O Diário De Adamastor

3 Carta logo atrás, enrugada, roída e manchada.


Notas iniciais
A carta se encontra em avançado estado de deterioração. O sangue das manchas da página borrou as folhas anteriores e posteriores do diário, dando um ar macabro ao livro.
A página também fora dobrada em várias partes, e os vincos das dobras ameaçavam rasgar.
Temo o que encontrarei nessa página, que transpira maldade. Talvez seja apenas a aparência, embora os sinais de que vá ser pior que a anterior aumentem. Adamastor estava atrás da imortalidade dos elfos. Também.

(Desenho de uma rosa sobre uma adaga e, em tinta diferente, a runa Adamônica, indicando estudo.)


Botão, 56 Verão



Eu a feri. Não foi intencional. Foi um simples sussurro. Algo em mim despertou após a nossa primeira noite. Por incrível que pareça, minhas mãos ficaram sujas de sangue. Sangue! Sangue tão belo e vermelho...



Existe algo nisso que eu não consigo explicar. Uma corrente elétrica. Um poder.



Quando sinto as gotas escorrendo por entre meus dedos, é incrível a sensação.


Mas me arrependo tanto do que fiz. Rose está bem, não foi mortal. Mas ela me olha assustada. Já disse e repeti diversas vezes que ela não precisa me temer. Não farei mal a ela.

Ah, como eu a amo. Como eu a desejo.

Mas algo em mim suscita ferí-la, sangrá-la. Preciso sentir esse poder selvagem, incrontrolável. Ter a vida dela nas minhas mãos.


(A parte inferior do documento está manchada e enrugada por algo que parece sangue, mas que forma desenhos e gravuras de runas Elvhenicas anciãs, ilegíveis.)



(Logo abaixo, com a mesma tinta da runa Adamônica, a caligrafia se repete, embora tremida e falhada, como se tivesse sido escrita urgentemente)



Sangue tirado a força tem mais poder do que o dado de bom grado. Sangue do Golpe da Morte, cuja energia é praticamente infinita. Ela me ensinou como usar. Minha grande amiga.


E meu pai, idiota, pensou que eu falava sozinho.

Estou um passo a frente dos homens, mas ouvi dizer que o Império está em guerra. Bom. Mais sangue para eu colher.

Consigo conversar com Rose ainda. É como se ela estivesse aqui, comigo. Não creio que Rose tenha passado. Mas é humana. Segundo Ela, os humanos, quando morrem, vão para o Paraíso. Ainda mais a minha pura e inocente Rose.

Um fantasma para me assombrar, talvez? Mas eu não fiz nada de mal. Não fiz nada... Nada...


(O fim da folha está tão corroído de traças e tão manchado de sangue que é de admirar que não tenha se desfeito ao primeiro toque.)


Notas finais
Fiquei ligeiramente confuso com a mudança das anotações. Em princípio, a runa Adamônica. Obviamente, foi adicionada junto com as notas finais no pergaminho, pois a tinta é diferente da utilizada.
O texto original mostrava um Adamastor ligeiramente confuso, nos primeiros sinais de uma loucura estranha, mas quem é Ela? Obviamente, não se tratava de Rose. Rose era uma humana comum, longe de ser envolvida em magia, ainda mais uma magia desconhecida na época, a magia de sangue.
Com certeza, se trata de uma entidade do Reino de Lá, de pós-véu.
Jamais toquei nos Pergaminhos Proibidos, redigidos pelo próprio Adamastor, mas sinto que, além de informações e anotações, acabarei encontrando rituais e instruções par Magia de Sangue, um tipo desconhecido do que temos atualmente. Fico enojado em pensar em tal situação, mas não posso ignorar uma informação mágica tão valiosa.
Tão aliviado em saber que o diário veio parar em minhas mãos, e não nas de um Necromante.
Adamastor amava Rose? Me parece um tipo de obsessão. E ele feriu ela? O que levaria Rose a permitir? Algo me diz que ela não fora de boa-vontade. Cativa.
E as informações sobre magia de sangue, no fim da página, são conhecidas de todo e qualquer estudioso nas artes mágicas, como uma forma de evitar o sangue derramado em batalhas envolvendo magos de sangue.