O Despertar dos Sentidos LIVRO 1
11 10 - UM Segredo É Descoberto
O horário de almoço passa rapidamente, na sala de Cesar já se encontram reunidos o próprio, o Rick e o Júlio, quando finalmente JP entra na sala:
— Feche a porta JP e sente-se, por favor. – Júlio murmura, calmamente, permanecendo em pé, atrás de Rick e JP.
— Por que essa reunião? – indaga JP com desdém.
— Primeiro, quero dizer aos três patetas que já sei de tudo, ou quase tudo, sobre vocês e a Simone. – Júlio declara cruzando os braços, expressão indecifrável.
— Como assim? – diz Cesar intrigado e colocando as duas mãos espalmadas sobre a mesa — Tudo o quê?
— Ela me contou ontem, durante o jantar, que é ex sua e do Ricardo. – o playboy continua com a mesma expressão.
— E o que tem isso? – indaga JP se virando para encarar Júlio — Que eu saiba todos nós aqui temos "ex", incluindo você, Júlio.
— Não tem problema algum desde que essas antigas relações não atrapalhem a vida de alguém. Nesse caso, está atrapalhando a vida dela. – ele fita Cesar e depois Rick com um olhar feroz.
Ricardo se levanta de supetão, rosna para Júlio encarando-o nos olhos:
— Aposto que você quer fazer parte da vida dela!
— Vou deixar uma coisa bem clara! – o moreno também eleva a voz encarando Ricardo e descruza lentamente os braços — Estou sim interessado nela, mas nem por isso vou forçá-la a ter alguma coisa comigo! Não sou farinha do mesmo saco que vocês dois.
— Como assim forçá-la? – Cesar se levanta de sua poltrona, dá a volta na mesa, se colocando de frente para os dois — O que você está querendo dizer?
— Não estou querendo dizer! Estou afirmando que vocês dois estão forçando uma situação que ela não quer.
Cesar e Rick trocam olhares flamejantes de pura raiva, proferem ao mesmo tempo:
— Você! – os dois pegam na lapela do paletó um do outro e continuam a articular ao mesmo tempo — O que você fez? Eu não fiz nada! Fez sim, eu te conheço.
JP se levanta rapidamente, segura Rick, enquanto Júlio segura Cesar para os dois não brigarem.
— Vamos parar vocês dois, por favor! – JP exclama em voz alta — Brigar não vai dar em nada, ou vocês se esqueceram do passado! Se bem me lembro, Ricardo, foi ela que terminou com você! E Cesar, por favor, nunca aconteceu nada entre vocês, além de um beijo e uma conversa sincera! O que está acontecendo com vocês?
Os dois se soltam, Cesar olha fixamente para JP e murmura com a voz entrecortada:
— Não foi só um beijo. – Cesar volta lentamente para seu lugar com a cabeça baixa. Ao se sentar, coloca a mão no rosto abaixando a cabeça e apoiando os cotovelos sobre a mesa.
Os outros o observam atentamente com olhares astutos. JP se senta ficando de frente para o amigo, então murmura:
— Como não foi só um beijo? O que você deixou de me contar? Você me disse...
— Eu menti! – Cesar retruca com a voz ainda embargada — Eu menti, ok? Não queria que ficasse mal falada na escola. Queria o melhor para Simone. Aconteceu no último dia de aula, há doze anos. Quando pensei que tudo iria ficar bem, ela foi embora.
— Você se atreveu a tocar nela exatamente no dia que estávamos brigados! Seu canalha! Filho da puta! – Rick rosna pegando no braço do oponente com força.
— Me solta! – Cesar explode levantando o rosto deixando a mostra seus olhos cheios de lágrimas deixando a todos perplexos com a cena — Eu amo aquela mulher desde o dia em que a conheci. Hoje, sei que fui muito tolo porque perdi minha chance de fazê-la feliz ao meu lado.
— Pois é, Cesar! Como você mesmo disse, perdeu sua chance. – diz Júlio cruzando os braços novamente — Agora, é a minha vez de tentar remediar o que vocês dois fizeram com ela, porém nem sei se terei algum êxito porque tenho certeza que vocês dois, mais o pai da filha dela, a fizeram sofrer demais.
JP o encara cheio de dúvida, enquanto que Rick observa-o com raiva e Cesar o olha com amargura.
— Não me olhem desse jeito! Fiquem felizes por não dizer nada do que está acontecendo para Diana e para Camila, sabem por quê? – os dois abaixam a cabeça um pouco envergonhados — Elas não merecem vocês! Elas merecem coisa muito melhor do que esses dois trastes que as duas têm como marido. Você, Cesar, é o pior, porque tive certeza que não ama minha irmã, para ela sim é dever meu contar, mas não quero que ela sofra.
— Então, não vai falar nada?
— Não vou, JP! Até porque a Simone também não merece passar por tamanha vergonha. Ela merece é ficar com seu nome intacto. Mesmo que, talvez, ainda sinta alguma coisa por qualquer um de vocês dois, tenho certeza que ela não quer estragar o casamento da Camila ou da Diana. Por isso, ordeno que os dois a deixem em paz.
Os dois permanecem em silêncio, apenas encarando um ao outro, depois olham para o Júlio.
— Agora vou voltar para o meu trabalho e espero que vocês façam o mesmo.
Júlio sai da sala, em seguida Rick depois de fuzilar Cesar com um olhar feroz. JP encara o amigo e pergunta:
— Por que você mentiu para mim?
— Já falei que queria assegurar a privacidade dela! – responde batendo as duas mãos sobre a mesa.
— O que você pretende fazer agora?
— Não sei! Pode me deixar sozinho.
— Mas...
— Me deixe! Vai embora! – interrompe Cesar deixando as lágrimas quentes correrem pelo seu rosto.
JP não pronuncia palavra alguma, sai da sala deixando Cesar com seus pensamentos "Por que, Simone? ... Por quê? ... Por que você voltou? Foi só para me atormentar?".
Cesar deixa escapar mais algumas lágrimas que escorrem pelo seu rosto e caem sobre um papel na mesa. Olha para o teto passando as duas mãos pelo cabelo, depois fecha os olhos e dá um longo suspiro. Depois de alguns instantes, abre os olhos, passa as mãos no rosto para secar as lágrimas, se levanta, arruma o paletó e a gravata, então sai da sala.
(***)
Júlio entra na presidência, percebe que Camila está falando com um fornecedor ao telefone. Senta-se em sua escrivaninha, abre o livro caixa que estava analisando anteriormente. Sua irmã desliga o aparelho, olha para ele e percebe uma leve irritação em sua atitude:
— E então? Como foi o papo de homem?
— Nada demais. Foi só uma conversa entre cavalheiros.
— Sei. – se levanta de sua poltrona, abraça seu irmão pelas costas e dá um beijo em sua bochecha — Aposto que o assunto principal dessa conversa são as mulheres.
— Não se preocupe, Mila. – murmura se lembrando do que Cesar disse, coloca uma das mãos nos braços de Camila — Não foi nada demais.
— Tudo bem. E como está seu trabalho com esses livros?
— É muito cedo para falar qualquer coisa.
— Certo, mas assim que tiver alguma coisa me fala. – ela dá outro beijo nele, então volta a sentar-se.
(***)
Cesar para na frente da sala de Simone, percebe a porta levemente aberta, uma música muito conhecida para ele é liberada pela abertura, é "November Rain" do grupo Guns N' Roses, ele olha pela fresta da porta, vê Simone sozinha próxima da janela com os pés descalços, olhos fechados, balançando o corpo e a cabeça, imitando o guitarrista no solo.
O executivo abre um sorriso de orelha a orelha ao refletir "Tão linda. Como posso te esquecer? Eu te amo, Simone!". Arruma a roupa, passa as mãos no cabelo, faz uma checagem rápida de seu hálito, inspira profundamente e solta o ar de uma vez, então bate na porta.
Simone ouve, entra em pânico olhando de um lado para o outro e corre para desligar a música.
— P-pode entrar. – ela gagueja.
Ele abre a porta, a vê sentada rabiscando alguns papéis sobre a mesa.
— Oi, Simone. Por que desligou a música?
— Porque você bateu na porta e me assustei. – olha para ele com os olhos arregalados.
— Onde está o Eduardo? – Cesar olha de um lado para o outro tentado não encará-la nos olhos.
— Ficou no centro, comprando umas coisas para decorar a sala dele.
— Posso entrar? – finalmente fixa seu olhar nos olhos dela – Não quero atrapalhar seu trabalho.
— Claro que pode entrar. Sente-se, por favor! Não está me atrapalhando.
Cesar entra, se senta, deixando a porta com uma fresta aberta.
— Bom. Para começar, fiz algo que acho que você não vai gostar, mas eu tinha que fazer. – desvia seus olhos para o horizonte pela janela.
— O que você fez, Cesar? – franze o cenho.
O executivo volta seu olhar para Simone, fica reticente por alguns segundos, ao que ela torna a perguntar com mais firmeza na voz:
— O que você fez?
— Liguei para Ilhane e falei que você está trabalhando conosco. – dispara abaixando a cabeça, colocando a mão direita na testa tentando esconder seus olhos.
— Você fez o quê? – Simone bate as mãos sobre a mesa com força, assustando-o.
— Calma! Não fica brava! – Cesar olha para a ruiva com os olhos arregalados — A Ilhane é nossa amiga! Ela merece saber como você está, inclusive disse que virá segunda-feira para conversar com você.
— Ai, meu Deus, Cesar! Por que você fez isso? – Simone apoia a cabeça com as duas mãos — Ela vai contar onde estou para todos da minha família.
— Não! Não! Ela me prometeu que só contaria se você a autorizasse. Disse que, primeiro, antes de fazer qualquer coisa, quer conversar com você.
Simone se levanta, segue em direção a Cesar que se sente ameaçado com a aproximação dela arregalando mais ainda os olhos. A ruiva pega as mãos dele, o puxa para levantar-se, então o abraça fortemente.
— Apesar de ter ficado brava, adorei o que você fez. – sorri, enquanto que Cesar relaxa o corpo, também a abraça aliviado e sorri, então ela prossegue depois de se afastar ligeiramente — Quero muito ver minha melhor amiga. Morro de saudades dela. Muito obrigada! – Simone dá um beijo no rosto de Cesar que sente seu coração explodir de alegria, por fim começa a rir nervosamente — Por que está rindo?
— Porque achei que iria ficar furiosa comigo. Estou rindo de nervoso!
— Ah, Cesar! Não precisa ficar com medo de mim. – a ruiva o abraça mais uma vez, o executivo retribui, eis que os dois começam a rir um do outro.
Rick chega em frente à sala de Simone, ouve risos e espia pela fresta da porta. Vê a Simone e o Cesar abraçados, ao mesmo tempo que riem. A cena o deixa atordoado, fica lívido, sente o chão se abrindo sob seus pés, permanece totalmente paralisado, observando os dois.
Cesar adquiri uma expressão séria, observa fixamente os olhos de Simone e começa a se afastar dela, porém a ruiva o impede lhe dando outro beijo demorado em seu rosto. O executivo coloca suas mãos no cabelo de sua amada, eles trocam olhares intensos. Cesar deixa de resistir aos seus instintos, beija-a profundamente. Simone se entrega aos seus desejos retribuindo o beijo.
Os dois começam a fazer carícias, Cesar a faz deitar sobre a mesa deixando seu corpo sobre o dela. Começa a deslizar uma das mãos em sua amada. A ruiva sente seu ser arder em brasa pelo desejo de sentir mais uma vez esse homem. Ele começa a levantar a saia do vestido, acaricia a pele sedosa, enquanto que ela começa a deslizar suas mãos tentando tirar o paletó dele.
Rick se enfurece observando a cena, "Ela deve ter me visto e está me provocando ciúme. Esse canalha do Cesar está se aproveitando da situação.", reflete, nem se dá conta da chegada de Eduardo carregando algumas sacolas:
— O que você está espiando aí, querido? – Eduardo murmura, assustando Ricardo, antes mesmo que o executivo pudesse responder, empurra a porta com o braço, completando — Por que você não entra?
Eduardo paralisa com a cena que vê, acaba deixando as sacolas caírem. Simone e Cesar se assustam com o barulho, tentam se recompor as pressas. Voltam para seus lugares, porém, ao se sentar, Simone vê Rick parado do lado de fora, observando-a sem demonstrar sentimento algum.
Vê-lo desse jeito, a deixa triste, Cesar percebe, se vira e vê Ricardo. Ele encara o rival, depois a Simone com expressão fria, por fim sai do campo de visão dos dois e segue em direção à saída. Passa por sua mulher que o estava procurando:
— Aonde vai? – ela murmura seguindo seu esposo.
Ele não responde nada, entra no elevador acompanhado por ela.
(***)
Simone e Cesar ficam constrangidos com as brincadeiras de Eduardo sobre a cena que acabará de presenciar:
— Por favor, vocês dois! Desculpe-me, amiga! Mas eu queria tanto que um homem forte e másculo fizesse isso comigo! Exatamente como ele acabou de fazer com você! Jogar-me sobre a mesa do escritório, me beijar todinha! Hum! Que delícia!
— Pare com isso, Dudu! Não aconteceu nada. – murmura ruborizada.
— Minha linda, se o que vi é nada imagina o tudo! Vocês dois não podem ficar sozinhos porque sai faísca!
— Eduardo, por favor. – Cesar tenta conter o riso.
— Eu paro, mas vocês precisam ter mais cuidado. E se em vez do Rick estar observando vocês fosse a Camila?
— Como assim nos observando? – questiona Simone com expressão de terror estampada em seu rosto.
— Estão vendo! Quando estão juntos não percebem nada ao redor de vocês!
— O Ricardo estava nos vigiando? – Cesar pergunta preocupado.
— Estava! E já fazia algum tempo porque ele se assustou com a minha chegada. – Eduardo confirma com sinal de cabeça, então finalmente pega as sacolas do chão e as coloca sobre o sofá.
— Cesar, eu não quero ter problemas. Não quero magoar a Camila, por isso, por mais que me doa dizer estas palavras, se afaste de mim. Se tiver algo para falar comigo, vamos sempre conversar pelo telefone. Nós temos que deixar o passado morto e enterrado. – ela murmura olhando para as mãos sobre seu colo.
— Ah... Simone! Me desculpe, mas pelo que vi essa história não está no passado, ela faz parte do presente de vocês dois – diz Eduardo apontando para cada um deles com o dedo indicador.
— O que você quer que eu faça, Eduardo? – Simone fala com a voz estridente em demasia – Não sou uma destruidora de lares!
— Está tudo bem, Simone. Vou me manter o mais afastado possível. Também não quero magoar a Camila.
Cesar se levanta, se despede dos dois com um leve aceno de cabeça, sai da sala fechando a porta atrás de si, "Preciso me desabafar com alguém. Já sei, o JP", reflete, porémantes que pudesse pegar o elevador para subir, pensa melhor e resolve sair da empresa. Apenas, liga para seu amigo:
— JP, preciso sair um pouco.
— E aonde você quer ir?
— Não sei, mas quero ficar sozinho.
— Entendi. Quer que seja seu álibi para Camila, como sempre?
— Sim. Nos encontramos no elevador?
— Ok! Já estou saindo.
Eles se encontram no elevador, quando chegam à garagem encontram Diana e Rick discutindo em frente ao carro deles:
— O que está acontecendo com você? – ela segura os braços do esposo — Você está muito diferente comigo!
— Me deixe em paz! – ele rosna. Ao ver Cesar, o encara por alguns segundos, então abre a porta do carro, entra no veículo fechando-o em seguida, deixando Diana batendo no vidro.
— Por favor, Rick! Aonde você vai? – questiona com os olhos marejados.
O executivo não dá atenção para a esposa e parte deixando-a aos prantos, enquanto Cesar e JP se aproximam.
— Algum problema, Diana? – Cesar interroga.
— O Rick saiu sem falar comigo direito, parecia transtornado. – ela murmura secando as lágrimas.
— Não se preocupe, ele deve voltar logo. – JP olha para Cesar.
— Os senhores vão sair? – ela pergunta tentando se recompor.
— Sim. – responde Cesar rapidamente — Vamos sair para tomar uns drinks porque o dia está muito difícil.
Diana segue em direção ao elevador, entra nele que ainda estava com as portas abertas, este as fecha logo em seguida. JP segura o braço do amigo.
— Você tem alguma coisa a ver com essa atitude do Ricardo?
— Tenho, mas não quero falar sobre isso. Vamos sair logo daqui!
Cada um entra em seu carro e partem. O de JP é um esportivo de dois lugares vermelho.
(***)
Diana chega ao andar da administração, encaminha-se direto para a sala da presidência:
— Dona Camila? – murmura ao abrir a porta.
— Sim. Pode entrar, Diana. – a empresária responde ainda olhando para os papéis sobre a mesa.
— Preciso pedir algo. – olha para os dedos entrelaçados.
— Pode falar. – responde fitando Diana.
— Posso ir embora? – ela encara Camila nos olhos.
— Por quê? – questiona Júlio ao perceber que ela havia chorado.
— Não estou me sentindo bem. – Diana volta a olhar para as mãos.
— Sim. Claro que pode ir. – declara Camila.
— Aconteceu alguma coisa, Diana? – insiste Júlio levantando-se e faz gesto para que ela se sente.
— Não foi nada! – diz ao se recusar a sentar gesticulando com uma das mãos, então finalmente responde — O Rick foi embora e parecia transtornado com algum problema. Então, posso ir?
— Sim, mas vou te levar em casa! – Júlio pega sua jaqueta de couro preto que estava sobre sua cadeira.
— Não precisa! O senhor tem muito trabalho. Mais uma coisa dona Camila, o senhor Cesar acabou de sair com o senhor João Paulo.
— Sem me avisar? Ele sabe que não gosto quando sai sem me avisar! – ela exclama fechando a cara.
— Bom... Então, já vou. – murmura Diana.
— Espera! – Camila pega o telefone — Vou ligar para o Justino vir me buscar, aí te levo em casa e vamos conversar pelo caminho. Cesar se foi sem mim, posso sair sem ele.
— Mas...
— Não se preocupe, Diana! Agora, peço que aguarde alguns minutos até que ele chegue com o carro do papai.
Diana encolhe os ombros, abre um sorriso débil e sai da sala. Camila liga para casa, enquanto Júlio volta a sentar-se, refletindo "Aposto que essa atitude do Rick tem alguma coisa a ver com a Simone. Será que ele voltou a importuná-la? Não. Acho que não.", ele volta sua atenção para o livro sobre a mesa.
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