O Diário De Adamastor
2 Página destacada logo após a primeira folha.
Notas iniciais
Logo após, outro pedaço de papel. Dessa vez muito mais desgastado. Manchado de velhice, outrora dobrado, os vincos das dobras rasgaram, e o papel ameaçava se desfazer quando o peguei. A caligrafia não era a mesma da carta.
(Inscrições em Elvhênico Ancião, runas belas e trabalhadas, empregadas antes da queda da civilização Elvhen, mais precisamente antes do fim de Alghanara, cuja tradução é impossível até mesmo para os Elvhen de Chervan)
Aurora — 35, Outono
Imagine o poder de observar o brilho das estrelas! Assistir o movimento das galáxias e a dança das estações, como se acontecessem em minutos.
Tal incrível situação seria derivada da imortalidade.
Oh! Como invejo os elfos de Alghanara. Tão entorpecidos pela vida eterna que se esquecem até mesmo de viver. Ficam fabricando seus recursos, criando a magia. Como deuses...
O que será possível obter com a vida eterna? Talvez o trono do Criador!
Mas foi perdido...
Maldito Império! Destruiu a magnificência da civilização élfica por um capricho. O único fragmento que me restou foi de um ídolo, que recuperei logo ao ver a tempestade de fogo e o rio vermelho correndo por entre Alghanara.
Brutal...
Tanto poder disperdiçado.
O jeito e começar a trabalhar a peça de terracota, embebida em lótus. Deve valer meu peso em ouro, mas os segredos Elvhen eram enterrados não em cofres profundos, mas em sua cultura.
E aquele pirralho do Adamastor anda conversando sozinho novamente. Devo reforçar os encantamentos ao redor dele?
Acho melhor fazer isso mesmo. Aliás, tenho de apanhar mais ervas. O estoque de erva do Manto está muito baixo e é impossível fazer poções contra a gripe sem erva do Manto.
(Um desenho de uma folha de bordô, seguido das presas de uma cobra — O símbolo dos Herbalistas. Abaixo desse desenho, uma gravura, imitando a asa quebrada de uma xícara, provavelmente o desenho do pedaço do ídolo)
(Logo abaixo, a caligrafia fina e rebuscada de Adamastor, levemente tremida, como se tivesse sido escrita por uma criança)
Dourado — 53, inverno
O velho parecia saber de algo que eu nunca soube. Acabei roubando essa página sem querer, junto com uma em branco da caderneta de tarefas dele. Eu não falo sozinho, nunca falei. Tenho meus amigos. Eu os vejo.
(Dessa vez, a letra de Adamastor em toda sua glória.)
Negro — 74, inverno
Encontrei o pedaço do ídolo escondido em uma tábua solta no soalho há três dias, quando fui prestar os rituais funerais. Provavelmente o velho, outrora meu pai (cuja veracidade até eu mesmo duvido), descobriu algo que não gostou muito, e acabou por encerrar o fragmento, achando que eu não o encontraria. Coitado.
Era de se esperar algum resultado após anos de pesquisa do antigo povo Elvhen. Embora a minha magia seja excepcionalmente superior aos antigos elfos, estou longe de ser imortal. Quem sabe em pedaços...
(O fim da folha destacada está ligeiramente queimado e embolado. Rachaduras se espalham através do papel amarelado.)
Notas finais
No documento, a primeira parte escrita veio do Herbalista, suposto pai de Adamastor. Ele não parece muito paternal, mas algo sugeria, como a lenda original diz, a ligação entre Adamastor e entidades do Reino de Lá. Entidades das quais o pai dele tentava protegê-lo, lançando encantamentos no garoto.
Adamastor deve ter encontrado essa anotação, segundo ele, e guardado a folha em um local seguro, vindo anos depois atualizá-la com mais dados de suas descobertas, embora não muito pertinentes.
Estou pronto a temer de que este diário acabe se mostrando um diário-grimório, e temo pelo que encontrarei nas próximas anotações.
O diário não é grande, nem muito estufado. Mas contém ilustrações que nem mesmo um escolar do Círculo como eu ouso descrever.
Eu o folheei, mas irei lê-lo e interpretá-lo junto com você.
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