"Edificio Elias-Clarke..."

Será que alguém de dentro do prédio teria coragem de atacar Miranda? Havia tantas possibilidades: empregados cansados de serem maltratados e humilhados pela Rainha do Gelo; talvez alguém de alguma outra revista tenha simplesmente publicado um boato, mas bem, isso não explicaria o site hater; alguém poderia ter se inflitrado na revista; seja quem tenha sido, foi muito esperto por ter feito isso na Elias-Clarke.

Aquele edíficio era provavelmente "a casa" dos odiadores da Miranda. Então, seria simplesmente complicado demais descobrir quem teria sido.

A porta do elevador se abriu e eu sai. Entrei no carro, dei boa noite ao motorista e não precisei dizer para onde iríamos afinal nós fazíamos aquele trajeto todos os dias, ele apenas confirmou:

– Casa da Miranda?

– Hu-hum.

Me envolvi completamente em meus pensamentos, de forma que chegamos ao destino aparentemente mais rápido.

– Me espere, não me abandone nesse lugar, ok? — Brinquei e nós dois rimos.

Desci do carro e fui até a porta da casa. Aquele lugar sempre me dava calafrios, do mesmo modo que sua dona também me dava. Enfiei a chave na fechadura e girei a maçaneta. Devagar e silenciosamente. Tudo o que eu não queria era fazer barulho e levar uma bronca no escritório no dia seguinte.

No dia em que fui tola o suficiente para subir a escada, quase perdi meu emprego e ele foi salvo graças a Christian que conseguiu um manuscrito inédito de Harry Potter para mim.

Entrei, caminhei pelo corredor.

O cheiro na casa era o de Miranda. Um perfume forte. Toda a decoração remetia a ela. Eu podia ver o seu rosto em cada móvel, cada parede. Aquele lugar me arrepiava. Para a maioria das garotas, seria um sonho. Para mim era realidade. E era horrível.

Coloquei as roupas na primeira porta do corredor e coloquei O Livro sobre a mesa com flores. Estava dando a volta para sair quando ouvi algo que me deixou completamente assustada: Meu nome carregado de sotaque inglês.

– Ahn-dre-ah?

Eu deveria ser invisível e já era a segunda vez que Miranda percebia que eu estava lá. Me apavorei. Sem dúvida alguma, eu estaria demitida. Perdi totalmente a capacidade de raciocínio então me congelei no lugar, sem saber o que fazer.

Miranda foi até o corredor onde eu estava. Olhou para mim:

– Você é idiota ou o que? Quantas vezes preciso chamar seu nome? — E então senti ela me olhando de cima a baixo, me examinando com seus terríveis olhos. Continuou com a mesma expressão de impaciência.

– Anhh, desculpe Miranda.

– Não me peça desculpas. Não gosto delas e você sabe disso.

– Claro, desc... — Miranda girou os olhos e então me calei, me sentindo completamente estúpida.

Era incrível como eu ficava completamente idiota na frente da Dama de Ferro. Eu a odiava, mas era como se eu ficasse tão focada em agradá-la que acabava sendo uma tola. Era um sentimento de admiração. Eu a admirava Miranda por ela ser tão forte, tão decidida... Em um lugar bem estranho dentro de mim, em alguma área perigosa dentro da minha cabeça, eu queria ser como ela.

– Venha Ahn-dre-ah, precisamos conversar.