O Diário De Adamastor

6 Página amarelada, escrita com tinta negra


Notas iniciais
A página está em um surpreendente estado de conservação, mesmo sentindo a idade do livro. Não há manchas de sangue nem amassados, apenas o amarelado do tempo.
Os detalhes ficam para o verso da folha, inteiramente coberto com runas Elvhenicas antiquíssimas, escritas com carvão.

Dourado, 3 Outono


Hoje encontrei um livro. Não tinha nada nele, creio que fora deixada por ela. Ela é estranha, tem um cheiro esquisito.

O velho me deixou ficar em casa, o que eu aprecio muito. Estou doente e não tenho previsão de melhora, segundo ele. Algo me intriga nas telhas soltas da casa. Um rangido toda noite, o riso de alguém que eu nunca vejo e o cheiro de flores na primavera. Mas estamos no outono.

Cheguei a comentar com o velho, mas ele sacudiu as mãos e continuou a fazer sua infusão de folhas secas. Algo não está certo.

Aliás, comecei a praticar magia por minha conta. Deuses, como é desgastante utilizar as mãos para canalizar a energia. Minha cabeça dói extremamente forte depois de dois ou três dardos ocultos que eu lanço na relva. Devo ter acertado algum cervo, porque vi manchas.

Anteontem, antes de encontrar esse livro velho e encardido, escondido embaixo da cama do velho, fui até a clareira, perto da cidade. Vi ela no alto da torre, como sempre. Linda. Minha querida Rose.

Notas finais
Esta, pelo que me parece mais plausível, é a primeira anotação no diário. Adamastor mostra uma indiferença grande com relação a outros assuntos que não sejam ele mesmo, absolutamente compreensível sendo o seu próprio diário, mas o amor por Rose parece ser mais antigo, pois ele a viu, "como sempre", no alto de sua torre. Naturalmente, Rose não sabia de sua existência. Estou ainda mais tentado a decifrar as gravuras e runas escritas logo atrás da página, com carvão negro.