O Despertar dos Sentidos LIVRO 1
16 15 - A Viagem
A semana chega ao fim sem mais problemas na empresa. Simone trabalhando muito na preparação para o início das gravações dos comerciais com Eduardo sempre ao seu lado, expulsando todos que tentassem se aproximar dela, principalmente o Cesar e o Rick que a todo momento apareciam com desculpas esfarrapadas para vê-la. Apenas o Júlio era capaz de ultrapassar essa barreira para conversar com ela.
O sábado amanhece e como ficou combinado, Júlio toca o interfone do apartamento de Eduardo pontualmente às oito da manhã. O moreno veste bermudão na cor creme, camiseta regata azul céu, boné preto com o símbolo do time de beisebol de Nova York, corrente de metal grossa no pescoço e tênis preto.
Simone e Eduardo aparecem na portaria, ele carregando uma bolça grande de viagem, ela com uma mochila preta nas costas e carregando a cesta de piquenique de Eduardo.
Simone vestida com short médio preto, camiseta regata branca sem qualquer estampa, um colar de conchas grande feito pelas artesãs cariocas, tênis branco, brincos pequenos com pingente de sol na cor dourada. Eduardo vestido com um bermudão marrom escuro, camiseta branca com escritos em inglês e tênis branco.
— Bom dia, Júlio. – Simone e Eduardo cumprimentam ao mesmo tempo.
— Bom dia, Simone e Eduardo. – responde Júlio sorrindo — Tudo pronto?
— Sim! – diz Eduardo ao abrir o portão do prédio – Estamos levando algumas roupas, canga, protetor solar que é indispensável! Já pensou, euzinha, parecendo uma velha de noventa anos aos trinta e cinco? – ele arregala os olhos e abre um grande sorriso — É a visão do inferno!
Júlio e Simone caem na gargalhada, então a ruiva continua, tentando conter o riso.
— O Dudu também fez alguns lanches para comermos no caminho.
— Ah, sim! Tudo natural! Afinal, temos que manter estas formas esbeltas o máximo que pudermos! Porque depois, nem com reza brava nós vamos conseguir colocar no lugar!
— Ok. Vamos colocar a bolsa e a mochila no porta-malas. – responde Júlio ainda rindo, abre o porta-malas do carro — Quanto a cesta, podemos colocar no banco de trás.
— Pode deixar a cesta comigo, Simone! – Eduardo exclama ao pegar a cesta de suas mãos — Vou cuidar dela para não cair e virar tudo atrás.
— Mas... – Simone murmura, mas é interrompida por Eduardo que levanta uma das mãos e conclui:
— A senhorita vai sentada no banco do carona. Já me basta ir junto segurando vela! Separar vocês, nem pensar!
Júlio volta a rir, eis que ele abre a porta para Simone, que agradece ao entrar.
Eles se acomodam cada um no seu lugar, o playboy dá partida, em seguida o carro está em movimento rumo ao litoral norte do estado de São Paulo.
Eles enfrentam um pequeno engarrafamento antes de chegar à Rodovia Presidente Dutra. Quando, finalmente, pegam a via expressa, Júlio dá uma olhadinha rápida para Simone, aperta o botão de start do som, então murmura levantando o canto de seus lábios em um leve sorriso:
— Agora que já estamos na Dutra, vamos ouvir umas músicas. Gravei uma seleção de rock pensando em você, Simone.
— Por que pensou nela para gravar essas músicas? – pergunta Eduardo olhando para Júlio pelo retrovisor.
Júlio olha para Simone com um sorriso encantador:
— Posso contar?
— Não! Fiquei com muita vergonha naquele dia. Não quero ficar de novo. – ela comprime os lábios, balança a cabeça em negativa.
— Agora sim, vai ter que me contar esse babado! O que aconteceu?
Simone coloca as mãos no rosto, constrangida, enquanto Júlio ri. Começa a tocar a primeira música que é "Stairway To Heaven" do grupo Led Zeppelin, ou seja, justamente a que a ruiva estava ouvindo naquele dia. Ela olha para o aparelho de som, dá uma risadinha:
— Pode contar. Não tenho coragem!
— Falem logo! A curiosidade está me matando! – exclama Eduardo batendo as duas mãos espalmadas sobre suas pernas.
— Ok. – Júlio dá outra olhadinha rápida para Simone, depois olha rapidamente para Eduardo, então volta sua atenção na pista — Foi no dia que fui convidá-la para jantar em casa. Estava eu, muito tranquilo, me aproximando da sala dela quando ouço exatamente esta música que está tocando agora, percebo que a porta está um pouco aberta e dou uma espiada, então vejo essa bela mulher descalça, dançando ao som da melodia. – ele dá outra olhadinha rápida para Simone que está atentamente olhando para o moreno com um leve sorriso — Enquanto a música fica cada vez mais intensa, mais ela dança também, aí ela começa a imitar o guitarrista, continuei apenas observando, quando começa o solo de guitarra ela enlouquece, começa balançar a cabeça e a pular. Nesta hora, não resisti mais e me juntei a ela na loucura do rock n' roll!
Eduardo ouvindo tudo o que Júlio fala, começa a rir ao imaginar a cena dos dois pulando ao som da música, então ele declara tentando conter o riso:
— Tenho que te contar o que essa ruiva fez na formatura da faculdade. Porque ela já era ruiva assim mesmo, mas ainda não tinha esse corpão formado pelas areias da praia.
— Não, Dudu! Não conta isso para ele, por favor! – Simone suplica para o amigo ao se virar e encarar Eduardo com os olhos arregalados.
— Ahhhhh! Eu quero saber! – Júlio olha rapidamente para o carioca pelo retrovisor — Conte, Eduardo! Pode contar!
— Ai, meu Deus, que vergonha! – diz Simone olhando para a pista e cobre o rosto com a mão.
— Bem! No começo, estávamos todos muito bem arrumados, vestidos com toda pompa e circunstância que pede o evento! Porém... – Eduardo dá uma olhada para Simone com um sorriso maquiavélico e continua – Quando a festa começou, depois do cerimonial, essa senhorita começou a beber todas! Nós contratamos uma banda que, na minha humilde opinião, nem era tão boa assim, mas todos os outros gostaram muito! Lá pelas tantas, com muito álcool na mente, ela começou a dançar. Até que, de repente, ela tira a saia do vestido longo azul marinho lindíssimo que estava usando, mostra uma calça justíssima que estava por baixo do vestido, sobe no palco e pede para cantar uma dessas músicas de rock.
Júlio, que ouvia atentamente, começa a rir, olha para Simone que ainda esconde o rosto e tenta descobrir lhe o rosto, mas ela não deixa:
— É sério, Simone? Você realmente fez isso?
Ela balança a cabeça confirmando a pergunta, Júlio cai na gargalhada.
— O problema é que gostaram dela cantando! Aliás, minha amiga! Você realmente tem uma bela voz! Nasceu para o mundo das artes!
— Nossa! É mesmo? – Júlio olha perplexo para Eduardo, depois para Simone — Que música você cantou?
A executiva balança a cabeça em negativa, ainda com as mãos no rosto.
— Conta para ele porque não lembro o nome, só sei que tem ela no seu computador.
A ruiva tira as mãos do rosto, olha para Eduardo com expressão contrariada no rosto, depois olha para Júlio com sorriso débil, respira fundo ao perceber a ansiedade latente no rosto do moreno:
— "Patience" do Guns. – murmura.
— Sério que cantou essa? – Júlio sorri ao voltar sua atenção para a estrada, depois de dar uma rápida olhada para ela.
— Sim. – Simone murmura, fitando-o, depois volta seu olhar para a estrada e sorri com a lembrança — Com o assovio e tudo. – conclui.
— Ahhhhh! Você tem que cantar para mim!
— E não foi só essa música! – continua Eduardo — O pessoal gostou tanto de ouvi-la que pediram para cantar outras. Ninguém sabia dessa veia musical que ela tem.
— Quais foram as outras que você cantou? – olha rapidamente para Simone.
— "Sympathy for the devil" e "November Rain" do Guns; "Vento no litoral", "Pais e Filhos" e "Faroeste Caboclo" do Legião Urbana. – Simone sorri, mas ainda sem tirar os olhos da estrada.
— Não acredito! – exclama Júlio espantado – Até "Faroeste Caboclo", essa música é difícil de cantar, não é?
— Essa música foi a última que ela cantou naquele dia. Inclusive, a que mais fez sucesso na galera. – Eduardo segura os ombros da ruiva — Me lembro de ter perguntado para um amigo nosso, que é roqueiro, do motivo que aquela música fez tanto sucesso e ele disse o mesmo que você, que é um pouco difícil de cantá-la.
Com semblante sério, Simone balança a cabeça em negativa, volta a colocar as mãos no rosto e murmura:
— Aquele dia me excedi na bebida. Fiquei meio que... desinibida.
— Não sinta vergonha, Simone! – Júlio coloca sua mão sobre as mãos dela e as tira do rosto da ruiva — Se você tem voz bonita como ele diz, tem que mostrar! Quero que cante para mim, mas agora não! – mostra um sorriso maquiavélico para a ruiva — Preparei algo que você vai gostar muito!
— O que você aprontou? – ela pergunta arregalando os olhos.
— Logo você saberá! – diz com expressão imperturbável — Você realmente gosta muito de rock?
— Gosto! Mas, tenho o gosto eclético, então também gosto de Eletrônica, pop, música clássica, algumas de hip hop, por aí vai. – volta seu olhar para a estrada — Mas a maioria das músicas que gosto são das décadas de oitenta e noventa.
— E... você gosta de moto? – Júlio pergunta pensativo, roendo a unha do polegar esquerdo.
— Adoro motos!
— Mais do que adorar, ela é apaixonada pela vida em duas rodas! – exclama Eduardo sorrindo — Ás vezes, a deixo dar uma voltinha com a minha moto.
— Você tem carta, Simone? – Júlio solta o dedo e coloca as duas mãos no volante.
— Ela tirou carta faz muito tempo, mas nunca comprou uma moto por falta de grana. – responde Eduardo cruzando os braços depois de soltar os ombros dela — Ainda assim, ela só tem a de moto.
— Por que só de moto?
— Porque não me interesso em dirigir carro. Eu gosto mesmo é de moto. – Simone volta seu olhar para Júlio.
— Qual é sua moto, Eduardo? – o moreno pergunta olhando-o pelo retrovisor.
— É uma Yamaha seiscentas cilindradas, preta.
— A moto do Dudu é legal, mas minha paixão é a Harley Davidson! Um dia vou ter uma! – afirma Simone ao se virar para olhar o amigo.
Júlio cai na gargalhada com a revelação da ruiva que olha para ele, depois para Eduardo que dá de ombro sem entender o motivo da risada.
— Por que está rindo? – ela volta a olhar para Júlio.
— Quando chegarmos você verá o motivo da minha risada! – o moreno volta a demonstrar uma expressão insondável.
— Ahhhhhh! Agora é sua vez de contar! O que está escondendo? – a ruiva sorri com olhos brilhando cheios de curiosidade.
Júlio balança a cabeça em negativa, continua com expressão séria, além de sua atenção voltada para a estrada.
Ao longo da viagem, Eduardo continua contando para Júlio coisas sobre a época da faculdade, os acontecimentos que fizeram deles melhores amigos.
Uma hora e quarenta de viagem passa, Júlio interrompe o passeio parando em um posto para que pudessem usar o banheiro, esticar as pernas, além de se alimentarem do lanche que Eduardo preparou. Enquanto Simone e seu amigo observam a paisagem comem sanduíche e bebem suco, Júlio pega um dos sanduíches, se afasta deles pegando o celular para fazer uma ligação. A ruiva percebe, sua curiosidade se aguça e começa a caminhar na direção dele, porém é interrompida por Eduardo que segura seu braço:
— Aonde você pensa que vai?
— Quero saber com quem ele fala. – ela murmura.
— Não seja indiscreta! Ele deve estar resolvendo algum problema, por isso se afastou! – Eduardo mostra uma expressão de reprovação no rosto.
— Ahhhhhh! Por favor! Deixe-me ouvir! – Simone suplica juntando as mãos.
— Você esqueceu que a curiosidade matou o gatinho?
— Tá bom. – resmunga resignada.
— Por acaso você sabe se o Cesar está sabendo dessa viagem? – ele pergunta antes de colocar o último pedaço de lanche na boca.
— Não sei. Mas acho que não. – ingere o último gole de suco.
Júlio desliga o telefone, caminha ao encontro deles, questiona com um sorriso travesso, além de um brilho malicioso nos olhos:
— Então, vamos?
— Sim. – respondem os dois ao mesmo tempo.
Depois de entrarem novamente no veículo e recomeçarem sua viagem, Eduardo interroga:
— Júlio, você pode matar minha curiosidade sobre um assunto?
— Se eu puder. – ele dá uma olhada rápida para Eduardo pelo retrovisor.
— O Cesar está sabendo desta viagem?
— Não. Ninguém sabe, além da Camila.
— Por quê? – Simone franze o cenho.
— Porque fizemos um acordo.
— Que tipo de acordo? – Eduardo questiona olhando curioso para Simone que retribui o olhar.
— Depois do que aconteceu naquele dia em que encontrei a Simone chorando por causa do Ricardo, fui tirar satisfação do ocorrido com ele, o Cesar e o JP entraram na sala e por causa do que ele respondeu, quase brigamos. Fiquei puto da vida! – faz uma pausa, olha para Simone rapidamente, dá um longo suspiro e volta sua atenção para a estrada — O Ricardo seria o mais prejudicado. Não foi só eu que queria matar aquele idiota! O Cesar também estava pronto para encher ele de porrada, mas antes que isso ocorresse, o JP nos deu uma ideia.
— Qual foi essa ideia? – Simone cruza os braços, a irritação é tangível em seu semblante.
— Bom... – começa responder, porém fica indeciso em dizer algo mais ao ver os olhos de raiva de Simone.
— Fala! – ela ordena e comprime os lábios.
— Não sei se você vai gostar?
— Fala logo! – ordena Simone e Eduardo ao mesmo tempo.
— Tá! Ele falou para nenhum de nós três nos aproximarmos de você, principalmente porque estávamos atrapalhando seu trabalho. Pelo menos, não nos aproximarmos até o lançamento das campanhas.
— Mas... não foi bem assim que as coisas aconteceram esta semana! – declara Eduardo.
— Como assim? – pergunta Júlio.
— Várias vezes, durante esta semana, tive que expulsá-los do estúdio. Primeiro vinha um com uma conversinha besta querendo falar com ela, por causa de alguma coisa, depois vinha outro fazendo a mesma coisa.
— Não acredito nisso! – explode Júlio batendo uma das mãos no volante — Nós prometemos!
— Mas nenhum dos três cumpriu com o pacto! – exclama Simone furiosa, batendo as mãos espalmadas nas próprias pernas — O Eduardo os expulsava, mas deixava você ficar perto de mim.
— Desculpe, Simone. – o moreno murmura pegando a mão dela.
— Vocês homens são todos iguais! – a ruiva tira sua mão de perto da dele com violência, volta a cruzar os braços.
— Pode ser! Mas o Júlio não tentou te agarrar e te beijar a força! – diz Eduardo colocando as mãos sobre os ombros da amiga — Que eu saiba, você sempre se comportou como um cavalheiro, Júlio! Ou será que não? – pergunta olhando para Simone sorrindo, afinal já sabia do beijo que Júlio deu nela.
Simone olha para Eduardo, depois para Júlio, abre um leve sorriso:
— Sim. O Júlio sempre se comportou como um cavalheiro.
Todos permanecem em silêncio, seguem a viagem pensativos.
Ubatuba é uma bela cidade litorânea, situada no Parque Estadual da Serra do Mar, cercada por cadeia de montanhas cobertas pela Mata Atlântica que é rica em fauna e flora, além do Oceano Atlântico. Com várias praias de areias claras e água do mar esverdeada.
Eles passam pelo centro da cidade, seguem para a praia da Enseada, entram em uma das pequenas ruas estreitas que levam até a beira da praia e do mar. Estacionam em frente de um portão de madeira de uma casa grande, a última da rua. Júlio aperta o controle do portão, estaciona o carro na garagem. Os três saem do carro ao mesmo tempo, Júlio abre a porta principal da residência, Simone e Eduardo vão conhecer todas as dependências e ficam maravilhados pela beleza da casa.
Sala com dois ambientes, três quartos (sendo um, uma suíte), banheiro social, cozinha espaçosa, área de serviço, ampla varanda com churrasqueira, piscina, garagem coberta para três carros e, ao lado da piscina, um barracão fechado com cadeado. O muro faz divisa com a praia, ou seja, basta andar um metro, além do muro, para pisar na areia.
Depois de guardarem as bolsas e o que sobrou do lanche de Eduardo, Júlio leva os dois até o barracão, próximo da piscina, destranca o cadeado, abre a portinhola, então murmura com sorriso débil nos lábios:
— Aqui está o motivo da minha rizada quando você falou de seu amor por motos.
Os dois dão uma espiadinha, Simone dá um gritinho de felicidade ao ver do que se trata. Guarda nesse local uma Harley Davidson Softail Heritage preta, equipada com encosto para carona, bolha, pequenos baús laterais e tudo que tem direito. Ao ver a euforia da ruiva, Júlio dá uma gargalhada e declara:
— Entendeu, agora?!
— Sim! Mas por que não disse logo que tem uma Harley? – Simone entra e toca no guidão da moto, admirando a máquina.
— Porque queria fazer uma surpresa!
— Posso dar uma volta? – ela pergunta com os olhos brilhando de alegria e esperança.
— Daqui a pouco. – Júlio ri.
— Ah! Por quê? Por favor! – Simone suplica.
— Vou te dizer a verdade. – o moreno murmura passando uma das mãos no cabelo com expressão séria e preocupada — Estou esperando alguns amigos do moto clube. Combinei de fazermos um luau esta noite e você é a convidada especial que, inclusive, vai cantar algumas músicas para nós.
— Você deve estar de brincadeira comigo! – Simone quase cai para trás surpreendida, impedida por Eduardo que coloca uma das mãos nas costas dela, pois já se encontra ao seu lado também admirando a moto.
O primeiro casal de amigos de Júlio estaciona em frente ao portão e buzina. O moreno corre, abre o portão de pedestre, fica eufórico em ver que os primeiros a chegarem são seu melhor amigo e a namorada.
O playboy abre o portão da garagem, pede para o amigo colocar a moto para dentro, Simone e Eduardo caminham em direção ao portão para ver quem acabara de chegar. Depois de estacionar a moto que é igual à de Júlio, o casal desce, tiram os capacetes, o moreno cumprimenta os dois, bastante entusiasmado.
Quando Simone e Eduardo chegam perto, Júlio faz as apresentações:
— Simone! Este é Elton Amaral Bastos e sua namorada Agatha Camargo. – a ruiva cumprimenta apertando as mãos e dando um beijo no rosto dos dois — Esta é Simone Andrade. – o moreno completa olhando para o casal.
— Júlio nos falou muito de você, Simone. – Agatha murmura sorrindo.
— Espero que tenha falado bem. – Simone corresponde ao sorrindo.
— Minha rainha, não importa se fale bem ou fale mal! O importante é que falem de você! – retruca Eduardo.
— Agatha e Elton, este é Eduardo, o melhor amigo da Simone. – Júlio tenta conter o riso por causa do comentário de Eduardo.
Os três se cumprimentam e Elton murmura:
— O Júlio também falou de você, Eduardo.
— Tá vendo, minha linda? O importante é ser lembrado! – Eduardo exclama olhando para Simone que cai na gargalhada.
Agatha Camargo, aparenta ter trinta anos, cabelo avermelhado auburn, ondulado e tão longo que pode sentar-se sobre ele, olhos azuis extremamente claros, pele alva e com sardas no rosto, mesma estatura de Simone. Quando tira a jaqueta de couro que veste, deixa a mostra uma blusinha preta, frente única e parte de uma tatuagem nas costas, um desenho de uma fênix.
Elton Amaral Bastos, aparenta também ter trinta anos, com cabelo castanho bem claro ondulado um pouco abaixo da altura dos ombros, barba e bigode não muito grande muito bem cuidados, olhos azuis acinzentados, pele clara, um pouco mais baixo que o Júlio. Ele também deixa a mostra uma tatuagem no braço quando tira sua jaqueta de motoqueiro, um desenho de uma caveira com uma rosa vermelha na boca.
— Como ficou a organização do luau? Liguei para você, mas sua irmã disse que já tinha saído. – diz Júlio olhando para Elton.
— Já estão todos chegando. Quatro estão vindo em suas picapes, onde três delas está trazendo os equipamentos para o nosso show particular, a outra está trazendo a decoração e a comida. O resto da galera estão vindo de moto. – ele responde se esticando para relaxar os músculos — Acho até que já devem estar apontando aí, no fim da praia. Mais uma coisa, o Chico e o David disseram que as casas deles estão totalmente a nossa disposição para depois do luau para a galera descansar.
— Mas eles não vão vir? – o moreno franze a testa.
— Infelizmente, não vão poder vir. – Agatha responde finalizando de relaxar seus músculos também — David disse que ele e a esposa são padrinhos de casamento de uma amiga da esposa. Chico está com algum problema que não quis dizer. Eles nos entregaram as chaves das casas.
— Que pena. – Júlio murmura com olhar distante — Mas, tudo bem. Coloquem suas coisas em um dos quartos e vamos para dentro conversar um pouco.
Mal o Júlio pronuncia estas palavras e mais dez amigos motorizados com motos tipo custom e vestidos a caráter começam a buzinar na frente de sua casa. Em seguida, as quatro picapes também encostam.
Júlio faz as apresentações, pede para Simone e Eduardo não se preocuparem com nada, pois todos estão acostumados em preparar estas festas, por isso podem dar uma volta pela praia. Porém, Eduardo declara que irá ajudar mesmo assim, então Simone vai para a praia sozinha, depois de colocar seu biquíni e voltar a vestir sua roupa por cima.
(***)
Na mansão dos Miranda, Cesar se surpreende ao chegar à sala de jantar e não ver o Júlio tomando café da manhã com a Camila. Principalmente, porque todos sempre se levantam tarde da manhã nos finais de semana, mas quase nunca deixam de tomar café juntos.
— Onde está seu irmão?
— Ele foi para a casa de praia. – responde depois de engolir um pouco do suco.
— Porque nós também não fomos? Faz tempo que não vamos lá! – coloca suco no copo.
— Ele queria ir sozinho. – Camila desvia o olhar, tentando disfarçar a mentira.
— Eu também quero ir! Vamos agora?
— Melhor não.
— Por quê?
— Porque ele disse que queria ficar sozinho. – volta a ingerir o suco.
— Nós vamos! Estou louco para tomar banho de mar.
Camila mostra um sorriso amarelo ao colocar o copo sobre a mesa, enquanto pensa "Me desculpa, Júlio. Não vai ter jeito de você ficar sozinho com a sua ruiva.". Cesar chama Juliana, pede para ela ajudar Carmela a arrumar umas roupas para eles levarem antes das duas empregadas partirem para suas casas com suas famílias. Depois de duas horas, os dois partem no carro de Cesar.
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