O Diário de John Winchester
4 Capitulo 4
Notas iniciais
13 de dezembro de 1983
Liguei para a policia novamente… nada. Todos os forenses estão de volta e não
encontraram nada, nada de vestígios ou digitais, nem DNA, nenhum sangue, nada restou do corpo da minha esposa, nem sinais de que em algum momento tenha havido algum estranho na casa. Exatamente o tipo de trabalho policial de pouca qualidade que eu esperaria. Os investigadores me disseram que um curto circuito foi a causa do incêndio, quando pedi para ver a prova de qual cabo teria causado o incêndio, eles não conseguiram suportar o que disseram, foi só uma conversa sem sentido a respeito das marcas nas paredes, nenhuma evidência real. O que disseram que me pareceu interessante foi que todas as evidências indicavam que o fogo teve sua maior potência e seu início no teto do quarto do bebê. O que não tem muito sentido, quase todos os incêndios elétricos se iniciam nas paredes, onde há fios.
14 de dezembro de 1983
Esta noite acabei dormindo, mas acordei com um suor frio cinco minutos depois.
Sentindo uma presença estranha de novo, pensando em algo que li em um dos livros que peguei na biblioteca no outro dia. Era um livro sobre incêndios, como se iniciam e como se propagam… porém tinha um que falava sobre incêndios estranhos, que não tem uma explicação aparente, dizia que algumas pessoas acreditam que poderiam ser controlados por certas entidades malignas, criaturas que tem como objetivo prejudicar as pessoas. É maluco, eu sei, parece uma história de fantasmas, como dragões que expelem fogo, mas depois me lembrei… quando entrei no quarto de Sammy naquela noite, quanto tentei
puxar Mary e tira-la do teto… foi aí que o fogo começou. Tentando me atingir, como se tivesse um propósito, como se quisesse me afastar dela…
… como se alguém estivesse o controlando.
Naquela noite, Mary estava no teto! Eu estava tentando me convencer de que era tudo minha imaginação, para de alguma forma superar esse trauma. Mas agora eu sei, sem dúvida alguma que ela estava no teto, não me importa o que os outros digam, a polícia ou a família de Mary, ou Mike. Que me declarem louco, eu sei o que vi. Não tenho uma explicação ainda, mas as perguntas estão cada vez mais claras em minha mente, algo horrível aconteceu no quarto do bebê, alguém… ou alguma coisa, matou a minha linda esposa.
Fiquei acordado a noite toda, pensando e desejando poder conversar com Mike, mas ele já está me olhando de forma diferente. Por isso, nesta manhã, a primeira coisa que fiz foi buscar alguns livros, não a respeito de incêndios, mas… de outras coisas, coisas que não têm uma explicação plausível.
Também comprei duas novas pistolas e uma espingarda por via das dúvidas.
17 de dezembro de 1983
Conheci alguém hoje, alguém que acredito que será uma grande amigo para mim e para meus filhos. Nos últimos dias tenho ido visitá-lo… bom… psíquicos, acredito que é
assim que chamam, estava passando por um lugar desses e decidi entrar. Dois meses atrás teria rido às gargalhadas se alguém me dissesse que freqüentava um lugar desses,
mas neste momento não sei aonde mais procurar ajuda. De todas as formas entrei e foi um fiasco total, vi uma pessoa lendo a palma das mãos, dizendo para as pessoas o que elas querem escutar; igualmente decidi conhecer outros lugares, esperando que um deles seja real, até que hoje conhece Missouri, por um segundo entre a uma destas bancas… não consigo explicar, parece que somos amigos há anos, ela sabia de cada detalhe, não só da minha vida, mas dos meus pensamentos e medos. É a primeira pessoa que me olha
nos olhos e não pensa que estou maluco. Contei-lhe mina história, ela escutava e concordava com a cabeça, e depois disse que acreditava em mim.
Uma hora depois estava de volta com os meninos. Por alguma razão queria que os conhecesse, talvez para que me dissesse que eles estavam bem. Eles se encantaram quase que imediatamente, Sammy se sentou em seu colo todo o tempo, sorrindo e Dean falou sem parar… tinha muito tempo que não fazia isso. Não sei, se fosse só eu talvez, não confiasse nela, mas ver como os meninos reagiram à sua presença, fiquei definitivamente convencido de que ela é a ajuda da qual preciso.
20 de dezembro de 1983
Vou tentar escrever isso, juro que estou tremendo tanto que quase não consigo escrever.
Acabo de voltar de minha casa, fui com Missouri porque disse que necessitava ver a
casa, não sei como explicar o que senti.
Primeiro de tudo, só de estar ali, em minha casa, onde vivi com minha esposa e meus
filhos, no quarto do meu bebê, vendo tudo tão negro e quase irreconhecível. Sinto como se fosse uma época diferente, uma vida diferente, parte de mim quase não consegue reconhecer o local… era como sentir-se normal, mas o rosto de mim por acaso conseguia respirar, queria que tudo fosse como antes do fundo do meu coração.
Missouri também se sentiu totalmente emocionada… ela me disse que podia sentir o mal, sentir o eco daquela noite, uma presença horrível que esteve ali.
Ela não conseguiu me dizer o que era, nunca tinha se deparado com algo assim, mas me disse que era o mais poderoso, a coisa mais terrível que ela sentiu.
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