O Diabo veste terno
25 Meia noite em Paris
Notas iniciais
POV Bella
Já havíamos passado pela alfandega, e depois de checarem que éramos todos apenas cidadãos Americanos de bem, e não terroristas, fomos pegar nossas bagagens, para finalmente saímos do aeroporto.
Alice havia alugado uma limusine com motorista, que já nos esperava em frente ao aeroporto.
Depois de colocarmos todas as nossas malas (e as malas, da mala da Tanya) no porta malas gigante, o motorista nos levou para o nosso hotel.
Pressionei meu rosto, desajeitadamente, contra a janela da limusine como uma criança olhando uma vitrine, e observei o carro atravessar sinuosamente as ruas agitadas de Paris.
Eu não sei se era por estar no banco de trás observando tudo, mas as pequenas butiques pareciam muito chiques e os cafés mais adoráveis das calçadas.
Comecei a me lembrar de todos aqueles cenários que já vira em tantos filmes. De repente aquele café em que estávamos passando em frente se pareceu muito com aquele que aparece na cena final de “como eu era antes de você” quando a Louisa Clark vai tomar café e ler a carta que o Will Traynor deixou para ela. Mas depois conclui que poderia ser outro café, afinal pelo que parecia, haviam vários parecidos.
A cidade era muito bonita, ainda mais na noite, com todas as luzes iluminando cada ponto, deixando cada ambiente com um toque encantado.
Quando o carro finalmente estacionou na entrada do hotel, um cavalheiro de aparência distinta, usando o que imaginei ser um terno sob medida, abriu a porta do carro para nós.
Alice foi a que desceu primeiro.
— Mademoiselle Cullen. – O homem falou em um tom educado.
Sua voz era muito suave e segura.
— Monsieur Yorkie. — Alice disse no mesmo tom educado.
O motorista nos ajudou a retirar toda a bagagem do porta-malas, e estávamos parados em frente ao hotel, então finalmente pude observa-lo.
La Chambre du Marais, só podia ser o hotel mais sofisticado que já vi em toda minha vida. Deixaria qualquer outro hotel humilhado.
A parte da frente era maravilhoso, em tons azuis escuro e creme, com uma porta metalizada em preto e detalhes em vidro.
Alice falou que mostraria nossos quartos, para nos acomodarmos, e guardarmos nossas bagagens, e depois se não estivéssemos afim de dormir, poderíamos sair e dar um tour pela cidade.
Sinceramente eu não estava tão cansada. Tecnicamente seriam umas 18 horas em New York agora, então...
Depois de entrarmos na recepção e fazermos a checagem, a recepcionista nos entregou nossos cartões (as portas eram abertas apenas por um cartão magnético com microchip.) Então em um tom muito educado, a mulher falou “bon séjour”, que aliás, eu não fazia ideia do que poderia significar, então tive que colocar no google tradutor para saber o que era, então vi que ela apenas desejou que tivéssemos uma boa estadia.
Estávamos todos no elevador, Tanya não parava de tagarelar sobre todas as lojas que conhecia, os lugares que ela frequentou quando morou em Paris, e todos os lugares que voltaria. Era obvio que ela queria atenção.
O elevador finalmente abriu, e Kate e Tanya saíram.
— Nos vemos no bar daqui a dez minutos. – Informou Alice a elas.
Então novamente o Elevador fechou, e finalmente pude respirar aliviada.
Oh mulherzinha desagradável.
— Pobre Kate. – Alice suspirou. Então ela se virou para mim. — Bella você tem tantas coisas para ver aqui! – Alice disse animada. — Eu tenho vários pontos turísticos onde quero te levar.
— Vá com calma Alice. – Edward a censurou.
Ela fez uma careta.
O elevador abriu novamente.
Nos saímos.
O corredor era muito elegante, com detalhes em dourado, e carpete cor de carmim.
Eu segurava meu cartão n° 202.
Alice foi na frente, indo para frente de seu quarto, ao lado do elevador.
— Não demorem em seus quartos. – Ela disse enquanto passava o cartão na porta. — Nos vemos daqui a pouco. — Então pegou sua bagagem, e fechou a porta.
Estava parada em frente ao meu quarto, todas as minhas malas já estavam posicionadas em frente a porta.
Edward estava parado em frente ao seu quarto, que ficava em frente ao meu, e olhou brevemente para mim, com um pequeno sorriso, que não chegou aos seus olhos, então passou o cartão e entrou.
(...)
O quarto era magnifico.
O hotel era rico em detalhes, cada objeto que enfeitava o quarto fazia toda diferença.
A maçaneta era em dourado, que combinava com os puxadores das janelas francesas (será que na França era só janelas?) que combinava com a torneira da banheira de hidromassagem.
O papel de parede parecia muito sofisticado e combinava com o ambiente, a cama era gigante, com uma cabeceira almofadada em couro, lençóis de linho branco, e travesseiros de pluma de ganso.
Havia uma sacada, que tinha vista para a cidade, um closet gigante, com vários espaços para guardar sapatos, bolsas, gavetas com divisórias, e havia uma sacola azul de estrelinhas escrito VALENTINO em dourado.
Isso só podia ser coisa da Alice.
Peguei a sacola, para ver seu conteúdo.
Era um vestido azul marinho de bolinhas brancas, com zíper invisível na lateral, e babados nas mangas, babados na altura dos joelhos, e dentro tinha uma fita rosa claro para acompanhar.
(...)
Estava parada no salão do hotel. Não fazia ideia onde poderia ser o bar.
O salão era imenso.
As paredes eram todas revestidas em uma madeira nobre, assim como as colunas que sustentavam o andar de baixo. O ambiente era bem iluminado, com salas ambientadas.
Andei mais a frente, indo para uma parte do salão que havia algumas pinturas a tinta óleo, pelo que pude observar, e algumas poltronas, que pareciam confortáveis demais.
Então vi uma cabeça cheia de cachos dourados, que estava conversando com um extenso grupo de homens de gravatas, reconheci sua voz imediatamente.
— Jasper?
Ele se virou assim que me ouviu.
— Sra. Swan, mas que imensa coincidência encontra-la aqui! – Ele disse inclinando-se e beijando minha bochecha.
Fiquei um pouco sem jeito com sua aproximação repentina, ele cheirava a menta e Gin.
— O que está fazendo aqui? – Perguntei tentando quebrar o clima.
Parecia mesmo muita coincidência.
Ele deu um sorriso largo e afastou um cacho de cabelo dourado de sua testa.
— Deveria lhe fazer a mesma pergunta, imagino. – Ele riu. – Não me diga que mudou de ideia, e veio de New York até aqui só para dizer que aceita meu convite para jantarmos!
Como ele era convencido, não pude deixar de sorrir.
— Sim, algo parecido. – Disse. — Na verdade, não estou aqui a passeio sabe, vim a trabalho.
— Puxa, não me diga que é por causa dos desfiles? – Ele sorriu.
— Na verdade, sim. – Disse.
— Primeira vez em Paris? – Ele perguntou.
— Sim.
— Você vai adorar. – Ele deu um sorriso. – Quanto tempo vai ficar?
Fiz as contas mentalmente. Acho que Alice disse qualquer coisa sobre ser pouco menos de um mês.
— Acho que umas três semanas.
— Ah sim, será tempo mais do que suficiente para você se apaixonar.
— Me apaixonar? – Sorri.
— Sim, por Paris, la ville de l'amour . – Ele disse em um francês perfeito.
Fiz uma careta, era muito ruim não saber o que as pessoas queriam dizer.
— Tem alguma ideia onde fica o bar? – Perguntei tentando mudar de assunto.
— Claro, fica do outro lado do salão, depois do restaurante.
— Obrigada, eu preciso ir, tenho que me encontrar com o pessoal.
Ele deu um aceno.
— Nos vemos em breve, Isabella.
Então ele piscou.
(...)
—...E ali fica a Le Parfum de L'Opera, mas está fechado agora, podemos voltar amanhã cedo. Ah, e ali. — Alice apontou novamente. — É o Choco-Story, o museu de chocolate.
Fiquei surpresa. Eu nem sabia que isso existia.
Depois que nos encontramos no bar, o motorista nos levou para ver alguns pontos turisticos da cidade.
Eram tantas lojas, tantos hotéis, praticamente um do lado do outro, tantos bares e restaurantes na mesma rua.
Era melhor do que nos livros que eu havia lido. Apesar dos autores sempre descreverem sempre com muita riqueza em detalhes.
— Agora vamos para um lugar que todos os turistas precisam conhecer. – Ela sorriu empolgada.
— Onde? – Eu perguntei.
— É surpresa. – Edward disse sorrindo. – Estamos quase chegando.
— Ah, é a torre Eiffel, não é? – Tanya disse de má vontade.
Ambos Alice, Kate e Edward a fuzilaram.
— Tanya! – Alice a censurou. – Você estragou a surpresa!
— Bah, a menina nem viu nada ainda! – Ela disse revirando os olhos. – E isso é tão chato, eu quero ir para o restaurante, e não ver uma torre idiota acesa.
Nós vamos depois que Isabella ver a torre Eiffel. –Edward disse em um tom firme.
— Isso mesmo. – Alice concordou. — Se não está feliz com o trajeto, a porta do carro está destrancada.
Tanya a fuzilou.
— O que sugere, que eu pule fora do carro e me atire de cabeça no asfalto?
— Olha, agora que você falou, sabe que não seria uma má...
— Alice. – Kate a cutucou.
Eu poderia imaginar o que ela ia dizer, e tentei controlar o riso.
— Só estou querendo dizer que você não precisa ir com a gente. – Ela disse bufando.
— Eu acho que posso fazer esse sacrifício. – Ela disse mal humorada.
Vi Alice revirar os olhos.
(...)
Eu estava parada em frente a torre iluminada.
Era tão magnifica de perto, era ainda mais bonita vista pessoalmente, muito diferente do que se via em filmes.
Era tão alta, e tão luminosa.
— Voce gostou? – Edward perguntou se aproximando de mim.
Tanya estava mais ao longe, e Alice e Kate estavam conversando na outra ponta.
— É incrível. – Disse sorrindo.
— É mesmo.
— Quantos metros tem? – Perguntei.
— 324 metros.
— Uau.
Edward riu.
Ele estava olhando para mim.
— Sinto muito por Tanya. – Ele disse. -Isso não é novidade para ela, e ela tende a se entediar pelas coisas que já viu, sem se importar com as pessoas ao seu redor. – Ele falou com um tom de amargura na voz. Ele estava se desculpando pelo comportamento de Tanya, mas me pareceu que ele estava pensando em uma outra situação.
(...)
—... Et un champagne de la région pour accompagner.– Edward disse ao garçom em um francês impecável. Estávamos em um bistrô rustico, que ficava aberto 24 horas, com as mesas para fora.
— D'accord, je vais l'apporter dans une minute.
Então o garçom deixou a mesa.
— O que ele disse? – Perguntei a Alice.
— Que ele trará o Champanhe em um minuto. Está gostado da comida? – Ela perguntou.
— Estou.
Estava comendo meu bife bourguignon, que era pelo que Edward havia dito, um típico prato da culinária francesa. Era basicamente carne de vaca guisada em vinho tinto, com alguns vegetais e condimentos.
— Então... – Tanya disse olhando para mim. – Voce não sabe falar francês? – Ela disse quase como se estivesse achando engraçado.
Não sei por que ela perguntou isso, ainda mais já sabendo a resposta.
Ou talvez soubesse...
— Não. – Disse. – Acho que nunca foi minha prioridade estudar esse idioma. Também nunca me imaginei vindo para cá. – Disse dando de ombros. — Mas também, acho que isso não é nenhum problema, já que aparentemente todos vocês sabem falar o idioma.
Ela deu uma risadinha amarela.
— Acho que sim. – Ela olhou para mim. – Mas é sempre bom sabermos o idioma do lugar em que estamos indo, principalmente se você vem a trabalho, e não de férias...
— Tanya. – Edward a censurou.
— Ora Edward querido, só estou dizendo. – Ela disse. — Sabe, sempre que venho aqui tento melhorar meu idioma. – Então riu. – As vendedoras sempre tinham que me corrigir quando eu tentava dizer "merci" ou "apprécier", por que eu sempre me confundia. Agora meu francês é perfeito.
Alice e eu nos olhamos.
Fala sério, a mulher tinha o ego do tamanho da torre Eiffel.
Finalmente o garçom deixou nosso champanhe na mesa.
— Prendre plaisir
— Merci. – Edward disse.
Bem, pelo menos essa palavra eu conhecia, era “obrigado.”
Tanya continuava tagarelando, mas como ninguém manifestou interesse em sua conversa, ela se virou para Edward.
— Lembra da primeira vez em que viemos para Paris? – Ela disse enquanto bebia o champanhe.
Eu estava digitando uma mensagem para Rose, ela estava querendo saber se eu já havia chegado. Mas por algum motivo, quis desviar os olhos da tela, para olhar para ele.
Edward parecia incomodado.
— Claro. – Ele disse dando um gole em sua bebida, sem demonstrar muito interesse.
Voltei a olhar para meu celular.
Estou bem.
Cheguei agora a pouco, estou jantando em um bistrô agora.
Rosalie respondeu.
Isso parece muito chique.
Aproveite bastante, e depois eu vou querer saber de tudo.
Tanya riu por algum motivo, então tive que desviar os olhos novamente.
— Sabe, parece que foi ontem...Éramos mais jovens, Edward estava no último ano de Faculdade. – Ela riu. — Então de repente você me ligou dizendo para eu largar tudo o que estava fazendo, e fazer minhas malas, por que iriamos para Paris naquela noite.
Edward não disse uma palavra.
Ele parecia pensativo, quase perturbado.
— Edward se lembra que fomos para aquele café... Como era mesmo o nome? – Ela parou por um instante.
— Tanya. – Edward disse, com um tom de voz estranho. – Não.
— Ah sim, café de la Paix, me lembrei. – Ela deu uma risada forçada. – Meu francês era terrível naquela época, devo admitir, e o cara ainda queria que eu fal...
— Vamos embora. – Edward disse a cortando de repente e se levantou da mesa.
Alice, Kate e eu nos encaramos.
POV Edward
O que tinha sido aquilo no bistrô?
Por que Tanya tinha que tocar nesse assunto?
Aquela era uma parte de minha vida do qual eu não me orgulhava.
Foi pelo que eu me lembre, a pior fase que enfrentei.
Meu pai adoecera, toda a pressão em assumir a empresa caiu sobre minhas costas.
Naquela época eu era extremamente imaturo, não levava nada a sério, vivendo uma vida totalmente boemia e irresponsável.
Eu estava prestes a me formar, e ainda não sabia o que queria da vida.
Tanya estava comigo naquela época, e de repente estavam os dois em um avião, rumo a Paris, eu tentando fugir das minhas responsabilidades, ela apenas como cumplice de minhas imaturidades.
Pensei em ficar longe de minha família, até tudo se acalmar.
Se eu soubesse que meu pai já estava doente naquela época eu nunca teria... Eu não teria...
Suspirei.
Sempre era muito difícil pensar em Carlisle.
Eu não queria saber de empresa, não era isso que eu queria para mim. Eu não pensava em carreira, não pensava em futuro.
Eu só pensava em mim, era extremamente egoísta.
Eu sei o quanto isso os magoou.
Toda vez que eu pensava nisso, sentia uma imensa dor em meu peito.
Carlisle já estava frágil naquela época, e o que eu fiz?
Fugi como uma criança.
Então é claro que seus assessores precisaram achar uma solução.
Eles precisavam colocar alguém jovem na empresa, que fosse competente o suficiente para mais tarde assumir controle da empresa.
É claro que este cargo estava destinado a mim, já que Alice tinha apenas 16 anos na época.
Mas como eu estava afastado, e me recusava a assumir qualquer responsabilidade, eles teriam que contratar alguém.
Um dos assessores do meu pai, era muito amigo do Major Hale, que trabalhava no ramo de finanças de uma empresa ao sul, e ele indicou o filho dos Hale, que estudava na mesma universidade que eu, como alguém com as competências necessária para o cargo.
É claro que qualquer pessoa que estudasse em Harvard pareceria qualificado o suficiente.
Então em nosso último ano de faculdade, Jasper assumiria como primeiro estagiário Junior da Runway.
Enquanto estive em Paris, por quase dois meses refletindo sobre tudo, pensei que talvez isso fosse o melhor, e se eles achavam que Jasper era a pessoa certa, eu não teria motivos para me opor da decisão.
Mas conforme meu pai piorava seu estado de saúde, comecei a refletir o quanto aquilo estava errado.
Era sua empresa, ele construiu, ele lutou para que desse certo, e o que eu estava fazendo?
Deixando que alguém de fora viesse, e assumisse tudo que ele havia conquistado?
Então de repente eu peguei um avião de volta. Eu não poderia permitir que isso acontecesse.
Cheguei naquela manhã se segunda-feira sem avisar, e é claro que ele não gostou de me encontrar ali.
Jasper sempre fora muito ambicioso.
Ele sempre demonstrou isso no campus. É claro que seu jeito arrogante e sua autoconfiança sempre me irritaram muito, mas quando ele me viu naquela manhã na empresa, ele deve ter se sentido como alguém que acaba de ter o tapete puxado.
É claro que eu não poderia deixar de imaginar o que ele estava pensando.
Ele ficou com raiva.
Mas não haveria nada que ele falasse ou fizesse que faria eu mudar de ideia.
Eu já havia me decidido.
Runway não era o seu lugar.
POV Bella
Depois de todo aquele dia cheio, o longo voo, a chegada a Paris, não tive tempo de respirar direito.
Eu estava tomando um banho quente e luxuoso na minha suíte master, usando produtos caros da Coco Chanel. A água quente da banheira era relaxante, então finalmente eu relaxei.
Depois do banho, eu levei mais alguns minutos aplicando um pouco do hidratante levemente perfumado, que peguei no estojo que estava em cima da pia, e apliquei em todo o meu corpo.
Então, finalmente, envolvida no roupão de veludo mais felpudo que eu já vestira na vida, eu me deitei.
(...)
O mais engraçado sobre estar cansada, é não conseguir dormir.
Já fazia pelo menos uns 45 minutos que eu estava olhando para o teto.
Olhei para o relógio da cabeceira.
Eram 02:15.
E eu ainda estava acordada.
Esse fuzo horário era muito estranho.
Coloquei uma calça legging, e uma blusa, e resolvi descer no salão.
(...)
Como era de se esperar pelo horário, o salão não estava muito cheio.
Agora eu estava conseguindo me localizar melhor, então eu sabia exatamente onde ficava o bar.
Mas o problema era que eu não sabia falar nada em Frances, então acho que eu teria que me virar fazendo mimicas, e usando os vocabulários que eu vi em filmes e músicas para me comunicar com o barman.
— Excuse...Ah...Bebida...Garçom... S'il vous plaît?
Não sei se o cara entendeu, por que na verdade, nem eu sabia o que eu estava dizendo.
Eu precisava assistir mais filmes em francês.
— Oui madame, que voudrez-vous?
Quê?!
— Ah... Eu... Yo no hablo...
Não espera, isso é espanhol.
— Excusez-moi? – O barman me olhou confuso.
Comecei de novo.
— Eu... – Apontei para mim. – Quero uma bebida. – Então imitei alguém bebendo alguma coisa com as mãos, como se estivesse tentando explicar para alguém que é surdo e mudo.
— Oh oui, tu veux un verre. Quoi?
E voltamos à estaca zero...
— Ele entendeu que você quer uma bebida. Ele só quer saber o que você quer beber. – Edward disse, e parecia não estar se aguentando de tanto que estava rindo.
Rindo da minha cara.
Não acredito que ele estava aqui e me viu pagar esse mico, não, esse King kong todo, e não disse nada!
Porra!
— Vous voudrez un cosmopole et vous pouvez m'apporter un autre whisky pur. – Edward disse, seja lá o que isso significava. Mas o barman apenas acenou, e pegou algumas garrafas das prateleiras.
— Eu pedi um Cosmópolis para você, espero que não se importe. – Ele disse.
— Não me importo. Obrigada. — Disse. — E obrigada por ficar rindo da minha cara. – Disse um pouco irritada.
— Desculpe. – Ele riu novamente. – Mas foi impagável vê-la fazendo mimicas para o barman.
Hahaha, eu sou uma piada. Ótimo.
— Acho que eu estava mesmo precisando rir. – Ele olhou para o copo vazio. – Então. – Ele olhou para mim. – Jet-Lag*?
— Acho que sim. – Disse. – Eu ainda vou ter que me acostumar com esse horário novo.
O barman entregou nossas bebidas.
— Merci. – Ele agradeceu.
— E você? – Perguntei. – Por que está acordado ainda?
Ele suspirou.
— Muitas coisas para pensar.
Fiquei pensando se talvez isso não tivesse a ver com alguma coisa que Tanya havia dito no bistrô.
Ele me pareceu muito incomodado, principalmente depois que voltamos para o hotel.
Então eu tinha que perguntar.
— Você está bem?
Ele não falou nada. Apenas olhou para o seu copo.
— Não.
Eu não esperava que ele fosse ser sincero.
Franzi a testa.
— Não, tudo bem. Eu vou ficar bem. Eu tenho que ficar, não é?
— Do que você está falando exatamente? – Disse confusa.
Ele balançou a cabeça.
— Não é nada.
Por algum motivo me incomodava vê-lo daquele jeito.
— Edward. — Disse.
— É que as vezes... Vir para Paris me faz lembrar de coisas que eu não gostaria.
— Sinto muito. – Disse.
Ele deu um sorriso fraco.
(...)
Quando o elevador parou no nosso andar, Edward acompanhou-me para fora, com uma mão em minhas costas, e atravessou o corredor comigo até a porta do meu quarto.
— Aqui estamos — falei, torcendo para que nossa despedida fosse breve.
Em vez disso, a mão dele deslizou das minhas costas ao meu cotovelo e desceu pelo meu braço até ficarmos de mãos dadas.
Ele desenhou pequenos círculos na palma da minha mão com o polegar e tive dúvidas, naquele momento, se aquela sensação tinha causado uma dor real. Era um choque inegável no meu sistema, quase elétrico, viajando para as pontas dos meus dedos e outras regiões.
— Edward..
Meu corpo estava muito ciente de sua proximidade.
O rosto dele estava a centímetros do meu, intoxicando-me com o cheiro dele mais uma vez, trazendo-me lembranças.
— Você não vai me convidar para entrar? — ele murmurou.
Ele contornou o lábio inferior com a língua e, depois, prendeu-o com os dentes. A maneira como ele me olhava não era nem um pouco ingênua.
Engoli seco e afastei-me de leve, desconectando-me da eletricidade do toque dele.
Balancei a cabeça negativamente e brinquei nervosamente com uma mecha do meu cabelo, tentando me concentrar em qualquer coisa que não fosse a boca dele.
— Acho que não é uma boa ideia. — Disse.
— Por que não?
— Por que você é meu chefe. — Disse como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
— Por que não? – Ele repetiu novamente, desta vez se aproximando mais de mim.
— Por que. – Senti-me inebriada pelo seu olhar. –... Estamos bêbados.
— Você nem bebeu tanto assim. – Ele riu. – Então, por que não?
— Por que...- Estava difícil me concentrar nas palavras com esse olhar. – Eu...
— Sim? – Ele disse.
Naquele momento eu não conseguia mais pensar em qualquer desculpa para afasta-lo.
Por que eu não queria ter que fazer isso.
— Dane-se.
Vi um brilho de excitação em seu olhar.
Em instantes nossos lábios estavam grudados em um beijo bruto.
O aroma de Whisky se misturou ao cheiro dele. Abri os lábios, convidando-o, querendo o sabor dele na minha língua.
Guardaria qualquer arrependimento para depois.
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