O Diabo veste terno
24 O voo
Notas iniciais
POV Bella
O fim de semana passou voando, com a viajem se aproximando, haviam muitas coisas na revista que precisariam ser adiantadas, e é claro que com isso o trabalho estava uma loucura.
Contei para Rosalie sobre Paris naquela mesma noite. Eu não contei antes, por que eu não tinha certeza de como as coisas ficariam.
— Uau Bella, Paris!— Ela disse animada. — E deixa ver se entendi direito: a Ex-mulher dele também vai no pacote?
Ri de sua reação.
Se bem que eu também fiquei um pouco confusa, quando Edward me deu essa notícia. – Era no mínimo estranho. — E ele pareceu não gostar muito de falar sobre o assunto.
— Sim. – Disse. – Vai ser realmente muito interessante.
Bem, ao menos desta vez Alice iria também, então acho que eu poderia me sentir mais aliviada.
Logo na segunda, recebemos várias encomendas, eu não parava de entrar e sair daquele prédio, e Edward continuava com seu humor inconstante.
Na terça, Edward fez mais uma reunião com seu pessoal, desta vez tentei prestar mais atenção, me atentando a todos os detalhes.
Na quinta feira, eu estava saindo do meu prédio a caminho da Runway, quando uma leve batida na porta do carro, fez com que eu pulasse de meu assento.
Jacob.
Ele estava parado, encostado em um sedã preto.
— O que você...? – Disse surpresa.
Eu não o via desde aquela manhã.
— Soube que vai para Paris. – Ele disse.
— Soube? – Disse levantando uma sobrancelha.
Eu não havia comentado isso com mais ninguém a não ser com Rose, minha mãe, Charlie...
— Bem, sim. – Ele hesitou. — Sabe, nossos pais continuam amigos, e seu pai comentou com o meu, sabe como é...
— Ah sei. – Disse seca.
Precisava dar um lembrete ao meu pai de parar de transmitir notícias minhas através de Billy, para que depois ele transmitissem a Jacob.
Vi que ele ainda me encarava.
— Você parece bem. – Ele disse com um tom quase acusatório.
— Voce também. – Joguei para ele no mesmo tom.
— Ainda está dormindo com seu chefe? – O sarcasmo reverberou de seus lábios. — Ah, não espere, aposto que Paris foi alguma promoção, não é?
Senti meu sangue ferver.
Como ele era idiota!
Como se atrevia a insinuar algo tão absurdo?
— Você é patético Jacob! – Disse transmitindo um olhar de fúria em sua direção.
Ele pareceu indiferente.
— Sabe, uma hora você vai perceber que ele só está interessado no seu corpo e não em você. – Ele jogou. — Esse tipo de pessoa só gosta de usar as pessoas. Nunca poderá te amar como eu. Eu sei que não.
Um nó se formou na minha garganta que eu não consegui engolir.
— Me deixe em paz Jacob! – Disse olhando para a frente, não queria encara-lo, então apenas girei a chave, para sair de perto dele.
(...)
Durante o trajeto tentei evitar pensar nas palavras de Jacob. – Sem sucesso.
O que mais me incomodava, era o quanto aquelas palavras me atingiam.
Era como se de alguma forma eu quisesse provar o contrário. Quero dizer, é claro que Edward não me amava. Por que amaria? Ri de repente com certa amargura.
Quem era eu na fila do pão?
E se ele estava interessado em mim apenas para me levar para a cama e não porque ele me amava, por que eu deveria me incomodar?
Por que de repente me incomodava pensar o quanto isso me incomodava?
Ah!
Por que Jacob tinha que aparecer para me perturbar?!
(...)
Aproveitei meu último final de semana com Rosalie e Emmett, saímos para jantar, e depois Emmett nos levou em um lugar novo, para jogarmos Boliche. – Bem, na verdade assistir, por que na maior parte do jogo foi o que eu fiz, fiquei assistindo os dois competirem. Foi muito divertido.
Eles eram extremamente competitivos. Mas no fim Emmett conseguiu vencer Rosalie com dois “strikes” de vantagem.
Eles prometeram uma revanche para quando eu voltasse de viagem.
Na segunda eu estava me sentindo ansiosa. Sexta-feira seria a tão esperada viajem, e eu mal podia esperar.
Victória já estava em seu lugar, conversando com alguém em sua mesa, e eu estava carregando os cafés.
Acabou que nossa agenda de compromissos estava tão lotada, que nós duas precisamos sair para buscar encomendas, em diferentes lugares.
Quando já era final de tarde, Victória havia chegado com a ultima encomenda do dia, e ela parecia estranha, quase em um tom verde.
Quando pensei em perguntar se ela estava bem, ela vomitou no chão, ao lado de sua mesa.
Urgh!
Quarta-feira eu estava me sentindo eufórica. Faltavam apenas dois dias para a Viagem, e eu estava de bom humor. Nem o pequeno engarrafamento matinal, ou a gigantesca fila da Starbucks, conseguiu me irritar.
Estacionei o carro na vaga de sempre, e peguei o elevador.
Quando cheguei no meu andar, notei que Victória ainda não havia chegado, o que era estranho, por que teríamos uma reunião dentro de dez minutos.
Eu havia acabado de me sentar, quando o celular em minha bolsa vibrou.
— Alô?
— Isabella?— Ouvi uma tosse com catarro do outro lado da linha.
— Victória? – Disse confusa. — Onde você está?
Olhei para o relógio.
Eram quase 7 horas.
— Em casa. – Ela respondeu.
Será que eu tinha ouvido direito?
— Em casa?
— Sim, Isabella. – Ela respondeu com um tom irritado. — Estou com mononucleose. — Escutei ela abafar outra tosse. – Não vou poder mais viajar a Paris.
— O quê?! – Disse chocada.
— Você me ouviu, merda!— Ela xingou. — Não posso ir. O médico ligou me hoje com o resultado do exame de sangue, é mononucleose infecciosa, e não posso sair de casa durante as próximas três semanas.
Três semanas!
Ela não podia estar falando sério.
Ela parecia estar melhor ontem.
Não estava na hora de ela ficar doente.
Não depois de eu ter acabado de vencer uma longa discussão com Edward, para agora ela me dizer que não ia a Paris.
Inacreditável!
— Você já ligou para avisar? – Perguntei.
Ela deu um longo suspiro.
— Ah, sim, a essa altura imagino que O Sr. Cullen já saiba. — Ela disse amargamente.
— Sinto muito, Victória. – Disse.
— Ah, cale a boca! — Ela falou com a voz rouca entre acessos de tosse, irritada. — Você não precisou esperar por tanto tempo. É a pessoa mais sortuda do mundo, droga. – Ela resmungou do outro lado da Linha.
— Victória... – Eu disse.
— Sabe, Isabella, esperei dois anos por isso. Dois anos por essa viagem, dois anos inteiros fazendo dietas, aguentando desaforos. Aguentei tudo, por que eu sonhava com que esse dia chegasse, e agora...— Ela riu sem humor. — Eu estou doente e não posso ir. A ironia disso é dolorosa.— Ela suspirou.
Fiquei com pena de Victória.
Eu sabia o quanto ela queria ir nessa viajem.
Ela merecia ir nessa viajem, não eu.
— Você acha que dá conta de tudo isso? Quero dizer, não será como o trabalho na Runway.
— É claro. – Disse. – Não se preocupe, eu consigo lidar com a agenda dele.
— Ah, pelo amor de Deus Isabella, não é com isso que eu estou preocupada! – Ela disse irritada. — Você vai ter que lidar com a imprensa, entrevistas, reuniões... Ah Isabella, você não faz ideia, não é?— Ela disse exaltada. – Eu sei que não deveria fazer isso, e nem me pergunte por que.— Ela fez uma pausa, tossindo novamente. — Mas eu vou te mandar tudo em anexo a agenda dele, com todos os cronogramas. Eu já tinha tudo preparado, e já que eu não vou...
Ela ia me ajudar?
— Muito obrigada Victória. – Disse aliviada. — Sério, você não precisa, eu sei, mas mesmo assim eu agradeço.
— Não se esqueça de mim quando estiver em paris. – Ela disse. – Meu manequim é 36. – Então ela desligou.
Ri.
Essa foi de longe a melhor conversa que tive com ela depois de todo esse tempo.
(...)
Era quinta-feira, véspera da viajem a Paris, e eu estava me sentindo muito ansiosa. Eu sabia que não estava indo a férias, era a trabalho, é claro, mas mesmo assim, era Paris, e eu mal podia esperar pelo dia seguinte.
Chequei novamente as listas que Alice havia me passado no dia anterior, minha passagem, e os anexos que Victória havia me enviado por e-mail. Como a passagem de Victória já havia sido comprada, e ela não ia, ela resolver levar Kate para ajuda-la. Achei justo, já que ela não ia poder ir mesmo...
Comprei alguns livros sobre viagens internacionais, um dicionário em Frances – Por que no mínimo eu iria precisar saber o que era sal e açúcar, e também seria de muita utilidade saber a palavra “banheiro” enquanto estivesse lá.
Então era oficialmente meu ultimo dia na Runway antes dessa viagem. – Não que eu não fosse trabalhar lá, mas eu sabia que seria um trabalho totalmente diferente.
Quando cheguei, novamente vi a mesa de Victória vazia, e fiquei triste por ela. Aposto como ela estaria entusiasmada, e possivelmente de bom humor com a viagem que se seguiria no dia seguinte.
Imprimi a agenda de Edward, e estava indo para sua sala, deixar os cafés, e sua agenda, quando fui surpreendida por alguém que estava parado igual um poste quando abri a porta.
Tanya.
A surpresa foi tanta que eu tropecei sem querer em meus pés, e derrubei os cafés em cima dela.
Ops.
A mulher deu um grito. – Um tanto exagerado, na minha opinião. – Que fez com que várias cabeças curiosas olhassem para a porta aberta.
— SUA IDIOTA! – Ela gritou.— VOCE É CEGA? POR QUE NÃO BATE NA PORTA ANTES DE ABRIR?! VOCE DEVERIA SER DEMITIDA, SE FOSSE UMA FUNCIONÁRIA MINHA ESTARIA NA RUA! MAS COMO...
— Ela não é. – Um tom de voz frio atrás de mim completou a frase. De repente me senti em “Harry Potter e a câmara secreta”, quando o Snape começa a dar um sermão no Harry e no Rony, e do nada o Dumbledore aparece. – O que você pensa que está fazendo na minha sala, gritando com minha assistente?! – Edward disse irritado. – Alias, o que você está fazendo aqui Tanya?
Senti um imenso alivio por ele ter chegado.
— Sua assistente incompetente, você viu o que ela fez! – Ela disse apontando o dedo com suas unhas postiças gigantes em minha direção. — Ela derramou todo café em cima do meu Chanel...
Edward pareceu esconder um sorriso.
Tentei me explicar.
— Eu sinto muito, eu não sabia, eu não imaginei que...
— Não. – Edward me interrompeu. – Você não tem que explicar nada.
— O quê?! – Tanya pareceu indignada.
— Para começar Tanya, você não deveria estar aqui, nem entrar em minha sala sem a minha permissão. A não ser que você seja Alice, Isabella, ou qualquer outro funcionário que trabalhe para mim, ninguém mais entra em minha sala, entendeu?
— Mas eu...
— Agora, se me der licença, eu preciso conversar com minha assistente.
— E meu vestido?
Edward revirou os olhos.
— Ah pelo amor de deus, vá ver com Alice se ela arranja algo para você vestir!
Ela saiu da sala, pegando sua bolsa da cadeira. – E não era qualquer bolsa, era uma Prada. – E saiu marchando, mas antes me fuzilou com um olhar de gato escaldado.
Quando ela saiu, eu me virei para ele.
— Eu sinto muito mesmo Sr. Cullen. – Disse. – Eu me assustei, e...
Então antes que eu pudesse completar a frase, Edward caiu na gargalhada, e por um momento, eu não pude evitar de me juntar a ele.
(...)
O motorista da Runway me aguardava lá em baixo.
Nem dava para acreditar que seria hoje.
Havia conversado com meus pais mais cedo, e Rose, e ambos me desejaram “boa viagem”.
Carreguei minhas malas. – Duas não muito grandes. – E desci.
Edward e Alice já estavam no carro, me aguardando.
Então me dei conta de que não era o carro que usávamos na Runway, era um maior, um Mitsubishi Outlander preto, com sete lugares, o porta malas era gigante. Deduzi que das cinco malas que já estavam posicionadas, pelo menos três deveriam ser só da Alice.
Alice manteve uma conversa animada durante o trajeto para o aeroporto, falando dos lugares que passariam os desfiles, em como havia sido a viagem dos anos anteriores. Edward parecia animado, mas tinha uma expressão, como se algo o estivesse incomodando.
Não muito tempo depois, Tyler parou o carro na entrada do Aeroporto Internacional John F, e pegamos um carrinho para colocar nossas malas.
(...)
Fizemos o check-in, e aguardávamos pelo número de nosso voo ser anunciado pelos alto falantes.
O aeroporto estava abarrotado de gente, muitas pessoas chegando de viagens, e muitos indo viajar.
Eu estava tão empolgada.
Seria meu primeiro voo internacional, eu não via a hora de entrarmos no avião.
Olhei para o relógio.
Nosso voo era 08:30. Ainda tínhamos uns 45 minutos até o embarque.
Então olhei mais uma vez para minha passagem, fizera muito isso durante essa semana. Então pela primeira vez, olhei para o número de minha poltrona:
B3, classe executiva. Então sorri.
Ele havia se lembrado que eu gostava de me sentar na janela.
(...)
— Vocês querem comer alguma coisa? Ainda temos tempo. – Alice falou.
— Não. – Disse a ela.
Sempre que eu ficava muito ansiosa, eu não conseguia comer.
— Edward? – Alice perguntou.
— Quero um café.
— Eu já volto! – Ela disse saltitante, indo em direção as praças de alimentação do aeroporto.
Fiquei mexendo distraidamente no fecho do meu relógio.
— Está ansiosa pela viagem? – Edward perguntou, se aproximando de onde eu estava sentada.
—Claro. — Sorri. — Finalmente vou conseguir entender por que esses escritores gostam tanto de usar o cenário de Paris em suas histórias. – Jojo Moyes, Loretta Chase...- Quero dizer, parece que há algo mágico em Paris.
Edward riu.
— Sabe, eu acho que tem mesmo. – Ele disse olhando para a frente, com um olhar distraído. — Já fui diversas vezes lá, mas sempre parece que é a primeira vez. Como se essa... magia, como você mencionou, nunca pudesse acabar. – Então ele olhou para mim. — Mas você verá isso por conta própria, e depois vai poder me dizer se eles tinham ou não razão. -Então ele piscou.
— EDWARD QUERIDO!— Ouvimos uma voz de longe.
Tanya.
— Inferno. – Ouvi Edward xingar baixo.
Dessa vez eu também estava xingando. -Por dentro.
Tanya estava arrastando um carrinho abarrotado de malas cor de rosa, vindo em nossa direção.
— Estava te procurando! – Ela sorriu exibindo dentes brancos perfeitos. Então me lançou um olhar de desdém.
Acho que alguém aqui ainda estava ressentida comigo...
— O avião ainda não saiu Tanya, então é claro que estou aqui. – Edward disse com uma voz monótona.
— Claro. – Ela deu um sorrisinho falso. – Onde está Alice?
— Foi comprar café. – Dessa vez, eu respondi.
Ela fechou a cara para mim.
Então, depois de algum tempo em silencio, finalmente Alice retornou trazendo o café de Edward.
Eu estava quieta, depois que Tanya havia chegado, ela havia acabado com qualquer chance de eu querer começar algum assunto.
Finalmente os alto-falantes anunciaram o nosso voo:
— VOO PARA PARIS, PORTÃO DE EMBARQUE 302.
— Vamos –Alice anunciou.
(...)
— Que número é seu assento? – De repente Tanya perguntou a Edward.
— Hmmm. – Ele olhou distraído. B4. – Ele disse.
Ela franziu a testa, parecia irritada.
— E qual o número de seu assento? – Dessa vez ela se dirigiu a mim.
— B3.
Ela apertou os olhos irritada.
— Alguém pode me explicar por que o meu assento é F1?!
— Tanya, não posso fazer nada, você deu sorte de conseguir um lugar na classe executiva. – Edward disse com um tom de voz neutro.
— E você Alice? Você vai se sentar com quem?
— Com Kate, ela deve estar chegando a qualquer momento... Oh, veja, ela chegou.
Kate acenou da porta.
Tanya estava vermelha de irritação. Então de repente uma comissária veio dizer para todos se sentarem, e ela não pode mais dar chilique.
(...)
—... Sim, vamos querer truta de salmão tostada, com purê de batata doce, salteado com nozes de macadâmia torradas, e um Mommessin Saint Amour. – Edward fez o pedido.
— A comida será trazida em alguns instantes. – A comissária informou.
Depois ela foi para as próximas poltronas, se afastando de nós.
— Sabe que pode escolher o que comer. – Edward disse para mim.
— Eu sei. – Disse. – Mas eu me sinto melhor quando você pede. – Dei de ombros.
Ele deu um sorriso.
(...)
Depois que comemos, Edward ficou mexendo em seu notebook, e como da primeira vez em que viajamos de avião, eu me lembrei que não haveria nenhum problema depois que atingíssemos a altitude cruzeiro, então essa seria uma conversa que eu não precisaria passar novamente.
Virei para trás, e Alice começou uma conversa animada comigo e Kate sobre o primeiro desfile em que iriamos. Ela sempre ficava muito empolgada quando falava sobre isso.
Então Kate me contou sobre primeira viagem a Paris, e como a experiência havia sido incrível. Mesmo depois de todo esse tempo trabalhando na Runway, eu ainda não havia conversado muito com ela, mas me pareceu ser muito legal.
Depois de algum tempo de voo, eu estava me sentindo cansada, Edward ainda trabalhava em seu notebook, então finalmente dormi.
(...)
Acordei um tanto desnorteada e confusa. Não fazia ideia de quanto tempo eu havia dormido, mas ao olhar pela janela percebi que ainda estava claro, e que ainda estávamos no avião, o que significava que ainda não havíamos chegado em Paris.
Olhei para o lado, e Edward havia adormecido, com o notebook no colo.
Balancei a cabeça, e tirei o notebook de seu colo, e fechei-o, colocando-o embaixo de seu assento.
Então vi uma das comissárias passando, e tentei chama-la sem fazer muito barulho, e pedi que trouxesse dois travesseiros.
Alguns instantes depois ela me entregou os travesseiros, e peguei um para mim, e tentei ajeitar o outro atrás da cabeça de Edward, sem acorda-lo, mas ele era um pouco pesado, então tive que puxa-lo um pouco para o lado. Ao fazer isso, ele literalmente desabou em cima de mim. Segurei o riso para não o acordar, e tentei colocar o travesseiro atrás de sua cabeça. Tentei empurra-lo de volta a seu assento, mas ele se ajeitou, e colocou um dos braços em volta do meu corpo, o que não felicitou muito as coisas.
Agora eu estava literalmente presa, e não conseguia me mexer. Tentei mover meu braço, para me desvencilhar dele. – Sem sucesso.
Então eu não tive outra escolha, a não ser acorda-lo.
— Edward. – Eu falei em tom de voz baixo. – Edward. – Dessa vez eu tentei me mexer.
— Hmmm. – Ele resmungou.
— Edward acorda, o avião está caindo!
De repente ele acordou sobressaltado, olhando para os dois lados, com um olhar confuso.
— Calma, calma, eu só disse isso para você sair de cima de mim!
— Você é... louca! – Ele me acusou, um pouco desnorteado.
Comecei a rir.
— Desculpe, é que eu não sabia como te acordar.
Ele me encarou no escuro.
— Bem, então aqui vai um conselho Isabella: dizer a alguém que está dormindo que o avião está caindo, não é a melhor maneira! – Ele disse um pouco irritado.
Mesmo ele estando sério, eu não conseguia parar de rir.
— Eu estava em cima de você? – Ele disse algum tempo depois.
— Era o que eu estava tentando dizer. – Disse. – É que você dormiu, e eu queria colocar um travesseiro na sua cabeça, mas não queria te acordar, então eu te puxei, e você ficou em cima de mim.
— Ah. – Ele disse me olhando. – Desculpe.
— Tudo bem. – Disse dando de ombros.
Olhei pela janela. Ainda estava tudo escuro.
— Bem, já que você me acordou, quer comer alguma coisa? – Ele perguntou.
— Sim.
Novamente deixei ele fazer nossos pedidos, ele pediu um frango tradicional marinado em especiarias árabes, arroz aromático com cebolas fritas e pistaches, para mim, e um lombo assado com ervilhas frescas, cenouras ao vapor e batatas coradas para ele e uma garrafa de vinho tinto para acompanhar.
(...)
Edward havia saído para ir no banheiro, me virei para trás.
— Quanto tempo de voo ainda temos? – Perguntei.
— Umas duas horas. – Alice respondeu.
— Não é muito. – Disse.
— Não mesmo. Em breve estaremos em Paris.
— EU NÃO QUERO ESSE MALDITO ASPARGO, SERÁ QUE VOCE É SURDA?!
Ouvimos a voz irritante de Tanya, ela estava dando chilique outra vez, desta vez com a comissária de bordo.
Como ela podia ser tão ridícula?
Ouvi Alice suspirar.
— Essa mulher é um problema. Eu não entendo como meu irmão deixou que ela viesse para essa viagem.
— Ela é sempre assim? – Perguntei.
— Só na maioria do tempo. – Ela disse levantando as sobrancelhas. – Espero que não faça um escândalo, como da última vez.
Última vez?
Quando ia perguntar, Edward voltou para seu assento.
— Então, o que eu perdi? – Ele disse.
— Tanya resolver nos prestigiar com mais um de seus showzinhos. – Alice informou.
Edward fez uma careta.
(...)
Uma voz feminina anunciou nos alto-falantes do avião que o piloto aterrissaria dento de alguns instantes no aeroporto Charles de Gaulle, e de repente meu coração parecia pulsar um milhão de batidas por minuto.
(...)
Olhei pela janela, o avião já estava taxiando, embora em meu relógio marcasse apenas 17:35, já estava tudo escuro, então me lembrei que a diferença de horário seria de mais ou menos seis horas a mais. Eu precisaria ajustar o meu relógio, para não me confundir com o fuso-horário.
Então Edward se aproximou de mim.
— Se prepare Isabella, chegamos em Paris.
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