Notas iniciais
um atras do outro =)

4 de dezembro de 1983

Esta noite eu estava sentado com Sam e Dean no quarto deles, no escuro, quando escutei umas vozes… Mike disse que era o vento, e está certo, mais do que certo, mas soa mais como sussurros, como se alguém sussurrasse um nome, muito baixinho, só com um fôlego, uma vez, mais outra… como se algo saísse da escuridão, e estivesse nos vigiando…
Fiquei acordado a noite toda, cuidando dos meninos, protegê-los, estou ficando maluco? Não os deixo sair das minhas vistas desde o incêndio. Dean ainda não fala muito, tento fazer com que fale alguma coisa, ou ao menos que jogue um pouco de beisebol comigo. Qualquer coisa para faze-lo sentir-se um menino
novamente. Ele nunca se separa de mim, está sempre ao meu lado, ou ao lado do seu irmão. Todas as manhãs quando acordo, Dean está dentro do berço, com seus braços em volta de Sam, como se tivesse que protege-lo do que está lá fora. Sammy por outro lado, chora muito pedindo por sua mãe. Eu não sei como faze-lo parar, e parte de mim não quer que se pare, me corta o coração pensar que ele não vai me lembrar de como era, e eu não posso deixar que sua memória se apague na escuridão da noite.

7 de dezembro de 1983

A polícia voltou, não posso acreditar, mais perguntas, as mesmas que já respondi um milhão de vezes. Mais tempo que passo longe dos meus filhos, andando em círculos, chegando a nenhum lugar. Isto é tudo tão absurdo… tão inútil. Tomei uma bebida lá pelas sete horas… logo meus filhos adormeceram, estou tomando outro agora, mas nem isso me ajuda a dormir, preciso manter minha mente clara, às vezes consigo, mas depois tudo volta a ficar nublado novamente.

8 de dezembro de 1983

Acordei nesta manhã debruçado em meu diário e com uma dor de cabeça enorme,,, não estou disposto a fazer nada e muito menos a me indispor com Mike, que me abordou assim que entrei na cozinha. Ele estava com o mesmo discurso de sempre, de como devo me portar diante dos meninos… ainda que esteja mais preocupado com o trabalho do que com qualquer outra coisa, como não estou cuidando da oficina, sei lá…
É verdade que não tenho ido trabalhar, minha espora está morta, depois de tudo o que passamos, na melhor das hipóteses, meus filhos estão em perigo iminente também. Como posso me esquecer de tudo o que houve e voltar a trabalhar. Meu Deus do Céu! De qualquer forma, disse a ele que não se preocupasse, e isso o acalmou. “Você está me dizendo que vai renunciar à sua vida depois disso”, olha para mim Mike, minha vida já acabou. Meus filhos precisam de mim e minha esposa também, estas são as coisas que me
interessam agora, fiz algumas investigações pela vizinhança, andei fazendo algumas perguntas… Juraria que muita gente que não me atende está em casa, ou muito conveniente não esta quando eu apareço, talvez não queiram conversar com um viúvo maluco, ou acreditam que sou um assassino em potencial. Um incêndio não se inicia do nada, estou convencido de que alguém estava em minha casa naquela noite. É a única explicação para que tudo faça sentido. Comecei a investigar na biblioteca, compilando arquivos da polícia, passando casos similares. Eu vou encontrar o responsável por isso tudo, e quando o encontrar… Deus me perdoe pelo que estou pensando em fazer.

11 de dezembro de 1983

Sammy finalmente está dormindo a noite toda sem acordar chorando e Dean divide uma cama com ele, é uma luz no caminho que me guia. Mas eu, assim que fecho os meus olhos ela aparece nos meus sonhos. Aliás, todos os meus sonhos começam da mesma forma, eu a vejo como era antes desta noite: linda, feliz e viva; e não só a vejo… vivo aquele momento, é como se ela estivesse ali comigo, é tão real, mas quando percebo, estou de volta àquela noite, com o fogo e o sangue e Mary, Mary presa no teto, como ela foi parar ali… ela não pode estar ali… simplesmente não pode. Mas isso não é o mais incomum… o realmente estranho é quando acordo transpirando e chorando, juraria que alguém está ali comigo, posso sentir, aproximando-se de mim de dos meus filhos, nos vigiando e nos esperando, inclusive acredito que esteja zombando
de mim. Não conseguiste detê-lo… nem salvá-la… salvar os meus filhos. Fui para casa para tentar resgatar algumas coisas, algumas velhas fotos que se salvaram, um brinquedo ou dois. Também se salvou uma de minhas pistolas, um antigo revólver de guerra. Não faria muito estrago, mas o manterei sob almofada esta noite só por segurança.

Notas finais
"quando eu era criança me forçavam a comer,agora querem me forçar a parar" bjs