noivado” assim de repente, depois percebo que meu PC foi apagado e meu pendrive backup sumiu?!
– Eu sou a única pessoa que pode ter armado contra você?! A única que tem acesso a sua casa?!
– Não me provoque!
– Eu não tenho nada haver com seu computador e não decidi terminar nada de repente! Você, melhor do que ninguém, deve saber.
– Vadia! Nós temos um trato! Você não pode parar tudo agora!
– Claro que eu posso!
– Hyuuga e Uchiha juntos, esse era o plano. – Ele disse. – Não funciona de outro jeito.
– Eu tenho o meu próprio plano agora.
Só agora percebi algumas pessoas se acumularem em volta. Eram apenas alguns alunos e pessoas que passavam pela rua, nenhum conhecido ainda, mas as noticias correm rápido, sei que logo alguém apareceria. Eu tinha que resolver isso agora.
– Você me usou!
– Você quer mesmo ter esse tipo de conversa aqui?! Na frente de todo mundo?!
– Se não falarmos agora, eu nunca mais vou ter a chance, não é?!
– Me larga. – Disse quando percebi o aperto em meu braço se fortificar, já sentia meu coração acelerando de nervosismo e raiva. – Sasuke, não vou mudar de ideia, não importa o que você faça ou diga.
– Você não tem noção do quanto eu ainda tenho para falar.
Sasuke e eu nos encarávamos bem de perto agora, olho no olho. Nós não costumávamos discutir dessa forma, apesar dele não gostar quando as coisas não eram do jeito que queria, tudo do nosso pequeno “esquema” era resolvida na conversa e tentávamos chegar a um denominador comum quando discordávamos de algo. Mas agora era diferente, eu sabia que ele não cederia, não depois de termos avançado tanto, ainda mais com o que eu fiz todos os arquivos que ele reuniu.
Não haveria nada que eu pudesse falar para mudar, o olhar de ódio dele já dizia tudo, me mataria se tivesse chance, igual ao...
– Tira suas mãos dela!
Tudo aconteceu muito rápido, não tive qualquer chance de pensar em interferir ou me afastar, Ouvi a voz de Neji-niisan e então me dei conta do empurra-empurra que começou, só virei o rosto para tentar entender o que acontecia e foi quando senti algo me acertando e uma ardência dolorida invadiu o lado esquerdo da minha boca.
Eu já havia me acostumado a sentir dor, aprendi a conte-la e ignora-la, doma-la como um animal selvagem para que meu medo nunca se aproveitasse dela para me calar ou paralisar de novo. Eu, com meus últimos erros, descobri como conviver comigo mesma e usa-la como uma aliada, porque sentir dor era como perceber que ainda estava viva para seguir em frente e lutar, por mim e pelos outros.
Mas, é claro, isso não significava que eu era insensível, doía de verdade as vezes, apenas sabia acentuar melhor a minha raiva e revolta contra a pessoa certa e a dor se tornara um consolo que me impulsionava a odiá-lo ainda mais e seguir com meus planos. É irônico que eu tire minhas forças de algo que deveria me enfraquecer...
Eu quase podia ouvir a voz dele dizendo: “a vida trata de recompensar as pessoas com aquilo que merecem”.
Então eu devo ter merecido, assim como eu sempre mereço... Não é mesmo?!
Eu estou bem furiosa agora...
Levei a mão ao rosto para cobrir o local dolorido e ergui meus olhos para encarar os rapazes. Sasuke ainda parecia estar nervoso pela nossa discussão e Neji-niisan, com certeza alterado por qualquer porcaria que tenha injetado, a expressão dele estava horrivelmente feroz.
Não pude reparar quem foi que me acertou, mas não deve ter sido intencional, pois assim que se deram conta do que houve, me olharam como bobos culpados.
Os outros ao redor também estavam me encarando, paralisados por presenciarem aquela cena patética que foi o soco que levei por acidente. E o que eu menos queria aconteceu: eu virei o “centro das atenções”.
– O que deu em vocês??! – Sakura chegou correndo, empurrando pessoas em seu caminho e gritando com os dois, enquanto se aproximava de mim. – Hinata, você se machucou?!
– Não precisa me tocar... – Eu me distanciei da mão que ela estendeu sobre o meu rosto, a encarando com um olhar fixo. – Eu não quero a pena de ninguém.
Ela parou ao meu lado, sem saber como responder, e isso era bom, porque não queria saber de nada que ela tenha a me dizer agora. Depois de tudo que ela me disse e de como desdenhou do que eu já lhe contei, dando mais créditos as outras pessoas do que a mim... Não, Sakura podia acreditar ate no diabo se quisesse, não me importava mais, não agora que tudo já estava acabando e eu estava indo embora. Ela saberia a verdade, junto com todo mundo assim que isso acontecesse...
– Oh, parece que alguém ficou com raiva... – Sasuke disse com um sorriso sarcástico.
– Cala boca!! – Neji-niisan esbravejou. – Já basta o que você fez...
– Eu?! Foi você! Claro que você está tão pilhado que não deve nem ter percebido.
– Não... não foi...
– Sasuke, chega! – Me recompus, voltando a encarar o Uchiha seriamente.
Já não bastava estar manipulando a Sakura e jogando-a contra mim, agora fica brincando com a cabeça do meu primo e atingindo-o em seu lado mais vulnerável?!
Ele definitivamente fazia jus ao nome Uchiha, e a toda podridão de caráter que englobava essa família.
– Eu falei alguma mentira?! Você também notou, não é?! – Ele foi irônico, revirando os olhos antes de prosseguir. – Neji, aproveita que a Hinata ainda está meio tonta com o golpe e volta pro seu mundinho de “remédios”. Foi por isso que a acertou, não é?!
– Eu... vou matar você!
Neji avançou em Sasuke de novo e o Uchiha pareceu se preparar para acerta-lo, mas, felizmente, antes que os dois se atracassem, Shikamaru-kun e Naruto-kun entraram na roda, o loiro segurou-o enquanto o outro ficava no caminho do Sasuke para impedir que ele avançasse.
– Calma, Neji! – Naruto-kun o puxou para trás.
– Ele bateu na Hinata-sama! – Neji dizia feroz, enquanto tentava se soltar de Naruto. – Foi ele, não eu!
– Que? – Agora me encarou supreso, preocupado como sempre.
– Não foi nada. Foi um acidente.
– Mas o que esta havendo aqui?! – Sakura me encarou confusa e, procurando respostas. – Parece que todo mundo ficou maluco.
– Eu posso contar, Hinata?! Falar na frente de todos?! – Sasuke veio na minha direção. – Ou talvez você queira terminar nossa conversa em outro lugar.
Iria tentar me chantagear agora?! Queria revelar aos outros sobre os nossos planos?! Ele estava ficando desesperado para apostar tão alto. Como se eu fosse abaixar a cabeça por qualquer ameaça dele, não vai acontecer, principalmente quando eu já tinha tão pouco a perder.
– Vai em frente, faça o que quiser. Não importa mais...– Ao ouvir minhas palavras, seu olhar penetrante atingiu os meus e eu vi como estava surpreso por sua cartada final não ter dado certo. – Entende, não é?! De uma forma ou de outra, acabou...Os seus joguinhos e os meus... Acabam agora!
– Sua...
– Sasuke, se não tem mais nada a fazer aqui, então é melhor você ir. – Shikamaru disse.
Ele pareceu pensar por um instante antes de me encarar de novo.
– Não acabou... não ainda.
***
Hinata estava deitada na cama de olhos fechados, tão silenciosa que qualquer um pensaria que estivesse dormindo, se sentindo indisposta com um mal-estar súbito. Poderia ser por causa da chuva que enfrentou de madrugada, ou do estresse que foi escapar da Akatsuki quase ilesa, ou do turbilhão de lembranças que teve nesse meio tempo... Claro, poderia ser qualquer outra coisa também, não importava, tudo que entendia era que uma dor de cabeça enjoada passara a incomoda-la de um momento a outro.
Mesmo tentando disfarçar para receber bem alguns dos amigos que vieram vê-la de manhã, chegou um momento que não estava conseguindo mais prestar a atenção neles por tamanha exaustão e Neji, notando isso, os dispensou para que ela pudesse descansar. Hinata não queria ter passado uma imagem tão ruim de seu estado de saúde aos outros, era só uma dor de cabeça que passaria rapidamente se tomasse algum remédio, mas seu primo insistiu para que se recolhesse.
E aqui estava agora, isolada em seu quarto escuro... Não era realmente ruim estar sozinha, ruim era estar só com seus pensamentos perturbadores, medos bobos e lembranças descontroladas. Mas, no geral, ter tempo para pensar um pouco em si mesma era algo de que precisava para juntar as peças desse quebra-cabeça que descobrira durante esses dias e que não parou para junta-las ainda. Coisas como a relação que tinha com Sasuke, Sakura, Neji e Naruto a intrigava de uma maneira assustadora...
Ela deliberadamente se afastou de todos, por motivos que nem entendia, mas sabia que não era a primeira vez, agora pouco já se lembrara de como a solidão daquele dia lhe trouxe alivio. Naquele momento Hinata queria estar sozinha, parar de ser cobrada e questionada, queria paz... Não era o suficiente...
Ela amava Naruto, mas o mantinha longe; queria proteger Neji, mas não aguentava mais cuidar e encobrir o seu vicio; tinha raiva da Sakura, mas tentava avisa-la de “algo”, que não sabia o que era; E do Sasuke... tinha medo... Por que medo?
Isso era o que não se encaixava... Ele a odiava, obviamente, mas não era assim antes. Eles trabalhavam juntos, planejavam e iriam realmente se casar para poder concluir alguma artimanha maluca na empresa, como ele mesmo havia falado... Mas ela o enganou, traiu sua confiança e o roubou, armando seu próprio plano.
E por que?! Algo estava faltando, uma coisa que a impulsionava a fazer aquelas escolhas... Mas o que? Antes o tratava como um igual e hoje tinha medo de se quer estar próxima a ele...
Isso ainda não fazia sentido.
Leves batidas na porta tiraram sua linha de raciocínio...
– Hinata. – Ouviu a voz de seu pai chamando. – Neji me disse que não estava bem, então eu pensei em...
Ele fez uma pausa, não concluindo sua fala e, por algum motivo, a garota optou por não responder nada.
Sim, seu pai também estava nesta historia... Ficava tensa quando ele estava por perto, talvez ate mais do que quando era com o Sasuke. Mas não era medo em si, era um sentimento diferente, como um tipo de repulsa e raiva que era incapaz de dominar quando ele estava presente.
Eles brigavam e ela se sentia mal com isso, mas não conseguia mudar de atitude, a presença dele em si já trazia a tona essa reação. Ela queria evita-lo, mas não sabia o que minava esse sentimento.
– Esta acordada? – Percebeu a porta se abrir minimamente, por sorte estava de costas e só viu a sua sombra da projetada na parede pela luz do corredor, apreensiva, continuou fingindo que dormia. – Eu vou trabalhar em casa hoje, se precisar de alguma coisa eu estarei no escritório... O Neji e suas amigas também estão aqui, se quiser algo.
Ele ainda ficou parado lá mais algum tempo, talvez esperando uma resposta, mas depois saiu, fechando a porta com um pesado e perceptivo suspiro.
E Hinata continuara quieta e sem mover, não entendendo porque agia assim com o pai... Já havia recusado um abraço dele quando chegou aquela hora e não conversaram em nenhum momento depois daquela ultima briga e, estranhamente, achou isso bom, pois não se achava preparada confronta-lo ainda.
Hiashi e Sasuke... Eles eram as duas incógnitas que mais incomodavam sua vida agora e, por alguma razão, pensava que estavam ligados de uma forma a mais do que ela poderia imaginar e ela sabia que não ficaria tranquila ate descobrir como estariam relacionados...
***
Naruto conseguiu se esquivar da segurança do hospital e chegar ao escritório de Tsunade sem ser notado. Guiado pela ideia que teve de aproveitar o momento que a diretora saísse, por aceitar o convite de Jiraya para ir tomar um café, para poder entrar secretamente em sua sala e futicar os arquivos particulares dos pacientes.
Embora o intuito do padrinho fosse conseguir informações sobre a Hinata, Naruto duvidava muito que ele se lembraria disso quando estivesse de fato com a médica. Então achou que seu plano era muito bom e não desperdiçaria a oportunidade que o velho, sem saber, estava lhe dando.
O rapaz se perguntava se estava agindo feito louco por fazer isso. Sabia que arquivos médicos eram confidenciais e rouba-los além de ser uma invasão de privacidade também era contra lei. Mas, desde que pudesse ler com seus próprios olhos aqueles papeis que diriam que Hinata estava bem, não importava a encrenca que entraria se fosse descoberto depois. Pelo menos ficaria tranquilo.
Parou de andar quando viu a secretaria de Tsunade sentada em seu posto, ela transcrevia alguma coisa de um livro empoeirado para o computador e estava tão distraída que não o percebeu no primeiro momento, dando tempo para Naruto se esconder atrás da parede do corredor de onde veio.
Shiho era legal a maior parte do tempo, mas era extremamente obcecada por cumprir regras. Nas vezes que o rapaz foi pego tentando entrar no hospital escondido para ver Hinata, ela era quem mais dificultava as coisas e recusava seus motivos e explicações, mais ate do que a vovó Tsunade.
Tinha certeza de que se fosse pego, ela não pensaria duas vezes antes de chamar a segurança. Era estupido só ter lembrado dela agora que a viu, deveria ter armado alguma coisa antes.
Ele perdeu alguns minutos pensando em como passar pela secretaria sem ser visto e nenhuma ideia além de “se tornar invisível” lhe ocorreu, e como esse não era um plano viável, então não sabia como prosseguir.
Ate o telefone tocar.
Shiho atendeu dando uma breve explicação de que Tsunade teve que sair e cuidou do assunto que seja lá quem fosse ligando. Prestando atenção, Naruto pode perceber que haviam alguns problemas com o banco e que a secretaria não queria negociar com um atendente, mas com um superior, aparentemente esperava sua ligação a algum tempo. A ligação perdurou por alguns minutos e terminou com Shiho desligando grosseiramente, voltando ao seu livro logo depois.
Havia se esquecido do fato de que esse, além de ser um grande hospital particular, também era uma clinica de renome e um centro de pesquisas que servia de referencia. Fruto do trabalho da poderosa família Senju que, ironicamente, lucravam com a vida e a morte das pessoas.
Não que Naruto ligasse para esse tipo de coisa, diferente de quando era criança, agora ele entendia bem como coisas assim funcionavam. Se a própria vida humana era movida por dinheiro, por que aqueles que as salvam não seriam também?! Mesmo algo tão “humanitário” como um hospital estava à mercê desse poder capaz de mover o mundo.
Assim que percebeu que a secretaria desligara o telefone, o rapaz sorria por finalmente descobrir o que fazer. Se afastou um pouco mais, de volta para o corredor, para evitar de ser ouvido e pegou seu celular, agradecendo mentalmente por ter um modelo barato e antigo cheio de botões ao invés desses novos de toque na tela. Seu novo plano não funcionaria de outra forma.
Ligou para o numero comercial da grande “Doutora Tsunade Senju”, ouvindo o telefone próximo da secretaria tocar.
– Boa tarde. – Se aproveitou da sua voz rouca para falar baixo, forçando para que ficasse ainda mais grave. – Aqui é da parte do banco. Soube da sua reclamação e...
Naruto não concluiu a frase, apertando um dos botões do teclado do celular para fazer um som de bip constante, imitando o som de quando a linha é interrompia. Conseguiu ouvir uma reclamação alta da mulher e logo depois a ligação foi encerrada.
Riu um pouco e ligou de novo.
– Alo! – Shiho agora atendeu quase que imediatamente, porem o rapaz não falou nada dessa vez. – Alo?! Tem alguém ai?!
Então ele desligou e esperou um pouco antes de efetuar outra ligação.
– Alo?
– Boa tarde, sou um dos admini... – Naruto parou de falar no meio da frase, e voltou a imitar o som constante de telefone mudo, segurando um dos botões de seu celular.
Shiho ainda tentou falar algo antes da ligação cair, bufou pensando confusa sobre isso e então tirou novamente o fone do gancho, apertando um botão de seu aparelho.
– Olá, sou eu. Há algum problema na linha telefônica do hospital? – Ela perguntou há alguém do outro lado da linha. – Não?! Que estranho... Será que o problema é aqui, então?! – se perguntava confusa. – Não sei, eu estou esperando uma ligação importante. Poderia vir dar uma olhada?!
Ótimo, ela tinha chamado alguém para consertar o telefone?! Não era isso que Naruto queria! Onde estavam as mulheres independentes que resolviam os próprios problemas... Nem todo mundo era como a Hinata, aparentemente.
Seu tempo agora estava acabando e não podia esperar muito mais. Talvez sua ideia tenha sido uma “má ideia”.
Percebeu Shiho voltar a dar atenção para o computador, então, decidido, o rapaz quis tentar seu trote mais uma vez. Ligou e, sem falar nenhuma palavra, apertou um dos botões do celular para fazer novamente o barulho de antes e desligou, sem dar chance da mulher falar nada.
Se aproximou para observar a secretaria e viu quando ela se levantou, deu a volta na mesa e foi checar os fios da linha do telefone na parede ao lado, ficando de costas para o corredor, e para a porta da sala de Tsunade.
Ficou bobo quando viu que a primeira parte do plano foi bem sucedida, agora vinha o momento mais arriscado...
Foi andando cautelosamente em direção ao escritório para não ser ouvido, sabia que Shiho era meio cega, não surda, poderia perceber a qualquer momento se ouvisse algo suspeito. Assim que, silencioso, girou a maçaneta, percebeu a mulher se levantar e mais do que apressado entrou, antes de que ela se virasse.
Ficou parado uns segundos de costas para a porta, ate a ficha caísse e percebesse que tinha mesmo conseguido.
Depois olhou bem para sala a sua frente e correu ate a mesa, se jogou na cadeira e tirou o computador da tela de descanso, torcendo para que a vovó Tsunade não tenha colocado uma senha, ou algo parecido. Já tinha perdido tempo de mais com a secretaria quatro-olhos.
Foi sorte, muita sorte! Pela médica ter deixado um arquivo em aberto, a tela de proteção não foi ativada.
Parecia um tipo de programa de prontuários, onde listava uma ficha detalhada com foto frontal e de perfil dos pacientes, a pessoa em questão ali era um homem qualquer que Naruto não conhecia. O loiro, com um sorriso, logo foi tratando de identificar os comandos básicos para descobrir qual era o botão de pesquisa.
Assim que encontrou, digitou o nome Hyuuga, vendo aparecer a lista vários dos membros da família da garota que ele se quer sabia que existiam, mas não era surpresa que todos se tratassem ali, já que a amizade com a família Senju não era segredo para ninguém.
Naruto ignorou a todos os outros, buscando o único nome que lhe interessava, Hinata...
***
Sakura abriu a porta encontrando a garota sentada em frente ao computador.
– Ora, Hinata, eu que pensei que você tivesse vindo dormir.
– Eu também pensei. – A garota suspirou cansada.
– Hum, sei. Quer que eu volte outra hora?
– Não, pode ficar. Quer dizer, é só você?!
– É sim, o resto do pessoal já foi embora, sabe, a gente tá entrando em época de prova e todo mundo já esta acostumado com o jeito do Neji, então não tem problema.
– Eu não quis parecer mal agradecida saindo daquele jeito, mas é difícil me relacionar com todos vocês. Acho que a amnesia me fez esquecer como é ser “sociável” também, sinto muito.
– Não se preocupe com isso, todos entendem. Mas espero que não se importe, Ino e eu vamos ficar com você hoje.
– Mas e a escola?!
– Minhas medias são ótimas, não tem problema eu perder uma prova ou duas, você é mais importante. E a Ino... Ela queria mesmo uma desculpa para não fazer prova nenhuma...
– Onde ela está?
– Se distraiu na sala de jogos, ela é viciada naquele jogo de dança, mas logo ela percebe que a deixei sozinha e vem para cá.
– Não sei por que temos aquilo, eu realmente não imagino nenhum Hyuuga “dançando”.
– Além de você?! – Sakura se sentou na cama. – Neji não é tão ruim também, nas festas ele se solta, mas ainda precisa aprender a desamarrar aquela cara amassada dele.
Hinata riu tentando imaginar a cena de Neji dançando qualquer coisa com seu jeito emburrado, não, era algo realmente impossível que só daria para acreditar vendo.
Sakura sorriu também, observando-a de maneira atenta e com um olhar terno que não passou despercebido.
– O que foi? – Hinata perguntou.
– Nada, só estou feliz de você ter voltado, fiquei com medo de algo mais serio ter acont... – Sakura parou de falar e olhou mais de perto para a tela do computador. – São zumbis?!
– É sim... – Hinata disse simples, movendo o mouse que controlava a câmera do jogo, para que a amiga visualizasse os mortos vivos em volta. – Eu me lembrei da senha do meu computador e encontrei isso, Hanabi gostava de jogar.
– Ah, é a cara dela mesmo, aquela menina... Sabe, nossas mães trabalhavam juntas, nos conhecemos desde sempre, era divertido quando ela me trazia aqui. Vocês duas eram como minhas irmãzinhas. Hanabi era impossível.
– Imagino que sim...
– Você não se lembra de nada daquela época, não é?!
– É mais difícil lembrar de umas coisas do que de outras, mas, de qualquer forma, eu não tenho duvida quanto a sua amizade... – Hinata sorriu. – Eu sinto que você é uma boa amiga.
O sorriso que Sakura portava foi sumindo gradativamente, deixando seu semblante ser tomado por um ar entristecido. Ela esquivou-se do olhar da outra e, já sabendo que ela logo perceberia, resolveu falar explicar de uma vez:
– Nem sempre... Sabe, houve um tempo em que paramos de nos falar... – A garota esperou por um “por que” de Hinata, mas a pergunta foi substituída por uma simples afirmação.
– É, eu sei.
– Como você... Do que você se lembrou?
– Não muito, mas... Eu roubei o seu namorado, não é?! Brigamos por causa do Sasuke...
– Não, Sasuke e eu nunca tivemos nada...
Foi uma resposta automática, Hinata via que falar aquilo era doloroso para ela. Parecia que ela a havia ensaiado varias vezes para que saísse natural. A morena se identificava com isso, pois deveria ser igual ao que sentia no tempo em que negava seus sentimentos por Naruto.
– Quer dizer, nada que pudesse ser rotulado. – Sakura disse.
– Eu entendo.
O silencio momentâneo pairou enquanto as duas pensavam em como prosseguir com a conversa, estava claro, mesmo para Hinata que as coisas não foram fáceis no tempo que ficaram brigadas.
– Vi ele ontem... – Ambas se surpreenderam por ouvir a voz uma da outra, falando a mesma frase.
Encararam-se de forma receosa, Hinata ainda surpresa e Sakura estática e confusa.
– Como assim você o viu? – A morena perguntou sem jeito, vendo que Sakura se perdera em pensamentos.
– Ele também estava procurando você e nos encontramos por acaso, quer dizer, eu acho que foi coincidência... – Sakura explicou. – Mas e você? Eu pensei que o Naruto tinha te encontrado, o Sasuke...
– Não, foi antes de eu fugir. Meu pai me levou em um restaurante e ele estava lá. Deve ter sido por acaso...
– Ah, ele continua brincando com a gente... – Sakura bufou de jogando deitada na cama. – Aquele idiota...
Elas com certeza não são as primeiras melhores amigas a brigar por um garoto e embora os motivos de interesse de Hinata por Sasuke não seja os mesmo que atraíram Sakura, este ainda foi um momento constrangedor, principalmente porque a morena acabara de perceber algo que provavelmente incomodava a amiga, mas não sabia se era certo comentar.
– Vocês tiveram um caso? – Hinata perguntou simples. – Enquanto ele esteve comprometido comigo?!
– Eu... ah... – A garota perdeu a fala perante o que a amiga perguntou, encarando-a de boca aberta. – Hinata! Não diga...
– Tudo bem. – A Hyuuga a interrompeu. – Sasuke e eu nunca fomos um casal. Na verdade, ele me assusta. E me disse umas coisas confusas no restaurante que...
– Não acredite nele, Hinata! – Sakura disse de repente abandonando o constrangimento que a conversa causou para assumir uma postura séria. – Sasuke só quer manipular você. Ele espalhou boatos sobre você na escola... Sobre vender drogas...
– Que?! – Hinata parou estática processando o que acabara de ouvir.
Sakura ficou quieta por um instante, fazendo uma pausa necessária para criar coragem para prosseguir, agora que começou, não poderia adiar mais, Hinata merecia saber.
– Nós já estávamos brigadas na época e você estava agindo muito estranho, mesmo assim eu não quis acreditar no que ele me disse... Quer dizer, você metida com drogas, era impossível não era...
– Mas você acreditou, em algum momento...
– Depois que Sasuke me levou a um lugar e me mostrou você conversando com um cara estranho, me mostrou a fixa dele, era um traficante e, com certeza, parecia que vocês estavam negociando. Sasuke manipulou a verdade só para me convencer a ajuda-lo.
– Mas não era eu quem vendia drogas...
– Era o Neji, eu sei disso hoje... Mas não sabia naquela época e Sasuke me enganou para conseguir algo que queria...
– E o que é?!
– Ele disse que se eu roubasse um pen-drive que estava com você, nós poderíamos te parar antes que se machucasse ou se metesse com a polícia.
– Pen-drive?! – Hinata ficou pensativa.
– No dia em que tentei mexer nas suas coisas, você me viu. Foi dias antes do seu acidente, você me avisou sobre o Sasuke... Disse que ele estava me usando e que vocês já tinham marcado a data do casamento, mas eu não acreditei, ainda estava com tanta raiva.
– Eu me lembro... – Hinata disse pensativa. – Eu lembro disso, você veio ate aqui, nós brigamos e... Eu terminei com Sasuke.
– E no dia seguinte ele foi tirar satisfações nos portões da escola e vocês discutiram na frente de todos.
– É...
– Você estava furiosa, nunca te vi com aquele olhar, parecia que você me odiava de verdade. Confesso que fiquei com medo por um segundo...
Hinata permaneceu pensativa enquanto Sakura continuava.
– Foi ali que eu vi como as coisas eram, estava claro que você não queria ter nada haver com o Sasuke. Logo depois eu descobri que Neji era quem estava com problemas e vi como estava sendo manipulada.
– Você entregou o pen-drive para o Sasuke?!
– Não, você não tinha nenhum ou, pelo menos, eu não achei. Na verdade é disso que ele está atrás, e por isso fica te perseguindo. Eu não entendo o que pode ter de tão importante ali. Você não se lembra de nada mesmo?
Hinata suspirou esfregando as têmporas com as pontas dos dedos.
– Eu me lembro de muita coisa que não faz sentido...
***
Entrando no arquivo, ele pouco entendia a linguagem médica e não sabia da metade dos termos usados nos títulos, mas sabia que aquilo era o que procurava e clicou para imprimir. Poderia pesquisar na internet depois ou pedir alguma dica para Sakura, ela com certeza saberia bem mais do que ele sobre isso.
Uma a uma as folhas foram saindo da maquina ao lado. O tempo foi passando e Naruto foi percebendo quantas eram, nem de longe imaginou como o arquivo de Hinata era enorme, mas talvez fosse pelos meses que ficara internada em coma. Ele não sabia como as informações eram distribuídas ali.
Pegou os papeis impressos, sorridente, folhando brevemente pra ver que estava tudo ali. Se encaminhou para a porta e foi quando ouviu a voz de Tsunade e se desesperou.
Ele não demorou tanto assim para ela estar de volta! Como ela estava aqui tão cedo?! Jiraya não conseguiu distrai-la?!
Agora tinha poucos segundos para pensar em onde se esconder, mas não havia muitas opções lugar disponível naquela sala: Em baixo da mesa; atrás das cortinas;
Mesa...? cortina...? Ah, eram duas ideias idiotas!
Ia ser cortina!
Correu para a janela mais distante da mesa da médica. Sabendo que, se ficasse de pé, a luz que vinha de fora destacaria sua silhueta e poderia ser facilmente percebido, decidiu se sentar no chão, jogando o tecido longo por cima de seu corpo e cobrindo-se quase que completamente.
Ficou o mais paralisado possível, tentando não tremer enquanto o nervosismo fazia com que amassasse as folhas que estavam em suas mãos.
Então ouviu a porta se abrindo e conseguiu perceber Tsunade entrando acompanhada de uma outra pessoa, notando através do tecido que era uma mulher e ainda sendo possível ouvir a voz de Shiho reclamando do telefone e do banco do lado de fora, percebeu que significava que quem estava com Tsunade era outra, esperou que falasse para tentar reconhecer.
– Não precisa se estressar tanto com isso, Shiho. Eu mesmo conversarei com o gerente mais tarde. – Tsunade disse para a secretaria enquanto fechava a porta e depois voltou-se para sua acompanhante rindo um pouco. – Essa menina exagera demais.
– A senhora é muito exigente, Tsunade-sama, ela só esta agindo de acordo. – Naruto ouviu uma voz familiar e sem ter muita certeza, pensou que poderia ser Kurenai.
Falavam normalmente então sua presença não fora percebida ainda, isso deixava o rapaz mais aliviado para prestar atenção no que diziam.
– Alias, queria me desculpar por ter atrapalhado seu encontro. Como a senhora me chamou com urgência, não pensei que estaria com alguém.
Então era isso. Kurenai atrapalhou o encontro de distração, por isso Tsunade havia voltado tão rápido. Pobre do Ero-sannin, com certeza teve seus planos cancelados.
– Não diga besteiras, era só um amigo querendo jogar conversa fora. Foi bom ter vindo tão rápido. Hiashi entrou em contato com você?
– Sim, já tive a chance de conversar um pouco com a Hinata e consegui tirar algumas conclusões interessantes. Além disso, ele me ligou hoje de manhã, a menina fugiu depois de uma briga e ele queria conselhos de como lidar com isso.
– Ele me ligou também, fui eu que mandei que te procurasse. Ele se preocupa, mas é um idiota que não sabe o que faz.
– Ele esta se empenhando, já ate marcou uma outra consulta para Hinata.
Consulta?! Naruto não sabia que Hinata estava mesmo se consultando com uma psiquiatra. Bem, Kakashi-sensei já havia dito que uma das especialidades de Kurenai era a recuperação de memorias, então fazia sentido.
– Como estão os seus avanços ate agora?! – Tsuanade perguntou.
– Ela ainda esta se fazendo de difícil. É muito fechada e teimosa, não sei quanto tempo pode levara para quebrar seu “casulo”.
– Ela é uma Hyuuga, não será fácil, mesmo com Hiashi, você terá problemas. Ele não sabe lidar com a filha.
– E que pai sabe realmente “lidar” com uma adolescente?!
As duas riram um pouco e Naruto se esforçou para não rir também, ate que seria bom ouvir sobre alguns defeitos de Hiashi, não gostava nada dele com aquela pose toda de orgulho. Saber de alguns podres dele poderia ser útil para uma futura discussão.
– Já falou com o Kakashi?! Ele descobriu coisas interessantes essa noite.
– Não, mas já mandei chama-lo. Você pode me adiantar alguma coisa?!
– Neji é um usuário de drogas... – Kurenai disse simples e sem rodeios conquistando total atenção de Tsunade. – Provavelmente, a agressão que aquele motorista presenciou foi uma das crises dele enquanto discutia com Hinata.
– Então ele é culpado? As drogas poderiam...
– Não, eu não acredito. – Kurenai a interrompeu, explicando. – Hinata esteve ajudando o primo a vencer o vicio, ela ocultou a situação e o manteve sobre seu cuidado. Na verdade, depois que Kakashi me ligou, eu pesquisei em alguns grupos de apoio que tenho contato. Essas informações geralmente são sigilosas, mas descobri que Neji tem ido semanalmente aos narcóticos anônimos. Ele esta limpo a 8 meses.
– E só por ele ter se reabilitado isso descarta a possibilidade de ser ele o agressor?!
– Não, mas o fato da Hinata querer ajuda-lo e se expor por ele descarta essa possibilidade. Uma vitima geralmente despreza seu agressor, ao ponto de lhe desejar sempre o pior. Acredito que seria psicologicamente impossível para uma vitima se sacrificar tanto por alguém que odeia.
– Faz sentido.
– Claro que ainda precisarei conversar com ela e Neji na próxima sessão. Só vendo o relacionamento deles conseguirei confirmar.
– Isso nos deixa sem muitos suspeitos restantes... Poderia ser qualquer um... Não há nada que possa fazer?!
– Tsunade-sama, eu já disse, é difícil conquistar a confiança de uma vitima de abusos, esse processo leva tempo e piora ainda mais quando os traumas também envolvem abuso sexual.
– E, além de tudo, Hinata ainda tem esse bloqueio de memoria...
Tsunade se encostou em sua cadeira e olhou para a tela do computador, percebendo que o arquivo aberto era o de Hinata e não o outro paciente que examinara antes de sair.
– Alguém mexeu no meu computador?! – Se perguntou e foi quando viu Naruto sair lentamente de seu esconderijo.
– Isso é... – O loiro estava tão congelado pela surpresa que sua voz havia saído em um sussurro travado na garganta, sem nenhuma sonoridade.
Olhava fixamente para as mulheres que aos poucos perceberam sua presença. com as palavras que ele ouviu girando em sua mente, sem conseguir conecta-las em um sentido literal a quem os termos eram empregados: Hinata.
Agressor?! Traumas?! Abusos sexuais?! Não poderia estar certo...
Era algum tipo de engano ou brincadeira... Elas descobriram que ele estava escondido e quiseram pregar uma peça dele, era isso não era?! Tinha que ser...
Não fazia sentido de outro jeito...
– Naruto! O que faz na minha sala?! – Tsunade perguntou parecendo zangada, mas era só a forma dela de esconder sua surpresa com a presença do rapaz.
Ele não respondeu, balançando a cabeça de um lado para outro, tentando clarear seus pensamentos e logo começou a sentir lagrimas arderem em seus olhos.
– Não adianta disfarçar... Ele ouviu tudo. – Kurenai disse a Tsunade calmamente.
– Naruto...
– Não entendo. – Tentava falar ainda desnorteado. – O que vocês disseram... Eu não...
As folhas da ficha de Hinata que ele imprimiu estavam totalmente deformadas enquanto presas em suas mãos tremulas e ele cravou os dentes tentando manter alguma ordem em sua cabeça que, finalmente, conseguiu uma conclusão disso tudo.
Gradualmente com seu olhar ganhando um tom alvo de dor, ódio e fúria, quando um único grito lhe escapou entre os dentes:
– Que PORRA é essa!!!
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