O Devorador de Profecias
1 Prólogo
A vida de muitos fora mudada por um simples homem, que trazia a soberba gravada no corpo e o egocentrismo cravado na alma.
Eterion foi, por séculos, o lar de inúmeras espécies — um reino onde poder e soberania reinavam absolutos desde que o primeiro Vorath ascendeu ao trono e o reivindicou como seu. Mas quanto mais poder se possui, mais poder se deseja. E o desejo, quando insaciável, torna-se maldição.
Quando o primogênito da quinta geração da família Vorath nasceu, os céus se fecharam. Por quarenta dias choveu sem cessar, e a escuridão engoliu a luz, marcando a história com um mau presságio que aquela criança traria ao mundo. Em Volumara, onde profecias guiavam a existência e a magia era tecida desde a criação dos mares e das rochas de Underlis, o destino já havia escrito o futuro da humanidade. Assim, quando Lord Vorath completou seus vinte e cinco anos, sua mente já estava envenenada por pensamentos corruptos e pela sede insaciável de mais do que qualquer mortal poderia possuir.
Decidiu, então, que reinar não bastava. Não era suficiente deter o trono; era preciso roubar o que havia de mais sagrado em seu povo: as profecias. Abriu-se, portanto, o livro das maldições antigas, selado por uma das magias mais poderosas que o mundo já conhecera. E, com isso, a praga de Embrívora despertou.
As sombras passaram a devorar caminhos mágicos — estradas encantadas, portais, até memórias coletivas —, isolando vilarejos, trazendo fome e guerra. Não eram meras trevas; eram fome viva. Elas consumiam o destino, alteravam profecias, transformavam o futuro em algo imprevisível e vazio. Contudo, com o pouco saber de magia que Lord Vorath possuía, a praga que deveria servi-lo o traiu. Engoliu-o vivo e amaldiçoou suas gerações vindouras, transformando seus descendentes em frutos de uma corrupção que jamais cessaria.
Assim, a desgraça se espalhou pela terra. E só terminaria quando o último Vorath, enfim, morresse.
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