O Despertar dos Sentidos LIVRO 1
15 14 - O Dia Seguinte E Mais CONFUSÕES À Vista
Cesar tenta com todas as suas forças trabalhar, mas sua concentração é atrapalhada várias vezes pelas lembranças da noite anterior, além, é claro, da sua imaginação fértil. Por isso pede ao amigo JP ir à sua sala para conversar.
O executivo entra, se senta deixando a porta entreaberta, sem perceber:
— Então, o que quer tanto falar comigo? – JP começa ao entrelaçar os dedos das mãos sobre seu colo.
— Preciso desabafar.
— Então, desabafe. Afinal, amigo é para isso.
— Você não vai acreditar no que aconteceu ontem. – Cesar balança a cabeça negativamente — Nem eu não consigo acreditar!
Rick se aproxima da porta de Cesar, ouve suas palavras, aproveitando que não há nenhuma secretária por perto decide continuar ouvindo a conversa.
— Deixe-me adivinhar! – JP exclama levantando uma sobrancelha, com os olhos repletos de malícia. — Você conseguiu, de novo, catar a gostosa da Simone?
Rick faz movimento de entrar na sala, mas para ao ouvir Cesar.
— Deixe de ser cretino! – Cesar rosna batendo uma das mãos espalmadas sobre a mesa — Já te pedi para não falar assim dela!
— Tá! Calma! Fala logo! O que aconteceu ontem?
— O Júlio convidou a Simone para jantar em casa.
— O quê? Acho que não ouvi direito! – JP arregala os olhos.
— Você ouviu direito. Te digo mais, ela estava mais linda do que nunca em um vestido azul e na boca um batom vermelho que me deixou louco.
— Cara! – JP coloca as duas mãos sobre a cabeça.
— Sim. Mas, o pior, foi ver o Júlio jogar seu charme para cima dela. – Cesar murmura amuado, balança a cabeça em negativa — Tive que me controlar muito para não fazer uma besteira, principalmente na frente da Camila.
— Que problemão, meu amigo!
— Pois é, meu irmão. E você não sabe a pergunta que a Camila fez enquanto comíamos.
— Qual foi? – JP coloca suas mãos na mesma posição anterior.
Cesar passa as mãos no cabelo, no rosto, dá um longo suspiro e volta a colocar as mãos sobre a mesa.
— Perguntou se eu era mulherengo na escola tanto quanto sou hoje.
Ao ouvir estas palavras, Rick sorri e pensa "Aquele moleque besta? Era um imbecil. Só virou homem depois que me conheceu.", volta a ouvir a conversa atentamente.
— E a Simone?
— Começou a rir da pergunta e de mim, depois disse a verdade.
— Que verdade, a de que vocês ficaram juntos uma noite?
— Não! Ela disse a verdade, ou seja, de como eu era com ela antes daquela noite. Que era um bobo, tímido e tudo mais. Fiquei mais atordoado quando falou da vez em que conversamos e eu, idiota e imbecil que era na época, disse que era melhor ficarmos como amigos para, assim, não perder nossa amizade.
— Ela falou disso, assim mesmo? A Camila não quis voar no pescoço de vocês por mentirem para ela dizendo que eram apenas colegas! – curva o corpo em direção ao Cesar com expressão curiosa no rosto.
— Não seja imbecil, JP! Ela contou como se fosse outra pessoa, uma colega nossa da escola.
— Ah, tá! Que alívio! – volta a encostar-se na poltrona.
— Mas o pior é que, praticamente, jogou na minha cara que ficou com o Rick por causa disso.
— Como assim? – JP franze o cenho.
— Essas foram as palavras dela "A menina, é claro que ficou arrasada, mas continuou sua vida, algum tempo depois se esqueceu dele e começou a namorar. E acho que está muito bem hoje!".
Rick sorri, enquanto pensa "Eu sabia. Ela me ama.", volta sua atenção para a conversa.
— Que patada!
— Pois é, mas de uma coisa eu sei. Simone, ainda sente algo por mim! – Cesar abre um sorriso maroto, seus olhos brilham cheios de malícia.
— Por que diz isso?
— Quando me despedi, parecia que queria apenas me dar um aperto de mão. Então, a puxei de leve para que chegasse perto de mim, ela beijou meu rosto, enquanto aproveitei para sentir seu cheiro e sua pele. Percebi que algo aconteceu no corpo dela, porque quando nos afastamos, a Simone me olhou de um jeito... Rapaz! – Cesar coloca a mão na cabeça puxando o cabelo para frente exasperado — Por pouco, não a agarro! Naquele momento, meu autocontrole teve muito trabalho.
— Meu querido amigo Cesar! Desejo muito, mas muito mesmo, nunca, jamais ficar como você. Pelo amor de Deus, você está enlouquecendo!
— Louco? Louco fiquei quando ele a levou para casa.
— Ele demorou para voltar?
— Não! Graças a Deus, ainda não foi dessa vez que se atreveu a tocá-la, porque não sei o que sou capaz de fazer se ele fizer isso.
Com estas últimas palavras, Rick decide ir ao encontro de Simone, refletindo "Tenho que saber o que ela sente pelo Júlio. Quero saber o que está acontecendo.".
Ele desce pelas escadas para que a Diana não o questione em nada, já que, desse ponto, ela não consegue ver quem sobe ou desce as escadas. Chegando à sala de Simone, ouve uma música suave e romântica conhecida para seus ouvidos vinda de dentro. "Woman in Chains" do grupo Tears For Fears está sendo tocada bem no início, nem muito alta e nem muito baixa.
A porta está entreaberta, decide espiar e vê Simone dançando suavemente, descalça, com os braços levemente abertos, acompanhando a melodia com os olhos fechados.
Rick sorri, entra lentamente para não assustá-la, aproxima-se dela e em um movimento rápido pega em sua mão e a faz girar, em seguida a abraça para dançar junto com ela.
Assim que ele pega sua mão, Simone abre os olhos, mas não consegue reagir por causa do movimento rápido que faz, quando Rick a abraça, a ruiva consegue realmente ver quem perturba sua concentração, então fala em tom ríspido:
— O que faz aqui?
— Dançando com uma bela mulher! – responde sorrindo.
— Sempre atrevido!
— Por que atrevido? Você gostava de dançar comigo! Se lembra?
A faz dar outro rodopio, a deita em seu braço por alguns segundos e a faz levantar em seguida. Simone começa a rir, então se deixa levar pela música, pela dança e por aquele que pode ser o pai de sua filha.
Rick percebe a descontração de Simone, a abraça mais forte, cola o corpo dela ao seu, começa a fazer carinho no cabelo de sua amada, além de sentir seu perfume delicioso. A ruiva aceita e sente seu coração acelerar.
O executivo interrompe a dança, olha fixamente nos olhos dela por um instante e já não consegue resistir aos seus desejos, beija-a desesperadamente, empurrando-a em direção a parede com a janela. Porém, antes de encostar na parede, Simone o empurra violentamente, jogando-o sobre o sofá, assustando-o com sua atitude, eis que ela grita arfando:
— Por isso disse atrevido! Se era só isso que queria, pode ir embora! – ela aponta com o indicador, a porta.
— Simone, não adianta se enganar! Você me quer! – diz com a voz mortalmente calma, expressão arrogante na face, se levanta do sofá, arruma o paletó do terno e continua olhando-a fixamente nos olhos — Você me deseja! Você me ama! Senti isso na sua pele e no seu beijo! Não vou te deixar em paz até que se conforme com isso e volte para mim!
Ricardo sai da sala, Simone se ajoelha, abaixa seu corpo abraçando suas pernas chorando desesperadamente. Depois de alguns instantes, coloca as mãos no rosto, "Não quero ficar aqui! Quero desaparecer!". Júlio entra na sua sala e fica perplexo com a cena que vê e vai socorrê-la:
— Simone! O que foi? O que aconteceu?
Ele a ajuda a levantar-se, a faz sentar-se no sofá ficando de joelhos de frente para ela e segurando as mãos da ruiva, esfregando-as com os polegares.
— Não quero mais trabalhar aqui! – diz entre soluços, afasta suas mãos dele colocando-as em seu rosto — Quero ir embora! Sumir!
— Meu Deus! O que fizeram com você? Por que quer ir embora? – Júlio a abraça acariciando seu cabelo, tentando confortá-la, mas está realmente consternado com a situação.
Simone começa a secar as lágrimas, sussurra, ainda entre soluços.
— É o Rick. Não me deixa em paz.
Júlio semicerra os olhos, sua expressão de dor muda radicalmente para fúria, então abre os olhos irradiando indignação e a mais pura raiva.
— Eu vou falar com ele, agora! – exclama com a voz ameaçadoramente calma, se levanta para sair.
— Não! Por favor! Não faça nada! – Simone suplica segurando o braço dele, olhando fixamente em seus olhos.
— Mas, por que não?! Olha o estado que ele a deixou! – explode em cólera pelo ódio que toma sua alma.
— Eu mesma resolvo isso. – murmura se levantando do sofá ainda segurando o braço do moreno e coloca a mão direita no rosto de Júlio – Não se preocupe.
Simone seca o restante das lágrimas mostrando um sorriso débil para Júlio, então passa a mãos no vestido tentando se recompor.
— Onde está o Eduardo? – Júlio pergunta ainda ofegante por causa da adrenalina que percorre seu corpo.
— Está na casa dele recebendo os móveis que compramos. – murmura arrumando o cabelo.
— Compramos? – Júlio levanta uma sobrancelha.
— Sim. Vou morar com ele e assim que der, mando trazer a Ângela.
— Certo. – ele puxa o ar com muita força, em seguida solta de uma vez para tentar se acalmar — Vou te pedir uma coisa.
— O quê?
— Se precisar ficar sozinha novamente, me chame. Não quero que fique mais sozinha aqui. Tudo bem?
— Não precisa se preocupar. – ela inclina a cabeça franzindo os olhos.
— Por favor! – Júlio suplica com expressão severa.
— Tudo bem. Mas o que você precisava para vir aqui?
Ele suaviza sua expressão e abre um leve sorriso.
— Precisava te ver e perguntar algo.
— Então, pergunte. – Simone senta em sua poltrona de trabalho.
Eduardo entra na sala cantarolando de felicidade:
— Cheguei, minha rainha! – ele faz uma pausa quando percebe o rosto e os olhos vermelhos de sua amiga — Nossa! O que aconteceu com você, minha flor?
— Nada demais. – ela balança a cabeça — Como foi?
— Tudo bem! Os móveis já chegaram e amanhã alguém vai montá-los, porque sabe como é, né? Nasci homem, mas na verdade sou mulher, por isso não faço nada destes serviços braçais! Por falar em braços, que braços eram aqueles dos entregadores, fortes, másculos, me deu até um calorão! – ele balança a mão direita para se abanar ao dizer a última frase.
Simone ri do comentário do amigo, o ambiente fica um pouco mais leve, então ela se volta para o playboy:
— Então, Júlio, o que quer perguntar?
— Quero saber se quer passar o fim de semana na praia? Nós temos uma casa em Ubatuba e queria levar você lá! – os olhos de Júlio brilham de expectativa.
— Que bom, amiga! Você precisa ir. Precisa se descontrair. Parece que só as minhas piadas não estão funcionando! – Eduardo fala sentando-se de frente para ela, pega uma das mãos da ruiva.
— E por falar nisso, Eduardo, você também está convidado! – Júlio diz rindo — Quero muito ter alguém do nosso lado para ficar falando um pouco de bobagens!
Simone pensa um pouco sobre o assunto:
— Mas... a Camila e o Cesar também vão? – ela questiona.
— Não! Será somente nós!
— Ok. Então, eu vou! – responde abrindo um grande sorriso para Júlio, que pisca várias vezes, prendendo o ar em seus pulmões por alguns segundos, se sente perdido por causa do sorriso da ruiva — Já estou a tempo demais longe do mar! Ele sempre me acalma!
Júlio se despede dela beijando-lhe a mão como sempre faz, pede para Eduardo acompanhá-lo e assim conversar sobre os preparativos. Quando eles estão próximos do elevador, Júlio murmura em tom de reprimenda:
— Não quero que a deixe mais sozinha, Eduardo.
— Me fale a verdade! O que aconteceu com ela? Falei todas aquelas bobagens para ela rir um pouco, pois percebi que ela não está bem.
— Sei disso. Percebi seu esforço em fazê-la se descontrair um pouco. Por isso, quero que vá também conosco para a praia, ela precisa do máximo de distração para esquecer assuntos tristes e assim fazer o trabalho dela.
— Tá. Mas o que aconteceu?
— Não sei. Cheguei na sala e estava ajoelhada no chão aos prantos, quando perguntei o que aconteceu, apenas disse que foi o Ricardo.
— Então, já imagino o que aconteceu. – Eduardo murmura, colocando a mão no queixo, pensativo — Vou te dizer, se esse cara voltar a chegar perto dela, vou encher ele de porrada, porque podem mexer comigo, mas não mexam com a minha amiga que viro macho.
— Eu quase fui fazer isso quando ela me disse o nome dele, mas me implorou para não fazer nada e deixar que ela mesma resolve! – Júlio exclama socando uma mão contra a outra, os olhos flamejando de raiva.
— Entendo. Mas pode deixar que não vou mais largar do pé dela!
Eduardo volta para a sala, enquanto Júlio entra no elevador ainda socando uma mão contra a outra:
— Ela pode até resolver à sua maneira o problema no geral, mas no agora, no hoje, eu resolvo.
Júlio segue direto para sala de Rick. Entra com tudo, sem sequer bater na porta, deixando-a escancarada.
— O que você fez com a Simone? – rosna para Ricardo que levanta em um pulo.
JP e Cesar ainda conversam na sala que é ao lado da de Rick, ao ouvirem o barulho saem e constatando que as secretárias não estão ali, seguem para a sala de Ricardo. JP fecha a porta assim que entra para que ninguém mais ouça a conversa, enquanto Cesar murmura:
— Você está maluco, Júlio? Alguém pode ouvir? E o que tem a Simone?
Rick está acuado, encostado na parede, parecendo um animal assustado com a atitude do moreno.
— Vou perguntar só mais vez! O que você fez com a Simone?
— Por quê? – pergunta JP.
Júlio olha para JP, depois para Cesar, então respira fundo tentando acalmar-se:
— Ele fez alguma coisa com ela! – responde ainda com a voz alterada — Cheguei na sala dela para conversar e estava chorando desesperadamente, parecia até que alguém tivesse morrido ou alguém a tivesse atacado fisicamente, se é que vocês me entendem.
Cesar olha para Rick, sua expressão muda radicalmente da pacífica para irada, se aproxima do Ricardo e pergunta com a voz mortalmente calma:
— O que você fez?
— Não fiz nada além do que vocês já não tenham feito com ela! – Rick estufa o peito com um olhar arrogante — Tentei uma aproximação que deu errado!
— Hora... seu... – Júlio esbraveja, se aproximando mais de Rick levantando o braço para socá-lo, mas é impedido por JP que o segura.
— Calma, Júlio! – Cesar exclama ficando entre ele e Ricardo, então continua elevando um pouco a voz a cada palavra. — Sabe por que deu errado, seu grande imbecil? Porque ela não quer nada com você!
— E nem com você! – exclama Rick enfrentando Cesar — Vocês acham que tenho medo de vocês dois! Podem vir porque eu tô fervendo de vontade de pegar os dois na porrada!
— Espera, pessoal! STOP! – intervém JP entrando na frente de Júlio e Cesar — Não quero ver ninguém brigar aqui e também não posso segurar o três, então que tal fazermos um trato!
— Que trato? – questiona Cesar com a voz ainda alterada.
— Nenhum dos três se aproxima mais dela enquanto não terminar esses dois projetos. Por Deus! Vocês estão tirando a concentração da moça! Assim, ela nunca vai acabar. Até lá, os três poderão se acalmar e as coisas serão resolvidas sem que vocês se matem.
— Hum... nenhum dos três? – Júlio pensa no convite de ir à praia.
— Sim! Nenhum dos três chega perto dela até o momento do lançamento. Será um acordo entre cavalheiros que eu sei que são! Vocês concordam?
Os três trocam olhares furiosos por alguns instantes, até que finalmente concordam e JP relaxa visivelmente. Depois cada um vai para sua sala e Júlio segue para a presidência.
Assim que ele entra chama:
— Mila?!
— Nossa, Júlio! – ela dá um pulo na poltrona, colocando um documento que lia sobre a mesa — Não entre assim, afoito, que me assusta!
— Desculpa. – responde rindo, então suspira — Tenho um pedido especial e pessoal para você!
— O que é?
— Vou usar a casa de praia neste fim de semana e quero que isto fique em segredo absoluto, nem o Cesar deve saber.
— Por quê? – ela olha intrigada para o irmão.
— Porque vou levar alguém muito especial e não quero que surjam comentários maliciosos. – murmura desviando seu olhar e senta-se em sua cadeira.
— Hum... – Camila abre um sorriso libidinoso — Já até sei quem vai levar! Será uma ruiva que está deixando meu irmãozinho maluquinho?
— Tá vendo! Até você! – ele volta a olhar para a irmã.
— Tudo bem. – ela levanta as mãos em defesa — Segredo absoluto! Pode deixar!
(***)
Eduardo interroga Simone sobre os acontecimentos da noite anterior e as do dia.
— Me fala! O que aconteceu com você?
— Não. – diz Simone sorrindo, balançando a cabeça em negativa.
— Por favor, amiga! – implora – Ou então... Não vou mais ser sua amiga! – exclama com expressão contrariada no rosto.
Simone cai na gargalhada com as palavras do amigo:
— Ok! Sua fofoqueira! Ontem foi maravilhoso. A casa deles é linda! Uma mansão de verdade com tudo que tem direito.
— É mesmo?
— Sim! – mostra-lhe um grande sorriso — A comida estava maravilhosa, a cozinheira tem mãos divinas.
— Como se comportaram com você?
— Muito bem. Camila fez uma pergunta indiscreta, mas me sai muito bem! Pelo menos, foi o que entendi quando estava sozinha com o Júlio. Cesar ficou quase que o tempo todo calado. – ela cai na gargalhada novamente — Ele até engasgou quando me viu! Foi muito cômico e tive que me segurar para não rir!
— Mas é claro, minha rainha! Ontem você estava, tipo "Abalou Bangu" como diria alguns conterrâneos! E o Júlio?
— Foi divino comigo! Comportou-se como um cavalheiro, é claro que, às vezes, jogava seu charme e galanteios, mas foi gentil. O problema foi na hora das despedidas.
— O que aconteceu?
— Primeiro, foi com o Cesar. Não queria me despedir com beijinho, então lhe dei minha mão para apenas uma despedida formal, mas ele me puxou de leve, sem que ninguém percebesse, então não resisti e dei um beijo em seu rosto, aquilo ascendeu um fogo dentro de mim, senti um frio na espinha como sentia anos atrás quando via ele de longe ou quando conversávamos. Acho que percebeu porque não pude esconder meu desejo quando olhei nos olhos dele, ele olhou dentro dos meus e pareceu que olhava dentro de mim. Juro para você que foi difícil soltar a mão dele.
— E depois?
— Depois foi com o Júlio. Disse que sabe do meu desejo de esquecer esse sentimento, mas entende que é difícil e tudo mais, então se ofereceu em me ajudar a esquecê-lo e me beijou! O beijo dele foi tão delicado, tão sincero, tão romântico que tremi na base! Depois disse que não queria que fosse assim, ele quer que eu o aceite de coração sem ser para esquecer os outros.
— Ai, minha flor! Você está muito confusa, não é?
— Sim. – ela murmura abaixando a cabeça.
— Seu coração não vai aguentar tantas emoções assim! Precisa dar um tempo desses bofes!
— Eu sei! – ela volta a olhar nos olhos do amigo — Mas não tem como ficar totalmente longe deles.
— E o que aconteceu hoje, porque você estava muito alterada quando cheguei aqui. – ele murmura colocando as mãos nos quadris.
— Foi o Rick. Eu estava me concentrando, ouvindo uma música como sempre faço, ele me surpreendeu dançando. – ela se inclina para encostar as costas na poltrona, olha para o teto, depois fecha os olhos — Me abraçou, começou a dançar comigo, no começo estava muito bom. Sempre gostei de dançar com ele!
De súbito, Simone volta a inclinar-se sobre a mesa, encara o amigo nos olhos:
— Mas, então forçou a barra e novamente me beijou, começou a me empurrar em direção a parede da janela, na hora pensei "Pronto. Não escapo dessa.", Fiquei tão furiosa com o pensamento de fazer algo forçada, empurrei ele com tanta força que nem sabia que tinha.
— Você realmente não pode ficar sozinha! E o que ele fez depois?
— Nas palavras dele?
— Sim.
— Disse, "Simone, não adianta se enganar! Você me quer! Você me deseja! Você me ama! Senti isso na sua pele e no seu beijo! Não vou te deixar em paz até você se conformar e voltar para mim!" e saiu da sala. Foi quando comecei a chorar de nervoso, o Júlio chegou pouco depois.
— Sabendo de tudo isso, não deixarei você sozinha mais em nenhum momento! Podem até me bater, mas não saio do seu pé!
— Te agradeço meu amigo. – murmura aliviada ao ouvir as palavras de Eduardo — Agora, vamos voltar ao trabalho.
— Certo.
Neste dia, Simone vai para o hotel apenas para pegar suas malas e fazer o encerramento da sua conta, depois segue para o apartamento de Eduardo.
Ao entrarem, Simone coloca suas malas no quarto que será o seu e de sua filha:
— Pena que só vão montar os móveis amanhã, queria começar a arrumar minhas roupas e tudo mais.
— Não se preocupe que, quando estiver tudo montado, te ajudo a arrumar suas coisas.
— Uma dúvida! – Simone coça a cabeça olhando para os móveis desmontados em um canto do quarto — Como você vai fazer para não me deixar sozinha na empresa amanhã, se virão aqui para montar os móveis?
— Simples, vou deixar a chave com o porteiro. Já falei com ele sobre amanhã porque não queria ficar aqui, mesmo antes de tudo o que aconteceu hoje.
— Muito bem. – ela se vira para olhá-lo — Agora, quero tomar uma banho relaxante e cair no sofá para dormir.
— Minha linda, você até pode tomar seu banho relaxante! Mas não vai cair no sofá, vai dormir comigo na minha cama.
— Você está brincando?! – ela arregala os olhos.
— Não! Ela é uma espaçosa cama de casal como a que compramos para você. Por isso, não aceito recusa! Ou você acha que vou te agarrar?
— Eu sei que não! Mas não quero interferir na sua intimidade.
— Deixe de besteiras! Agora, vá tomar seu banho que logo depois serei eu!
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